Notas de "GESTÃO DE CARREIRA"

13/04/2016

É SIMPLES, MAS NÃO É FÁCIL


Se você quer escrever e ser lido por milhares de leitores... aqui vai algumas dicas, truques e atalhos: minta, omita, seja condescendente com as fraquezas do leitor, encha o balão dele de gás... E você será um autor de muito sucesso.

Digo isso porque estou farto dessa literatura de aeroporto que vende facilidades, dicas, truques, fórmulas de sucesso, atalhos... tudo sob medida para pessoas que não querem ter trabalho de fazer a lição de casa. Gente que não quer admitir que é despreparado para certos empreendimentos ou tarefas e que precisaria, não de dicas, truques, fórmulas ou atalhos, mas de um caminho que, muitas vezes, é SIMPLES, mas nunca é FÁCIL

Talento, conhecimento, visão, inteligência, experiência, organização e disciplina não são características que se encontram em muita gente. Mas são características essenciais para transformar uma boa ideia em um empreendimento de sucesso.

Há um mito, fortemente estimulado por essa literatura de aeroporto: a de que é fácil ser empreendedor, criar e manter o seu próprio negócio.
Apenas um mito, infelizmente.

Os números não confirmam essa ideia. A grande quantidade de empresas que não completa seu primeiro ano de existência é assustador. O número (pequeno) das que conseguem comemorar cinco anos de atividade é igualmente impressionante.

A conclusão objetiva é a seguinte: tem alguma coisa que está sendo omitida pelos autores de livros, artigos, palestras e cursos sobre o assunto.

Essa coisa se chama realidade por inteiro.
Acontece que, escrever um livro, apresentar uma palestra ou ministar um curso e dizer aos leitores (ou a quem está na platéia) que existe apenas 20 por cento de chances de o empreendimento que ele tem em mente ser bem sucedido seria o mesmo que dar um tiro no próprio pé. Não é isso que o leitor quer ler nem é isso que a platéia quer ouvir. Os aplausos serão minguados e os lucros serão mínimos.
Esses autores sabem muito bem qual é o caminho das pedras (tanto é que eles próprios fazem muito sucesso). Mas o que eles dizem é o que o leitor quer ler ou ouvir: "Vai que é tua, Tafarel!"

Uma vez, numa entrevista, o jornalista me fez uma pergunta muito comum: "qual é o segredo do marketing empresarial bem feito?". Respondi o que eu respondo sempre: não existe SEGREDO. Tudo o que faz uma empresa ser melhor sucedida do que outra são técnicas ou recursos que todo mundo sabe que funcionam. São coisas simples baseadas naquelas qualidades citadas há pouco (talento, conhecimento, visão, inteligência, experiência, organização e disciplina). Reunir e gerir essas qualidades é o caminho simples que precisa ser percorrido. É simples, mas não é fácil.

Mas as pessoas querem outra coisa: querem fazer faculdade em dois anos em cursos noturnos (de preferência sem aulas na sextas-feiras, que é dia da cerveja); Querem ler drops (textos curtos e mastigadinhos, com letras grandes e muitas ilustrações); Querem cursos divertidos, dinâmicos e interativos (nada de reflexões ou filosofias); Querem trabalhar em ambientes sem pressão e em mercados protegidos; Querem que não sejam feitas comparações (especialmente as que levem em conta qualidades que elas não têm, porque não se deram ao trabalho de conquistar).

Querem, essencialmente, ser estimuladas a acreditar que bastam as boas intençòes, a força de vontade, pensamento positivo e a auto-estima em alta.

Essa gente está enriquecendo muitos espertos!



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br



---Artigo2004 ---Carreira ---Administração

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18/05/2012

CRENÇAS, VALORES, PRINCÍPIOS, RICARDINHO, BERNARDINHO, BRASIL

(Publicado em 29/07/2007)



O Brasileiro (o ser humano), todos os dias é posto à prova. Às vezes em grandes tragédias, às vezes em episódios triviais e aparentemente desimportantes, somos chamados à dar conta do que realmente somos, no que realmente acreditamos, quais são os nossos valores e nossos princípios.

Nossas crenças são as nossas convicções profundas, sem, necessariamente, justificativas racionais. É o processo mental que a pessoa tem para acreditar em alguma coisa. Uma disposição meramente subjetiva para considerar algo certo ou verdadeiro, por força do hábito ou da vivacidade das impressões sensíveis.

Já os Valores são medidas variáveis de importância que se atribui a alguma coisa. Uma escala pessoal segundo a qual ela decide fazer isso ou aquilo. Apoiar essa ou aquela ideia ou ação.

E os princípios, como consequência, são os ditames morais, regras pessoais. Leis de caráter individual. Preceitos que servem de base para o comportamento do indivíduo quando exposto a determinadas condições. Uma pessoa de princípios tem regras próprias de comportamento, geralmente bem rígidas.

Bernardinho, treinador da seleção brasileira de vôlei, teve de enfrentar o teste das crenças, dos valores e dos princípios, na hora de definir o time que disputaria os Jogos Pan Americanos no Rio.

No mesmo episódio a imprensa e a torcida brasileira também enfrentaram o mesmo teste. Só Bernardinho passou limpo!

O técnico cortou do time o jogador que acabara de ser eleito o melhor jogador do mundo. Segundo o treinador, apesar de excelente jogador, Ricardinho exercia liderança negativa no grupo. Era desagregador e não tinha suficiente senso de justiça e generosidade.

Para a Imprensa (e boa parte da torcida) não importa o que Ricardinho é como pessoa. O que importa é que ele "dá conta do recado dentro da quadra". Se ele é o melhor do mundo não pode ser cortado da seleção.

Assim, insuflados por uma mídia insensível e irresponsável a torcida foi levada imediatamente a deduzir que o corte estava sendo feito apenas para beneficiar o atleta Bruno, filho do treinador, que foi diretamente beneficiado pelo episódio (ninguém parou para fazer uma continha simples de 2 + 2: se fosse para beneficiar Bruninho, teria sido muito mais simples cortar Marcelinho, que já era reserva!). A vaia ao Bruno, no maracanãzinho, quando ele entrou em quadra foi um dos momentos mais patéticos da semana. Queriam Ricardinho à qualquer custo. "Danem-se princípios e valores. Não podemos perder essa medalha!"

Ainda bem que o Brasil tem professores do nível de Bernardinho, pra não nos deixar esquecer que o comportamento e as relações entre as pessoas são mais importantes do que medalhas. Que mesmo campeões do mundo não são perfeitos e precisam, de vez em quando, enfrentar seus demônios. Que não se pode esquecer as sábias palavras do mestre Armando Nogueira: "Quem triunfa sem nobreza não perde, perde-se".



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br



---Artigo2007 ---Gestão de Carreira

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