Notas de "DICA DE LEITURA"

07/08/2018

TOCHAS NA ESCURIDÃO
(Manuel Henrique Campos Botelho)

(Publicado em 07/08/2007)





Arquitetos e engenheiros tão logo se formam vão enfrentar a vida profissional, seja como profissional autônomo seja como profissional empregado. Nas duas situações descobrem um enorme vazio no tocante a saber atuar com apoio de Marketing.

No caso de engenheiros pior ainda. Sentindo-se sozinhos não sabem nem a quem perguntar, a quem pedir apoio e aconselhamento. A incompreensão pela necessidade do Marketing é tanta que os poucos profissionais que logo jovens dirigem-se para as áreas de vendas são mal vistos pelos seus colegas e até alcunhados de maus engenheiros e maus arquitetos. Erros em cima de erros. A timidez pessoal e consequente timidez profissional talvez seja a causa da procura de profissões mais técnicas pois os menos tímidos irão para as áreas de administração de empresas e áreas estritamente comerciais.

O colega Ênio Padilha é um dos que, diante desse quadro, ao invés de bradar contra a escuridão tem empunhado tochas de comunicação, ensinando, via livros e cursos, aos jovens profissionais de como sair dessa armadilha, ou seja como se desenvolver no Marketing da nossa profissão.

Com este novo livro mais uma tocha será acesa. Que muitos aproveitem da sua luminosidade e comecem a trabalhar em condições bem mais satisfatórias. Lembrando que voce só pode fazer boa tecnologia se você tiver bons retornos financeiros dessa atividade.

Agora uma boa leitura.



MANUEL HENRIQUE CAMPOS BOTELHO
Autor da coleção CONCRETO ARMADO, EU TE AMO
(Prefácio do livro NEGOCIAR E VENDER SERVIÇOS DE ENGENHARIA E ARQUITETURA






NEGOCIAR E VENDER SERVIÇOS DE ENGENHARIA E ARQUITETURA
Os fundamentos das negociações bem sucedidas

ÊNIO PADILHA
5ª ed. 2018
176 páginas
ISBN: 978-85-7782-010-8 - OitoNoveTrês Editora
Apresentação de Maria Clara de Maio (editora da Revista Lume Arquitetura – São Paulo)
Prefácio de Manoel Henrique Campos Botelho (Autor do livro “Concreto Armado, Eu te Amo”)

Clique AQUI e leia o Capítulo 2, sobre as importantes Características Distintivas da Prestação de Serviços de Engenharia e Arquitetura e descubra por que é tão complicado vender serviços dessas áreas



---Divulga_Livro5

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07/08/2018

TOCHAS NA ESCURIDÃO
(Maria Clara de Maio)

(Publicado em 07/08/2007)





“Negociar e Vender Serviços de Engenharia e Arquitetura”, ao começar pelas conclusões, já demonstra ao leitor o principal objetivo do autor: criar uma nova perspectiva, real e fundamentada sobre a difícil – mas não impossível - prática de vender serviços atrelados a atividades tão inerentes aos desejos e as necessidades dos clientes, como são as desenvolvidas por engenheiros e arquitetos.

As 12 conclusões são apreendidas ao longo de 12 capítulos, que versam sobre as raízes do ainda tão incompreendido marketing de serviços, amparados numa rica e segura bibliografia consultada, mencionada e analisada pelo autor.
Não lhe escapa, entretanto, como é a marca em sua obra, o questionamento constante dos enganos perpetuados por más-interpretações e vícios culturais, bem como um leve humor em comparações simples e transparentes. É assim que ele prova e convence a rever conceitos encruados no dia-a-dia destes profissionais.

A cadência do texto e a assertividade expressa pelo autor tornam a leitura extremamente proveitosa, oferecendo clareza de ideias sobre o uso do marketing como ferramenta nas atividades projetuais e de consultoria.

Nenhum componente da negociação e venda de serviços de arquitetura e engenharia é esquecido neste quinto livro do autor. Ao falar dos fundamentos de um bom vendedor, do bom e o mau uso do marketing, sobre os obstáculos existentes e aqueles criados por nós, sobre credibilidade e empatia, orçamentos e contratos, Ênio Padilha nos fornece, em pouco mais de 130 páginas de pura objetividade, um novo olhar e uma perspectiva factível sobre como ser bem-sucedido no negócio de engenharia e arquitetura.



MARIA CLARA DE MAIO
Editora da Revista Lume Arquitetura
(Quarta Capa do livro NEGOCIAR E VENDER SERVIÇOS DE ENGENHARIA E ARQUITETURA



---Artigo2007

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27/10/2016

CADERNO DE ILUMINAÇÃO: ARTE E CIÊNCIA

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25/10/2016

O IMPACTO DO ALTAMENTE IMPROVÁVEL

(Publicado em 14/03/2010)



Pense num sujeito rebugento.
Multiplique por dois... e você terá alguém parecido com Nassim Nicholas Taleb.
Mas tem um detalhe: para ser parecido com esse rabugento, em particular, é preciso ser fluente em inglês, francês, árabe clássico, Italiano e Espanhol e ler textos clássicos em grego, latim e aramaico.




TRÊS MINUTOS - Ano 17 - Número 392 (Ênio Padilha, 23/11/2016)



Nassim Taleb é professor de Ciências da Incerteza da Universidade de Massachusetts (Amherst) e também é presidente de uma empresa de investimentos situada em Nova Iorque chamada Empirica. Possui MBA pela Wharton e Ph.D. pela Universidade de Paris.

É autor de pelo menos dois livros muito conhecidos: "Iludidos pelo Acaso" e "A Lógica do Cisne Negro - o impacto do altamente improvável" (editora Best Seller). É deste último livro que falaremos.

Ao contrário de outros autores que tratam desse tipo de assunto (teoria do caos, ciência da incerteza, matemática...) Taleb escreve em primeira pessoa. E inclui no seu livro diversos episódios autobiográficos, nos quais ele aproveita para colocar sua opinião (normalmente crítica e ácida) sobre diversos aspectos da natureza humana.
Interessante!

O paradoxo do cisne negro é bastante conhecido nas ciências sociais e descreve um outlier (em bom português, um "ponto fora da curva"). É um acontecimento que reúne três características: é altamente improvável; produz um enorme impacto; e, após a sua ocorrência, geralmente é elaborada uma explicação que faz com que o acontecido pareça menos aleatório e mais previsível do que aquilo que é na realidade.

Estão nessa categoria os atentados de 11 de Setembro, a ascensão do Google, ou mesmo a criação da internet.

Os cisnes negros não podem ser previstos, e grande parte de seu impacto reside nisso. No entanto, passado algum tempo, naturalmente, construímos explicações que, reconstruindo a história, nos conduzem inevitavelmente a eles, como se fossem coisas óbvias que todos deveriam ter percebido. Essas análises, muitas vezes, alimentam as teorias de conspirações.

Nassim Taleb sustenta que a natureza humana não foi preparada para assimilar os Cisnes Negros. Para que um acontecimento faça sentido, tende-se a "forçar uma ligação lógica", para amarrar fatos, através de "flechas de relacionamento" — pois é mais fácil lembrar de uma sequência de eventos, logicamente encadeados, do que armazenar ocorrências aparentemente sem sentido. Assim são construídos os mitos — que nada mais são que "histórias" que ordenam, e trazem sentido, ao "caos da experiência humana".

No livro ele faz um pequeno tratado sobre dois países imaginários: o Extremistão e o Mediocristão. Esses dois "territórios" foram criados para explicar as diferenças entre as atividades (profissões) escaláveis e não-escaláveis.

No Extremistão as coisas são singulares, acidentais, inéditas, imprevisíveis. Já no Mediocristão vive-se a rotina, o óbvio, o previsível.

A maioria das pessoas prefere viver no Mediocristão. Uma minoria escolhe viver no Extremistão. Acontece que viver no Extremistão requer uma resistência pessoal e intelectual, evidentemente, fora do comum. É a "terra" dos grandes artistas, dos grandes descobridores e dos grandes empreendedores.

Por isto Nassim Taleb parece detestar escolas, em todos os níveis. Para ele as escolas foram criadas para estimular o esforço intelectual e a resposta mais lógica, porém mais lenta, sequencial, e progressiva. E, para viver no Extremistão (e consequentemente tirar proveito de cisnes negros) é preciso estimular a experiência, o ato reflexo, mais rápido, o "raciocínio que corre em paralelo", sem que possamos muitas vezes concebê-lo, e mesmo os erros. E, sobretudo, a intuição.

Engenheiros, principalmente, moram no Mediocristão, cujo Santo Padroeiro é São René Descartes. Mas é preciso, de vez em quando, tirar férias e visitar o Extremistão, para entender melhor o mundo em que se vive. E o livro de Nassim Taleb é, sem dúvida, um excelente guia de viagem.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




TALEB, Nassim Nicolas. A lógica do cisne negro: o impacto do altamente improvável. Rio de Janeiro: Best Seller, 2009



---Artigo2010 ---DicadeLeitura

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25/10/2016

HOJE (25/OUT) É DIA DO CIRURGIÃO-DENTISTA

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14/09/2016

O SÉCULO DEZENOVE NO BRASIL

(Publicado em 14/09/2013)



Em 2007, um ano antes das comemorações de 200 anos da chegada da Corte de Dom João VI ao Brasil, o jornalista paranaense Laurentino Gomes lançou seu primeiro livro 1808 com o qual pretendia lançar luzes sobre um fato importante da história brasileira e que quase nunca havia recebido a devida atenção.

O livro de Laurentino foi recebido com excelentes críticas e muitos prêmios literários importantes, inclusive o Jabuti (2008), o Oscar da Literatura no Brasil. O que talvez nem ele mesmo previu é que iniciava-se ali uma trilogia capaz de explicar, de forma muito competente, o Brasil do Século XIX.

Laurentino Gomes fez isso iluminando as três datas mais emblemáticas daquele século: 1808 (Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil); 1822 (Como um homem sábio, uma princesa triste e um escoces louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil - um país que tinha tudo para dar errado) e 1889 (Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuiram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil).

Me parece muito verdadeira a afirmação de que "um povo que não conhece sua história não vive o presente, não sabe planejar seu futuro e está condenado a repetir os mesmos e antigos erros". O Brasileiro, como se sabe, desconhece sua própria história. E, nao por acaso, vive repetindo antigos erros. Acreditando em velhas mentiras.

Laurentino Gomes tem realizado um belíssimo trabalho no sentido de reduzir esse flagelo. Ele escreve livros de história com profundidade e rigor, mas dá aos seus livros uma abordagem jornalística emoldurada por uma linguagem cinematográfica.

Acabei de ler o terceiro livro da série. Neste 1889, lançado no final do mês passado (agosto de 2013) Laurentino Gomes relata os últimos anos da Monarquia e os primeiros anos da Republica no Brasil. Para contar essa história ele utiliza um recurso muito comum no cinema que é o de adotar alternadamente o ponto de vista de alguns dos protagonistas e descrever a mesma cena diversas vezes a partir de visões e objetivos diferentes. O resultado é um livro do qual o leitor não quer perder nenhuma vírgula. Porque não se trata da história oficial. Trata-se de uma história de verdade, sobre pessoas de verdade, com seus medos, suas angústias e suas idiossincrasias.

Sempre que acabo de ler um bom livro eu sinto vontade de recomendar a leitura aos meus amigos. Mas dessa vez não vou recomendar apenas este livro e sim toda a série. Em vez de ler um livro sobre a Proclamação da República, leia a trilogia sobre o Brasil do Século XIX. Você irá entender porque a República repetiu os piores erros da Monarquia, que por sua vez repetia os piores erros do Brasil Colônia, herdados do Governo de Portugal... E entenderá porque tem sido assim até hoje.

Se não nos empenharmos em conhecer a nossa própria história, não perceberemos que certas soluções que surgem no horizonte nada mais são do que velhos fantasmas de soluções antigas que não deram certo no passado e não têm a menor chance de funcionar agora. Por mais bacana que seja sua nova roupa.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




REFERÊNCIAS:
1) GOMES, Laurentino. 1808 - Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil. São Paulo: Planeta do Brasil, 2007. 414p.
2) GOMES, Laurentino. 1822 - Como um homem sábio, uma princesa triste e um escoces louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil - um país que tinha tudo para dar errado. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2010. 352p.
3) GOMES, Laurentino. 1889 - Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuiram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil. São Paulo: Globo, 2013. 416p.




Imagem (fonte): fotografia do autor



---Artigo2013 ---Dica de Leitura

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10/08/2016

JOSÉ MARIA NUNES NO PROGRAMA DO NERI CONTE

JOSÉ MARIA NUNES e ÊNIO PADILHA no programa "Na Boca do Povo" comandado pelo "estimado" Neri Conte, um patrimônio da cena cultural de Rio do Sul, Santa Catarina.









Veja a entrevista completa

Comentário do Ênio Padilha

Agradeço e mando um grande abraço ao grande e estimado amigo Neri Conte, que sempre abre as portas do seu programa para a divulgação do nosso trabalho.

PS. Um parabéns especial ao pessoal da Banda Chapéu Preto. Show!

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30/07/2016

INTENÇÃO, AÇÃO E INTERAÇÃO

(Publicado em 30/07/2016)



No dia que o livro foi lançado entrei no site da editora e adquiri o meu exemplar (você também pode fazer isso. É só clicar na imagem aí do lado). O livro chegou alguns dias depois, mas minha filha tomou de mim e quis ler antes (aqui em casa todo mundo é fã da Lígia e do Alberto).

Eu já li muitos livros sobre esse tema. Alguns até mesmo da própria Lígia. Então, só posso dizer uma coisa: vale a pena o tempo investido em ler mais este.

Mas, antes, um aviso, especialmente para quem já conhece, há algum tempo, o trabalho da Lígia Fascioni: você poderá ter, depois de ler o livro, a (falsa) sensação de que se trata de um livro feito apenas por ela. É difícil não reconhecer o estilo, a inteligência e a elegância da Lígia no texto. Então você pode se perguntar "o que foi que o Alberto Costa fez para ter o seu nome na capa deste livro?". A resposta está em duas linhas na página 12. Alberto Costa é o coautor intelectual. Certamente pensou, discutiu e desenvolveu cada um dos conceitos e fundamentos tratados no livro.

E, se você conhece o Alberto (e já tomou algumas xícaras de café com ele) sabe como é que isso funciona. Ele é o tipo de pessoa que faz você pensar direito. Tem uma mente afiada e uma capacidade impressionante de construir conceitos e encontrar as palavras certas para cada finalidade. Sabendo disso, fica mais fácil ver a cara do pai nessa criança.

Conhecendo os dois, não deixei de sentir uma certa inveja da sorte que cada um teve. É um caso exemplar do famoso "um mais um é sempre mais que dois" cantado pelo Beto Guedes.

O objeto de estudo do livro é O LÍDER e todas as suas nuances. O livro é todo muito bem organizado, dividido em partes e recheado de exemplos e metáforas para dissecar a intenção, a ação e a interação do líder.

Percorri todo o livro pensando nos nossos Sistemas Profissionais de Engenharia e de Arquitetura (no Brasil). Fiquei aqui pensando como seria importante que os nossos líderes lessem este livro para entender um pouco mais sobre essa "função temporária que qualquer ser humano pode exercer". Infelizmente não vejo nos nossos líderes as características ou qualidades que Lígia e Alberto indicam e recomendam neste belo livro.

Tenho certeza de que não foi mirando esse público que Alberto e Lígia se lançaram nessa empreitada, mas, se alguns engenheiros e arquitetos tiverem a inteligência de ler este livro e isto qualificar um pouco mais as nossas lideranças profissionais, haverá alguma esperança para os Creas, para o Confea e para o CAU.

Obrigado aos dois.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br



FICHA TÉCNICA
Título: Atitude Pro Liderança
Editora: Letramento
Autores: Lígia Fascioni e Alberto Costa
ISBN: 978-85-68275-62-7
Formato: 15x22cm
Nº de páginas: 167
Ano de publicação: 2016
Edição:
Idioma: Português
Encadernação: brochura

Para adquirir o seu exemplar, clique AQUI




---Artigo2016 ---Administração ---Financeira

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15/08/2015

CANDANGO OLÍMPICO

(Publicado em 15/08/2015)



Se você é fã de atletismo, se acompanhou a trajetória de Joaquim Cruz, nos anos 1980... prepare o seu coração antes de começar a ler MATADOR DE DRAGÕES, biografia do atleta, escrito pelo jornalista Rafael De Marco (Editora Multiesportes, 2015, 395 páginas)

A coisa começa com os dois prefácios, um escrito pela espetacular Dorrit Harazim (creio que foi a primeira grande jornalista a fazer coberturas decentes de competições internacionais de atletismo, ainda nos anos 1970) e pelo não menos brilhante Juca Kfouri. Você já sente que a história prestes a ser contada vai sacudir as suas emoções.

O livro tem alguns problemas (nada que invalide a qualidade geral do produto). Tem um acabamento gráfico ruim (a qualidade do papel e da impressão deixam a desejar) e o autor não tem um texto brilhante (talvez por falta de experiência como escritor). Mas o conteúdo salva o livro. A qualidade da história que está sendo contada e dos detalhes que estão sendo revelados vão garantir a sua atenção. É como assistir um documentário produzido por uma emissora ruim. Vale pelo conteúdo, não pela forma.

Falta, no livro, uma boa seção de fotografias, sempre presente nas boas biografias.

Em muitos capítulos, falta uma descrição mais completa das corridas, como, por exemplo, os nomes dos demais competidores e a classificação final das provas mais importantes em que participou.

As polêmicas com os dirigentes brasileiros (prometidas na capa) não são apresentadas com nível de detalhamento maior do que a especulação que se via na imprensa, na época.

Alguns fatos importantes não são explicados adequadamente. Por exemplo, há um capítulo inteiro sobre a morte do pai de Joaquim, mas o leitor fica sem saber do que ele morreu. Estava doente? Sofreu um acidente? Foi assassinado?

E (pode dizer que é implicância minha) não gostei do título. Creio que a biografia poderia ter um título mais interessante e pertinente. O texto até que tenta amarrar o título do livro, mas, na minha opinião, sem sucesso.


Dito isto, vamos ao que interessa: a história do atleta.

Joaquim Cruz, além de corredor excepcional, ídolo de uma geração de atletas no Brasil e no mundo, é um ser humano diferenciado pela honestidade, generosidade e disposição para contribuir para melhorar o planeta.

Nascido numa família pobre, com uma perna mais curta do que a outra (isto só foi corrigido pelo fabricante de calçados, quando ele já estava treinando nos EUA), o menino foi descoberto pelo obstinado treinador Luis Alberto Oliveira, formando uma parceria digna de conto de fadas.

Nunca recebeu, das instituições brasileiras, apoio minimamente condizente com os resultados que apresentava. Joaquim sempre que dava entrevistas reclamava da falta de apoio que os atletas recebiam. Ele era a voz que representava todos os pobres brasileiros filiados às federações esportivas nacionais.

A mídia não gostava dele, porque era muito sincero e detestava ser bajulado apenas quando vencia as competições. Era frequentemente sabotado pela imprensa, que se apressava em endeusar potenciais adversários. Aliás, a conquista olímpica de Joaquim Cruz, seguido da desistência de participar da semifinal dos 1500m e as sucessivas quebras da marca nos meetings europeus serviram para demonstrar o quanto a imprensa brasileira estava despreparada para lidar com ícones do esporte fora do Futebol.

Joaquim Cruz foi morar nos EUA em 1982. Fez uma tentativa de voltar ao Brasil quando terminou a carreira, mas foi vítima da leviandade dos políticos brasileiros que o enrolaram durante dois anos importantes da sua trajetória profissional. Mais uma vez, foi no governo dos EUA que encontrou o reconhecimento pelo seu trabalho

O ponto alto da sua carreira, a prova dos 800 metros dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, é descrita com detalhes interessantes no livro. Mas eu sugiro que, quando chegar à página 222, o leitor interrompa a leitura e clique AQUI: vai ver um vídeo completo da final olímpica de 1984, narrada por Osmar Santos. Emocionante!
Quando assisti o vídeo lembrei de quando eu vi aquelas imagens pela primeira vez, ao vivo, no dia 6 de agosto de 1984. Estávamos em quase vinte atletas da equipe de Florianópolis reunidos no Calabouço, vendo a corrida na TV. A gente comemorou como se fosse uma vitória de Copa do Mundo. Muita gente chorando de emoção e alegria!

Pra finalizar, quando chegar à página 362, clique AQUI e veja o momento em que Joaquim Cruz faz a sua volta final na pista do estádio Célio de Barros, no Rio de Janeiro, em 1997, encerrando definitivamente sua carreira de atleta.


Não deixe de ler o livro só por conta das reclamações que eu fiz nos primeiros parágrafos deste artigo. Que elas sirvam apenas para que o autor melhore a segunda edição.

Acredite: a história de Joaquim Cruz vale a pena ser lida.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




REFERÊNCIAS:
1) DE MARCO, Rafael. Matador de dragões. Campinas: Multiesportes, 2015.

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21/05/2015

PIERRE BOULLE, SUAS PONTES E MACACOS.

(Publicado em 21/05/2015)



Os mais jovens talvez nunca tenham ouvido falar de Pierre Boulle. Os mais velhos dificilmente ligarão o nome à pessoa. Mas todos, provavelmente já tiveram contato com a sua obra. Ele é o autor dos livros que resultaram em dois grandes clássicos da história do cinema: "A Ponte do Rio Kwai" e "O Planeta dos Macacos".

Na semana passada estava numa livraria de aeroporto e me deparei com uma edição especial com o texto original do livro "O Planeta dos Macacos" escrito em 1963, contendo ainda uma entrevista do autor à revista Cinefantastique em 1972 e um artigo escrito por Hugh Schofield (para a BBC News Paris) sobre o grande sucesso do filme original (em 1968) e de suas sequências (nos primeiros anos da década de 1970). Comprei, evidentemente, com o entusiasmo de uma criança que encontra numa loja o boneco do seu super herói.

Para quem nunca viu os filmes originais, a coleção completa com os cinco filmes foi lançada em DVD pela Twentieth Century Fox em 1997. O sucesso dos filmes nos anos 1970 foi, talvez, equivalente ao do "Senhor dos Anéis" na década passada.

Não vou fazer uma resenha do livro pois nem tudo no filme seguiu o que estava escrito. E eu não quero dar spoilers para quem já tenha visto o filme. Alguns comportamentos dos macacos no livro foram atribuídos aos humanos do filme (e vice-versa). Além disso, pra começo de conversa, no livro, o personagem principal era francês, como o próprio Pierre (e não americano, como nos filmes). E era jornalista (e não um astronauta, como nos filmes).
O final da história também é muito diferente do filme original de 1968 (sendo mais parecido com a do final do filme de 2001).

E mais não conto... Aliás só uma coisinha: pra quem (como eu) achava que a personagem feminina humana (a namoradinha do personagem principal) era muito sonsa e sem expressão, espere até ver o livro: lá ela é muito mais sem inteligência ou qualquer traço de expressão humana. Por incrível que pareça, um personagem muito bem construído pelo autor, para dar conta da mensagem do livro.

Pierre Boule (surpresa! pelo menos para mim) era um engenheiro. E participou da segunda Guerra Mundial. Isso ajuda a explicar "A Ponte do Rio Kwai", um filme que está em todas as listas de "filmes que todo engenheiro deveria assistir".

Sobre "A Ponte", aliás, Pierre Boule afirma, na entrevista, que, quando o livro ficou pronto as editoras não o queriam porque achavam a história toda inverossímil demais. Depois do sucesso, muita gente se empenhou em tentar provar que a tal ponte existia de verdade é que a história era baseada em fatos. Não era. Era tudo ficção.

Ele escreveu mais de 20 livros. Muitos deles foram adaptados para o cinema.
Morreu em 1994. Nunca casou nem teve filhos. Deixou escrito uma continuação (inédita) do livro "O Planeta dos Macacos" que, talvez, ainda venha a ser utilizada no cinema, uma vez que essa obra só foi descoberta recentemente, por um sobrinho, que é seu herdeiro.

Aguardemos.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




---Artigo2015 ---Dica de Leitura




REFERÊNCIAS:
1) BOULLE, Pierre. O planeta dos macacos. São Paulo: Aleph, 2015.

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