Notas de "DICA DE LEITURA"

26/02/2017

UM CAPÍTULO SOMBRIO DA HISTÓRIA ECONÔMICA DO BRASIL

(Publicado em 26/02/2017)





João Borges, Claudia Safatle e Ribamar Oliveira, três competentes jornalistas de economia contam, em pouco mais de 300 páginas, a história econômica do Brasil entre 2002 e 2016.

Ler o livro permite entender como foi que a gente veio parar nesse pântano no qual se tornou a economia brasileira. Eles mostram, de forma cristalina, que nada foi por acaso. Tudo foi produzido por ideias equivocadas, ignorância ignorada, arrogância exacerbada e ganância pelo poder. Péssimos conselheiros para qualquer governante, mas que eram ingrediente importantes na receita dos presidentes e líderes políticos daquele período.

ANATOMIA DE UM DESASTRE - os bastidores da crise econômica que mergulhou o país na pior recessão de sua história é, como se propôs, "um raio x das decisões econômicas que mergulharam o Brasil na crise."

O livro ajuda a entender o que aconteceu para que o Brasil, que parecia estar decolando rumo ao sucesso (como sugeriu a revista The Economist, na sua edição de novembro de 2009), tomasse o rumo da ruína (como reconheceu a mesma The Economist, em setembro de 2013).

Concentrando-se no período entre a primeira eleição de Lula (em 2002) e impeachment de Dilma Rousseff (em 2016), o livro mostra como os governos petistas foram abandonando aos poucos o cuidado com a estabilidade econômica para investir em um modelo desenvolvimentista, causando a deterioração das contas públicas e instalando lentamente o caos econômico.

Ao relatar algumas das decisões mais polêmicas, como a das pedaladas fiscais que levaram ao afastamento de Dilma Rousseff, os autores revelam também os surpreendentes bastidores da política nacional.

Importante observar que, apesar de o tema sugerir (e permitir), os autores evitaram transformar o livro em um panfleto contra este ou aquele partido ou contra este ou aquele político em particular. No mais das vezes, o texto trata dos fatos, com registros documentais. E. Neste caso, os fatos falam por si.

Para mim, que sou engenheiro eletricista, foi muito elucidativo a descrição detalhada de como se engendrou aquela desastrosa redução de quase 20% nas contas de energia elétrica. Aquilo se mostrou, mais tarde, como uma das decisões mais sem noção daquele governo. E suas consequências continuam assombrando os brasileiros até hoje, como você pode ver AQUI.

Já escrevi AQUI, que esta crise econômica não é a primeira e não será a última. Por isso considero que uma das coisas boas que cada um de nós pode tirar das crises é o aprendizado. Para que possamos estar melhor preparados para a próxima crise (que virá, com certeza). E este livro talvez seja a melhor fonte de aprendizado para quem quer entender, realmente, como foi que essa crise foi criada e o que poderia ter sido feito para que ela não durasse tanto tempo.

Vale a pena ler. Leia.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br



---Artigo2017

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05/01/2017

DIGA-ME POR ONDE NAVEGAS (SE É QUE NAVEGAS)

Nos anos 1990 tornou-se popular o termo INTERNAUTA, designação do indivíduo que era um viajante do universo virtual. A gente entrava na internet e NAVEGAVA. Andava pelo mundo, visitando websites e portais.




TRÊS MINUTOS - Ano 18 - Número 396 (Ênio Padilha, 06/01/2017)



Quase todos os sites tinham uma seção de LINKS, que recomendavam outros sites preferidos do titular daquele espaço.

Depois vieram as redes sociais e por fim o Facebook, que praticamente extinguiu o hábito de navegar na internet. Hoje o sujeito entra no Facebook e, no máximo, dá um pulinho ali fora, pra ler uma coisinha ou outra... e já volta pro cercadinho, pra não perder o próximo post nem deixar de ver quem curtiu, compartilhou ou comentou isso ou aquilo.

A maior parte do que se lê é notícia velha ou é mentira ou é irrelevante (ou as três coisas juntas!). Sempre textos curtos, com muitas imagens (de preferência, vídeos). Isso deixa as pessoas intelectualmente preguiçosas, mas, QUEM LIGA?

Eu já escrevi AQUI, e vou repetir: O FACEBOOK FAZ MUITO BEM O MAL QUE NOS FAZ. É muito difícil resistir às suas artimanhas. Mas eu ainda mantenho o hábito de andar por aí, por conta própria. Visitar alguns portais, websites e blogs sem a supervisão do Zuckerberg.

No meu navegador eu tenho marcados alguns FAVORITOS: links diretos para websites que visito sempre, em busca de informação, atualização ou simplesmente, diversão. Veja abaixo as viagens que eu faço praticamente todos os dias:




LEITURA PARA O DIA A DIA



• Blog do Jean Tosetto - www.tosetto.com
Arquiteto paulista (de Paulínia), autor do livro Arquiteto 1.0 (do qual sou, com muito orgulho, o co-autor) e do clássico MP Lafer - a recriação de um ícone.
Seus artigos são de uma inteligência e sensibilidade marcantes. Trata-se de um site de leitura obrigatória para profissionais de Arquitetura, em qualquer fase da carreira



• Website da Lígia Fascioni - www.ligiafascioni.com.br
Ela é uma engenheira brasileira que mora em Berlin desde 2011. Adora arte, design, fotografia, viagens, literatura, ilustração e bichos, entre outras coisas.
Encontre imagens belíssimas, artigos excelentes e informações interessantes para brasileiros em viagem pela Alemanha



• Blog do Arquiteto Daltônico - arqdaltonico.wordpress.com
Ricardo Meira, arquiteto e professor de Brasília. Ele é meu concorrente nos cursos e palestras de Gestão de Escritórios, mas, antes de tudo, é um amigo querido e publica coisas bem interessantes.



• Site ADForum - www.adforum.com.br
Produzido pelo competente administrador Ricardo Botelho (outro concorrente) por quem eu tenho grande respeito, pela qualidade e responsabilidade do seu trabalho.



• Blog do Alberto Costa - albertocosta.com.br
Ele tem formação em teologia, em Marketing Estratégico e em Gestão de Estabelecimentos de Saúde. Mas o seu ponto forte são as reflexões filosóficas sobre as empresas e os empresários. Vale a pena conhecer o trabalho desse pensador.



• Blog Life of an Architect - www.lifeofanarchitect.com
Produzido pelo arquiteto americano Bob Borson, este blog publica artigos sensacionais sobre o dia-a-dia dos profissionais de arquitetura nos EUA (muita coisa vale para os brasileiros também).




POLÍTICA E ECONOMIA



• Blog do Reinaldo Azevedo - veja.abril.com.br/blog/reinaldo
Eu sei que tem gente que prefere fazer a cabeça lendo o Paulo Henrique Amorim, ou o que é publicado na Carta Capital e no Brasil 247. Não é o meu caso. No campo da política, prefiro autores liberais.



• Blog da Miriam Leitão - blogs.oglobo.globo.com/miriam-leitao
Li dois livros de Miriam Leitão: SAGA BRASILEIRA (escrevi uma resenha, que você pode ler AQUI), e HISTÓRIA DO FUTURO. Sou fã dessa autora (também demonizada pelas esquerdas). Recomendo a leitura dos seus artigos do blog para quem quer entender os caminhos da economia do Brasil.




NOTÍCIAS



Portal G1 - g1.globo.com
Portal de notícias com cobertura de Notícias do Brasil e do mundo





Portal G1-SC - www.nexojornal.com.br
Um portal de notícias com profundidade e isenção, abordando temas como Política, Economia, Sociedade, Cultura, Ciência, Tecnologia Esporte e Meio Ambiente. Faz um bom contraponto à mídia tradicional.



Portal G1-SC - g1.globo.com/sc/santa-catarina
Seção do G1.com com Notícias de Santa Catarina




• Site Clic Camboriú - www.clickcamboriu.com.br
Site local com Notícias de Balneário Camboriú e região.




• Blog do Aderbal Machado - www.aderbalmachado.com.br
Blog inteligente e bem humorado com notícias e comentários sobre Balneário Camboriú e região.




Portal CNN - us.cnn.com
Para Noticiário Internacional






GloboEsporte.com - globoesporte.globo.com
Porque ninguém é de ferro! E eu gosto muito de futebol e de outros esportes em geral





AMENIDADES (ENTRETENIMENTO)



• O blog do Maurício Ricardo - charges.uol.com.br
Humor inteligente e charges diárias de altíssima qualidade (além dos engraçadíssimos e-mails comentados).




• Site da IAAF - Federação Internacional de Atletismo - www.iaaf.org
Notícias e atualidades sobre o atletismo internacional. Campeonatos mundiais, Maratonas e circuitos como o Diamond League e World Challenge.




Blog da Dad - blogs.correiobraziliense.com.br/dad
Disparado (há muitos anos) o melhor blog brasileiro sobre Língua Portuguesa. Além de muito inteligente, Dad Squarisi é muito bem humorada e escreve de forma fantástica.
Vale a pena ler também os livros que ela publicou. Veja AQUI



Olhar Digital - olhardigital.uol.com.br
Site de Ciência e Tecnologia da UOL, com muitas matérias, vídeos e artigos sobre eletrônica e outras tecnologias.





Essas são as minhas sugestões de referências de leitura para os que ainda são (ou desejam ser) internautas.

E você? o que sugere?



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br

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27/10/2016

CADERNO DE ILUMINAÇÃO: ARTE E CIÊNCIA

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25/10/2016

O IMPACTO DO ALTAMENTE IMPROVÁVEL

(Publicado em 14/03/2010)



Pense num sujeito rebugento.
Multiplique por dois... e você terá alguém parecido com Nassim Nicholas Taleb.
Mas tem um detalhe: para ser parecido com esse rabugento, em particular, é preciso ser fluente em inglês, francês, árabe clássico, Italiano e Espanhol e ler textos clássicos em grego, latim e aramaico.




TRÊS MINUTOS - Ano 17 - Número 392 (Ênio Padilha, 23/11/2016)



Nassim Taleb é professor de Ciências da Incerteza da Universidade de Massachusetts (Amherst) e também é presidente de uma empresa de investimentos situada em Nova Iorque chamada Empirica. Possui MBA pela Wharton e Ph.D. pela Universidade de Paris.

É autor de pelo menos dois livros muito conhecidos: "Iludidos pelo Acaso" e "A Lógica do Cisne Negro - o impacto do altamente improvável" (editora Best Seller). É deste último livro que falaremos.

Ao contrário de outros autores que tratam desse tipo de assunto (teoria do caos, ciência da incerteza, matemática...) Taleb escreve em primeira pessoa. E inclui no seu livro diversos episódios autobiográficos, nos quais ele aproveita para colocar sua opinião (normalmente crítica e ácida) sobre diversos aspectos da natureza humana.
Interessante!

O paradoxo do cisne negro é bastante conhecido nas ciências sociais e descreve um outlier (em bom português, um "ponto fora da curva"). É um acontecimento que reúne três características: é altamente improvável; produz um enorme impacto; e, após a sua ocorrência, geralmente é elaborada uma explicação que faz com que o acontecido pareça menos aleatório e mais previsível do que aquilo que é na realidade.

Estão nessa categoria os atentados de 11 de Setembro, a ascensão do Google, ou mesmo a criação da internet.

Os cisnes negros não podem ser previstos, e grande parte de seu impacto reside nisso. No entanto, passado algum tempo, naturalmente, construímos explicações que, reconstruindo a história, nos conduzem inevitavelmente a eles, como se fossem coisas óbvias que todos deveriam ter percebido. Essas análises, muitas vezes, alimentam as teorias de conspirações.

Nassim Taleb sustenta que a natureza humana não foi preparada para assimilar os Cisnes Negros. Para que um acontecimento faça sentido, tende-se a "forçar uma ligação lógica", para amarrar fatos, através de "flechas de relacionamento" — pois é mais fácil lembrar de uma sequência de eventos, logicamente encadeados, do que armazenar ocorrências aparentemente sem sentido. Assim são construídos os mitos — que nada mais são que "histórias" que ordenam, e trazem sentido, ao "caos da experiência humana".

No livro ele faz um pequeno tratado sobre dois países imaginários: o Extremistão e o Mediocristão. Esses dois "territórios" foram criados para explicar as diferenças entre as atividades (profissões) escaláveis e não-escaláveis.

No Extremistão as coisas são singulares, acidentais, inéditas, imprevisíveis. Já no Mediocristão vive-se a rotina, o óbvio, o previsível.

A maioria das pessoas prefere viver no Mediocristão. Uma minoria escolhe viver no Extremistão. Acontece que viver no Extremistão requer uma resistência pessoal e intelectual, evidentemente, fora do comum. É a "terra" dos grandes artistas, dos grandes descobridores e dos grandes empreendedores.

Por isto Nassim Taleb parece detestar escolas, em todos os níveis. Para ele as escolas foram criadas para estimular o esforço intelectual e a resposta mais lógica, porém mais lenta, sequencial, e progressiva. E, para viver no Extremistão (e consequentemente tirar proveito de cisnes negros) é preciso estimular a experiência, o ato reflexo, mais rápido, o "raciocínio que corre em paralelo", sem que possamos muitas vezes concebê-lo, e mesmo os erros. E, sobretudo, a intuição.

Engenheiros, principalmente, moram no Mediocristão, cujo Santo Padroeiro é São René Descartes. Mas é preciso, de vez em quando, tirar férias e visitar o Extremistão, para entender melhor o mundo em que se vive. E o livro de Nassim Taleb é, sem dúvida, um excelente guia de viagem.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




TALEB, Nassim Nicolas. A lógica do cisne negro: o impacto do altamente improvável. Rio de Janeiro: Best Seller, 2009



---Artigo2010 ---DicadeLeitura

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25/10/2016

HOJE (25/OUT) É DIA DO CIRURGIÃO-DENTISTA

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14/09/2016

O SÉCULO DEZENOVE NO BRASIL

(Publicado em 14/09/2013)



Em 2007, um ano antes das comemorações de 200 anos da chegada da Corte de Dom João VI ao Brasil, o jornalista paranaense Laurentino Gomes lançou seu primeiro livro 1808 com o qual pretendia lançar luzes sobre um fato importante da história brasileira e que quase nunca havia recebido a devida atenção.

O livro de Laurentino foi recebido com excelentes críticas e muitos prêmios literários importantes, inclusive o Jabuti (2008), o Oscar da Literatura no Brasil. O que talvez nem ele mesmo previu é que iniciava-se ali uma trilogia capaz de explicar, de forma muito competente, o Brasil do Século XIX.

Laurentino Gomes fez isso iluminando as três datas mais emblemáticas daquele século: 1808 (Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil); 1822 (Como um homem sábio, uma princesa triste e um escoces louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil - um país que tinha tudo para dar errado) e 1889 (Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuiram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil).

Me parece muito verdadeira a afirmação de que "um povo que não conhece sua história não vive o presente, não sabe planejar seu futuro e está condenado a repetir os mesmos e antigos erros". O Brasileiro, como se sabe, desconhece sua própria história. E, nao por acaso, vive repetindo antigos erros. Acreditando em velhas mentiras.

Laurentino Gomes tem realizado um belíssimo trabalho no sentido de reduzir esse flagelo. Ele escreve livros de história com profundidade e rigor, mas dá aos seus livros uma abordagem jornalística emoldurada por uma linguagem cinematográfica.

Acabei de ler o terceiro livro da série. Neste 1889, lançado no final do mês passado (agosto de 2013) Laurentino Gomes relata os últimos anos da Monarquia e os primeiros anos da Republica no Brasil. Para contar essa história ele utiliza um recurso muito comum no cinema que é o de adotar alternadamente o ponto de vista de alguns dos protagonistas e descrever a mesma cena diversas vezes a partir de visões e objetivos diferentes. O resultado é um livro do qual o leitor não quer perder nenhuma vírgula. Porque não se trata da história oficial. Trata-se de uma história de verdade, sobre pessoas de verdade, com seus medos, suas angústias e suas idiossincrasias.

Sempre que acabo de ler um bom livro eu sinto vontade de recomendar a leitura aos meus amigos. Mas dessa vez não vou recomendar apenas este livro e sim toda a série. Em vez de ler um livro sobre a Proclamação da República, leia a trilogia sobre o Brasil do Século XIX. Você irá entender porque a República repetiu os piores erros da Monarquia, que por sua vez repetia os piores erros do Brasil Colônia, herdados do Governo de Portugal... E entenderá porque tem sido assim até hoje.

Se não nos empenharmos em conhecer a nossa própria história, não perceberemos que certas soluções que surgem no horizonte nada mais são do que velhos fantasmas de soluções antigas que não deram certo no passado e não têm a menor chance de funcionar agora. Por mais bacana que seja sua nova roupa.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




REFERÊNCIAS:
1) GOMES, Laurentino. 1808 - Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil. São Paulo: Planeta do Brasil, 2007. 414p.
2) GOMES, Laurentino. 1822 - Como um homem sábio, uma princesa triste e um escoces louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil - um país que tinha tudo para dar errado. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010. 352p.
3) GOMES, Laurentino. 1889 - Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuiram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil. São Paulo: Globo, 2013. 416p.




Imagem (fonte): fotografia do autor



---Artigo2013 ---Dica de Leitura

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10/08/2016

JOSÉ MARIA NUNES NO PROGRAMA DO NERI CONTE

JOSÉ MARIA NUNES e ÊNIO PADILHA no programa "Na Boca do Povo" comandado pelo "estimado" Neri Conte, um patrimônio da cena cultural de Rio do Sul, Santa Catarina.









Veja a entrevista completa

Comentário do Ênio Padilha

Agradeço e mando um grande abraço ao grande e estimado amigo Neri Conte, que sempre abre as portas do seu programa para a divulgação do nosso trabalho.

PS. Um parabéns especial ao pessoal da Banda Chapéu Preto. Show!

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30/07/2016

INTENÇÃO, AÇÃO E INTERAÇÃO

(Publicado em 30/07/2016)



No dia que o livro foi lançado entrei no site da editora e adquiri o meu exemplar (você também pode fazer isso. É só clicar na imagem aí do lado). O livro chegou alguns dias depois, mas minha filha tomou de mim e quis ler antes (aqui em casa todo mundo é fã da Lígia e do Alberto).

Eu já li muitos livros sobre esse tema. Alguns até mesmo da própria Lígia. Então, só posso dizer uma coisa: vale a pena o tempo investido em ler mais este.

Mas, antes, um aviso, especialmente para quem já conhece, há algum tempo, o trabalho da Lígia Fascioni: você poderá ter, depois de ler o livro, a (falsa) sensação de que se trata de um livro feito apenas por ela. É difícil não reconhecer o estilo, a inteligência e a elegância da Lígia no texto. Então você pode se perguntar "o que foi que o Alberto Costa fez para ter o seu nome na capa deste livro?". A resposta está em duas linhas na página 12. Alberto Costa é o coautor intelectual. Certamente pensou, discutiu e desenvolveu cada um dos conceitos e fundamentos tratados no livro.

E, se você conhece o Alberto (e já tomou algumas xícaras de café com ele) sabe como é que isso funciona. Ele é o tipo de pessoa que faz você pensar direito. Tem uma mente afiada e uma capacidade impressionante de construir conceitos e encontrar as palavras certas para cada finalidade. Sabendo disso, fica mais fácil ver a cara do pai nessa criança.

Conhecendo os dois, não deixei de sentir uma certa inveja da sorte que cada um teve. É um caso exemplar do famoso "um mais um é sempre mais que dois" cantado pelo Beto Guedes.

O objeto de estudo do livro é O LÍDER e todas as suas nuances. O livro é todo muito bem organizado, dividido em partes e recheado de exemplos e metáforas para dissecar a intenção, a ação e a interação do líder.

Percorri todo o livro pensando nos nossos Sistemas Profissionais de Engenharia e de Arquitetura (no Brasil). Fiquei aqui pensando como seria importante que os nossos líderes lessem este livro para entender um pouco mais sobre essa "função temporária que qualquer ser humano pode exercer". Infelizmente não vejo nos nossos líderes as características ou qualidades que Lígia e Alberto indicam e recomendam neste belo livro.

Tenho certeza de que não foi mirando esse público que Alberto e Lígia se lançaram nessa empreitada, mas, se alguns engenheiros e arquitetos tiverem a inteligência de ler este livro e isto qualificar um pouco mais as nossas lideranças profissionais, haverá alguma esperança para os Creas, para o Confea e para o CAU.

Obrigado aos dois.



ÊNIO PADILHA
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FICHA TÉCNICA
Título: Atitude Pro Liderança
Editora: Letramento
Autores: Lígia Fascioni e Alberto Costa
ISBN: 978-85-68275-62-7
Formato: 15x22cm
Nº de páginas: 167
Ano de publicação: 2016
Edição:
Idioma: Português
Encadernação: brochura

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---Artigo2016 ---Administração ---Financeira

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15/08/2015

CANDANGO OLÍMPICO

(Publicado em 15/08/2015)



Se você é fã de atletismo, se acompanhou a trajetória de Joaquim Cruz, nos anos 1980... prepare o seu coração antes de começar a ler MATADOR DE DRAGÕES, biografia do atleta, escrito pelo jornalista Rafael De Marco (Editora Multiesportes, 2015, 395 páginas)

A coisa começa com os dois prefácios, um escrito pela espetacular Dorrit Harazim (creio que foi a primeira grande jornalista a fazer coberturas decentes de competições internacionais de atletismo, ainda nos anos 1970) e pelo não menos brilhante Juca Kfouri. Você já sente que a história prestes a ser contada vai sacudir as suas emoções.

O livro tem alguns problemas (nada que invalide a qualidade geral do produto). Tem um acabamento gráfico ruim (a qualidade do papel e da impressão deixam a desejar) e o autor não tem um texto brilhante (talvez por falta de experiência como escritor). Mas o conteúdo salva o livro. A qualidade da história que está sendo contada e dos detalhes que estão sendo revelados vão garantir a sua atenção. É como assistir um documentário produzido por uma emissora ruim. Vale pelo conteúdo, não pela forma.

Falta, no livro, uma boa seção de fotografias, sempre presente nas boas biografias.

Em muitos capítulos, falta uma descrição mais completa das corridas, como, por exemplo, os nomes dos demais competidores e a classificação final das provas mais importantes em que participou.

As polêmicas com os dirigentes brasileiros (prometidas na capa) não são apresentadas com nível de detalhamento maior do que a especulação que se via na imprensa, na época.

Alguns fatos importantes não são explicados adequadamente. Por exemplo, há um capítulo inteiro sobre a morte do pai de Joaquim, mas o leitor fica sem saber do que ele morreu. Estava doente? Sofreu um acidente? Foi assassinado?

E (pode dizer que é implicância minha) não gostei do título. Creio que a biografia poderia ter um título mais interessante e pertinente. O texto até que tenta amarrar o título do livro, mas, na minha opinião, sem sucesso.


Dito isto, vamos ao que interessa: a história do atleta.

Joaquim Cruz, além de corredor excepcional, ídolo de uma geração de atletas no Brasil e no mundo, é um ser humano diferenciado pela honestidade, generosidade e disposição para contribuir para melhorar o planeta.

Nascido numa família pobre, com uma perna mais curta do que a outra (isto só foi corrigido pelo fabricante de calçados, quando ele já estava treinando nos EUA), o menino foi descoberto pelo obstinado treinador Luis Alberto Oliveira, formando uma parceria digna de conto de fadas.

Nunca recebeu, das instituições brasileiras, apoio minimamente condizente com os resultados que apresentava. Joaquim sempre que dava entrevistas reclamava da falta de apoio que os atletas recebiam. Ele era a voz que representava todos os pobres brasileiros filiados às federações esportivas nacionais.

A mídia não gostava dele, porque era muito sincero e detestava ser bajulado apenas quando vencia as competições. Era frequentemente sabotado pela imprensa, que se apressava em endeusar potenciais adversários. Aliás, a conquista olímpica de Joaquim Cruz, seguido da desistência de participar da semifinal dos 1500m e as sucessivas quebras da marca nos meetings europeus serviram para demonstrar o quanto a imprensa brasileira estava despreparada para lidar com ícones do esporte fora do Futebol.

Joaquim Cruz foi morar nos EUA em 1982. Fez uma tentativa de voltar ao Brasil quando terminou a carreira, mas foi vítima da leviandade dos políticos brasileiros que o enrolaram durante dois anos importantes da sua trajetória profissional. Mais uma vez, foi no governo dos EUA que encontrou o reconhecimento pelo seu trabalho

O ponto alto da sua carreira, a prova dos 800 metros dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, é descrita com detalhes interessantes no livro. Mas eu sugiro que, quando chegar à página 222, o leitor interrompa a leitura e clique AQUI: vai ver um vídeo completo da final olímpica de 1984, narrada por Osmar Santos. Emocionante!
Quando assisti o vídeo lembrei de quando eu vi aquelas imagens pela primeira vez, ao vivo, no dia 6 de agosto de 1984. Estávamos em quase vinte atletas da equipe de Florianópolis reunidos no Calabouço, vendo a corrida na TV. A gente comemorou como se fosse uma vitória de Copa do Mundo. Muita gente chorando de emoção e alegria!

Pra finalizar, quando chegar à página 362, clique AQUI e veja o momento em que Joaquim Cruz faz a sua volta final na pista do estádio Célio de Barros, no Rio de Janeiro, em 1997, encerrando definitivamente sua carreira de atleta.


Não deixe de ler o livro só por conta das reclamações que eu fiz nos primeiros parágrafos deste artigo. Que elas sirvam apenas para que o autor melhore a segunda edição.

Acredite: a história de Joaquim Cruz vale a pena ser lida.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




REFERÊNCIAS:
1) DE MARCO, Rafael. Matador de dragões. Campinas: Multiesportes, 2015.

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