Notas de "GESTÃO DE CARREIRA"

20/04/2016

QUAL É A SUA DESCULPA?

(Publicado em 16/01/2013)




Falar de atrasos é como falar em corda na casa de enforcado. Ainda mais com a abordagem que eu costumo dar para o tema. Sou curto e grosso: atrasos são inadmissíveis. E, se você chegar atrasado ou não cumprir um prazo a culpa é sua. Ponto Final.

Aí começa a choradeira. "Ah, mas o senhor não conhece o trânsito aqui em Tangaré do Sul, a gente leva 50 minutos pra andar dois quilômetros!"
Justamente. Eu não conheço as dificuldades do trânsito na sua cidade. Mas você conhece. Ou deveria conhecer. Isso também é seu trabalho. Se você sabe que existe uma boa possibilidade de o trânsito estar lento, deve sair mais cedo de casa ou do seu escritório. E não, simplesmente, chegar atrasado e depois dizer que a culpa foi do trânsito.

"Ah, mas às vezes não é a gente que atrasa. Tem trabalho que depende de outros fornecedores. Se eles atrasam a gente acaba atrasando também."
Vou repetir: você tem a obrigação de conhecer as idiossincrasias do seu mercado e ser capaz de fazer previsões profissionais. Se um determinado fornecedor costuma atrasar ou pode vir a atrasar a entrega dele, cabe a você escolher outro ou fazer contratos mais detalhados com cláusulas de punição pelos atrasos. E não simplesmente repassar o problema para o seu cliente.

"Mas se o atraso for causado por um fornecedor que foi contratado pelo próprio cliente..."
Presta atenção, colega! Se você aceitou um contrato em que não tem controle sobre o seu próprio processo produtivo você foi incompetente. E essa resposta já vale para o "ah, mas muitas vezes o próprio cliente é que atrasa o trabalho pois demora demais para decidir ou dar respostas..."

Tudo isso é coisa que pode muito bem ser prevista e incluída no contrato (e, antes disso, na Proposta Comercial). Muitos profissionais escrevem lá no orçamento do serviço, "prazo de entrega: 50 dias após a contratação do serviço". Como assim? Se o cumprimento desse prazo depende de respostas que o cliente tem de dar, de decisões que o cliente precisa tomar, da entrega de outros produtos de outros fornecedores... Prometer que vai cumprir esse prazo de 50 dias é uma irresponsabilidade! Tá pedindo pra se incomodar!

O correto, nesses casos é escrever "prazo de entrega: 50 dias após a aprovação do estudo preliminar" ou "30 dias após a entrega do equipamento x" ou "40 dias após o recebimento das informações x, y e z" ou ainda, "25 dias úteis, descontados os dias de chuva".

Enfim, a sua proposta comercial (a sua promessa de prestação de serviços) deve incluir a previsão de todas aquelas coisas que poderão produzir algum impacto na qualidade do serviço ou no prazo de entrega. E você não pode pressupor que o cliente sabe dessas coisas. É você quem tem a obrigação de saber disso. Não ele.

A cultura da pontualidade e cumprimento de prazos separa os países ricos dos países pobres. E também separa profissionais bem sucedidos de profissionais maisomenos. Você pode ficar brigando com essa realidade ou começar já a sistematizar seus processos produtivos em busca do atraso zero.

Taí um bom projeto (uma boa estratégia) para a diferenciação competitiva do seu escritório.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br



---Artigo2013 ---Administração ---Produção



Imagem (fonte): http://vocesa.abril.com.br - blog de Marcelo Miranda

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18/05/2012

CRENÇAS, VALORES, PRINCÍPIOS, RICARDINHO, BERNARDINHO, BRASIL

(Publicado em 29/07/2007)



O Brasileiro (o ser humano), todos os dias é posto à prova. Às vezes em grandes tragédias, às vezes em episódios triviais e aparentemente desimportantes, somos chamados à dar conta do que realmente somos, no que realmente acreditamos, quais são os nossos valores e nossos princípios.

Nossas crenças são as nossas convicções profundas, sem, necessariamente, justificativas racionais. É o processo mental que a pessoa tem para acreditar em alguma coisa. Uma disposição meramente subjetiva para considerar algo certo ou verdadeiro, por força do hábito ou da vivacidade das impressões sensíveis.

Já os Valores são medidas variáveis de importância que se atribui a alguma coisa. Uma escala pessoal segundo a qual ela decide fazer isso ou aquilo. Apoiar essa ou aquela ideia ou ação.

E os princípios, como consequência, são os ditames morais, regras pessoais. Leis de caráter individual. Preceitos que servem de base para o comportamento do indivíduo quando exposto a determinadas condições. Uma pessoa de princípios tem regras próprias de comportamento, geralmente bem rígidas.

Bernardinho, treinador da seleção brasileira de vôlei, teve de enfrentar o teste das crenças, dos valores e dos princípios, na hora de definir o time que disputaria os Jogos Pan Americanos no Rio.

No mesmo episódio a imprensa e a torcida brasileira também enfrentaram o mesmo teste. Só Bernardinho passou limpo!

O técnico cortou do time o jogador que acabara de ser eleito o melhor jogador do mundo. Segundo o treinador, apesar de excelente jogador, Ricardinho exercia liderança negativa no grupo. Era desagregador e não tinha suficiente senso de justiça e generosidade.

Para a Imprensa (e boa parte da torcida) não importa o que Ricardinho é como pessoa. O que importa é que ele "dá conta do recado dentro da quadra". Se ele é o melhor do mundo não pode ser cortado da seleção.

Assim, insuflados por uma mídia insensível e irresponsável a torcida foi levada imediatamente a deduzir que o corte estava sendo feito apenas para beneficiar o atleta Bruno, filho do treinador, que foi diretamente beneficiado pelo episódio (ninguém parou para fazer uma continha simples de 2 + 2: se fosse para beneficiar Bruninho, teria sido muito mais simples cortar Marcelinho, que já era reserva!). A vaia ao Bruno, no maracanãzinho, quando ele entrou em quadra foi um dos momentos mais patéticos da semana. Queriam Ricardinho à qualquer custo. "Danem-se princípios e valores. Não podemos perder essa medalha!"

Ainda bem que o Brasil tem professores do nível de Bernardinho, pra não nos deixar esquecer que o comportamento e as relações entre as pessoas são mais importantes do que medalhas. Que mesmo campeões do mundo não são perfeitos e precisam, de vez em quando, enfrentar seus demônios. Que não se pode esquecer as sábias palavras do mestre Armando Nogueira: "Quem triunfa sem nobreza não perde, perde-se".



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br



---Artigo2007 ---Gestão de Carreira

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