Notas de "NA MINHA FRACA OPINIÃO"

31/03/2017

POR QUE NÃO INCLUO GATILHOS MENTAIS NO CONTEÚDO
DOS MEUS CURSOS E PALESTRAS?

(Publicado em 17/06/2016)



Um dos recursos preferidos dessa turma que o meu amigo Jean Tosetto chama (apropriadamente) de “Gurus da Prosperidade” são os chamados gatilhos mentais. Eu não gosto deles.

Os gatilhos mentais funcionam? Claro que funcionam.
Eles ajudam a persuadir pessoas e fazer negócios? Claro que sim. Existe vasta literatura sobre o assunto.
Então, por que não usá-los? Não sou contra o uso desses recursos. Sou contra ganhar dinheiro ensinando como usar esses recursos. Acho uma coisa de baixo nível. É como vender bombinhas de pólvora na porta de escolas (e dizer, com a cara mais séria do mundo: "olha, isso aqui é legal para se divertir com os amiguinhos, mas, cuidado: não use isso no banheiro nem dentro da sala de aula e nem para assustar os mais velhos").

Quando o guri mais endiabrado resolve juntar umas dez bombinhas e explodir o banheiro da escola... digam o que disserem, o cara que vendeu as bombinhas é cúmplice daquilo. Não importa as instruções que tenham sido dadas.

Eu não vendo bombinhas para crianças!

"Ênio Padilha, você está querendo dizer que os jovens profissionais de Engenharia e Arquitetura (principais alvos dos "gurus da prosperidade") são crianças?"
Não. São apenas jovens. Com muitas inseguranças. Ávidos por sucesso. E estão ainda em processo de amadurecimento intelectual.

Alguém precisa assumir o pesado papel de dizer a eles que o mundo não é uma colônia de férias. Que as coisas são mesmo difíceis. Que o sucesso não está a um ou dois gatilhos mentais de distância. E que a solução de todos os problemas não surgirá em ebooks "de grátis" em blogs da internet que se alimentam de reciclar conceitos das décadas de 1930 ou 40.

Essa nova onda de motivação pessoal e auto ajuda empreendedora que tomou conta da internet já está passando da conta. Você que tem filhos, sobrinhos ou amigos nessa faixa-alvo (22 a 30 anos) faça a sua parte. Diga a eles que leiam os autores originais da PNL (Programação Neuro Linguística) e da literatura de motivação, negociação e vendas (Marco Aurélio, Dale Carnegie, Frank Betger... e até Lair Ribeiro, se quiser).

Os tais gatilhos mentais (Escassez, Urgência, Autoridade, Reciprocidade, Curiosidade, Inimigo Comum, Prova Social, Paradoxo da escolha, História, Antecipação, Novidade, Relação Dor Prazer, Descaso, Compromisso e Coerência, Simplicidade, Referência, e seja mais o que) são bombinhas de pólvora na mão de crianças. Ou, se preferir, armas de manipulação poderosas e perigosas quando colocadas à disposição de quem não tenha ainda elementos para dimensionar os estragos que o mau uso disso pode fazer à sua própria reputação e carreira.

Aliás sobre gatilhos mentais, recomendo apenas que os jovens profissionais leiam a respeito e saibam o que é e do que se trata, para saber quando seus clientes ou empregadores estiverem usando esses recursos contra eles. E (se entenderem direitinho) vão acabar percebendo que esses gurus contemporâneos da auto ajuda empreendedora usam isso o tempo todo.



ÊNIO PADILHA
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---Artigo2016 ---Gestão de Carreira

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30/07/2016

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23/07/2016

NA MINHA FRACA OPINIÃO

(Publicado em 29/06/2011)



De vez em quando utilizo nos meus textos um "chiste". Um bordão, antes de opinar sobre alguma coisa. Começo dizendo... "na minha fraca opinião..."

Esclareço: no divertidíssimo livro FATOS E RELATOS PITORESCOS DE SANTA CATARINA (infelizmente não está mais disponível para venda -- mas o leitor poderá encontrar nos sebos, no Mercado Livre e nas melhores bibliotecas), o autor, Luiz Antônio Soares, cita um conhecido comerciante e exportador da região de Tijucas.

Ele conta que "o velho João Bayer, a toda vez que desejava expressar o seu pensamento, especulando ao mesmo tempo o pensamento alheio, armava a seguinte pergunta:
--- Eu penso assim. O senhor, na sua fraca opinião, o que é que pensa?"


Quando li o livro, em 2003, me diverti muito imaginando a cara do interlocutor cuja opinião já havia sido antecipadamente desmerecida... a partir daí passei a utilizar essa frase "na minha fraca opinião" sempre que considero que ela possa ser discutível.

just for fun



ÊNIO PADILHA
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19/05/2016

O RAIO CAI, SIM.

(Publicado em 28/06/2004)



“O raio não cai duas vezes no mesmo lugar".

Quantas vezes você já ouviu essa afirmação. Em conversas com amigos, em cursos ou palestras, na televisão, no cinema, em livros, jornais, revistas...

Então, já que estamos falando de frases de efeito, que tal essa: “uma bobagem, dita por um milhão de pessoas, pode até ser reconhecida como verdade, mas não deixa de ser uma bobagem”. Gostou?

Pois essa história de que “o raio não cai duas vezes no mesmo lugar” se encaixa perfeitamente neste grupo: não passa de uma bobagem. Uma grande bobagem, recitada, diariamente, por milhões de pessoas.

A verdade é que, exatamente ao contrário, um raio cai, sim, muitas vezes, no mesmo lugar. É da natureza das descargas atmosféricas (os raios). É o princípio natural que permitiu ao homem inventar o pára-raios. Pergunte a qualquer físico. Ou a qualquer engenheiro eletricista... '

Comecei o artigo citando essa afirmação tola porque tenho certeza de que ela não está sozinha no mundo. Principalmente quando o assunto é marketing. Aí temos um terreno fértil para inúmeras frases de efeito e afirmações que, vistas com certa dose de desatenção ou ingenuidade podem parecer muito razoáveis (como a história do raio):

“O cliente sempre tem razão.”

“Oferecer um bom produto ao mercado é tudo o que um profissional precisa para ter sucesso profissional.”

“A propaganda é a alma do negócio.”

“O olho do dono é o que engorda a boiada.”

“Cliente que pergunta pelo preço antes de qualquer outra coisa é, por certo, um cliente ruim.”

“Quanto maior a qualidade do produto, melhores serão os resultados comerciais para o fornecedor”

Tolices. Tolices que não resistem a cinco minutos de argumentação séria. Frases que são repetidas sistematicamente por pessoas que, no mais das vezes, têm preguiça de desconfiar das verdades absolutas.

Acreditam no discurso hipócrita de que “a voz do povo é a voz de Deus”.

Eu sempre tive um pé atrás com as frases de efeito. E nunca fui de acreditar nas verdades absolutas. Não que eu tenha sido, na vida toda, um contestador inveterado. Um sujeito do contra. Não. Apenas não aceitava (e não aceito até hoje) uma coisa como “verdade” apenas porque “todo mundo diz”. Acho que, muitas vezes, o que temos aí é apenas a cristalização da preguiça coletiva de pensar e de reagir.

Muita gente, por exemplo, usa a palavra “marketing” quando, na verdade, está se referindo a atividades que são apenas de Propaganda ou Publicidade. E quando eu digo “muita gente” estou me referindo, inclusive, a autores de alto calibre, professores renomados e colunistas consagrados. Gente que, por dever de ofício deveria saber perfeitamente a diferença.

Mais de 90% de tudo o que se escreve em jornais e revistas sob o título “MARKETING” é, na verdade alguma coisa sobre propaganda, publicidade, vendas, comunicação, negociação...

Quase todos os gerentes, chefes ou diretores de marketing das empresas são, na verdade, gerentes, chefes ou diretores de vendas, publicidade, propaganda ou coisa assim.

É uma coisa irritante. E eu penso, sinceramente, que isto deveria ser assumido como um desafio para as escolas de Administração de Empresa e nos cursos de Pós-Graduação da área. Nenhum profissional deveria receber seu diploma ou certificado se não tivesse “no sangue” a clareza desse conceito básico.

Como é que alguém pode escrever sobre marketing, fazer palestra sobre marketing ou dar consultoria sobre o assunto se não domina o conceito fundamental: a definição do significado da palavra. Vale tanto quanto um engenheiro eletricista que acredita que “o raio não cai duas vezes no mesmo lugar”!



ÊNIO PADILHA
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---Artigo2004 ---Gestão de Carreira

21/05/2015

PIERRE BOULLE, SUAS PONTES E MACACOS.

(Publicado em 21/05/2015)



Os mais jovens talvez nunca tenham ouvido falar de Pierre Boulle. Os mais velhos dificilmente ligarão o nome à pessoa. Mas todos, provavelmente já tiveram contato com a sua obra. Ele é o autor dos livros que resultaram em dois grandes clássicos da história do cinema: "A Ponte do Rio Kwai" e "O Planeta dos Macacos".

Na semana passada estava numa livraria de aeroporto e me deparei com uma edição especial com o texto original do livro "O Planeta dos Macacos" escrito em 1963, contendo ainda uma entrevista do autor à revista Cinefantastique em 1972 e um artigo escrito por Hugh Schofield (para a BBC News Paris) sobre o grande sucesso do filme original (em 1968) e de suas sequências (nos primeiros anos da década de 1970). Comprei, evidentemente, com o entusiasmo de uma criança que encontra numa loja o boneco do seu super herói.

Para quem nunca viu os filmes originais, a coleção completa com os cinco filmes foi lançada em DVD pela Twentieth Century Fox em 1997. O sucesso dos filmes nos anos 1970 foi, talvez, equivalente ao do "Senhor dos Anéis" na década passada.

Não vou fazer uma resenha do livro pois nem tudo no filme seguiu o que estava escrito. E eu não quero dar spoilers para quem já tenha visto o filme. Alguns comportamentos dos macacos no livro foram atribuídos aos humanos do filme (e vice-versa). Além disso, pra começo de conversa, no livro, o personagem principal era francês, como o próprio Pierre (e não americano, como nos filmes). E era jornalista (e não um astronauta, como nos filmes).
O final da história também é muito diferente do filme original de 1968 (sendo mais parecido com a do final do filme de 2001).

E mais não conto... Aliás só uma coisinha: pra quem (como eu) achava que a personagem feminina humana (a namoradinha do personagem principal) era muito sonsa e sem expressão, espere até ver o livro: lá ela é muito mais sem inteligência ou qualquer traço de expressão humana. Por incrível que pareça, um personagem muito bem construído pelo autor, para dar conta da mensagem do livro.

Pierre Boule (surpresa! pelo menos para mim) era um engenheiro. E participou da segunda Guerra Mundial. Isso ajuda a explicar "A Ponte do Rio Kwai", um filme que está em todas as listas de "filmes que todo engenheiro deveria assistir".

Sobre "A Ponte", aliás, Pierre Boule afirma, na entrevista, que, quando o livro ficou pronto as editoras não o queriam porque achavam a história toda inverossímil demais. Depois do sucesso, muita gente se empenhou em tentar provar que a tal ponte existia de verdade é que a história era baseada em fatos. Não era. Era tudo ficção.

Ele escreveu mais de 20 livros. Muitos deles foram adaptados para o cinema.
Morreu em 1994. Nunca casou nem teve filhos. Deixou escrito uma continuação (inédita) do livro "O Planeta dos Macacos" que, talvez, ainda venha a ser utilizada no cinema, uma vez que essa obra só foi descoberta recentemente, por um sobrinho, que é seu herdeiro.

Aguardemos.



ÊNIO PADILHA
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---Artigo2015 ---Dica de Leitura




REFERÊNCIAS:
1) BOULLE, Pierre. O planeta dos macacos. São Paulo: Aleph, 2015.

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30/04/2015

O FACEBOOK E A FORMAÇÃO CONTINUADA DOS PROFISSIONAIS

(Publicado neste site em 30/04/2015
 Publicado originalmente na Revista Eletrônica do Crea-SC, em 11/03/2015)



Eu sou um internauta de primeira hora. Em 1994 já utilizava o "Boletim Eletrônico" da FURB, recurso pré internet que eu compartilhava, por curiosidade tecnológica, com meu amigo Paulo Grunwald, de Rio do Sul. Quando a Internet finalmente chegou a minha cidade (Jaraguá do Sul-SC) em 1996, eu entrei na primeira semana. Meu escritório abriu uma "home page" imediatamente e tornou-se a primeira empresa de Engenharia de Santa Catarina a ter um endereço na web.

Desde então, tenho acompanhado o desfile interminável de inovações e modismos da internet. Algumas coisas são passageiras. Outras duradouras. Nenhuma é definitiva. Vi passar o AltaVista, o Cadê, IRQ, MSN, Orkut e muitas outras coisas. Vi chegar o Google (e, com ele o Gmail) e, finalmente, o Facebook. Aliás, eu entrei no Facebook em 2005 (devo ser da primeira turma, no Brasil).

Muita gente, infelizmente, tem alguma dificuldade para identificar claramente quais são as limitações e delimitações da internet. Gente que prepara apresentações no Power Point e quando você pergunta "onde foi que você encontrou aquela imagem? Ou diagrama? ou gráfico?" A pessoa diz "encontrei no Google!"

Não, ela não encontrou as coisas "no Google". O Google ajuda a pessoa a encontrar coisas que estão nos sites, blogs, portais etc. Essas é que são as verdadeiras fontes. As informações não estão "no Google". O buscador não produz conteúdo.

Coisa semelhante se dá com o Facebook. Nesse caso a coisa parece ser mais grave. Muita gente parece acreditar que TUDO está no Facebook. Que estar no Facebook é suficiente para ter acesso a tudo o que importa e tudo o que vale a pena.

Claro que esta percepção está equivocada. O Facebook dá acesso ao senso comum. Às opiniões e convicções dos seus amigos que estão conectados na sua rede. Essas pessoas, por sua vez, publicam as coisas que consideram interessantes, de forma totalmente livre, sem correção, sem revisão e sem preocupações com rigor científico. Ler as coisas publicadas no Facebook equivale a bater papo num bar. Basear o seu conhecimento no Facebook seria equivalente, na década de 1980, a ostentar conhecimento obtido apenas lendo jornais.

A formação continuada dos profissionais de Engenharia requer esforço e disciplina intelectual que está alguns degraus acima do Facebook. Nossos clientes têm acesso às mesmas fontes que nós temos nas redes sociais. Quem quiser saber o suficiente para não ser superado, em discussões com clientes, fornecedores e subordinados, precisa ter outras fontes de conhecimento. Essas fontes continuam sendo as mesmas das décadas passadas: os livros e os artigos técnicos (geralmente publicados em revistas técnicas especializadas). Essas informações podem estar disponíveis na internet. Mas o caminho para ter acesso a elas, definitivamente, não é o Facebook.

Resumindo: divirta-se nas Redes Sociais. Mas não confie nelas para incrementar sua Formação Continuada



ÊNIO PADILHA
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---Artigo2015 ---Internet ---Carreira

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20/03/2015

MARCA BRASIL - DEZ ANOS

(Publicado em 20/03/2015)



Em Fevereiro de 2005 (quando o governo Lula surfava na mais alta popularidade) eu escrevi isso aí, no meu site:

MARCA BRASIL
O governo brasileiro perdeu uma grande oportunidade de economizar dinheiro público. Gastou uma fortuna com pesquisa e designers para compor uma marca visual que represente o país no exterior, servindo como indicador de procedência, especialmente para os produtos exportados.
O resultado foi lançado na semana passada, com pompa e circunstância, bem ao gosto de um governo mais preocupado em fazer propaganda do que em encontrar soluções de verdade.
A tal Marca Brasil, me desculpem os especialistas, não passa de uma grande bobagem. O Brasil já tem uma excelente marca visual, que é a nossa bandeira. Belíssima, com um desenho exclusivo, reconhecida no mundo inteiro, com índice de rejeição baixíssimo, posto que é largamente adotada, sem restrições de credo religioso ou político, por todos os brasileiros, particularmente pelos que têm negócios no exterior.
Talvez, aos olhos deste governo, a Bandeira do Brasil tenha um único problema, que justificou essa operação de lançamento de uma nova marca para representar o país: nossa bandeira, como todos sabemos, não tem a cor vermelha e nem aponta para a esquerda.
Parece que isto agora já está resolvido!


Passados 10 anos, fica uma pergunta. A tal marca Brasil valeu o investimento? Foi adotada pela indústria, pelo comercio e pelas operadoras de turismo no mundo? Os brasileiros que viajam para o exterior usam essa marca? são identificados com ela? Já viram alguma vez?
Os brasileiros que moram no exterior, costumam ver essa marca nos restaurantes ou nos supermercados ou nas lojas, identificando os produtos brasileiros?

Quem sabe alguém me dá uma boa explicação aqui e eu mudo de ideia sobre essa coisa aí.



ÊNIO PADILHA
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21/01/2015

SOBRE O CONFEA

(Publicado em 21/01/2015)



Nas próximas semanas (em data ainda não definida) haverá a posse do Presidente do Confea (reeleito) que estará à frente da instituição por mais três anos.

Se você é engenheiro, agrônomo, geólogo, geógrafo, meteorologista, tecnólogo ou técnico, proponho que faça o teste abaixo:

1) Qual é o nome do Presidente do Confea? Ele é Engenheiro Civil? Engenheiro Eletricista? Agrônomo? Tecnólogo? De que estado brasileiro ele é natural?

2) Você já leu alguma coisa que ele escreveu? (um artigo, um livro, um discurso…)

3) Você tem ideia do que são (na visão dele) as cinco questões mais importantes e urgentes a serem enfrentadas no nosso sistema profissional?

4) Você conhece a posição dele na questão da relação entre os Arquitetos e os Engenheiros no Brasil? Quais foram as suas contribuições para que a relação entre Arquitetos e Engenheiros seja justa, harmônica e produtiva?

5) Qual é a relevância ou influência que o Presidente do Confea tem junto ao governo central, especialmente junto aos ministérios das áreas de Educação, Ciência e Tecnologia?

6) Você sabe o que Presidente do Confea tem feito (ou defendido) sobre questões como (a) O Ensino da Matemática nas escolas brasileiras; (b) a criação de novas faculdades de engenharia no Brasil; (c) o investimento do governo em Ciência e Tecnologia; (d) uso da engenharia como bode expiatório em escândalos de corrupção; (e) autorização para que profissionais de outros países exerçam a Engenharia no Brasil

7) Você tem lido ou visto alguma coisa sobre as relações do Confea com os conselhos profissionais de Engenharia de outros países? Como tem sido essa relação? Houve algum intercâmbio? Aprendemos alguma coisa com os colegas de outros países? Em algum outro país os engenheiros estão copiando as soluções que nós estamos desenvolvendo para a gestão do nosso sistema profissional?

8) Quantos Conselheiros Federais tem o Confea? Como é o nome do Conselheiro do seu Estado? Qual é a principal bandeira encampada e defendida por esse Conselheiro Federal? Ele tem obtido avanços no Confea?

9) Você sabe qual é o Orçamento Anual do Confea? De quanto dinheiro o sistema dispõe para implementar as suas estratégias? Você tem alguma noção de como (no quê) é gasto esse dinheiro?

10) Você considera que as questões apresentadas acima são SEM IMPORTÂNCIA?

Se você respondeu sim para a questão número dez, é provável que você nem esteja mais lendo este artigo. Se ainda estiver aí, está dispensado.

Evidentemente, a conversa não é com você. É assunto para os que ainda acham que o nosso sistema profissional está precisando ser mais transparente, produtivo e influente. As outras questões do teste nos remetem a temas que (no meu entendimento) são importantes para que as nossas profissões seja representada de forma responsável e produtiva.

Há quase trinta anos acompanho o desenvolvimento do nosso sistema profissional. Nos primeiros doze anos de exercício profissional (de 1986 até 1997) atuei como membro de diretorias em entidades de classe e como inspetor do Crea nas regiões onde eu trabalhava.

Nos anos seguintes (a partir de 1998) assumi a condição de observador contribuinte. Não faço mais parte efetiva do sistema, mas tenho interesse em que ele funcione. Não concorro a cargos no sistema (inspetor, conselheiro, presidente) mas não deixo de dar minha contribuição, sempre que me é solicitado. O sistema profissional de Engenharia é da minha conta. Embora eu não emita uma ART por serviços de Engenharia há mais de 16 anos, continuo registrado no meu Crea e pago religiosamente minha anuidade. Tenho, portanto, o direito (e o dever) de pedir ao Crea e ao Confea um mínimo de competência, produtividade e transparência (principalmente transparência, porque as outras coisas decorrem desta).

O Brasil está mergulhando numa crise institucional preocupante. Os ministérios da área de Educação, Ciência e Tecnologia estão entregues a indivíduos sem credenciais para isso. Nossos indicadores de produção científica e de desempenho escolar (principalmente nas áreas de matemática e física) são alarmantes… E o Confea parece achar que o nosso maior problema são as pendências e quizumbas com os arquitetos. Ninguém merece.

A Arquitetura do Brasil é o menor dos nossos problemas! Na verdade, nem é um problema. É muito mais uma oportunidade, penso eu.

Tá na hora de o Confea nos representar. Tá na hora de o Confea assumir a sua missão de defender o exercício profissional e a defesa da sociedade. Tá na hora de enfrentar os problemas que realmente importam. Tá mais do que na hora de fazer valer o imposto (anuidade) que todos os engenheiros, agrônomos, geólogos, geógrafos, meteorologistas, tecnólogos e técnicos pagam todos os anos.



ÊNIO PADILHA
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—Artigo2015 —Confea —Crea



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06/01/2015

SOBRE A ARTE DE ESCREVER
(um recado aos editores, diagramadores, revisores...)

(Publicado em 10/09/2000)



As pessoas que (além do autor) trabalham na produção de um livro (editores, diagramadores, revisores) precisam entender que não estão trabalhando com uma forma comum de manifestação artística ou intelectual. Não se trata de arte plástica nem de arte cênica.

Ler não é uma atividade natural. Uma pessoa nasce, cresce e, mesmo sem ser ensinada, desenvolve a visão, a audição e o tato. Mas a leitura necessita ser ensinada (e aprendida).

O pintor, o fotógrafo e o escultor utilizam as cores e as formas para comunicar suas mensagens. Capturam a atenção do público em um milésimo de segundo. O tempo de um olhar. Muitas vezes não precisam mais do que alguns segundos para transmitir toda a mensagem desejada.

O músico utiliza os sons, elementos com os quais entra nas pessoas, compulsoriamente, inundando-lhes a alma. Em poucos minutos a mensagem foi transmitida. Os resultados podem ser sentidos.

A comunicação por escrito, por outro lado, exige do escritor a capacidade de capturar e manter a atenção (toda a atenção) do leitor por um tempo muito grande para que a mensagem seja completamente transmitida.

Visão (cores, gestos e posturas), audição (tom de voz, efeitos sonoros), contato (texturas, formas)... Nada disso está disponível para o escritor. Sua comunicação com o público é feita através de sinais gráficos que precisam ser lidos e interpretados para então (e só então) serem sentidos.

O escritor utiliza-se das palavras, dos sinais de pontuação e das regras da gramática. E, para dar mais clareza ao espírito da mensagem, lança mão de outros recursos. É uma espécie de comunicação “não verbal” na escrita: aspas, itálicos, negritos, texto em maiúsculas ou em destaque, parêntesis, variação de tipologia... Esses recursos fazem parte da linguagem do escritor e ele os utiliza para compor o seu estilo. Transformar o texto escrito em algo com vida.

Érico Veríssimo, por exemplo, no livro “Olhai os Lírios do Campo” alterna o texto em tipo normal e itálico. Logo o leitor percebe que ele usa o itálico para separar o tempo presente das memórias do personagem principal. Mas isso não é dito em lugar nenhum do livro. Trata-se de um recurso autoexplicativo.

Se um editor resolver publicar o livro sem se dar conta desse “detalhe” (e suprimir todos os itálicos) a compreensão do texto será muito prejudicada, com certeza.

Os escritores têm extremo cuidado com essas coisinhas que os editores inexperientes, muitas vezes, querem suprimir, sem mais nem menos.

Editar um livro é tarefa para especialistas. Muitos designers e diagramadores esquecem que um livro não é uma obra de arte plástica. A componente estética, em um livro, está em segundo, quase terceiro plano. Um livro não é feito para ser VISTO. Ele é concebido e produzido para ser LIDO. Existe uma sutil porém dramática diferença entre essas duas coisas.

Um livro não pode ser avaliado pela sua beleza estética. Um livro vale pelo seu conteúdo e pela capacidade que o texto tem de transmitir a mensagem tal qual foi concebida pelo autor. Nem mais nem menos.

Alterar “detalhes” gráficos de um texto é o mesmo que suprimir ou acrescentar notas em uma música, alterar o tom de certas cores em uma pintura, mudar o ângulo de tomada de uma fotografia ou substituir o material utilizado em uma escultura. Pode tirar da obra um pouco da sua alma.



ÊNIO PADILHA
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26/10/2014

A VITÓRIA DE AECIO NEVES É A VITÓRIA DO BRASIL

(Publicado em 26/10/2014)



Não, você não leu errado o título deste artigo. Eu disse, e vou repetir aqui, que Aécio Neves venceu essa eleição é que isso é muito bom para o Brasil.

Ele não venceu do ponto de vista legal ou eleitoral, uma vez que, com 51,6 % dos votos, a candidata Dilma Roussef foi escolhida para governar o país por mais 4 anos. Mas Aécio venceu (como ele mesmo disse, no final da sua campanha) por ter feito o bom combate. Não se deixou arrastar para o mar de lama e ódio no qual o PT enterrou o país, sob o patrocínio do comandante Lula, nem sucumbiu às artimanhas do marketing político do João Santana, que será lembrado, por muitos anos, como o cérebro por trás da mais insidiosa campanha política no Brasil, desde Fernando Collor em 1989.

Mas a grande vitória de Aécio Neves e do Brasil foi ter dado ao PT algo que ele nunca teve nos últimos 25 anos: uma oposição qualificada.

Durante 25 anos o PT conseguiu constranger a todos que pensavam fora da sua caixinha vermelha. Quem não concordava com a cartilha do partido recebia logo um carimbo de alienado, insensível, elitista, neoliberal... e, por fim, coxinha.

Muita gente ficava sem argumentos diante da verborragia baseada em orelhas de livros e argumentos religiosos que tentavam provar que as causas sociais justificavam qualquer abuso, qualquer transgressão, qualquer crime. Bastava ser a favor dos pobres que isso já dava salvo conduto para roubar à vontade!

Esse discurso fazia sempre parecer que quem não era do PT não gostava de pobre, não se importava com o meio ambiente, não queria nenhum benefício social para a população.

Durante 25 anos, esse discurso colou. E encurralou a oposição que, sem argumentos, via-se limitada a meia dúzia de líderes e outros tantos militantes encabulados. Isso acabou! Agora o PT terá uma oposição como nunca experimentou. E é aí que está a grande vitória do Brasil: nós nunca seremos uma Venezuela. Nunca seremos uma Argentina. Jamais chegaremos a ser uma ditadura comunista, como querem os petistas. Aqui não! Aqui tem oposição. E essa oposição não é feita de gente alienada, ignorante e insensível, como os petistas nos fizeram crer por longos 25 anos.



ÊNIO PADILHA
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---Artigo2014

Comentário do Ênio Padilha

Este artigo foi publicado no Facebook, às 19h20 do dia 26/10/2014. Até a manhã de 27/10 já contava com 105 compartilhamentos.
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