Notas de "NOTAS AUTOBIOGRÁFICAS"

30/04/2020

HOJE, 19h30 — BATE PAPO COM EDUARDO AUGUSTO

(Publicado em 30/04/2020)





Hoje, 30/04/2020, vou participar, como convidado, de uma live no instagram @engeduardoaugusto do meu amigo Engenheiro Eduardo Augusto, de Uberaba, Minas Gerais

Vamos apresentar e discutir as CARACTERÍSTICAS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE ENGENHARIA (publicadas pela primeira vez na 5ª edição do meu primeiro livro e depois citadas em muitos livros, dissertações e teses pelo Brasil) bem como suas implicações (impactos) no marketing desses serviços

Como diz o Eduardo, "quando se fala em Marketing, as pessoas logo pensam na FORMA da divulgação, mas se esquecem dos pilares e das características específicas da nossa área. E sem saber isso... o seu marketing fica errado". Vamos corrigir o rumo da prosa.




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PADILHA, Ênio. 2020




Se quiser se preparar para a live, clique na imagem ao lado para ler o artigo:
NINGUÉM GOSTA DE CONTRATAR ENGENHEIROS E ARQUITETOS



Produzir (e negociar) serviços de Engenharia e Arquitetura é um bocado mais complicado do que produzir e negociar mercadorias. Sabemos disso. Ou melhor, percebemos isso, a partir das nossas experiências do dia-a-dia profissional. Muitas vezes, no entanto, não conseguimos entender o “porquê”.

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21/04/2020

BRASÍLIA, 60 ANOS.

(Publicado em 21/04/2020)





Parabéns para Brasília e aos queridos amigos brasilienses.
Que no ano que vem possamos festejar os 61 anos nas ruas.
Sem preocupações de nenhuma ordem.




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PADILHA, Ênio. 2020

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15/04/2020

PARABÉNS, RIO DO SUL. 89 ANOS!!!

(Publicado em 15/04/2020)



Minha cidade natal, Rio do Sul (situada no Alto Vale do Itajaí, no meio de Santa Catarina) comemora hoje (15/04/2020) 89 anos de emancipação política!

Junto-me aos milhares de riosulenses espalhados por Santa Catarina e pelo Brasil (vira e mexe encontro um a milhares e milhares de distância de casa) para registrar aqui o meu orgulho por ter nascido e me criado numa cidade de gente tão criativa, corajosa, empreendedora e arrojada.

Neste ano, infelizmente, não haverá festa. Ano que vem, com certeza.


(A foto que ilustra este post é da década de 1940)

Veja aqui o site da cidade: www.riodosul.sc.gov.br

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14/04/2020

COMO É O PROCESSO DE PRODUÇÃO DAS MINHAS PALESTRAS

(Publicado em 28/08/2019)





Não. Não vou apresentar aqui o passo a passo para você criar e apresentar uma palestra. Acho que cada um encontra o seu próprio caminho e ajusta seus próprios processos.

Mas vou contar aqui, com detalhes, como é que EU faço para produzir e apresentar as MINHAS palestras, desde a ideia inicial até o "muito obrigado" no final da apresentação:




No meu caso, existem dois tipos de processos: as palestra que já existem como tópicos de cursos ou aulas e as palestras novas

O TIPO 1
Acontece, algumas vezes, de um determinado tópico de uma aula ou curso ser muito interessante e ter um começo, meio e fim num tempo de aproximadamente uma hora, ou seja, pode ser apresentado independentemente do contexto do curso ou da aula em si. Nesse caso é necessário apenas separar aquele material como uma palestra para ser apresentado como conteúdo independente.

É o tipo de palestra fácil de produzir, pois todo o processo de construção do conteúdo e outras preparações já está pronto (já foi feito), inclusive os eventuais problemas de apresentação já foram corrigidos nas inúmeras vezes que aquele tópico já foi apresentado em cursos ou aulas.

O TIPO 2
O segundo tipo de palestra (o mais difícil) é aquele que surge de uma ideia minha ou da sugestão de algum amigo ou de alguém da OitoNoveTrês sobre um tema que pode ser explorado e que resultaria em uma palestra interessante. Esse tipo de palestra tem um processo produtivo bem diferente, que eu vou contar agora:


A DEFINIÇÃO DO CONTEÚDO
Esse processo é dividido em 5 etapas: a primeira etapa é a definição do conteúdo. Eu penso a respeito daquele tema e me pergunto "o que EU, como espectador, gostaria de saber? Que informações eu gostaria de receber numa palestra sobre o assunto? Que perguntas eu gostaria de ver respondidas numa palestra como essa?"

Aí eu elaboro uma lista de perguntas que vão me orientar durante o processo de busca de informações sobre o tema. E (isso é importante), para cada uma dessas perguntas, é preciso ter uma resposta com certo grau de profundidade. Não pode ser uma resposta rasa, que não resista a uma réplica. Essa primeira etapa define o que eu preciso estudar antes de apresentar a palestra. Nessa etapa eu defino quais livros eu preciso ler e verifico se estão disponíveis na minha biblioteca ou se preciso adquirir ou pedir emprestado de algum amigo. É muito raro uma palestra estar sustentada em apenas um único livro.


A PESQUISA NA LITERATURA
Na segunda etapa, pesquisa na literatura, podem surgir alguns insights e outros tópicos podem ser incluídos no conteúdo da palestra. Esses tópicos são então divididos em 4 grupos (atenção para esse detalhe): todo o conhecimento que será apresentado na palestra é dividido em 4 grupos pois isso facilita o entendimento geral, a memorização e o controle do tempo da palestra.

Acontece, às vezes, nesse processo de pesquisa, de eu entender que preciso conversar com pessoas que são especialistas naquele assunto ou que, de alguma forma podem me ajudar de forma importante. Felizmente eu tenho muitos amigos que são bons em muita coisa e quase sempre consigo me valer deles. Envio e-mail, faço contato pelo whatsapp ou mesmo faço uma visita para uma boa conversa. Esse tipo de “socorro” muitas vezes é fundamental para a qualidade da apresentação.

À medida que eu vou desenvolvendo algumas convicções intermediárias do conteúdo, eu começo a escrever pequenos ensaios, textos curtos de 5 ou 6 mil caracteres. Tipicamente, um artigo desses que eu publico no meu site. Esses artigos poderão ser, mais tarde, incorporados ao texto/roteiro da palestra.


O ROTEIRO DA PALESTRA
Essa segunda etapa (pesquisa na literatura) demora algum tempo, dependendo da complexidade do tema. Geralmente, de 3 a 5 semanas. Termina quando eu me sinto em condições de partir para a terceira fase do processo: elaborar o roteiro para a palestra.

O roteiro é dividido em duas partes: o sumário e o texto propriamente dito. No sumário eu simplesmente divido o conteúdo em tópicos e subtópicos. O texto, evidentemente, é o desenvolvimento desse sumário.

É muito importante definir como será a abertura da palestra, que define a abordagem que darei ao tema. Da mesma forma, o tópico de encerramento é importante, pois define as conclusões que eu pretendo que os espectadores da palestra tenham.

Nessa etapa eu estou produzindo não apenas o texto da palestra mas também, simultaneamente, os slides da apresentação, uma vez que já está muito clara a sequência em que as informações serão colocadas na palestra. Geralmente, tanto para o texto quanto para os slides eu copio a estrutura de uma palestra já existente. Assim não tenho de perder tempo fazendo a formatação dos arquivos.

Minha autoapresentação faz parte da palestra, embora eu não tenha o hábito de contar a história da minha vida na abertura de cada palestra. Muitos palestrantes hoje em dia fazem isso. Eu não acho legal (à menos que a palestra seja biográfica, ou seja, sobre a vida do palestrante). Em alguns casos até pode funcionar, mas é muito raro que a história da vida do palestrante seja realmente mais importante do que o conteúdo que ele se propõe a mostrar. Minha autoapresentação geralmente dura 2 ou três minutos, no máximo.

Evidentemente, a produção do texto da palestra leva em conta o meu principal recurso didático, que é a abordagem conceitual com o uso de metáforas, símbolos e infográficos. Geralmente não utilizo o recurso de contar histórias (storytelling), embora reconheça que é um recurso interessante, quando bem aplicado (o que é raro). O que eu faço é apelar para (e contar com) a inteligência e o raciocínio abstrato da plateia.

Às vezes eu escrevo um texto e crio um slide que apresente aquele conteúdo. E, algumas vezes, eu tenho a ideia de um slide que lida com aquele conteúdo e, a partir do slide eu escrevo o texto. Não existe uma fórmula perfeita e rápida para essa construção.

Quanto aos slides, alguns palestrantes utilizam apenas imagens (ou conjuntos de imagens). Outros utilizam apenas palavras chaves ou frases curtas. Eu não acho que isto seja errado. Mas a construção dos slides das minhas palestras geralmente é feita com infográficos, conceitos ou definições. Na minha concepção, os slides não devem servir apenas para ajudar e orientar a mim (como palestrante) mas também ao espectador. Devem servir para levar conteúdo aos espectadores.

Esse processo de escrever o texto da palestra e os slides leva muito pouco tempo. Geralmente uma semana a 10 dias, trabalhando duas ou três horas por dia nessa tarefa. É bom lembrar que uma boa parte do texto já foi produzida naqueles artigos escritos na fase de pesquisa.


LAPIDAÇÃO
Concluído esse processo, se houver tempo, eu passo pelo menos uma semana sem lidar com essa palestra, sem trabalhar no material (cuidando de outros assuntos). É como se estivesse deixando a massa do pão crescer naturalmente, sossegada.

A quarta fase: a primeira coisa que eu faço ao retomar esse trabalho é LER O TEXTO com o arquivo dos slides aberto. E vou corrigindo qualquer coisa, à medida que apareça. Esse processo (de ler o texto inteiro e alterar alguma coisa, se necessário) eu repito três ou quatro vezes.

Nesse momento eu volto às perguntas que eu anotei lá na primeira fase (definição de conteúdo). Verifico se todas as questões foram abordadas e esclarecidas.

A palestra está pronta! Já poderia ser apresentada, se o tempo é curto ou tem um evento naquela semana. Mas, claro, a palestra ainda está crua. Se eu tiver algum tempo, faço algumas coisas: primeiro, a leitura do texto em voz alta, no ritmo e tom de voz da apresentação, para testar o tempo;

Segundo, se eu tiver oportunidade, fazer uma apresentação piloto para uma, duas ou três pessoas dispostas a ouvir a apresentação. Aí já não mais lendo e sim falando normalmente, com o apoio apenas dos slides no monitor.


A APRESENTAÇÃO DA PALESTRA
Finalmente, a apresentação da palestra para o público. Isso é uma das coisas que mais me dá prazer. Talvez por isso eu me empenhe tanto em produzir a palestra com muito cuidado. Gosto tanto e tenho tanto prazer em me apresentar para uma plateia que não gosto de correr o risco de que algum despreparo atrapalhe esse momento. Geralmente me sinto muito seguro quando pego o microfone para começar uma palestra.

Um detalhe (quem me conhece já sabe disso): eu nunca fico nervoso nem apreensivo diante de uma plateia, seja de 5 ou de 500 pessoas. Me sinto em casa. No entanto, eu fico muito, muito pilhado. Muito concentrado. Algumas vezes no dia seguinte, me dou conta de que não consigo lembrar do que aconteceu nos minutos imediatamente anteriores à palestra começar (isso já acontecia quando eu era atleta. Eu me esquecia completamente dos minutos que antecediam a largada. Essas memórias voltavam somente algumas semanas depois).

Durante a apresentação de uma palestra eu estou atento a várias coisas ao mesmo tempo: presto atenção nas minhas palavras, nos meus gestos, na sequência do conteúdo que está sendo apresentado, no relógio que marca o tempo (na tela do monitor de retorno), nos olhos dos espectadores, nos seus movimentos e nas reações a cada novo conceito apresentado. Esse processo iterativo automático vai ajustando o tom e o ritmo da palestra. É um exercício muito estimulante. Depois de mais de 30 anos apresentando palestras (e eu tive de ler alguns livros sobre o assunto) acho que eu aprendi a ler a plateia, pelo menos o suficiente para evitar incidentes e percalços.

Ainda assim, se eu apresento uma palestra entre 20 e 22 horas, por exemplo, dificilmente vou conseguir dormir antes de 1 hora da manhã. Leva algum tempo pra desligar. E não importa se eu já apresentei aquela mesma palestra 5 ou 50 vezes e nem se o evento é menos ou mais importante. É sempre a mesma coisa.

Essa sensação de euforia e alegria é o que me motiva. Gosto muito disso. E espero produzir e apresentar palestras ainda por muitos anos.




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PADILHA, Ênio. 2019

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14/04/2020

EU TENHO OS MELHORES AMIGOS DO MUNDO

(Publicado em 14/04/2020)





Nesta semana em que o projeto EMPREENDER ARQUITETURA do CAU/SC chega ao 15º vídeo (metade do total de 30), é uma boa oportunidade de celebrar a qualidade dos meus amigos.

Como eu já disse, em outra ocasião, felizmente eu tenho muitos amigos que são bons em muita coisa e quase sempre consigo me valer deles. Dessa vez não foi diferente. Eu precisava de uma música para compor a vinheta de abertura e de encerramento dos vídeos.
E quem veio em meu socorro foi ninguém menos do que um amigo músico que, por acaso, é Doutor em Arquitetura.

Permitam-me apresentar: senhoras e senhores, Farlley Derze




Enquanto eu faço a apresentação, clica no áudio abaixo e siga ouvido a música tema do EMPREENDER ARQUITETURA



SERTÕES Farlley Derze - Álbum GÊNESE, 2010



Composição, arranjos e piano: Farlley Derze (Brasília)
Baixo: Marcos Nato (Rio de Janeiro)
Bateria: Wallace Cardoso (Rio de Janeiro)
Cello: Alexia Yiangou (Chipre)

Você pode adquirir este álbum no site farlleyderze.com/loja
Você pode conhecer o trabalho de Farlley Derze no site
farlleyderze.com/2017/03/15/compositions





Farlley Derze me chegou por acaso. Marido de outra pessoa muito querida (e igualmente inteligente, claro) a Jamile Tormann. Conheci-os num café, no aeroporto de Brasília, quando eles foram me convidar para ser professor num curso coordenado pela Jamille. Uma conversa de uma hora e meia que repercutiu por esses últimos 12 anos (esse encontro se deu em 2008) e eu espero que reverbere por mais algumas décadas. Desde então, tenho tido doses regulares da inteligência desse generoso amigo, lendo seus artigos, ouvindo suas músicas, compartilhando projetos, ou desfrutando de longas conversas sempre iluminadas.

Ele tem uma formação muito rica:

• Diplomado em piano, teoria e harmonia pelo Conservatório de Música Carminha Alonso, Rio de Janeiro, Brasil (1973-1982).



• Licenciatura em Educação Artística, Habilitação em Música (Universidade do Rio de Janeiro, 1986 to 1992).



• Especialização em Música brasileira (Universidade de Brasília, 2001-2003). Pesquisa: “Concerto dos sapos (1888)”.



• Mestrado: Música (Universidade de Brasília, 2004-2006). Dissertação: “A música no programa de avaliação seriada da Universidade de Brasília”.



• Especialização em História da Arte (Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, 2007-2009). Pesquisa: “A representação da luz na pintura ocidental”.



• Doutorado: Arquitetura e Urbanismo (Universidade de Brasília, 2010-2014). Tese: “Cidade à noite: iluminação artificial e modernidade. Tese indicada ao prêmio CAPES 2015 de melhor tese na área de arquitetura e urbanismo.



• Especialização em Teoria da Literatura e Produção de Texto (Instituto Pedagógico de Minas Gerais, 2018-2019). Pesquisa: “A técnica narrativa de Flannery O’Connor”.



• Pós-doutorado: Estética, Hermenêutica e Semiótica (Universidade de Brasília, 2018-2019). Pesquisa: “Noites comparadas”.



Acha pouco: Ele ainda é considerado por muitos (eu me incluo nesse time) o melhor professor dos cursos de pós-graduacão em Arquitetura do Brasil. As aulas dele são simplesmente encantadoras.





Pois esse rapaz, no alto de todos esses predicados e virtudes respondeu imediatamente ao meu pedido de ajuda para a composição dos vídeos do EMPREENDER ARQUITETURA e cedeu, de pronto, a sua música, SERTÕES (do álbum GÊNESE).

Então? Sou ou não sou um privilegiado?




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PADILHA, Ênio. 2020




Clique na imagem ao lado para ver o post do projeto
EMPREENDER ARQUITETURA



(publicado em 09/01/2020)



A partir de janeiro de 2020, os arquitetos e urbanistas contam com uma ferramenta on-line para capacitação em gestão: é o Empreender Arquitetura, novo projeto do CAU/SC que foi apresentado durante a Comemoração pelo Dia do Arquiteto e Urbanista 2019.
Idealizado pela Comissão de Exercício Profissional (CEP), o projeto oferecerá uma série de 30 vídeos sobre empreendedorismo, estratégia e gestão de escritórios de Arquitetura. O conteúdo é produzido e apresentado pelo professor Ênio Padilha.



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12/04/2020

CRÔNICA DA CRISE



(Publicado em 16/03/2020)



Desde o dia 16/03/2020, Primeiro dia do isolamento social voluntário (quarentena) aqui na OitoNoveTrês (por conta da crise do Covid19/coronavírus) estou escrevendo e publicando
no nosso site um artigo por dia.
Em alguns dias são dois textos publicados.

Quando tudo isso passar (e vai passar) pelo menos eu e meus leitores teremos o registro do que era objeto da minha atenção nesses tempos estranhos.

Veja todos:

(clique sobre a imagem acima)



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11/04/2020

CANTOR DE RÁDIO



(Publicado em 11/04/2020)



Quando eu era menino, no bairro Canta Galo, em Rio do Sul, sempre fui um bom aluno, mas eu era, sem dúvida, muito exibido. Gostava de ser protagonista na Homenagem à Bandeira, que acontecia todos os sábados pela manhã.

Cada sábado ficava por conta de uma série. Então, uma vez por mês era responsabilidade da nossa sala. A professora* escolhia os poemas e a gente ensaiava todos os dias da semana. Eu tinha bastante facilidade para decorar e então sempre era escolhido.

Aí, no sábado, com todos os alunos e as professoras enfileirados no patio da Escola Anibal de Barba (escrevi sobre ela AQUI) lá estava eu, declamando, empolgadíssimo, o poema da vez, para depois receber os aplausos demorados da galera.




"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores..."


e seguia fazendo gestos e com os braços prum lado e pro outro, até o fim do poema (que era muito longo, veja AQUI. Mas eu dava conta.)

No dia das mães era a mesma coisa:

"Mamãe você é bonita
mesmo vestida de chita
ou vestida de algodão,
pois a sua beleza
não precisa de riqueza,
está no seu coração."


(só descobri, muitos anos mais tarde, que o poema era da Cecilia Bueno dos Reis Amoroso, uma professora muito lida nos anos 1960, que escreveu a famosa cartilha Onde está o Patinho?. Vale a pena conhecer.)

Em 1969 eu tinha 10 anos e já estava na 4ª série e, pela primeira vez, a nossa escola iria participar do Desfile da Independência (o Desfile de 7 de Setembro).

Aquilo era um acontecimento que fez meio mundo perder o sono. Ensaiamos por três meses. Era um momento histórico, segundo a Dona Irene, que, além de nossa professora era também a Diretora da Escola

Então, naquela manhã do dia 7 de setembro de 1969, lá estava o exibido, levando uma bandeira. Não me lembro se era a do Brasil, de Santa Catarina ou de Rio do Sul. Só sei que eu estava todo lindo, num uniforme tinindo de lavado, passado e engomado. O cabelo cortado igual ao do Pelé e aquele olhar de quem se achava a última bolacha do pacote. Me sentia como se fosse um aluno do Dom Bosco ou do Ruy Barbosa** (uma pena eu não ter nenhuma foto daquele desfile).

NO ANO SEGUINTE eu já estava no Colégio Estadual Henrique da Silva Fontes, que, naquele tempo, funcionava no prédio do famoso Colégio Paulo Zimmermann, no centro da cidade, bem na frente da Catedral (o prédio onde hoje funciona o Henrique Fontes estava sendo construído, não por coincidência, lá no Bairro Canta Galo). Eu estava na 5ª série e nós tínhamos uma professora de Artes que era muito dinâmica e cheia de ideias. E foi dela a decisão de criar um festival interno de música.

Cada turma poderia ter um cantor ou dupla ou grupo que se apresentaria no festival. Os melhores iriam representar a escola no programa que a Rádio Difusora tinha no domingo de manhã em que crianças de várias idades se apresentavam no auditório da emissora que funcionava no mesmo edifício do Salão Paroquial da Catedral de São João Batista.

O festival foi uma alegria só! O pátio interno do colégio estava lotado de estudantes e professores. Eu, meu irmão e mais dois colegas fizemos um cover dos Golden Boys***, um grupo musical muito famoso da época, integrante da Jovem Guarda. Nós escolhemos um top sucesso do grupo: Fumacê que tinha uma letra muito maliciosa mas que, na nossa cabeça de guri de 10, 11 anos, não tinha nada de mais:

"Hê! Hê! Hê! fumacê!
Ah! Ah! Ah! fumaçá!

Êh fumaceira
Tá saindo do lado de lá
Tem alguém queimando coisa
Tá botando prá quebrar..."


Aqui tem um link para a música, no SPOTIFY.

Foi um sucesso! Ganhamos o público e o júri. Ficamos classificados para cantar "na rádia". E, no domingo seguinte, lá estávamos nós, cantando na Rádio Difusora.

Acho que a nossa participação no programa da Rádio Difusora não foi grande coisa, porque nem meu irmão nem os outros dois companheiros curtiram. Desistiram. Tinham coisa melhor pra fazer das manhãs dos seus domingos.
Futebol, por exemplo.

Eu, no entanto, gostei da coisa. Voltei na semana seguinte e nas seguintes.

E assim, acabei fazendo parte meio permanente do programa por alguns meses. Tínhamos ensaios nos sábados à tarde e os que se saíssem melhor nos ensaios eram escalados para cantar no domingo. Nem sempre eu era escalado, mas sempre era divertido participar.

Minha apresentação mais memorável foi da música Balada número 7 do Moacyr Franco...

"Sua ilusão entra em campo no estádio vazio
Uma torcida de sonhos aplaude, talvez
O velho atleta recorda
As jogadas felizes
Mata a saudade no peito driblando a emoção
Hoje outros craques repetem as suas jogadas
Ainda na rede balança seu último gol
Mas pela a vida impedido parou
E para sempre o jogo acabou
Suas pernas cansadas correram pro nada
E o time do tempo ganhou
Cadê você, cadê você, você passou
O que era doce o que não era se acabou..."


Aqui o link para a música, no SPOTIFY. Agora imagine isto cantado por um menino magricelo de 11 anos (mas não importa o que você disser. Minha mãe achava o máximo!)

Mas o tempo dessas alegres manhãs de domingo logo chegaria ao fim e eu teria de enfrentar, nos três anos seguintes, a jornada de trabalho infantil da qual eu trato no artigo SOBREVIVI AO TRABALHO INFANTIL. MAS NÃO FOI LEGAL que talvez você já tenha lido.

Minha carreira de Cantor de Rádio foi então encerrada, sem maiores consequências para a música brasileira.




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PADILHA, Ênio. 2020





* Na primeira série, em 1966 a professora era a Dona Alda; Na segunda série, em 1967, Dona Rose; na terceira, em 1968 Dona Méri e, finalmente, na quarta série, em 1969, a Dona Irene. Uma mais querida do que a outra.

** As duas escolas (particulares) mais importantes da cidade, onde estudavam os alunos mais ricos e inteligentes da região.

*** O grupo era formado pelos irmãos Roberto, Ronaldo e Renato Corrêa, além de um primo, Valdir Anunciação





Clique na imagem ao lado para ler o artigo:
ANIBAL DE BARBA



Escolas Reunidas Aníbal de Barba, no bairro Canta-Galo em Rio do Sul, Santa Catarina, idos de 1966 era uma construção de madeira, enorme, pintada em um laranja escuro, janelas grandes, portas imensas...(É claro que os superlativos são por conta do que eu achava naquela época. Já adulto, em 1991, fui um dia rever a escola, à época já um prédio abandonado. Nossa, que pequenininha! Parecia tão grande!)





Clique na imagem ao lado para ler o artigo:
SOBREVIVI AO TRABALHO INFANTIL. MAS NÃO FOI LEGAL.



COMECEI A TRABALHAR COM 11 ANOS. Não recomendo. Não acho que isso tenha ajudado, de nenhuma maneira na minha formação. Tenho certeza de que aquilo não fez de mim uma pessoa melhor, nem mais honesta ou menos complicada.





Clique na imagem ao lado para ler o artigo:
DIDI



Ninguém me chamava de Ênio. Ninguém sequer lembrava que meu nome era Ênio. Naquela época, crianças de famílias pobres, como a minha, não tinham caderneta de vacina, certidão de nascimento ou coisa parecida. O único documento que eu tinha era o Certificado de Batismo.
Assim o apelido, Didi, virou nome. E não havia discussão sobre isso.





A imagem que ilustra o cabeçalho deste artigo foi tirada da capa do Compacto Duplo (disco de vinil) dos Golden Boys lançado em 1970, com as músicas Fumacê, Se você quiser mas sem bronquear, Avenida Atlântica e Comunicação



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04/04/2020

SOBREVIVI AO TRABALHO INFANTIL. MAS NÃO FOI LEGAL.



(Publicado em 04/04/2020)



COMECEI A TRABALHAR COM 11 ANOS. Não recomendo. Não acho que isso tenha ajudado, de nenhuma maneira na minha formação. Tenho certeza de que aquilo não fez de mim uma pessoa melhor, nem mais honesta ou menos complicada.

Mas aconteceu comigo, como acontecia com quase todos os meninos da minha idade (e classe social, evidentemente). No bairro pobre onde eu morava (bairro Canta Galo, em Rio do Sul, SC) quase todos garotos de 11 ou 12 anos largavam a escola e iam trabalhar em alguma coisa pra ajudar em casa.




Em 1970 eu fazia a 5ª série no Henrique Fontes (que, na época, funcionava no prédio do Paulo Zimmermann, no centro de Rio do Sul). As aulas eram de tarde, de segunda a sábado. Mas de manhã eu, com 11 anos, e meu irmão mais velho, Carlos Alberto, com 12, já fazíamos limpeza (capinar, roçar, arrancar mato, remover entulhos...) em jardins e quintais nas casas de gente rica da cidade, geralmente as mesmas casas em que a minha mãe trabalhava fazendo faxinas, lavando e passando roupas.

A casa da Dona Celeste (mãe do seu Ivens) era a que a gente mais gostava, porque sempre, no meio do trabalho tinha uma hora do lanche. Ela fazia um café e um sanduíche que a gente comia com muito gosto. Mas tinha algumas casas que era só trabalho pesado, sem lanchinho nenhum.

Aquele ano de 1970 foi um ano muito duro para a nossa família. Éramos em sete irmãos e não havia dinheiro pra nada. Nunca tínhamos condições de comprar os materiais para as aulas. Os livros que a gente utilizava eram doados pela escola. Na época o governo não fornecia o material escolar nem os uniformes. Era tudo por conta dos pais dos alunos.

Assim, quando, depois de uns três meses de aula, os professores perceberam que a gente não teria mesmo como comprar os livros e cadernos, encontraram uma maneira de nos dar o material, livros e cadernos, tudo com o carimbo da escola (pra devolver no fim do ano). Hoje em dia não tem nada demais em receber o material escolar da escola, mas, naquela época, isso era uma humilhação danada.

Por isso, no final daquele ano de 1970, a gente não ficou chateado quando a minha mãe e meu pai decidiram que seria melhor que eu e meu irmão deixássemos a escola pra lá e fôssemos arranjar trabalho pra ganhar algum dinheiro e ajudar nas contas da casa.

Meu irmão, que era mais velho (e mais forte) logo conseguiu um emprego na Fundição Estrela. Eu bati pernas de porta em porta de muitas empresas da cidade pedindo emprego, até que arranjei o primeiro, na Marofrás, uma grande madeireira da região.

Meu trabalho era ajudar a carregar e descarregar tábuas de madeira em caminhões da empresa e depois fazer retoques nas falhas das peças (com pó de serragem misturado com cola branca) antes que fossem para a seção de beneficiamento. Era um trabalho muito pesado e eu era muito fraquinho. Era início do ano. Verão de rachar, com um calor insuportável. Eu não dava conta.

Por sorte, havia um carroceiro, o Seu Jorge, que trabalhava junto a várias madeireiras da região, recolhendo restos de madeira e revendendo como lenha em diversos lugares da cidade. Ele me ofereceu a vaga de ajudante. Eu deveria carregar e descarregar a carroça, tratar e encilhar os cavalos. Parecia melhor. Menos doloroso. E eu iria ganhar a mesma coisa. E assim foi.

Mais tarde descobri que havia uma vaga para trabalhar, nos sábados, como ajudante de lavação de carros num posto de gasolina que ficava no final da rua Coelho Neto (quase no pé da ponte Curt Hering, onde hoje funciona o Banco do Brasil). O trabalho no posto era bem duro. Para lavar os carros, por dentro e por fora eu passava o dia inteiro todo molhado e sujo. Mas, no final do dia ganhava o equivalente à metade do que eu ganhava na semana inteira trabalhando na carroça. E assim, com 12 anos eu não apenas já trabalhava. Eu tinha dois empregos!





O TRABALHO DE TODO SÁBADO lavando carros no posto de gasolina durou o ano inteiro. Mas outros empregos foram se alternando. Trabalhei um tempo embrulhando balas na Fábrica de Balas Eliane, que ficava bem no final da Rua Pedro Moreto, no bairro das Laranjeiras. Eu adorava aquele trabalho, por causa dos amigos que eu fiz por lá, gente que eu lembro o nome até hoje (João, Anita, Leila... pessoas sensacionais).

Eu morava no bairro Canta Galo e a fábrica de balas ficava no outro lado da cidade. O intervalo de almoço era de apenas uma hora e meia e eu não tinha uma bicicleta. Então não dava tempo para ir em casa almoçar. Por isso a mãe preparava uma marmita (na verdade uma panelinha de alumínio, com tampa, que ela embrulhava num pano de louça) e mandava o Edson ou a Enoína (um dos meus irmãos menores) levar até no meio do caminho. Eu caminhava a outra metade do trecho e a gente se encontrava numa pracinha que existia bem no meio da rua Sete de Setembro, mais ou menos na frente da Delegacia de Polícia, no local onde, mais tarde passou a funcionar uma unidade da APAE. Na época era uma pracinha com um parquinho infantil (parecido com este aí da foto). Eu almoçava e, depois do almoço eu e o irmão (ou irmã) ficávamos brincando no parquinho até dar a hora de voltar para o trabalho. Era muito divertido. E éramos crianças, afinal. Brincar no parquinho era um grande momento do dia.

Naquele mesmo ano (1971) também trabalhei como ajudante numa padaria (Rouxinol) que funcionava no início da Av. Aristiliano Ramos, nas imediações da Rádio Mirador. O trabalho começava cedo, 5 horas da manhã. Tratava-se de ajudar o padeiro a preparar a primeira fornada de pão; lavar toda a cozinha (água jogada pra todo lado) depois secar tudo com pano. Terminada a limpeza era hora de carregar a Kombi da padaria com caixas e pacotes de pão e leite e sair para distribuir nas vendinhas e armazéns dos bairros e do interior. Tudo isso antes das 8 horas da manhã. Daí voltava pra padaria e começava tudo de novo com a preparação de mais pães, doces e cucas que seriam vendidos ao longo do dia. O trabalho era duro, mas, em compensação, podia comer pão à vontade. E eu adorava pão de padaria.

Eu trabalhei também numa Empresa chamada São Jorge que fazia artefatos de madeira (colher de pau, farinheiras, cumbucas, rolo de macarrão e brinquedos como bilboquê e pião). A fábrica ficava na Rua Dom Bosco, no bairro Jardim América. Eu era um ajudante de serviços gerais. Tinha apenas 12 anos e, evidentemente, não poderia trabalhar com tornos e ferramentas metálicas perigosas. Então, só carregava coisas pra cá e pra lá, ajudava a carregar e descarregar caminhões e fazia limpezas.





NENHUM DESSES EMPREGOS pagava um salário fixo nem tinha carteira assinada. Eu queria era ter um emprego sólido como o meu irmão, que trabalhava na Fundição Estrela, onde tinha carteira e batia ponto. Então, de vez em quando eu ia lá e pedia emprego pra eles. A resposta era sempre a mesma: "quando tiver alguma coisa a gente avisa o Padilha" (o Padilha, no caso, era o meu irmão, Carlos Alberto).

Então, num belo dia de março de 1972 o Carlos chegou em casa e deu a boa notícia: "É pra tu ir amanhã lá na Fundição, que tem uma vaga pra ti". Foi uma noite de ansiedade. Finalmente eu iria ter um emprego de verdade, com carteira assinada e salário fixo.

O horário de trabalho era bem pesado: começava às 6h30 da manhã e encerrava às 18h30. Tinha um intervalo de 15 minutos para o café da manhã (às 8h30), um intervalo de uma hora e meia para o almoço (ao meio dia) e outro intervalo de quinze minutos para o café da tarde (às 15h30). Ao todo eram 10 horas de trabalho por dia.

Mas havia os dias de fundida. Ah, os dias de fundida!

A Fundição Estrela (existe até hoje) fabricava artefatos de ferro fundido: panelas, parolos, chapas de fogão à lenha e panelas de freio para indústria automotiva entre outras coisas. Essas peças eram moldadas em caixas de areia fina e, quando todas as caixas estavam prontas era o DIA DE FUNDIDA.

O forno era ligado e a temperatura interna chegava aos 1600 graus centígrados (acima dos 1538ºC necessários para derreter o ferro). O ferro derretido saia do forno para "panelas" metálicas revestidas de barro e daí seguia para fundir cada uma das peças nas respectivas caixas.

O processo era semelhante a esse mostrado AQUI neste vídeo (mas o forno da Fundição Estrela era muito maior)

O dia de fundida era um dia de trabalho intenso. Geralmente começava mais cedo do que o normal (4 ou 5 horas da manhã, dependendo do caso). O calor era infernal. Não existia nenhum tipo de Equipamentos de Proteção Individual. Era um salve-se quem puder! De vez em quando saia um empregado com uma queimadura no pé, nas pernas, na mão... ninguém saia de lá sem uma cicatriz de queimadura.

Os chefes eram rigorosos, mas não maltratavam nem batiam nos empregados. Você pode achar estranho eu dizer isso, mas não era incomum, na época, que os chefes, nas fábricas, batessem em empregados que não obedeciam ou não trabalhavam direito. E isso era considerado normal. Não gostou? Rua!

Mas o Seu Alécio e o seu Lindolfo (os chefes na Fundição Estrela) até que eram bem humanos e apenas exigiam muito empenho no trabalho e, principalmente, na pontualidade.



Muitos anos mais tarde, já engenheiro, com escritório em Rio do Sul (1990), acabei prestando um serviço para a empresa do Seu Alécio (agora empresário na cidade). Foi um reencontro emocionante, pois quando ele entrou em contado com o escritório de Engenharia Elétrica não fazia ideia de quem fosse o engenheiro. Conversamos muito e ele me disse que na época, quando eu era menino, na Fundição Estrela, eu era muito trabalhador e obediente. Essas eram qualidades muito bem avaliadas, na época.



Voltemos à Fundição Estrela. O meu trabalho, junto com o meu irmão Carlos e o Eli Vieira (um grande amigo que eu tenho até hoje) era preparar o forno entre uma fundida e outra. Depois que terminava aquela empreitada de fundir as peças, o forno era desligado e ficava esfriando por umas 24 horas. Não chegava a esfriar completamente, a temperatura baixava para uns 35 ou 40 graus. Então um de nós entrava no forno para fazer o conserto.

O forno era um cilindro metálico vertical com mais ou menos um metro de diâmetro e uns 8 a 10 metros de comprimento. Era revestido, internamente, por tijolos refratários (aqueles brancos, de churrasqueira) que eram afixados com uma argamassa feita com barro.

No final de cada fundida o revestimento interno do forno ficava quase completamente destruído. Então o nosso trabalho era entrar lá, quebrar e retirar, com marreta e talhadeira, os restos de ferro e escória, e depois refazer as paredes com novos tijolos refratários.

Depois de prontas as paredes internas do forno deveriam ser cobertas por uma massa de grafite que era misturada e passada com as mãos (aquela sujeira não saia das mãos e das unhas nem com toda água e sabão do mundo. Era um terror!)

Na Fundição Estrela eu trabalhei por dois anos, (do início de 1972 até o início de 1974). Nos meus 13, 14 anos eu gostava muito de ler. Nas férias que eu passava em Florianópolis, na casa do Tio Nelson e da Tia Márcia, aprendi a gostar de ler jornais. Com o pouco dinheiro que me sobrava, comprava, quase todos os dias, o Jornal de Santa Catarina, recém lançado jornal estadual publicado em Blumenau e que era vendido por ambulantes em Rio do Sul. Começava a ler o jornal pela página de esportes, evidentemente. Mas, como não havia muitas opções de leitura em casa, acabava lendo o jornal inteiro.

E foi assim que eu comecei a perceber que existia um mundo em que as pessoas trabalhavam de roupa limpa. Trabalhavam sentados, em escritórios. E não precisavam trabalhar nos sábados. Era isso o que eu queria pra mim. Então me decidi: ia fazer um curso de datilografia. Afinal, sem datilografia eu não poderia querer trabalhar em um escritório.

Me matriculei na escola de datilografia da Dona Gertrudes Cardoso, ali na Rua Bela Aliança, no final da Rua São João. Mas havia um problema. O último horário da escola era das 19h até 20h e o trabalho na Fundição Estrela ia até 18h30. Não havia tempo para sair do trabalho, ir até em casa, tomar um banho e chegar em tempo para a aula em meia hora.

Fui então conversar com o chefe do escritório, que era quem decidia tudo (nem vou dizer aqui o nome dele) e pedi que ele me permitisse sair meia hora mais cedo para poder fazer o curso.
Para minha surpresa a resposta foi NÃO.

Fiquei muito revoltado! Inconformado. E, como já estava insatisfeito com outras coisas, pedi demissão. Estava decidido a mudar de vida!

Arrumei um emprego de servente de carpinteiro com o Sr. Ibrain, numa reforma lá na rua XV de Novembro. O trabalho começava 7h da manhã e encerrava 17h30. Dava tempo pra fazer o curso de datilografia.

O resto da história eu conto em outro artigo.




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PADILHA, Ênio. 2020






Sobre o que foi dito na primeira linha deste artigo: começar a trabalhar com 15 ou 16 anos, ok. Não vejo nenhum problema. Mas 11, 12 anos não é bom. É uma crueldade que mata sonhos e interrompe uma fase importante da vida, além de impedir uma transição saudável entre o ser criança e ser adolescente.




Muitas informações para a composição deste artigo contaram com a memória de inúmeros amigos que fazem parte do grupo facebook.com/groups/Antigamenteemriodosul.
Agradeço muito o carinho e atenção.



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27/03/2020

VACAS VERDES E CACHORROS AZUIS



(Publicado em 27/03/2020)



Alguns dos meus amigos queridos estão em quarentena com filhos pequenos em casa. Nem sei o que dizer!

Quando as meninas eram pequenas (3 e 6 anos) a Áurea (que é professora de Educação Física e, na época, trabalhava com educação infantil) cuidava do desenvolvimento social e psicomotor delas com mil e uma atividades lúdicas, uma mais divertida do que a outra.
Mas cabia a mim, todas as noites, contar uma historinha pra elas, antes de dormir.

Era uma tarefa duríssima, porque o meu repertório de historinhas era muito limitado. Então, sabem o que eu fazia... inventava histórias surreais interativas... e elas adoravam:




Era mais ou menos assim: as duas sentadinhas na cama, com os olhinhos brilhando esperando a história começar. Eu, disfarçando meu medo de que, naquela noite, minha farsa seria finalmente descoberta, sentava na cama e começava...

"Era uma vez, numa floresta cheia de árvores amarelas, caminhava saltitando, um cachorrinho azul. Ele passou por uma estradinha de grama bem vermelha e encontrou com uma vaquinha verde. Estão acompanhando? "Sim, sim..." "Que cor era o cachorrinho?" "Azul! Azul!" "Muito bom. Isso mesmo: o cachorrinho era Azul".

"Então... aí a vaquinha verde falou para o cachorrinho azul: 'tenha cuidado com o Leão que mora atrás daquelas árvores brancas!' e o Cachorrinho azul respondeu: "Leão?! Eu nem sabia que tinha leões nesta floresta. Como ele é?' E a vaquinha respondeu: 'Ele é todo roxo, com bolinhas pretas e tem as patinhas marrons'. E o cachorrinho disse: 'Nossa, que medo! Ele come cachorros?' E a vaquinha disse: 'Claro que come. Tome cuidado!'.

As duas cheias de preocupação. Então eu perguntava novamente: "Qual é a cor do Cachorro?" "Azul, Azul!" "E a cor da vaquinha?" "É verde!" "E a cor das patinhas do leão?" "Hein?" "As patinhas do leão? De que cor elas são" "Hummmm deixa eu ver..." Geralmente a Ana Clara que era mais velha já estava mais ligada. "marrom, marrom!" "Isso, isso... continuamos..."

"A tarde começou a cair e o cachorrinho azul precisava voltar pra sua casinha. Mas agora ele estava com medo que o leão o encontrasse. Então ele resolveu pedir ajuda para o urso cor de rosa..." "Urso cor de rosa?!" "Isso, um urso cor de rosa que morava na floresta e que era amigo do cachorrinho azul e da vaquinha. Vocês ainda lembram qual era a cor da vaquinha?" "Verde. A vaquinha era verde" "E a cor da grama na estrada?" "Hein?" "Que cor era a grama?" "..." "???" "Verde?" "Claro que não! Se a grama da estrada fosse verde ninguém poderia enxergar a vaquinha, pois ela era verde também!" "hmmmm" "Ah, lembrei: era vermelha!" "Isso!!! Muito bom"

E assim a história ia se esticando, esticando... e novos personagens iam sendo incluídos, todos com cores estapafúrdias e montando um jogo de memória muito divertido (Pelo menos pra mim. Não sei o que elas pensavam disso) até que eu percebia que tinha vencido o jogo pelo cansaço e elas já estavam ficando com os olhinhos pequenos de sono.

Não. Não estou aqui dando uma dica de como lidar com crianças em casa em tempos de quarentena. Apenas apenas tive essa lembrança feliz e resolvi compartilhar. Deu saudade da minha plateia de ingênuas divertidas.

E, à propósito, meu Kaô nunca foi descoberto. Mantive a farsa por vários anos sem nunca ter sido desmascarado.




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PADILHA, Ênio. 2020

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28/02/2020

O ACERVO DE ÊNIO PADILHA NO SITE

(Publicado em 28/02/2020)



O www.eniopadilha.com.br completa 24 anos em 2020.
Foram mais de 11 mil publicações, a maioria delas sobre Engenharia, Arquitetura e Administração e Gestão de carreira.

Eu não fazia ideia de quantos desses posts eram artigos de minha própria autoria. Para muita gente que perguntava eu respondia que seriam uns 400 artigos, aproximadamente. Me enganei feio.

Neste mês de fevereiro (de 2020) trabalhei duro por algumas semanas para organizar todos os textos de minha autoria que foram publicados no site. Tive o trabalho de encontrar e colocar cada um na sua categoria mais apropriada e assim surgiu esta nova página:





São mais de 900 artigos escritos por mim, sobre temas que vão da Estratégia e Empreendedorismo à Valorização Profissional de Arquitetura e Engenharia (sem esquecer as Notas Autobiográficas e os registros do Turista Acidental).

Esses 900 textos, se publicados em livros, seriam equivalentes a uns 9 ou 10 livros de 170 a 200 páginas. Nada mal.

Clique agora em www.eniopadilha.com.br/acervo, vai lá e divirta-se. Agora ficou mais fácil encontrar o texto que você procura.




www.eniopadilha.com.br

PADILHA, Ênio. 2020



Comentário do Ênio Padilha

Nosso site publica posts inéditos todos os dias, há muitos anos. Existem mais de 11 mil publicações no arquivo. Apenas uma parte disso são textos de minha autoria.

Eu comecei a fazer essa organização porque vou precisar do resultado para o meu próximo (e grande) projeto. Precisava localizar tudo o que eu havia escrito sobre Empreendedorismo, Estratégia, Gestão de marca (empresarial e pessoal) e sobre cada uma das 4 grandes áreas da Administração (Marketing, Produção/Produtividade, Pessoas e Finanças).

Foi preciso selecionar os 900 artigos entre mais de 11 mil postagens e depois organizar por categorias. E não poderia haver ambiguidade. Cada artigo precisava estar em uma (apenas uma) categoria. Embora alguns textos possam contemplar mais de um tema, ele foi definido na categoria do tema central do artigo. Isso, naturalmente, deu alguma dificuldade. Foram 4 semanas de trabalho muito intenso, quase em tempo integral.
Mas valeu a pena.

Além daquelas categorias que estavam na meta do trabalho, encontrei muitos outros textos que ficariam de fora. Então fui criando categorias pra eles, como o NA MINHA FRACA OPINIÃO ou as NOTAS AUTOBIOGRÁFICAS, além da enorme quantidade de textos que eu encontrei sobre futebol, atletismo, Jogos Olímpicos e Copa do Mundo... CONFIRA

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