Notas de "NOTAS AUTOBIOGRÁFICAS"

21/03/2018

DE UMA CARTA DESPRETENCIOSA A UMA SÉRIE DE LIVROS

(Publicado em 22/08/2016)



É uma longa história de fatos encadeados:

Em 2003 recebi um e-mail de um jovem engenheiro recém formado, pedindo alguns conselhos para o início da sua carreira. Não me fiz de rogado e a minha resposta acabou se tornando a “Carta a um Engenheiro Recém-formado”, um artigo com meia dúzia de recomendações que fizeram um grande sucesso. Tornou-se um dos artigos mais lidos do meu site por muito tempo, além de ter sido replicado em muitos jornais e revistas em todo o país (as redes sociais ainda não existiam para fazer esse trabalho).

Dez anos depois de publicada a carta, em março de 2013, tive o privilégio de ser convidado para ser paraninfo da turma de Engenharia Elétrica da UFSC (no mesmo curso e na mesma universidade onde eu me formei, em 1986). Os alunos chegaram até a mim, entre outras coisas, por terem lido a tal carta e queriam que o meu discurso tivesse aquele tom. Então utilizei a carta como base, acrescentei alguns conselhos e cheguei ao meu “Discurso aos Engenheiros Recém-Formados”, que também foi publicado no site e manteve o interesse de muitos leitores.

Pois bem: no início de 2015, depois de ter lido o discurso, a Associação de Engenheiros e Arquitetos de Maringá (numa parceria com o Crea-PR) me convidou para apresentar uma palestra num evento de Entrega dos Registros Profissionais aos novos engenheiros da região de Maringá. Fiquei muito entusiasmado com o convite e muito motivado. Tanto que acabei produzindo uma palestra nova, inédita, baseada no discurso (que tem a ver com gestão de carreira) e com umas pitadas de administração de negócios.

Nasceu assim a palestra CARREIRA E EXERCÍCIO PROFISSIONAL: RESPONSABILIDADE E PRODUTIVIDADE. (Essa palestra é destinada especialmente a Jovens Engenheiros e Arquitetos com o objetivo de oferecer recomendações úteis para os primeiros passos na carreira profissional. Trata dos conceitos de Carreira e de Exercício Profissional e também apresenta recomendações para que o exercício profissional não apenas propicie o progresso do profissional mas também garanta sua contribuição para a permanente Valorização da Profissão).

A apresentação da palestra em Maringá foi um sucesso. A palestra incorporou-se definitivamente ao meu portifólio e segue sendo apresentada até hoje. A organização do material para aquela palestra despertou a ideia de escrever um livro destinado a esses jovens profissionais que chegam ao mercado. Preparei um projeto e apresentei ao presidente do Crea-SC (Carlos Alberto Kita Xavier) ele ficou entusiasmado com a ideia. Levou a proposta aos conselheiros e obteve a aprovação. E assim, em julho de 2015 foi lançada a primeira edição do livro MANUAL DO ENGENHEIRO RECÉM-FORMADO, cuja primeira edição (especial) foi totalmente adquirida pelo Crea-SC e distribuído em eventos destinados a jovens engenheiros no estado de Santa Catarina.

O sucesso da primeira edição do livro levou a Editora OitoNoveTrês a lançar a segunda edição já em agosto de 2015 e o livro segue o seu curso de bons resultados até agora, cumprindo seu principal objetivo: ser uma âncora para jovens profissionais para que eles possam se orientar e realizar com maiores acertos os primeiros passos no exercício profissional.

Com a repercussão positiva do “Manual” a OitoNoveTrês resolveu investir também na produção de outro livro, destinado aos jovens arquitetos. Para essa empreitada convidei um jovem (40 anos) arquiteto paulista, Jean Tosetto, que mostrou-se um autor de excelente qualidade. Nasceu assim o “ARQUITETO 1.0 - um manual para o profissional recém-formado” um livro com a mesma natureza e finalidade do Manual do Engenheiro Recém-formado, porém, destinado aos arquitetos. Tosetto pode ser considerado o autor principal do livro, uma vez que ele escreveu 8 dos 12 capítulos do livro. O livro foi lançado em dezembro de 2015 e foi o segundo de uma série que seria ampliada no ano seguinte.





Em maio de 2016 três cirurgiãs-dentistas (Clara Padilha, Maria Fernanda Belatto e Camila Kuhnen) lançaram (também pela Editora OitoNoveTrês), o livro #QUASEDENTISTA - manual do cirurgião-dentista recém-formado. Que também tem despertado o interesse de muitos jovens profissionais leitores no Brasil inteiro.

Recentemente fui convidado para apresentar a palestra CARREIRA E EXERCÍCIO PROFISSIONAL: RESPONSABILIDADE E PRODUTIVIDADE no Forum Jovem, evento realizado pelo CreaJr Nacional e que foi realizado durante a SOEA, em Foz do Iguaçu (31 de agosto e 01 de setembro de 2016).




Novamente fiquei muito entusiasmado. Resolvi fazer uma revisão na palestra, agora baseada no livro. Faltava alguma coisa: as ilustrações geniais do engenheiro Sérgio Santos, de Fortaleza (que tinha feito um trabalho magnífico para o livro). Fiz o convite. Ele, com aquele coração enorme, aceitou. O resultado (dez ilustrações sensacionais) foi visto pelos jovens estudantes de Engenharia que estavam presentes ao Fórum Jovem de Foz do Iguaçu (mas, uma palhinha pode ser vista abaixo:



Ou seja: aquela despretenciosa “Carta a um Engenheiro Recém-Formado” de 2003, produziu muitos e ótimos frutos!



ÊNIO PADILHA
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---Artigo2016 ---Gestão de Carreira

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05/01/2018

LONGA VIDA AO CALABOUÇO

(Publicado em 05/01/2018)





Recebi a fotografia pelo WhatsApp. Quem mandou foi o Mauro Faccioni. Ele nunca morou lá, mas sabia o impacto que a imagem causaria no meu coração.

A legenda era significativa: "Últimos dias do Calabouço!" Deu um nó na garganta.

Morei muitos anos no calabouço, quando fazia faculdade (Engenharia Elétrica, UFSC, início dos anos 1980). Era um casarão lúgubre, uma sala, um enorme corredor, quatro quartos, uma cozinha e um banheiro. Não entrava sol em três dos quartos. O último quarto era chamado de Maracanã, porque era um quarto duplo, e pegava um pouquinho de sol. As paredes viviam úmidas,

Os residentes permanentes eram três: o João da Silva Dias, o Marcos Vallim e eu (todos da Engenharia Elétrica) moramos lá por quase três anos. Mas, nesse mesmo tempo, outras pessoas moraram lá durante períodos mais curtos. Antônio Salvador (foi presidente do Crea-CE), o Ramires, um engenheiro Boliviano que fazia mestrado na UFSC ("solo enseñan la mierda en lá universidad!"), o Gilberto Drummond (que hoje mora em Vitória-ES), o meu irmão, Élcio, o irmão do João, Júlio, os três garotos do oeste que nós, maldosamente, apelidamos de Cícero, Prático e Heitor... enfim... muitas memórias. E teve ainda o Heráclito, um rato (camundongo) que surgiu num determinado momento e nos atormentou por alguns dias. Foi uma caçada que exigiu muita determinação e inteligência de nossa parte. No fim o pobre Heráclito caiu nas mãos do João Dias... e aí, já viu: não havia clemência!

O João ficava no primeiro quarto. O Marcos no segundo. Eu morava no terceiro. No maracanã ficavam os itinerantes. Geralmente moravam por alguns meses e depois iam embora. A república era democrática. Não tinha stress por conta do que havia na geladeira. Tinha uma TV na sala (preto e branco, 20 polegadas) onde a gente acompanhava "a vida lá fora". Lembro de todos reunidos na sala acompanhando a Guerra das Malvinas, a Copa de 1982 e a mini-série da Globo Lampião e Maria Bonita, com o Nelson Xavier e a Tânia Alves.

Havia muito pão com chá. Havia muita resenha. Havia muito silêncio para estudos intermináveis nos fins de semana... E havia as escalas de limpeza do banheiro e da cozinha, trabalho que a gente fazia sempre resmungando de brincadeira "onde já se viu: um homem na minha posição, quase um engenheiro, ainda tendo de limpar banheiro dos outros..."

E agora o Calabouço está sendo demolido. Dará lugar a um grande edifício. É claro que não sou contra, mas dá vontade de pedir pra fazerem isso com carinho, com cuidado, com respeito. Como disse o Marcos (quando eu contei pra ele, também pelo Whatsapp) "é uma sensação muito estranha mesmo. Parte importante da nossa vida está ligado ao Calabouço. Lembranças muito boas de situações bem ruins. Ao demolirem aquele lugar e construírem algo novo vai parecer que nunca existiu e, portanto, todas as nossas lembranças ficarão parecendo alucinações"

Longa vida ao Calabouço. Agora apenas nas nossas lembranças.



ÊNIO PADILHA
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---Padilha, Ênio. 2018

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05/07/2017

AULA INAUGURAL - MANAUS, 7 DE JULHO

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12/05/2017

DIDI



(Publicado em 12/05/2001)



Eu estava todo animado para contar a novidade ao meu irmão mais velho, Calinho, 8 anos (um ano mais velho do que eu).  Corria o ano de 1966. Era hora do recreio, no meu primeiro dia de aula, e a novidade era mesmo fantástica: "Calinho", fui dizendo, "você sabia que o meu verdadeiro nome é Ênio?"

"Que besteira é essa, Didi? Ênio é o nome do nosso pai. O seu nome é Didi. Tá ficando bobo, só porque entrou na escola?"

(...)




É isso mesmo, o meu nome, para todos os efeitos, era Didi.  E eu só estava descobrindo que o nome "oficial" era "Ênio" ali, naquele dia, na escola.   Em casa, desde pequenininho, todos me chamavam de Didi.

Quando eu nasci recebi o nome do meu pai (Ênio Padilha).  Logo meus tios (tio Nilo e tio Nestor, que moravam com meus pais) perceberam que dois "Ênios" dentro de casa causariam uma certa confusão.  Assim, resolveram que eu, que tinha chegado depois, deveria ter um apelido.

"Didi" era o nome "da hora".  Craque da seleção campeã do mundo, mestre de gênios como Garrincha, Vavá e Pelé, ele era um atleta que despertava paixões e conquistava fãs pelo Brasil a fora.  Meu pai e meus tios eram alguns desses fãs.  Por isso herdei o apelido que me acompanhou por muitos anos.  Ninguém me chamava de Ênio.  Ninguém sequer lembrava que meu nome era Ênio.  Naquela época, crianças de famílias pobres, como a minha, não tinham caderneta de vacina, certidão de nascimento ou coisa parecida.  O único documento que eu tinha era o Certificado de Batismo.

Assim o apelido, Didi, virou nome.  E não havia discussão sobre isso.


Até hoje minha mãe, meus tios e primos, ainda me chamam de Didi.  Meus irmãos, nem sempre, mas algumas vezes também deixam escapar. Eu gosto muito, pois tenho muito carinho por este apelido, pelo que ele representa e pelo ídolo que foi "homenageado" com essa escolha.

Por isso fiquei tão triste hoje, quando vi a notícia, na internet: o velho Mestre se foi.

Didi marcou o primeiro gol do Maracanã, em 1950.  Participou de três Copas do Mundo. Foi campeão em duas. Em uma delas foi eleito o melhor jogador.

Inventou, em 1956, a "folha seca", uma forma de chutar a bola de tal maneira que ela muda a trajetória, em pleno ar, enganando o goleiro. Defendeu, como jogador ou treinador, mais de vinte equipes pelo mundo inteiro.  Foi, enfim, um grande atleta e um grande homem.

Eu sempre me orgulhei muito de ter recebido do meu pai e dos meus tios esse apelido que me ligava, de alguma forma, a esse grande ídolo.

Por isso, faço agora essa justa e humilde homenagem a esse brasileiro, que morreu aos 71 anos, depois de viver uma vida heróica e digna.

Vai com Deus, Mestre Didi.   E que a sua gloria continue a enfeitar as nossas memórias.




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PADILHA, Ênio. 2001

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24/04/2017

ANIBAL DE BARBA

(Publicado em 24/04/2002)





A Aníbal de Barba era linda!

Escolas Reunidas Aníbal de Barba, no bairro Canta-Galo em Rio do Sul, Santa Catarina, idos de 1966. Uma construção de madeira, enorme, pintada em um laranja escuro, janelas grandes, portas imensas...(É claro que os superlativos são por conta do que eu achava naquela época. Já adulto, em 1991, fui um dia rever a escola, à época já um prédio abandonado. Nossa, que pequenininha! Parecia tão grande!)

Eram duas salas e, no meio delas, quase um apêndice, “o gabinete”: um escritório “grande” onde ficava a diretora.

A diretora, em 1966, ano em que eu entrei na escola era, se eu não me engano, a dona Irene. A minha professora, essa eu não esqueço, é claro: a dona Alda (no segundo ano foi a dona Rose, no terceiro ano a inesquecível dona Méri e no quarto ano a dona Irene, ainda diretora da escola. A todas eu devo muito e não tenho a menor idéia de como saldar a dívida).

Um ano antes meu irmão mais velho, o Carlos, e todo um grupo de meninos mais ou menos na minha idade haviam entrado na escola. Naquela época e naquelas circunstâncias (bairro pobre, afastado do centro) não havia jardim de infância nem pré-escola. Então entrava-se na escola já com sete ou oito anos. Na primeira série.

Eu passei um ano inteiro (1965) escutando as histórias do Calinho, do Dico (Valdir Mendes) e do Fuminho (Reinaldo Simão) sobre a escola, sobre a professora deles (dona Isaltina, uma espécie de Deusa que eles adoravam mais do que às próprias mães) e sobre as novas brincadeiras que haviam aprendido. Sem contar que eles todos aprenderam a ler.

Meu Deus! Aquilo era o máximo! Eu precisava crescer logo para ir para a Aníbal de Barba também.
Dezembro de 65 e janeiro e fevereiro de 66 foram meses que duraram quase um ano, de tanto que não passavam nunca.

Finalmente o grande e inesquecível dia chegou. O ano de 1966 finalmente começava.
(Escrevi, ano passado, uma historinha sobre esse primeiro dia e de como eu descobri que o meu nome era Ênio e não Didi, que era meu apelido em casa – veja AQUI).

Na Aníbal de Barba eu me sentia em casa. Eu adorava a escola. Tirava notas boas, era paparicado pelas professoras, recitava versos nas homenagens à bandeira, todos os sábados, cantava, contava histórias, carregava bandeira no desfile de sete de setembro, brincava de pegar, de polícia e ladrão, de pular corda, de amarelinha e de quilica (eu adorava jogar quilica)

O pátio da escola era “imenso” a gente corria em volta da escola feito diabinhos, até esgotar as energias. Quando a aula começava (ou recomeçava, depois do recreio) estávamos encharcados de suor e, não raro, com algumas escoriações leves, sempre tratadas pela dona Alda, com mercúrio e merthiolate.

No recreio comíamos a sopa e o pão da dona Lola, zeladora da escola, cozinheira, mãe de todos (esposa do Aníbal de Barba, o patrono da escola) mas, principalmente, mãe do Aníbal de Barba Filho, meu colega de aula. Gordinho, divertido e muito, muito inteligente. Por conta da presença dele, nossa turma tinha um tratamento especial (coisas de mãe, sabe como é).

Tinha também o Gilson (Gilson Schlichting) o meu melhor amigo. Um intelectual, de óculos e tudo. Tirava ótimas notas e tinha respostas para tudo.

Aprendi a ler rapidinho (antes das férias de julho) e a fazer contas também. Mas o grande momento do ano foi a semana da criança, em outubro. A professora levou um toca-discos portátil (daqueles da Sonatta, lembra), à pilha, pois a Aníbal de Barba não tinha luz elétrica. E botou para tocar uma historinha maravilhosa.
E ainda teve “farta” distribuição de pipocas balas e pirulitos, que foram obtidos por doação nas vendas do seu Arnildo e do seu Hermínio.

Ah, que saudade!
Por onde andará essa gente toda?



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




Ilustração: Imagem atual (2017) tirada do Google Maps. A porta grandona era da minha sala de aula, no primeiro ano, em 1966.



---Artigo2002

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04/02/2017

400 VEZES!

(Publicado em 04/02/2017)



Mais de 8 mil colegas arquitetos, engenheiros, administradores e estudantes que se inscreveram no nosso site nos últimos 18 anos estão recebendo hoje (e ao longo deste final de semana) o nosso boletim semanal TRÊS MINUTOS de número 400.

Isso mesmo. Desde o primeiro envio, em janeiro de 2000 até hoje já foram 400 edições. As primeiras (acredite) foram por fax.

A ideia é sempre a mesma. Um email com o texto integral de um artigo inédito, sobre administração de escritórios, gestão de carreira, marketing de serviços ou marca pessoal (eventualmente, algum artigo sobre valorização profissional).

Além disso, o Três minutos serve também para informar os leitores sobre a nossa agenda de palestras e cursos.

Se você ainda não recebe o nosso TRÊS MINUTOS toda semana, inscreva-se ali na coluna da direita. É rapidinho. Você só precisa informar o nome, profissão, cidade, estado e o email. Pronto. Na semana que vem você já vai ser o primeiro a saber das coisas.



ÊNIO PADILHA
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PADILHA, Ênio. 2017

11/01/2017

NÃO TÁ FÁCIL PRA NINGUÉM

(Publicado em 17/07/2015)




MANUAL DO ENGENHEIRO RECÉM-FORMADO - Tudo o que o profissional precisa saber para acertar nos primeiros passos da carreira.

ÊNIO PADILHA
2ª ed. 2015 - 162 páginas
ISBN 978 85 67657 01 1

Prefácio: Carlos Alberto Kita Xavier (Engenheiro, Presidente do Crea-SC)

R$ 45,00 (verifique, no site, o custo de envio pelo Correio)




POR QUE VOCÊ DEVERIA LER?



Porque... não tá fácil pra ninguém. Imagina para os recém-formados da área de Engenharia!

Ingressar no mercado de trabalho nos dias de hoje é uma tarefa muito complicada. Existem dificuldades reais na economia do país e um clima de insegurança para os investimentos de empresas e financiadores. E os engenheiros (de qualquer área) precisam de um ambiente de planejamento e investimentos. A percepção de crise que permeia a sociedade não é uma coisa boa para quem está iniciando uma carreira na engenharia.

Aprender o caminho das pedras, entender o funcionamento do sistema e saber quais são as ferramentas mais importantes para a sobrevivência e progresso na profissão são coisas essenciais nesse momento. É exatamente aí que o livro MANUAL DO ENGENHEIRO RECÉM-FORMADO tem o seu lugar. Escrito a partir das pesquisas realizadas com profissionais de todo o Brasil, durante sete anos, o livro se propõe a ser um apoio para o enfrentamento das principais dificuldades típicas que os recém-formados enfrentam: o que deve ser priorizado? Quem é quem e quem faz o quê no Sistema de Organização Profissional? Como se manter atualizado tecnicamente? Como se apresentar às oportunidades do mercado de trabalho? Como (e por que?) construir uma boa Marca Pessoal?

O livro não promete milagres. Não resolve a vida, por exemplo, de quem não fez a lição de casa enquanto estava na faculdade. Engenharia é uma profissão que exige boa formação e o domínio de conhecimentos e habilidades que os estudantes não podem negligenciar. Mas o MANUAL consegue ser uma boa ferramenta para quem tem potencial mas não sabe como transformar isto em resultados. Apresenta conhecimentos e técnicas do universo das ciências sociais, que são essenciais para o sucesso dos profissionais.

Este livro surge com a possibilidade de ser, para os nossos dias, o que foram os manuais cheios de fórmulas de Física e de equações matemáticas que faziam o sucesso com os Engenheiros do século XX.



ÊNIO PADILHA
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---Artigo2015 ---Manual ---Livros

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25/09/2016

MAIORIDADE!

(Publicado em 25/09/2016)



Há 18 anos, em 25/09/1998 foi lançada a primeira edição do livro MARKETING PARA ENGENHARIA e ARQUITETURA, trabalho de conclusão de um curso de Especialização em Marketing Empresarial que foi acolhido pelo Crea-SC, tornando-se o primeiro livro escrito no Brasil sobre o tema.

De lá pra cá muita coisa aconteceu: o livro chegou à sua 9ª edição, já teve mais de 23 mil exemplares vendidos e é adotado por muitos profissionais, além de ser objeto de estudo em muitas Escolas de Arquitetura e de Engenharia em todo o Brasil.

Você pode ler um capítulo inteiro da nona edição do livro, na página da editora.

Outros seis títulos destinados a Arquitetos e Engenheiros foram lançados nesses dezoito anos. Cinco desses livros continuam disponíveis:
• MARKETING PARA ENGENHARIA E ARQUITETURA
• NEGOCIAR E VENDER SERVIÇOS DE ARQUITETURA E ENGENHARIA
• VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL (Artigos sobre Valorização Profissional)
• ADMINISTRAÇÃO DE ESCRITÓRIOS DE ARQUITETURA E ENGENHARIA
• MANUAL DO ENGENHEIRO RECÉM-FORMADO
• ARQUITETO 1.0 (Um manual para o profissional recém-formado - em parceria com o Arq. Jean Tosetto)

No total, a Editora OitoNoveTrês vendeu mais de 44 mil exemplares nesses 18 anos (um número expressivo, considerando o mercado de livros no Brasil, especialmente para um público específico e restrito).



ÊNIO PADILHA
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---Artigo2016 ---Dica de Leitura



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08/08/2016

SÉRGIO SANTOS FARÁ ILUSTRAÇÕES
PARA A PALESTRA DO FÓRUM JOVEM

(Publicado em 08/08/2016)



OLHA QUE BACANA
No dia 1º de setembro estarei apresentando uma palestra (EXERCÍCIO PROFISSIONAL - RESPONSABILIDADE E PRODUTIVIDADE) No Fórum Jovem, evento do CreaJr Nacional que faz parte da programação da SOEA, em Foz do Iguaçu.
Agora o meu grande amigo, engenheiro e professor em Fortaleza, Sérgio Santos, aceitou o meu convite e fará 10 desenhos inéditos que serão utilizados como ilustrações dos tópicos da palestra.
Quem ganha com isso? Os jovens profissionais e estudantes que estiverem participando do evento, claro.
Se é verdade que uma imagem vale por mil palavras, as ilustrações do Sérgio Santos certamente tornarão a minha palestra muito mais interessante e esclarecedora.
Sérgio Santos é o autor das elogiadíssimas ilustrações do livro MANUAL DO ENGENHEIRO RECÉM-FORMADO. Uma delas é esta aqui, que ilustra o capítulo 3 (Segunda fase da carreira: hoje)



ÊNIO PADILHA
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---Artigo2016 ---GESTÃO DE CARREIRA

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08/07/2016

CRISE: NÃO É A PRIMEIRA E NÃO SERÁ A ÚLTIMA

(Publicado em 08/07/2016)



Eu queria dizer uma coisa para os jovens (entre 25 a 35 anos) que estão enfrentando sua primeira grande crise econômica no país: não desesperem nem desanimem. O Brasil, acreditem, já enfrentou coisa pior. E nem faz muito tempo.

Eu vou contar aqui como foi (não se impressione com o tamanho do texto) e depois vou dar algumas sugestões de como lidar com as crises econômicas. Não apenas com esta crise. Mas com todas as que ainda estão por vir.




Este artigo foi publicado no TRÊS MINUTOS - Ano 17 - Número 19 de 07/07/2016



Pois bem: no dia 28 de fevereiro de 1986 (uma sexta-feira, há 30 anos) o Brasil acordou em polvorosa. Os bancos não abriram. O presidente José Sarney anunciou um Plano audacioso de Estabilização Econômica, que logo recebeu o nome de "Plano Cruzado" (porque a moeda mudou de nome -- de Cruzeiro para Cruzado -- e perdeu três zeros).

A economia não vinha bem. Havia uma certa instabilidade política. O país recém saíra de um regime militar que durara 20 anos. Eram novos tempos.

Com o plano econômico daquele 28 de fevereiro, os preços, o câmbio e os salários foram congelados, foi instituído o gatilho salarial e a população foi chamada para defender os novos paradigmas econômicos. Surgiram os "Fiscais do Sarney" (pergunte para o seu pai ou sua mãe. Eles vão lembrar dos Fiscais do Sarney).

O plano foi um sucesso! A inflação (que no ano anterior foi de 235%) recuou e os salários ganharam fôlego... parecia que os problemas do Brasil, finalmente, haviam sido resolvidos. Mas a calmaria durou pouco. Depois de alguns meses os produtos desapareceram do mercado. O país passou a enfrentar o desabastecimento e o Plano Cruzado começou a fazer água.

Eu me formei engenheiro (na UFSC) em julho de 1986. Bem no meio disso tudo. Abri meu escritório de Engenharia, em Rio do Sul, exatamente quando o Plano Cruzado estava afundando e o governo Sarney anunciava o Plano Cruzado 2, em novembro (alguns dias depois das eleições, claro). O novo Plano trazia o fim do congelamento e a elevação dos preços das tarifas públicas.

Não deu certo. O Plano Cruzado 2 também foi um fiasco e consolidou fracasso do já combalido Plano Cruzado. Foi então que, no início de 1987, o então ministro da Fazenda, Dilson Funaro (o pai do Plano Cruzado) deixou o governo. Em seu lugar assumiu Luiz Carlos Bresser-Pereira, que lançaria outro plano, que levava seu nome (o Plano Bresser). Mais uma vez tivemos o congelamento de preços e salários (por 90 dias). Mais uma vez não deu certo. Era um plano muito ruim. Muito burro. E que insistia em fundamentos do já fracassado Plano Cruzado.

E assim, naquele ano de 1987, a inflação atingiu 415,87%.

No Brasil daquela época já estava instituída a cultura dos pacotes econômicos. A sociedade (a população, a imprensa e, principalmente, os empresários) ficavam especulando sobre o próximo plano econômico, enquanto isso a economia estagnava. Ninguém investia, ninguém fazia projetos. Os escritórios de Arquitetura e de Engenharia quebravam um atrás do outro. A década perdida estava fechando com chave de ouro.

A inflação de 1988 ultrapassou a barreira dos quatro dígitos: bateu em 1.037,53%. Por isso, em janeiro de 1989 houve uma nova tentativa: foi lançado o "Plano Verão", capitaneado pelo então ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega. Preços foram congelados, o cruzado perdeu três zeros e passou a se chamar Cruzado Novo.

Novamente, deu tudo errado. E a inflação de 1989 chegou a 1.782.85%. Você leu certo! é isso mesmo: 1.782.85% de inflação num único ano!


UMA ESPERANÇA NO HORIZONTE
Mas em 1989 o Brasil estava cheio de esperanças. Haveria uma eleição para presidente da república. Da disputa entre vários candidatos resultou um segundo turno entre Lula e Fernando Collor. Collor levou a melhor e foi eleito. Tomou posse no dia 15 de março de 1990.

Um dia depois da sua posse Fernando Collor de Mello declarou feriado bancário de dois dias e anunciou seu Plano de Estabilização Econômica. Foi um choque! Estabeleceu-se um pânico na sociedade (especialmente aquela parte da sociedade que produzia riquezas para o país).

O Plano Collor foi, sem dúvida, o mais traumático de todos os planos econômicos, pois promoveu o confisco das poupanças e das contas correntes, além do tabelamento dos preços e da extinção de 24 órgãos do governo. A moeda voltou a se chamar Cruzeiro.

A economia doméstica foi dizimada. Da noite para o dia simplesmente não havia mais dinheiro em circulação pois quem tinha dinheiro em banco (conta corrente ou poupança) simplesmente não poderia utilizá-lo. Foi uma coisa triste demais. Gente que tinha, por exemplo, vendido uma casa para comprar um apartamento, ficou, da noite pro dia, sem a casa e sem o apartamento. Simples assim.

Muita gente sofreu. Casamentos se desfizeram, Pessoas ficaram doentes. Outros, no limite, cometeram suicídio. Era uma coisa terrível!

O Plano Collor, não deu certo. Não venceu a inflação, que, em 1990, chegou a 1.476,71%.

Em janeiro de 1991, a ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Mello, anunciava na TV novas medidas econômicas que congelaram preços, salários e serviços. Era o novo plano econômico do governo Collor. O Plano Collor 2.

O fracasso desse novo plano custou o cargo da ministra que deu lugar a Marcílio Marques Moreira (em maio de 1991). O Brasil inteiro entrou em novo compasso de espera. E vieram novos ajustes na economia. A sucessão de medidas de impacto na economia não foram suficientes: a inflação em 1991 baixou, mas ainda estava em absurdos 480,17%.

O governo Collor começou a afundar com denúncias de corrupção e uma oposição ferrenha exercida principalmente pelo PT, que resultou no pedido de impeachment do presidente. Assim, o programa econômico de Marcílio Marques Moreira, que previa a redução drástica da hiperinflação, foi prejudicado e por fim, suspenso.

Collor acabou caindo, no segundo semestre de 1992. Itamar Franco assumiu o governo e nomeou Gustavo Krause Gonçalves Sobrinho para o Ministério da Fazenda. Krause foi substituído depois por Paulo Roberto Haddad, que logo depois foi substituído por Eliseu Resende. O Brasil trocava mais de Ministro da Fazenda do que os brasileiros trocavam de roupa. E cada ministro novo significava um novo pacote de medidas para a economia. Nada funcionava. Era uma coisa horrorosa ser empresário no Brasil daquela época.

A inflação acumulada de 1992 foi de 1158,0%. Não havia esperanças. Só os loucos empreendiam. Só ganhava dinheiro quem conseguia especular no mercado financeiro, ou seja: quem já tinha dinheiro. Os pobres e os pequenos empresários eram os que mais sofriam.

ITAMAR FRANCO E SEU PLANO FHC
Em maio de 1993 Fernando Henrique Cardoso assumiu o ministério da Fazenda. Logo em seguida, novo pacote de medidas em que o Cruzeiro Real (CR$) substitui o Cruzeiro, que perdeu três zeros (isso era muito comum em tempos de inflação exorbitante).

As primeiras medidas contra a inflação do novo ministro não surtiram grandes resultados. A inflação acumulada do ano de 1993 foi de 2.780,6%. O Brasil bateu no fundo do poço!

A virada começou quando, em fevereiro de 1994 foi lançado um novo programa de estabilização econômica, chamado Plano FHC. O plano criava a URV (Unidade Real de Valor), indexador que seria base para uma nova moeda que seria lançada mais tarde.

Ninguém mais tinha esperança. Por isso ninguém deu muita importância para um plano econômico que não foi apresentado de forma espetacular. Não houve choque econômico, nem congelamento de preços, nem feriado bancário nem surpresas de nenhuma natureza. Haveria apenas uma transição na qual a sociedade haveria de se reacostumar com preços ancorados e redescobrir o real valor das coisas, até estar pronta para a entrada em cena da tal nova moeda (cuja transição seria, também, sem sobressaltos).

O universo inflacionário no qual o Brasil vivia era insano. Havíamos perdido a noção do valor dos produtos. Com a entrada em cena da URV conseguimos perceber que alguns produtos tinham preços que eram simplesmente absurdos. Uma calça jeans, por exemplo, poderia ter o preço de uma TV das grandes. Um cafezinho poderia custar o preço de um corte de cabelo. Um jantar poderia custar o preço de um equipamento de som. Vivíamos em um mundo sem referências.

A nova moeda, o Real, entrou em circulação em julho de 1994, mantendo a paridade de 1 pra 1 com a URV, o que tornou o processo muito transparente e tranquilo. Com o Real, o país finalmente passou a ter crescimento sem inflação.

ENFIM, NOVOS TEMPOS
Com uma moeda forte e com a inflação finalmente sob controle, o Brasil passou a viver um tempo de estabilidade econômica e de prosperidade. A segunda metade da década de 1990 foi marcada pelo desenvolvimento das empresas e pela introdução de novas tecnologias de produção, que levou alguns escritórios de Arquitetura e de Engenharia a experimentar algumas turbulência (leia mais a respeito disso no artigo A DÉCADA EM QUE ESTÁVAMOS PERDIDOS que eu escrevi em 2013). Essas turbulências levaram muita gente a achar (equivocadamente) que a tal crise da década de 1980 ainda não havia acabado.


Mas o Brasil havia vencido a crise, definitivamente. E, no início dos anos 2000 todos os índices econômicos navegavam em mar de almirante. Essa estabilidade só foi quebrada em 2002 com a crescente possibilidade de o PT vencer as eleições. Os mercados, ficaram apreensivos e houve uma forte valorização do dólar e até mesmo algum avanço da inflação. Tudo voltou ao normal logo depois da eleição, quando se viu que Lula manteria os principais pilares da economia estabelecidos no governo anterior. No primeiro governo do presidente Lula a economia do Brasil continuou sua viagem em mar de almirante e céu de brigadeiro.

TEMPESTADE NO HORIZONTE
Se Lula teve um governo repleto de crises políticas (especialmente por conta do processo do chamado Mensalão), pelo menos restava-lhe o desempenho da economia. A política ia mal, mas a economia ia bem. No fim o resultado foi bom e Lula conseguiu eleger seu sucessor: Dilma Roussef

No início dos anos 2000, enquanto usufruia de uma economia em ordem e de uma moeda forte, o presidente Lula e seus aliados não cansavam de reclamar da "herança maldita" deixada pelo governo anterior. Dilma Roussef não teve a mesma sorte. Infelizmente (para ela) o seu antecessor não foi Fernando Henrique Cardoso. Ela teria de lidar com a herança deixada por Lula. A herança econômica era ruim, mas a herança política era ainda pior: uma bomba relógio. Uma bomba atômica!

Enfim... deu no que deu. Os números falam por si: (a) o Brasil está mergulhado numa recessão profunda; (b) o rombo nas contas públicas passa dos 70 bilhões (isto é quase dez vezes o que o governo brasileiro gastou com a Copa do mundo); (c) A taxa de juros está acima de 14%; (d) o Brasil teve sua avaliação rebaixada sistematicamente por diversas agências de risco internacionais (está com o nome no Serasa internacional) e (e) o número mais cruel de todos: 11 milhões de desempregados no país!

RESUMINDO: o Brasil enfrenta hoje uma crise quase do tamanho da que enfrentamos na década de 1980.

Muitos jovens não sabem como lidar com isso. Muitos dos veteranos já esqueceram como foi lidar com aquilo (alguns, inclusive, tentaram, durante muitos anos, apagar da memória aqueles anos horrorosos!).

Mas é importante tentar lembrar o que aprendemos naquela crise e que podemos utilizar na travessia da atual?


A melhor coisa a se fazer, em relação a uma crise econômica, é não ser atingido por ela. O problema é que isso não pode ser feito se a crise já está esmurrando a sua porta. Aí já é tarde demais. É importante não deixar a crise chegar nem perto da sua porta. Isso é uma coisa que se faz, principalmente, em tempos de vacas gordas, através da adoção de estratégias de crescimento, estabilidade e segurança (formação profissional, aperfeiçoamento técnico, domínio de técnicas de administração, crescimento profissional, etc, etc, etc).

Observe que em todas as crises econômicas, e em todos os segmentos, existem aquelas empresas que ou não são atingidas pela crise, que sofrem menos o impacto de sua onda de maldades ou ainda que demoram muito mais do que outras até sofrer alguma consequência da crise. Essas empresas são justamente aquelas que estão melhor posicionadas. As que possuem diferenciais competitivos. São aquelas que estão disputando o campeonato da primeira divisão, como eu falei neste artigo AQUI (vale a pena ler). São as empresas mais criativas e com mais recursos (desenvolvidos ou cultivados durante os tempos bons) e que conseguem encontrar oportunidades na crise (e algumas vezes até se beneficiam dela)

Mas, e se a crise já entrou e já abraçou todo mundo? E se a crise já está na sala e você já está sentindo os seus efeitos? o que fazer?

Duas coisas: primeiro, NÃO SUBESTIME A CRISE. A gente tem, muitas vezes, a esperança de que a coisa vai passar. Que é só uma marolinha. Que não vai fazer estrago considerável. E, no fim, transformamos essa esperança em crença. E acreditamos que está tudo bem.

Não faça isso! Acredite na crise. Se ela já chegou ou se ela já está rondando a casa, fique atento. Comece a fazer ajustes, cortes, adaptações. E comece a tomar cuidados. Coloque em ação o seu plano de contingência (O que? você não tem um plano de contingência? Não tem um "Plano B"? Hmmmm.... Bom, já vamos falar nisso, daqui a pouco).

Segundo, durante a crise, além de sobreviver, você precisa se preparar para emergir. Fique certo de que, durante a crise muitos dos seus concorrentes desaparecerão. Quando a crise passar (crises sempre passam) o mercado estará à disposição dos sobreviventes que estiverem melhor preparados. Portanto, estude, leia os livros que estavam atrasados, faça cursos, leia aqueles artigos nas revistas técnicas que você assina e que estão empilhadas na estande... não desperdice o período da crise apenas com lamentações e queixas. Plante. Cultive seus recursos valiosos. Prepare-se para o que vier depois da crise.

Aproveite o tempo para organizar os processos produtivos, para reescrever os modelos de propostas comerciais, os modelos de contratos. Aproveite para atualizar o cadastro de clientes, fornecedores e parceiros. Reorganize e coloque em dia os controles financeiros, Organize treinamentos para a sua equipe, faça uma lista de tarefas atrasadas, reforme ou reorganize os depósitos, coloque a biblioteca em ordem, enfim... prepare-se para quando chegar o tempo das vacas gordas.

Quando as coisas melhorarem, inclua um objetivo nos seu planejamento estratégico: distanciar-se o máximo possível da zona de risco da próxima crise econômica (a próxima crise econômica é uma certeza. Não é uma questão de "se" e sim uma questão de "quando").

Faça reservas de contingência. E tente desenvolver diferenciais competitivos. São eles que levam seu escritório para longe da zona do epicentro da próxima crise econômica. Se a crise não for muito forte, é provável que o seu escritório nem chegue a ser atingido. Se for muito violenta, pelo menos vai demorar mais tempo até que a tempestade o alcance. E, mesmo que ela seja devastadora... com um bom plano de contingência, o seu escritório será, ainda assim, um dos sobreviventes.

E, no fim das contas, o mundo é dos sobreviventes.

Boa sorte.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




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