Notas de "GESTÃO DE CARREIRA"

12/07/2018

LER E ESCREVER

(Este artigo foi publicado em 07/07/1987
e está incluído no livro VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL, lançado em 2011)





Se você teve a oportunidade de estudar, viajar, conhecer pessoas inteligentes e isto desenvolveu a sua capacidade de fazer uma leitura mais abrangente do mundo... Se você sabe coisas que os outros não sabem... consegue ver o que os outros ainda não estão enxergando... então você tem muitas responsabilidades

Albert Einstein, que além de excepcional cientista foi também um dos mais brilhantes pensadores do nosso século, deixou-nos um alerta muito importante a respeito da leitura: ele dizia que é inútil uma pessoa atravessar a vida lendo os melhores livros, se não tirar deles elementos para uma "ação no mundo".

Por "ação no mundo" ele queria dizer uma ação positiva, renovadora, revolucionária. O que Einstein fazia era uma convocação para a atividade. Um convite à auto-exposição. Ao trabalho, muitas vezes mal compreendido. À ação, muitas vezes combatida.

Ler bons livros, jornais ou revistas, viajar, conhecer pessoas, estudar... são coisas muito importantes. Qualquer pessoa com o mínimo de bom senso reconhece isto. O perigo está em admitir que a leitura e o estudo (o conhecimento) é o objetivo em si, quando na verdade é apenas um meio. Depois da leitura (do conhecimento) vem a segunda parte da tarefa, que é a ação no mundo.

Sem a segunda parte a primeira perde o sentido. O que estou querendo dizer é que é necessário escrever a partir dos livros. E escrever tem aí um sentido bastante figurado: significa fazer alguma coisa, defender uma idéia, agir no sistema. Significa contribuir para o progresso. Plantar sementes novas. As pessoas esclarecidas têm responsabilidades grandiosas diante da sociedade.

Se vemos um caminho novo e não “convidamos” a humanidade para avançar por aí, assumimos a responsabilidade pelo atraso. Não devemos nos intimidar diante da ignorância e da mediocridade que imperam no mundo. Não devemos deixar para os outros o trabalho para o qual estamos preparados. Se Pasteur (o descobridor da vacina) tivesse se acovardado diante da estupidez dos seus contemporâneos (que o consideravam um visionário e tolo) a humanidade teria amargado muitos anos de dor e atraso.

Se Einstein tivesse passado seus dias lendo livros de matemática e física sem nunca ter se exposto (escrevendo suas conclusões e teorias a respeito do que lia) ainda estaríamos acreditando que o espaço e o tempo são grandezas absolutas. Se todos nós cruzarmos os braços diante das coisas que considerarmos erradas, a humanidade ficará exatamente onde está: atrasada, moralmente subdesenvolvida e dominada pela ignorância e pela maldade.



ÊNIO PADILHA
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04/06/2018

ORGULHO E VAIDADE

(Publicado em 01/07/2007)



Implementar estratégias de marketing pessoal, muitas vezes, implica mudar hábitos, costumes, práticas e “tradições pessoais”. Significa, em última análise, romper com alguma crença ou convicção que já faz parte do seu ideário público.

Isso quase nunca é uma coisa fácil. Mudar não é fácil, porque implica aceitar que aquilo que estava sendo feito não estava certo ou podia ser feito de outra forma. É uma coisa do tipo “Eu sempre fiz desta maneira”... Isso bate no orgulho de não admitir que “eu estou errado. Fulano tem razão: alguma coisa precisa ser mudada no meu modo de agir”.

Uma das reações mais bonitas (por ser absolutamente rara) que uma pessoa pode ter é a de, no meio de uma discussão sobre pontos de vista, dizer com sinceridade “É verdade, você tem razão, eu estava errado. Nunca tinha observado esse assunto por esse ângulo que você apresentou.”

A maioria absoluta das pessoas entra em uma discussão (seja sobre política, trabalho, educação, esporte, arte ou comportamento) movida apenas pelo interesse de apresentar e defender seus argumentos. Não têm a menor disposição para aprender ou aceitar novos pontos de vista ou novas alternativas para a sua “maneira de ver as coisas”.

Eu tenho um grande amigo (o engenheiro e professor do CEFET-PR, Marcos Vallim) que é uma dessas raríssimas exceções. Ele é desconcertante. Apesar da inteligência aguda e dos pontos de vista solidamente defendidos “com unhas e dentes”, ele não espera pelo dia seguinte ou pela próxima oportunidade para admitir que está errado ou que está enganado ou desinformado.

Muitas vezes, no meio de uma discussão de alta temperatura, onde as partes apresentam e defendem suas teses, ele interrompe a discussão para admitir, em alto e bom som, que o outro atingiu o ponto. Que o argumento do outro é perfeito. Que o outro está certo e que ele (Marcos) está errado... E não se trata apenas de aceitar o argumento do outro para encerrar a conversa. É uma manifestação sincera de entendimento da razão da outra parte.

Para as outras pessoas, acostumadas a discussões que nunca têm um ponto final com entendimento entre as partes, chega a ser “constrangedor” uma atitude tão humilde que contraria o comportamento comum de “lutar” até o fim para “enfiar na cabeça do outro” o seu ponto de vista.

O seu comportamento, com certeza, deve nos servir de exemplo. Vencer a vaidade e o orgulho é meio caminho para iniciar um processo de renovação. Uma estratégia de marketing pessoal, muitas vezes passa pela necessidade da renovação de conceitos e comportamentos.



ÊNIO PADILHA
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---Artigo2007 ---Gestão de Carreira


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07/05/2018

IMAGEM PESSOAL E IMAGEM PROFISSIONAL


Se você é advogado (ou engenheiro, arquiteto, médico, dentista, contador, ou coisa parecida) você precisa saber que a imagem pessoal é inseparável da imagem profissional.
Não existe essa coisa de que “a vida pessoal não interfere nas questões profissionais”.

Interfere sim senhor. Um advogado pode ter o melhor desempenho técnico. Seu escritório pode fazer o melhor trabalho, seus clientes conseguem sempre os melhores resultados em função de suas orientações ou intervenções profissionais. Ele pode até ser amável e simpático com os seus clientes. Mas se eles souberem que nos finais de semana este advogado bebe. E que, quando bebe, fica agressivo e bate na mulher e nos filhos... Não tenha dúvida de que a carteira de clientes dele tende a diminuir.

Quem contrata um prestador de serviços está contratando uma pessoa. Está fazendo negócios com uma pessoa. É pessoal. Ponto final.

Ninguém gosta de fazer negócios com pessoas que não tenham valores pessoais positivos. Mesmo que isto não interfira nos resultados do negócio.
O cuidado com a Imagem Pública (que geralmente as pessoas chamam de Marketing Pessoal) é uma disciplina essencial para o exercício comercial das profissões liberais. É uma atividade que concorre fortemente (decisivamente) para a aceitação ou não do seu produto no mercado.

Isso vale para o lado negativo (como o que foi visto acima) mas também vale com as coisas positivas. Muitas ações pessoais positivas podem (e devem) ser incorporadas com o objetivo de cristalizar a sua imagem pessoal. E os mecanismos de transferência de créditos devem ser utilizados para agregar ao marketing empresarial. A melhor alternativa é investir na administração inteligente da sua Imagem Pública e associá-la sempre à imagem do seu trabalho.

Mas não se pode pensar que “fazer marketing pessoal” é aparecer muito. É estar em evidência. É ser visto e ser lembrado por todos, o tempo todo. Nem achar que essas práticas, ensinadas em pequenos manuais de auto-ajuda, ou em palestras e cursos divertidos, podem ser a solução de todos os problemas, na busca incessante e paranóica pelo sucesso. O tal do marketing pessoal não é só estar permanentemente na vitrine. Nem é tão simples.
Se você quer apenas aparecer, vista-se espalhafatosamente, fale alto, agrida as pessoas, provoque um tumulto qualquer... Você vai chamar atenção, com certeza. E, quando todo mundo estiver prestando atenção em você, no que você faz e no que você diz... bom daí pra frente entram em cena outras variáveis como o talento, a criatividade, a disciplina, o caráter, os conhecimentos e as habilidades.

Quanto maior o barulho que você tiver feito para aparecer, maior será a expectativa criada e maiores serão as cobranças do seu “público”.

Talvez você nunca tenha se dado conta, mas a primeira impressão não é a que fica. Ainda bem, porque, se fosse assim, não haveria estratégia eficiente de marketing pessoal, ou seja lá o que fosse, que pudesse consertar uma primeira impressão acidentalmente ruim.

Olhe em sua volta. Veja quantas pessoas que hoje você gosta e admira e que, no primeiro contato causaram uma impressão bem negativa. E veja que o contrário também é verdadeiro.
Observe que essas pessoas alteraram a percepção que você tem delas com coisas bem mais importantes do que técnicas de “aparecer”.

A autopromoção é apenas uma das etapas do marketing pessoal. É uma parte importante do processo, não resta dúvida. Mas não pode ser tomada como o objetivo em si. Uma estratégia inteligente de marketing pessoal não pode dispensar os benefícios de uma eficiente carga de autopromoção.
Mas não se pode achar que apenas aparecer resolve o problema da conquista de espaços ou do sucesso.

Por mais óbvio que pareça, é preciso repetir, pela milésima vez: “não existe marketing eficiente para um produto ruim”. Uma forte carga de autopromoção para alguém que não esteja preparado pode acelerar e tornar irreversível o seu próprio fracasso.

Os interessados na mágica do marketing pessoal precisam saber que o milagre do sucesso, mesmo para pessoas muito talentosas, é sempre resultado de muito trabalho, disciplina e dedicação.
Não existem “segredos” no Marketing Pessoal.



ÊNIO PADILHA
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11/04/2018

POSSIBILIDADES NA CARREIRA PARA ENGENHEIROS E ARQUITETOS



Desde 2009 tenho apresentado um curso de 16 horas sobre GESTÃO DE CARREIRA E MARCA PESSOAL (para Arquitetos e Engenheiros), que também é uma aula em curso de pós graduação (que já foi ministrada para mais de 70 turmas).

Um dos tópicos abordados nesta aula discorre sobre as alternativas de exercício profissional que se apresentam aos arquitetos, assim que eles terminam a faculdade. Sempre percebo uma certa surpresa (principalmente dos mais jovens). Eles não imaginam que tem tanto mundo e tantas oportunidades pela frente.

Eu divido a coisa em duas abordagens: (1) o “modelo de negócio” e a especialidade ou área de atuação.

O MODELO DE NEGÓCIO
Por “modelo de negócio” vamos entender a maneira como o profissional se aplicará no exercício profissional, não importando, aqui, em que especialidade ele estará atuando.

O profissional, uma vez formado, poderá…

(1) FAZER UM CONCURSO PARA O SERVIÇO PÚBLICO, nas muitas vagas que existem para engenheiros ou arquitetos e urbanistas nas prefeituras, nos governos estaduais e nas instituições do governo federal.
Para isso ele deverá
• ter uma boa formação universitária;
• ter uma boa cultura geral;
• estudar muito para obter uma boa nota no concurso;
• ter as características necessárias para o exercício profissional no serviço público;

Outras possibilidades são

(2) TRABALHAR EM ALGUMA EMPRESA PRIVADA, escritórios de Arquitetura ou de Engenharia, Construtoras ou qualquer outra empresa comercial ou industrial que empregue engenheiros, arquitetos ou urbanistas.
Para isso ele deverá
• ter uma boa formação universitária;
• ter uma boa cultura geral;
• ter uma boa rede de relacionamentos
• ter um bom marketing pessoal (gestão da imagem pública);
• ter um bom domínio dos conhecimentos técnicos;
• ter conhecimentos e habilidades pessoais diferenciadas

(3) ABRIR, SOZINHO, UM ESCRITÓRIO DE ARQUITETURAOU DE ENGENHARIA
Para isso ele deverá
• ter uma boa formação universitária;
• ter uma boa cultura geral;
• ter uma boa rede de relacionamentos
• ter um bom marketing pessoal (gestão da imagem pública);
• ter um bom domínio dos conhecimentos técnicos;
• ter conhecimentos e habilidades pessoais diferenciadas;
• ter conhecimentos de administração e de gestão
• ter algumas características de empreendedor
• ter diferenciais competitivos profissionais

(4) ABRIR UM ESCRITÓRIO DE ENGENHARIA OU DE ARQUITETURA EM SOCIEDADE COM COLEGAS
Para isso ele deverá
• ter uma boa formação universitária;
• ter uma boa cultura geral;
• ter uma boa rede de relacionamentos
• ter um bom marketing pessoal (gestão da imagem pública);
• ter um bom domínio dos conhecimentos técnicos;
• ter conhecimentos e habilidades pessoais diferenciadas;
• ter conhecimentos de administração e de gestão
• ter algumas características de empreendedor
• ter diferenciais competitivos profissionais
• ter habilidades para se relacionar com pessoas

(5) ABRIR UMA EMPRESA DE CONSTRUÇÕES
Para isso ele deverá
• ter uma boa cultura geral;
• ter uma boa rede de relacionamentos
• ter um bom domínio dos conhecimentos técnicos;
• ter conhecimentos de administração e de gestão
• ter algumas características de empreendedor
• ter diferenciais competitivos para a área de construção civil
• ter habilidades para se relacionar com pessoas

(6) ABRIR UMA FÁBRICA (de materiais de construção, de componentes ou equipamentos, de móveis, lustres ou qualquer outra coisa)
Para isso ele deverá
• ter uma boa cultura geral;
• ter uma boa rede de relacionamentos
• ter um bom domínio dos conhecimentos técnicos;
• ter conhecimentos de administração e de gestão
• ter algumas características de empreendedor
• ter diferenciais competitivos para a área de construção civil
• ter habilidades para se relacionar com pessoas

(7) ABRIR UM ESCRITÓRIO DE ASSESSORIA OU CONSULTORIA TÉCNICA
Para isso ele deverá
• ter uma boa formação universitária;
• ter cursos de especialização, mestrado e doutorado;
• ter uma boa cultura geral;
• ter uma boa rede de relacionamentos
• ter um bom marketing pessoal (gestão da imagem pública);
• ter um bom domínio dos conhecimentos técnicos;
• ter conhecimentos e habilidades pessoais diferenciadas;
• ter conhecimentos de administração e de gestão
• ter algumas características de empreendedor
• ter diferenciais competitivos profissionais
• ter habilidades para se relacionar com pessoas


ESPECIALIDADE OU ÁREA DE ATUAÇÃO PARA ARQUITETOS
Com relação à especialidade ou área de atuação as possibilidade são muitas e variadas. O profissional, uma vez formado, poderá atuar numa das seguintes áreas…

URBANISMO
• Elaboração de Planos Diretores
• Projetos de revitalização
• Estudos de Impacto Urbanístico
• Estudos de Impacto Ambiental
• Projetos de Loteamentos
• Projetos de Paisagismo
• Avaliação e Perícias

CONSTRUÇÃO CIVIL
• Projetos residenciais
• Projetos de Edifícios Residenciais
• Projetos de Edifícios Comerciais
• Projetos de Reforma que incluem
exteriores.
• Avaliação e Perícias
• Administração de obra

ARQUITETURA EFÊMERA
• Vitrines
• Decoração de Shoppings Centers
• Palcos para Shows musicais
• Cenários para Teatro
• Parques de Diversão (itinerantes)

INTERIORES
• Projetos de Lojas
• Projetos de interiores Res.
• Projetos de interiores Com.
• Projetos mobiliários
• Projeto de iluminação
• Aeronaves, Navios, Motor Home
• Administração de obra

ILUMINAÇÃO
• Iluminação comercial
• Iluminação Cênica
• Iluminação de Arquitetura
• Iluminação residencial
• Iluminação Industrial
• Iluminação de Igrejas
• Iluminação de Museus
• Iluminação de Plantas
• Iluminação Pública
• Iluminação Esportiva

ÁREAS ESPECÍFICAS
• Projetos para a Área da Saúde (Hospitais, Clínicas, Consultórios, Ambulatórios, Farmácias, Postos de Saúde...)
• Projetos para a Área de Educação e Cultura (Escolas, Teatros, Centros Culturais, Museus...)
• Restauração
• Magistério
• Pesquisa e Desenvolvimento
• Empreendedorismo
• Segurança no Trabalho
• Avaliação e Perícias


ESPECIALIDADE OU ÁREA DE ATUAÇÃO PARA ENGENHEIROS
Geralmente isto já está vinculado à sua área de formação (Civil, Elétrica, Mecânica, Química, Sanitária, Alimentos, Produção, etc)



Portanto, se você é um jovem engenheiro ou arquiteto recém-formado, em busca de algum destino para a sua formação, ponha "fé em Deus e pé na tábua..." O que não falta é possibilidades.

E é claro que existem ainda outras alternativas que não foram listadas acima. Se você já trabalhou ou trabalha em algo diferente de tudo o que foi descrito ou se conhece alguém que faz alguma coisa que não está na lista deste artigo, por favor, escreva nos comentários, abaixo. no futuro essas informações serão incorporadas ao artigo original.



ÊNIO PADILHA
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---Artigo2015 ---Carreira ---MarcaPessoal



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09/04/2018

TALENTO, ORGANIZAÇÃO E DISCIPLINA

(Publicado em 16/11/2011)



Há muitos anos tenho insistido, nos meus cursos e palestras, que não existem segredos para o sucesso. Que todos os casos de pessoas bem sucedidas são resultados da combinação adequada de três elementos essenciais: Talento, Organização e Disciplina.

TALENTO é uma habilidade natural para fazer algo melhor do que a maioria das outras pessoas. Essa habilidade pode ser específica, como jogar basquetebol, correr, cantar, desenhar, esculpir, falar em público, pilotar carros de corrida, compor músicas, fazer filmes, calcular... ou genérica como o talento para as artes plásticas, para os esportes, para a música, para línguas ou para a ciência.

Talento é inato. Nasce com a pessoa. E aparece cedo (como que pedindo para ser explorado e desenvolvido).
Não existe maneira de adquirir talento! Por isso é que o termo "Talento Natural" soa como uma redundância, posto que não existe "Talento Artificial"

É importante dizer que são raríssimas as pessoas totalmente desprovidas de qualquer talento. Todos temos algum tipo de talento. É preciso identificá-lo e desenvolvê-lo para que possamos capitalizar o nosso potencial.

Pesquisadores no mundo inteiro, no entanto, concordam que, mesmo as capacidades que dependem de talento podem ser desenvolvidas com a aplicação de técnicas apropriadas (caso haja motivação). Assim, qualquer pessoa está, por exemplo, potencialmente apta a aprender música, desde que tenha vontade e use as técnicas apropriadas ao estudo de música. Mas aí entra em cena um dos outros dois componentes do sucesso: a Organização.

O senso de ORGANIZAÇÃO consiste em ter a capacidade de definir o lugar, o tempo e a maneira de executar tarefas ou guardar coisas.
O processo de organização define um lugar para cada coisa, um momento para cada tarefa, uma ferramenta para cada trabalho.

A organização (da sua mesa de trabalho, da sua casa e até mesmo da sua vida) pode ser obtida com ajuda externa de profissionais específicos, como professores, treinadores, assessores e consultores. O talento é o material de construção; a organização é o projeto; a execução da obra traz ao palco a terceira força capaz de produzir o sucesso: a disciplina!

Aquilo que a maioria das pessoas chama de desorganização tem, em 99% dos casos, outro nome: chama-se indisciplina.
Pense naquele escritório todo bagunçado, com todas as coisas fora de lugar, papel pra todo lado, desordem geral. Nossa primeira reação é dizer "nossa! que escritório desorganizado." Mas, na verdade, em 99% dos casos, se começarmos a perguntar para o proprietário do escritório onde é o lugar daquela caneta que está jogada no chão, daqueles contratos sobre uma cadeira, daqueles livros empilhados num canto ou mesmo dos lixos jogados sobre a mesa... é muito provável que ele saiba dizer o lugar de cada coisa.
Ora, se cada coisa tem um lugar (pré-definido) então já existe organização. E por que as coisas estão fora de lugar? Porque faltou disciplina para a manutenção da ordem.

Assim é na vida!

A DISCIPLINA pode ser definida como a característica de quem é capaz de fazer o que deve ser feito (aquilo que foi definido previamente no processo de organização). Aristóteles dizia que a disciplina é uma qualidade da alma e que é a força que diferencia o homem dos animais, pois a disciplina é a vitória da razão sobre a paixão. Sem a disciplina a vontade de crescer e se desenvolver nunca passará de sonho.

A relação entre essas três forças (Talento, Organização e Disciplinas) tem uma potência incomensurável. Mas é importante observar a seguinte conclusão:

Talento é natural. Não há mérito individual em possuí-lo. Ter talento é um dom que pode ser atribuído ao divino (se você for religioso) ou apenas à genética (se você for mais cético). Mas nunca é algo que, por si só mereça aplausos;

Buscar a organização para capitalizar o talento é resultado da determinação. E a organização pode ser individual, ou obtida por ajuda externa (até mesmo contratada)

A disciplina é, portanto, a grande virtude, capaz de capitalizar o talento e a organização, produzindo o sucesso.

O mundo está cheio de atletas, artistas e profissionais com grandes talentos que nunca chegaram nem nos pedestais do reconhecimento, simplesmente porque nunca se organizaram e nunca estiveram dispostos a pagar o alto preço imposto pela disciplina.

Empresas gastam fortunas organizando seus procedimentos (contratando consultores, comprando softwares e equipamentos) e tudo vai por água abaixo por falta de disciplina dos seus diretores, gerentes e empregados;

Indivíduos talentosos perdem-se pelo caminho não por falta de potencial (talento) ou de oportunidades (a organização) e sim, por falta dessa coisinha simples chamada disciplina, que depende unicamente da determinação individual para fazer a razão vencer as paixões.



ÊNIO PADILHA
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---Artigo2011 ---Administração ---Carreira



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04/04/2018

CREDIBILIDADE É UM RECURSO VALIOSO



CREDIBILIDADE é, de fato, um recurso valioso (é raro, é idiossincrático e é percebido pelo cliente como algo positivo). No entanto, é muito difícil para um individuo (ou uma organização) afirmar categoricamente que possui credibilidade, ou que a sua credibilidade é maior do que a dos seus concorrentes à ponto de constituir-se um diferencial competitivo.

Nos meus cursos, por exemplo, quase todos os profissionais afirmam ter dificuldades para convencer seus clientes a fechar os negócios. Mas depois, na hora de fazer o exercício sobre seus próprios recursos e diferenciais competitivos, colocam lá em letras maiúsculas: CREDIBILIDADE.

Eu fico me perguntando: “que tipo de credibilidade é essa, que na hora de fazer a diferença simplesmente não funciona?”

A credibilidade é a característica de quem é digno de ser acreditado. Para negociar e vender serviços é importante (fundamental) a credibilidade, construída pelo comportamento e performance no mercado ao longo dos anos.

Ter credibilidade significa que as suas previsões e promessas são aceitas como verdade pelos seus interlocutores.

Se uma pessoa diz que tem credibilidade mas, na hora de negociar com o cliente não consegue nada, então uma de duas coisas está acontecendo: ou a pessoa não está argumentando corretamente (não esta prometendo ao cliente alguma vantagem diferenciada ou, o que parece ser o mais comum, não tem tanta credibilidade quando acha que tem.

Além do mais, a estatística está contra essa legião de engenheiros e arquitetos que afirmam ter credibilidade no mercado, pois todos os levantamentos feitos junto aos clientes (eu mesmo fiz um, para um trabalho do mestrado) apontam o descumprimento dos prazos como uma das principais reclamações dos clientes em relação aos profissionais.

Ora, um prestador de serviços que não cumpre seus prazos e não tem disciplina para lidar com os seus compromissos (chega atrasado às reuniões, demora um dia a mais para enviar aquele relatório ou proposta, vive dando explicações sobre seus descumprimentos de prazos e horários (trânsito, computador, funcionários, fornecedores....) não consegue passar segurança para seu cliente. Não pode dizer que tem credibilidade.

Credibilidade é conseqüência. A causa é o comportamento profissional no mercado.



ÊNIO PADILHA
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26/03/2018

QUANTO VALE A MARCA FULANO DE TAL



Você já experimentou fazer a pergunta acima trocando “Fulano de Tal” pelo seu nome Afinal, quanto vale o seu nome? Quanto vale a sua “marca” pessoal?

Esse negócio de que agora cada indivíduo é dono de uma empresa chamada “Você SA”, acredite, é a mais pura verdade. Talvez o termo correto não seja “empresa”. Talvez seja melhor dizer que cada pessoa representa uma entidade. Uma grife. Porque, afinal, “empresa” lembra relação comercial e (embora muita gente esteja) nem todo mundo está no mundo “à negócio”. Existem muitas pessoas, cujos objetivos pessoais passam muito longe das relações de compra-e-venda envolvendo algum tipo de dinheiro.

Mas todo mundo, de uma forma ou de outra, deseja “produzir benefícios” para si ou para os seus. E é aí que entra o conceito de Marca Individual.

Capacidade de “Produzir Benefícios para Terceiros”. Essa parece ser a chave para medir o valor de uma marca individual. O pressuposto é que gerando benefícios para os outros você obterá benefícios legítimos para você.

Faça o seguinte exercício mental: digamos que você comece a dizer (para todas as pessoas que prestam atenção ao que você diz) qual é o supermercado da sua preferência.

O que você acha que vai acontecer? Essas pessoas vão considerar a sua sugestão? Na próxima vez que forem às compras elas vão pensar no que você disse? E as vendas do tal supermercado, vão sentir os efeitos das suas declarações?

Você já deve ter percebido que o valor da marca “Fulano de Tal” está ligado a, pelo menos, três características fundamentais: credibilidade, habilidades de comunicação e acesso a um grande número de potenciais seguidores.

Perceba que o valor de uma pessoa não é, necessariamente, repassado para o valor do seu nome, da sua marca. É preciso que as outras pessoas reconheçam as suas qualidades, suas virtudes, seus conhecimentos e suas habilidades.

Ao reconhecerem as suas características positivas as pessoas atribuirão crédito às suas palavras. Pronto, você já marcou ponto no quesito Credibilidade.

Para que as pessoas ouçam e entendam o que você diz (e se tornem seguidoras) é importante que você domine os códigos, as técnicas de comunicação, a linguagem de cada veículo e as características de cada meio. Isto geralmente requer algum talento natural acrescido de treinamento e exercícios.

Por fim, um diferencial importantíssimo que distingue uma “grife” pessoal de outras é a quantidade de pessoas atingida pelas suas idéias. Mas não se iluda (nem se desespere) pensando que o valor de uma marca pessoal é diretamente proporcional ao número de pessoas atingidas. A qualidade (poder de decisão, poder aquisitivo, nível cultural, influência...) dessas pessoas é fundamental. De nada adianta ter um público enorme se essas pessoas não são capazes de contribuir para nenhuma transformação positiva. Não produzem benefícios.



ÊNIO PADILHA
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---Artigo2006 ---Administração ---Gestão de Carreira

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14/12/2017

É SIMPLES, MAS NÃO É FÁCIL


Se você quer escrever e ser lido por milhares de leitores... aqui vai algumas dicas, truques e atalhos: minta, omita, seja condescendente com as fraquezas do leitor, encha o balão dele de gás... E você será um autor de muito sucesso.

Digo isso porque estou farto dessa literatura de aeroporto que vende facilidades, dicas, truques, fórmulas de sucesso, atalhos... tudo sob medida para pessoas que não querem ter trabalho de fazer a lição de casa. Gente que não quer admitir que é despreparado para certos empreendimentos ou tarefas e que precisaria, não de dicas, truques, fórmulas ou atalhos, mas de um caminho que, muitas vezes, é SIMPLES, mas nunca é FÁCIL

Talento, conhecimento, visão, inteligência, experiência, organização e disciplina não são características que se encontram em muita gente. Mas são características essenciais para transformar uma boa ideia em um empreendimento de sucesso.

Há um mito, fortemente estimulado por essa literatura de aeroporto: a de que é fácil ser empreendedor, criar e manter o seu próprio negócio.
Apenas um mito, infelizmente.

Os números não confirmam essa ideia. A grande quantidade de empresas que não completa seu primeiro ano de existência é assustador. O número (pequeno) das que conseguem comemorar cinco anos de atividade é igualmente impressionante.

A conclusão objetiva é a seguinte: tem alguma coisa que está sendo omitida pelos autores de livros, artigos, palestras e cursos sobre o assunto.

Essa coisa se chama realidade por inteiro.
Acontece que, escrever um livro, apresentar uma palestra ou ministar um curso e dizer aos leitores (ou a quem está na platéia) que existe apenas 20 por cento de chances de o empreendimento que ele tem em mente ser bem sucedido seria o mesmo que dar um tiro no próprio pé. Não é isso que o leitor quer ler nem é isso que a platéia quer ouvir. Os aplausos serão minguados e os lucros serão mínimos.
Esses autores sabem muito bem qual é o caminho das pedras (tanto é que eles próprios fazem muito sucesso). Mas o que eles dizem é o que o leitor quer ler ou ouvir: "Vai que é tua, Tafarel!"

Uma vez, numa entrevista, o jornalista me fez uma pergunta muito comum: "qual é o segredo do marketing empresarial bem feito?". Respondi o que eu respondo sempre: não existe SEGREDO. Tudo o que faz uma empresa ser melhor sucedida do que outra são técnicas ou recursos que todo mundo sabe que funcionam. São coisas simples baseadas naquelas qualidades citadas há pouco (talento, conhecimento, visão, inteligência, experiência, organização e disciplina). Reunir e gerir essas qualidades é o caminho simples que precisa ser percorrido. É simples, mas não é fácil.

Mas as pessoas querem outra coisa: querem fazer faculdade em dois anos em cursos noturnos (de preferência sem aulas na sextas-feiras, que é dia da cerveja); Querem ler drops (textos curtos e mastigadinhos, com letras grandes e muitas ilustrações); Querem cursos divertidos, dinâmicos e interativos (nada de reflexões ou filosofias); Querem trabalhar em ambientes sem pressão e em mercados protegidos; Querem que não sejam feitas comparações (especialmente as que levem em conta qualidades que elas não têm, porque não se deram ao trabalho de conquistar).

Querem, essencialmente, ser estimuladas a acreditar que bastam as boas intençòes, a força de vontade, pensamento positivo e a auto-estima em alta.

Essa gente está enriquecendo muitos espertos!



ÊNIO PADILHA
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---Artigo2004 ---Carreira ---Administração

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29/09/2017

EXPERIÊNCIA X CRIATIVIDADE

(Publicado em 09/05/2006)



Se a única coisa importante que você tem para sustentar o seu Curriculum Vitae são muitos anos de experiência profissional... comece a se preocupar.
Em 1986, quando eu me formei engenheiro, o meu grande desafio, a maior dificuldade que eu tinha para enfrentar o mercado, era justamente a falta de experiência profissional. Naquele tempo não ter experiência era quase como não ter um braço.

Oito anos depois, em 1994, em uma palestra para quase duzentos engenheiros (no Congresso Catarinense de Engenharia e Arquitetura, do qual fui coordenador) Décio da Silva, diretor presidente da WEG, foi categórico: "Nos dias de hoje", disse ele, "toda experiência que importa é aquela adquirida nos últimos cinco anos. Qualquer coisa além desse tempo tem importância zero. Porque o que importa hoje é a capacidade que o profissional tem de desaprender. De substituir conhecimentos antigos e ultrapassados por conhecimentos novos e atualizados"

A constatação de Décio da Silva era, sem dúvida, corretíssima. Mas o tempo, a tecnologia e a conseqüente globalização (não apenas da economia, mas da cultura, das artes, de tudo, enfim) trataram de reduzir esses "cinco anos" para quase nada. No mundo de hoje todo conhecimento baseado apenas na experiência conquistada pela repetição da tarefa perdeu valor e perdeu espaço para a inteligência e para a criatividade.

Tentar se manter no emprego ou no mercado apenas repetindo com perfeição receitas e fórmulas que sempre deram certo pode ser (e quase sempre é) o caminho mais curto para o fracasso.

A criatividade, que é a capacidade que uma pessoa tem de abordar um problema ou parte dele de maneira diferente da usual (e, portanto, sem se importar com as experiências anteriores), e a inteligência, que é justamente a capacidade que uma pessoa tem de resolver problemas combinando conhecimentos (sem fazer uso da experiência) são hoje as mais poderosas armas que alguém pode ter na luta pela sobrevivência no emprego, no mercado e na vida.

É importante prestar atenção para os efeitos e consequências dessa transformação: o eixo do poder no mundo está mudando de posição. O lugar que, nas empresas, era ocupado pelo funcionário “cão fiel” e “burro de carga” está sendo conquistado pelo funcionário bem humorado, irreverente e criativo. As lideranças empresariais estão sendo conquistadas, cada vez mais, por pessoas mais jovens, porque é na juventude que a criatividade é mais exposta e a inteligência é mais valorizada.

Nunca é demais lembrar, para os que ainda insistem em defender a experiência como uma coisa muito importante, que os grandes gênios, como Eistein, Isac Newton, Galileu Galilei e tantos outros fizeram suas grandes descobertas quando ainda eram extremamente jovens (vinte e poucos anos) e, portanto, não tinham quase nenhuma experiência.

Tinham, no entanto, juventude, ausência do medo de errar e irreverência frente às “verdades” estabelecidas.



ÊNIO PADILHA
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---Artigo1996 ---Gestão de Carreira

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16/06/2017

SER COMPETENTE É UM COMPROMISSO ÉTICO



(Publicado em 10/02/2010)



A Professora Maria Teresa Padilha, de Lisboa, Portugal, tem uma frase que eu considero digna de registro: ela afirma que “o primeiro e mais importante compromisso que um profissional tem com a ética profissional é ser competente!” Isso tem tudo a ver com o conceito de construção coletiva da percepção da sociedade em relação à Profissão e da responsabilidade individual de cada profissional sobre o resultado final.

O seu título profissional de Engenheiro (ou Arquiteto ou Agrônomo) agrega-se às suas características pessoais e passa a fazer parte da sua imagem pública. As pessoas interessam-se pelo desempenho profissional e utilizam essa percepção para ampliar a avaliação pessoal que fazem do indivíduo. Mas não fica só nisso. As pessoas tendem a fazer uma generalização da avaliação do desempenho profissional do indivíduo para toda a categoria.

Assim, se um engenheiro faz alguma coisa bem feita ele é bem avaliado, o que é bom. Mas essa avaliação não é apenas individual. Ela é expandida para o coletivo. Qualquer característica, positiva ou negativa, de um indivíduo (profissional) ecoa na categoria como um todo indivisível.

Os cursos universitários de Arquitetura, de Agronomia e de Engenharia dão ao profissional recém-formado um conjunto de conhecimentos e habilidades que o qualifica para iniciar sua carreira. Todos concordam que, nos primeiros anos após a formatura, é necessário ampliar esses conhecimentos e habilidades através de mais estudos e da obtenção de experiência profissional.

Por isso, praticamente todo profissional recém-formado se dedica ao estudo com muito empenho e entusiasmo, nos dois ou três anos que sucedem à formação universitária. O que pouca gente se dá conta, porém, é que esse processo não deve ser encerrado depois de dois ou três anos. Quem escolhe uma profissão cujo resultado tem um componente intelectual tão intenso como é o caso da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia, tem de ter consciência de que “casou com os livros”.
Vai continuar estudando pelo resto da vida. Precisa se manter atualizado. Precisa assinar revistas técnicas, manter uma biblioteca atualizada, participar de cursos, seminários, simpósios e congressos da sua especialidade, visitar feiras, fazer viagens de estudo...

Isto não acaba quando você se forma. É o processo permanente de manutenção da competência profissional. Estudar, estudar e estudar. É isto o que distingue os grandes profissionais daqueles que engrossam as estatísticas dos profissionais “maisomenos”.



ÊNIO PADILHA
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