Notas de "JOGOS OLÍMPICOS RIO 2016 "

20/08/2016

BERNARDINHO, O MAIOR MEDALHISTA DO BRASIL

(Publicado em 20/08/2016)



Aconteça o que acontecer na final do vôlei no domingo (21/08/2016) entre Brasil e Itália, nós já temos um grande nome para comemorar: Bernardo Rocha de Rezende, o Bernardinho já é o maior medalhista individual do Brasil, com sete medalhas.
• Prata em 1984, como Jogador de vôlei.
• Bronze em 1996, como treinador da seleção feminina
• Bronze em 2000, como treinador da seleção feminina
• Ouro em 2004, como treinador da seleção masculina
• Prata em 2008, como treinador da seleção masculina
• Prata em 2012, como treinador da seleção masculina
• Ouro ou Prata em 2016, como treinador da seleção masculina

Além de maior medalhista, ele é, ao lado de Zé Roberto, um dos maiores treinadores da história do Voleibol. E um brasileiro digno de servir de modelo para jovens e adultos (sejam esportistas ou profissionais de qualquer área). Aliás, já faz muito tempo que os dois estão nas minhas aulas de Gestão de Carreira e Marca Pessoal, como exemplos de Marcas Pessoais valiosas. Nos dois casos, a marca foi construída a partir de atributos raros como conhecimento técnico, valores morais, senso de excelência e credibilidade, produzindo resultados, confiança, aprovação social e um legado de conhecimento inestimável para o Brasil.
Salve Bernardinho. E que seja de ouro a medalha número sete.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br



PS. Veja aqui um outro artigo que eu escrevi sobre Bernardinho, em 2007: CRENÇAS, VALORES, PRINCÍPIOS, RICARDINHO, BERNARDINHO, BRASIL, (à propósito dos acontecimentos que culminaram com o corte do levantador Ricardinho da seleção brasileira de volei)



---Artigo2016 ---Jogos Olimpicos

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17/08/2016

AS VAIAS AO FRANCÊS

(Publicado em 17/08/2016)



O atletismo brasileiro quase teve uma noite memorável do dia 15, quando o atleta brasileiro Thiago Braz conquistou sua medalha de ouro, com recorde Olímpico de 6,03m no salto com vara.

Thiago Braz mandou muito bem. Fez uma prova perfeita. Mas a torcida brasileira mandou muito mal. Foi uma vergonha! O locutor pedia o tempo todo para que os torcedores respeitassem o adversário. Não foi ouvido.

Depois o francês fez declarações exageradas nas redes sociais (estava frustrado e muito magoado. É perdoável). Em seguida, percebeu que havia passado da conta. Pediu desculpas. Como sempre (por aqui) não adiantou. A torcida brasileira, como se tem visto, é rancorosa, vingativa, malvada, sem nenhuma consideração por coisa alguma. Quer a vitória, custe o que custar.

O discurso dominante é que o francês "não sabe perder". Que bobagem. Não se trata disso. Ele simplesmente não está acostumado a ser tratado com esse nível de falta de respeito e de educação.

O que a torcida fez ao vaiar o atleta no pódio é uma vergonha inadmissível para o esporte olímpico. Entendi perfeitamente o choro do francês no pódio. Foi uma cena comovente. É muito raro ver, num pódio, uma lágrima que não seja de felicidade. Na minha opinião, os torcedores mancharam a belíssima vitória do Tiago.

Infelizmente, a ignorância e a falta de educação dessa torcida não a permite dimensionar a vergonha que isso representa no mundo do esporte olímpico. Os atletas brasileiros em competições internacionais serão marcados por muitos anos por conta do comportamento inadequado da nossa torcida. Uma vergonha!



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br



---Artigo2016 ---Jogos Olímpicos

14/08/2016

A GENTE AINDA NÃO SABE BRINCAR DISSO

(Publicado em 14/08/2016)



É muito comum, em Jogos Olímpicos, que uma medalha tida como certa acabe sendo perdida na hora da competição, por fatores diversos. Acontece sempre e já aconteceu muitas vezes na Rio 2016 com atletas e equipes de diversos países

Uma das “medalhas de ouro” que todos consideravam garantidas para o Brasil nesses jogos olímpicos era justamente a da hospitalidade e a simpatia da torcida.

Ledo Engano. O que vimos na Copa do Mundo nos deixou animados demais. Achamos que a torcida brasileira seria uma das coisas mais sensacionais do Brasil nesses Jogos. Não paramos pra perceber que o comportamento aceitável na torcida em um estádio de futebol pode ser muito inadequado em outros esportes. E, cá pra nós, no quesito "boa educação" nem no futebol a gente está tão bem assim. Basta observar que a torcida brasileira raramente faz silêncio em "minuto de silêncio" e continua a bagunça que estiver fazendo, na hora do hino nacional...

Pois bem, mal começaram os jogos e as reclamações começaram a aparecer. A torcida brasileira foi considerada por atletas e jornalistas do mundo inteiro, como "agressiva, exagerada e mal educada".

Os jornalistas brazucas ficaram todos ofendidos e, como pais e mães que mimam os filhos birrentos, puseram-se a defender o comportamento dos torcedores brasileiros. Daí pra frente a coisa foi desandando, até chegar ao ponto de grandes ídolos do esporte nacional, como Gustavo Kuerten terem de entrar em ação. Guga gravou um vídeo, no sábado, dia 13/08/2016, pedindo aos brasileiros que parassem de vaiar os adversários ou fazer pressão inadequada para que eles cometessem erros nas competições.

Que coisa feia!

Vou falar de alguns casos. E vou começar por aquele mais polêmico (mais gente tende a defender a torcida brasileira, neste caso específico): Hope Solo, goleira da seleção de futebol dos EUA, antes de viajar para o Brasil, publicou uma foto usando mascara de proteção contra o mosquito da Zika. Os brasileiros se sentiram ofendidos.

Foi uma brincadeira de mau gosto? Foi. Foi ofensivo aos brasileiros? No meu entendimento, foi, sim. Ela mandou mal. Recebeu muitas críticas. Reconheceu o erro. Pediu desculpas públicas, antes mesmo de chegar ao Brasil. E repetiu o gesto quando chegou aqui.

Os brasileiros aceitaram as desculpas da moça? Não. Claro que não! No primeiro jogo dos EUA ela foi vaiada e xingada durante toda a partida.
Ok. Até aqui, embora exagerada, a reação da torcida brasileira pode ser considerada aceitável (para os padrões do Futebol, claro).

Mas não ficou nisso. Ela passou a ser literalmente, perseguida nos treinos e nos jogos. Tratada como PERSONA NON GRATA no país dos Jogos Olímpicos. Como não está acostumada com isso, ficou visivelmente abalada. Isso foi visto claramente no último jogo da fase de grupos, quando ela falhou gravemente (uma coisa rara na sua carreira de atleta) nos dois gols que seu time sofreu.

Os torcedores brasileiros estavam felizes. Depois que o time dela foi desclassificado pela Suécia nas quartas-de-final ela já estava completamente desequilibrada e perdeu a linha completamente. A torcida brasileira vibrou. Conseguiu seu objetivo. Prejudicou o desempenho de uma atleta concorrente do time brasileiro.
É bonito isso? A imprensa brasileira achou tudo normal.

Num segundo caso, na partida de tênis de mesa do brasileiro Hugo Calderano contra Peng Tang, de Hong Kong, a torcida vaiava o adversário antes de cada saque. Como no tênis de mesa esse tipo de comportamento não é normal (porque os atletas precisam do silêncio para ouvir o barulho da bolinha), Tang, evidentemente ficou muito irritado. E foi mais vaiado ainda, por ter ficado bravo.
O mesmo aconteceu com o mesatenista chinês Zhang Jike e com vários outros jogadores. Bastava a torcida brasileira adotar um dos competidores que o seu adversário seria vaiado e xingado até perder a paciência e a concentração. Uma coisa horrorosa!

Nem o atletismo, um esporte clássico, escapou. Recomenda-se que a torcida faça silêncio nos segundos anteriores a uma largada, mas isso raramente acontece por aqui. (como já foi dito, nós não ficamos em silêncio nem em "minuto de silêncio")

O silêncio da torcida nos segundos que antecedem à partida dos 100m com Usain Bolt na pista (ou quando um brasileiro está na disputa) não representa um sinal de respeito ao atleta. Representa, muito mais, atenção e interesse do público a um fato importante que ocorre na pista.

Respeito é o que se manifesta quando o estádio faz silêncio na hora da largada de uma prova onde não existe uma grande estrela na pista. Isso é respeito. O resto é interesse próprio. É o mesmo silêncio que a torcida faz quando o jogador do seu time vai cobrar um pênalti numa partida de futebol. Não é respeito. É outra coisa!

Nas partidas das eliminatórias dos 100m (sem Usain Bolt na pista) os árbitros tinham de pedir reiteradamente que a torcida fizesse silêncio. O mesmo aconteceu inúmeras vezes na Natação (inclusive no episódio envolvendo o "folclórico" Galvão Bueno e um jornalista da BBC).

E mais (ainda no atletismo) no final de cada competição a torcida simplesmente invade a pista (para tirar fotografias e sei lá mais o quê). Deve ser porque não existe, em nenhum lugar, no Estádio Olímpico, uma placa escrito "É PROIBIDO AOS TORCEDORES INVADIR A PISTA DE COMPETIÇÃO". Só pode.

A coisa é tão inusitada que a Federação Internacional de Atletismo teve de emitir uma nota no domingo pela manhã pedindo que a segurança do estádio garanta que isso não vai mais se repetir pois coloca em risco a integridade de atletas, árbitros e equipamentos. Que vergonha.

Mais uma: Durante a realização da Maratona Feminina, as atletas passando (correndo) e os "torcedores" com faixas e gritos "FORA TEMER - FORA TEMER - FORA TEMER" (em alguns casos, invadindo a pista da corrida). O que é isso? Que falta de respeito! (e seria igualmente, falta de respeito se fosse, FORA DILMA, FORA LULA, FORA CUNHA ou FORA-QUEM-QUER-QUE-FOSSE). As atletas se prepararam muito, deveriam estar recebendo gritos de incentivo, de apoio. Aí um bando de oportunistas aproveita-se da oportunidade criada (justamente pelas atletas) para promover suas vontades políticas. Que coisa!

Resumindo. A torcida brasileira perdeu uma medalha de ouro que todos julgavam garantida. Não foi desta vez. Ainda falta muito investimento em educação para que a gente tenha uma torcida com padrão internacional.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br



---Artigo2016 ---Jogos Olímpicos

11/08/2016

OURO, PRATA, BRONZE, LATÃO, PLÁSTICO, BARRO...




08/08/2016


MEDALHA DE OURO DUPLA - TIME DE RUGBY DE FIJI
O time de rugby de Fiji conquistou a medalha de ouro nos jogos Rio 2016. Foi uma surpresa. Apesar de terem um time respeitável, eles não eram considerados favoritos. No entanto, conquistaram o título e o público, porque são muito simpáticos. E educados, como se viu.
Na cerimônia de premiação as medalhas de ouro foram entregues por ninguém menos que Sua Alteza Real A Princesa Ana, da Inglaterra.
Como se sabe, Fiji foi colonizada pelos britânicos. Durante muitos anos, Fiji fez parte do Reino Unido.
E, como quem foi Rei nunca perde a Majestade, os "súditos" de Fiji, prestaram uma linda homenagem à princesa. Um a um, os atletas campeões se ajoelhavam no pódio para receber a medalha da princesa. Foi um desses momentos que só acontecem numa olimpíada.
Por essas e outras os jogadores e torcedores de rugby costumam dizer que "o futebol é um esporte de cavalheiros jogado por hooligans enquanto o Rugby é um esporte de hooligans jogado por cavalheiros"





08/08/2016


MEDALHA DE OURO - OS CANAIS DO SPORTV NA INTERNET
Imagem e som em alta definição. E, na maioria dos canais, não tem narrador nem comentarista. Apenas o adorável som do ambiente. Uma maravilha (já que a maioria dos narradores e comentaristas são um manancial interminável de bobagens).
Além disso, as transmissões são completas, sem cortes, sem interrupções. Começa bem antes do início das disputas e termina bem depois do apito final, sem aquele stress da TV que precisa fazer malabarismos para dar conta das questões comerciais.
Vale a pena experimentar





08/08/2016


MEDALHA DE LATÃO - TORCIDA BRASILEIRA NOS ESTÁDIOS
No geral, o que se vê nos estádios e arenas são "torcedores de futebol". Gritos agressivos, palavrões, xingamentos... essas coisas que a gente se acostumou a ver nas arquibancadas de futebol mas que o mundo não está acostumado a ver nos estádios e ginásios de Tênis, Natação, Rugby, Volei, Basquete... Sei não... Ou esse pessoal se acalma ou a coisa não vai acabar bem.

Veja o QUADRO COMPLETO:

10/08/2016

NÃO. ELA NÃO VENCEU O RACISMO.

(Publicado em 10/08/2016)



Assim que venceu a luta que valia a medalha ouro nos Jogos Olímpicos Rio 2016 a judoca Rafaela Silva, deu partida para uma sucessão de depoimentos sobre os deploráveis episódios ocorridos quatro anos antes. Em Londres 2012, ela foi desclassificada por conta de um golpe irregular e sofreu uma reação negativa (e desproporcional) da opinião pública brasileira. Recebeu muitas críticas e insultos racistas. Na época, um representante do Ministério do Esporte em Londres chegou a sugerir que os responsáveis fossem processados, mas nenhuma ação foi adiante.

Agora, depois das declarações emocionadas da atleta, a imprensa não demorou para dar repercussão e chegou a publicar manchetes como esta, do Estadão, que foi reproduzida à exaustão no Facebook.

Aí eu me lembrei de quando Bill Clinton perguntou a Nelson Mandela se sentia ódio por seus opressores. Ele respondeu: “Me dei conta de que eu deveria deixar lá dentro da prisão, todas as minhas mágoas, frustrações e ódios. Se eu continuasse a odiar meus opressores agora que estou aqui fora, eu continuaria prisioneiro. Assim escolhi ser livre”.

Por isso respondi, numa das discussões no Facebook. "Não. Rafaela Silva não venceu o racismo. Ela venceu os Jogos Olímpicos. Isto é uma grande conquista. E, por isto, ela merece todas as homenagens (o cabeçalho do meu site foi uma homenagem a ela, por três dias). Mas ela, infelizmente, não venceu o racismo. E enquanto ela não enfrentar o racismo com as armas de Nelson Mandela, nunca o vencerá. Não importa quantas conquistas tiver no esporte".

Quando você é campeão da Olimpíada, o mundo está olhando pra você. É uma oportunidade única, grandiosa. Rafaela Silva poderia ter feito uma coisa importante. Poderia ter ajudado pessoas, instituições, uma causa ou um projeto.
Mas ela optou por "dar um troco", exercer o seu direito de "se vingar" de idiotas que (não importa o que ela diga ou faça) continuarão sendo idiotas pro resto da vida.

Ela aproveitou o melhor momento da sua carreira de atleta para mandar um "dedico esta vitória para todos aqueles que não acreditaram que eu conseguiria".

Desculpem. Não acho que ela venceu coisa alguma com isso aí. Exceto, claro, os Jogos Olímpicos.



ÊNIO PADILHA
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---Artigo2016 ---Administração ---Financeira

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09/08/2016

JEITINHO BRASILEIRO?

(Publicado em 07/08/2016)



No dia da abertura dos Jogos Olímpicos muitos brasileiros foram surpreendidos pela magnifica apresentação realizada no Maracanã. A imprensa internacional foi unânime em elogiar o resultado, especialmente ao saber que o orçamento para o espetáculo era bem menor do que o disponível para a abertura dos jogos de Londres em 2012.

Nas redes sociais houve muitos comentários positivos. Muitos elogios. E não faltou quem atribuísse o sucesso ao “jeitinho brasileiro”.

Aí eu discordo! Não. Não foi o jeitinho brasileiro que produziu o resultado sensacional que todos nós vimos. Foram, na verdade, coisas que (ao contrário do famigerado jeitinho brasileiro) todos nós deveríamos adotar para todas as outras atividades: (1) a escolha das pessoas certas para a tarefa, (2) o planejamento bem feito, (3) ensaios exaustivos e (4) o domínio da tecnologia, para tirar o máximo do mínimo.

Abel Gomes (diretor geral artístico), Deborah Colker (coreógrafa, diretora de movimento), Fernando Meirelles e Daniela Thomas (diretores criativos), Andrucha Waddington (diretor de cerimônia) e Fábio Soares (diretor de projeções) são os melhores profissionais que poderiam ser escolhidos para esta tarefa, pelos resultados que já produziram anteriormente em suas atividades. Não foram escolhidos por preferências políticas ou qualquer outro arranjo subterrâneo.

A escolha desses profissionais foi feita com uma boa antecedência e os caras planejaram muito bem o espetáculo. Adaptaram a tarefa ao orçamento disponível e tiraram (como sempre fazem, o máximo do mínimo). Depois treinaram muito, ensaiaram exaustivamente. Não deixaram nada pra ser resolvido "na sorte" ou "em cima da hora"

Deu certo. Porque sempre dá certo quando a coisa é feita com esses ingredientes: criatividade, planejamento, competência e trabalho duro.

O "jeitinho brasileiro" é outra coisa. Seria "jeitinho brasileiro" se eles tivessem deixado o sucesso do evento depender do carisma da Regina Casé ou do Zeca Pagodinho, da energia contagiante do Jorge Benjor ou da beleza esfuziante da Gisele Bündchen.

Não. A noite não contava com nenhum "salvador da pátria". O que produziu resultado foi o planejamento e o trabalho exaustivo das pessoas certas para a tarefa. Esse deveria ser eleito “o novo jeitinho brasileiro”. Foi isso o que faltou na organização de muitas coisas na Copa do Mundo e mesmo agora, nos Jogos Olímpicos.



ÊNIO PADILHA
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---Artigo2016 ---Jogos Olímpicos


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05/08/2016

REMINISCÊNCIAS OLÍMPICAS



MUNIQUE - 1972


"E agora, as notícias dos Jogos Olímpicos, diretamente da capital mundial da notícia esportiva - Munich, urgente!"
Era assim que Cid Moreira iniciava, no Jornal Nacional, naqueles dias de setembro de 1972, os cinco ou seis minutos de cobertura da TV brasileira para os jogos da primeira olimpíada que eu tive conhecimento.

Em 1968 nós ainda não tínhamos televisão em casa. Eu já tinha 10 anos de idade, mas não lembro de absolutamente nenhuma movimentação na escola ou na vizinhança sobre a realização dos jogos. Mas, em 1972 os jogos de Munique eram um acontecimento de destaque. Além dos cinco ou seis minutos do Jornal Nacional a Globo exibia, por volta de 23h um "Boletim Olímpicos" com duração de uma hora, mostrando os resultados do dia.

Eu trabalhava na Fundição Estrela, num horário bem puxado (das 6h30 da manhã até 18h30). O trabalho era muito pesado eu geralmente dormia cedo (lá pelas 21h30). Então, nem sempre conseguia ficar acordado até meia noite para ver as competições, mas eu me esforçava. Com 14 anos de idade eu já era um apaixonado por esportes.

Somente depois do décimo dia de competição, por conta do sequestro dos atletas de Israel e toda a confusão que se seguiu, os jogos ganharam mais destaque e muito mais tempo na TV. Assim, durante muito tempo as minhas memórias sobre aqueles Jogos Olímpicos ficaram muito mais marcadas pela tragédia daquele ato terrorista do que pelos resultados esportivos.

Mas isso não me impediu de acompanhar muito de perto os Jogos de 1976. Falarei disso mais tarde.





MONTREAL - 1976


Nos Jogos de 1976 eu já era um espectador (telespectador) quase especializado. Já fazia parte da equipe de atletismo de Rio do Sul e o esporte já dominava completamente a minha atenção.
Os jogos de Montreal foram os jogos de Nadia Comaneci, de Neli Kim, de Alberto Juantorena, Lasse Viren e muitos outros. Foram muitas e muitas madrugadas a dentro para ver os boletins da TV com as imagens das competições numa TV Philco de 12 polegadas que a gente tinha em casa.







MOSCOU - 1980


Em 1980 a transmissão pela TV já era muito maior. E a minha TV também já era maior: tinha 16 polegadas. Mas ainda era em preto e branco. Muitas competições ao vivo, muitos boletins, uma festa.
Uma festa sem os EUA, mas com o encantamento de Misha, o mascote. A festa de Wladimir Salnikov, do cubano Teófilo Stevenson e de dois Britânicos que competiram sob a bandeira olímpica: Sebastian Coe e Steve Owett.
Eu estava no meu primeiro ano de faculdade e assisti o que pude numa TV preto e branco de 12 polegadas, no meu quarto, na Pensão da Albinha, em Florianópolis. Mas foi muito bom. Eu já era o que se poderia chamar de "louco por Olimpíadas".





LOS ANGELES - 1984


Em 1984 eu tive, talvez, a maior alegria como torcedor em Jogos Olímpicos: a vitória de Joaquim Cruz nos 1500 em Los Angeles. Interrompa a leitura e clique AQUI para ver uma matéria da BBC sobre aquela corrida.

Em retaliação ao boicote americano de 1980, a União Sovietica boicotou Los Angeles em 1984 (felizmente, para os 800 m isso não fazia nenhuma diferença. Todos os grande corredores do mundo estavam na pista. E Joaquim Cruz venceu todos.)
1984 foi também a primeira vez que uma maratona foi transmitida na integra, ao vivo, pela TV (Bandeirantes). E foi o ano de consagração para uma geração de atletas que fazia história no Volei brasileiro. A Geração de Prata.
E muita coisa transmitida ao vivo pela TV. Em cores. Uma beleza!





SEOUL - 1988


Dos Jogos de 1988 em Seoul eu lembro muito daquela abertura sensacional em que a tocha veio pelo rio. Seria, finalmente o tira-teima entre EUA e URSS, pois nenhum dos dois países boicotou os jogos. Venceu a URSS (132 medalhas no total).
Foram os jogos de Kristin Otto (nadadora alemã) e do Greg Louganis (que venceu a prova de saltos ornamentais, mesmo depois de ter batido a cabeça no trampolim na primeira eliminatória). E foi também o ano em que Serguei Bubka, da URSS ganhou sua única medalha olímpica no salto com vara.

De Seou eu tenho ainda a lembrança do velejador canadense Lawrence Lemieux, que estava próximo da medalha de prata quando abandonou a prova para ajudar outros competidores que estava se afogando depois de um acidente com o barco deles. Lemieux voltou para a prova mas terminou em 22º lugar. O COI então deu a ele a Medalha Pierre de Coubertin, honraria máxima do espírito esportivo em Jogos Olímpicos. Essa medalha só foi concedida duas vezes na história dos Jogos Olímpicos. Na segunda vez foi um brasileiro (aguarde. Falaremos dela quando chegarmos aos jogos de 2004)

Muitos jogos da Olimpíada de 1988 foram transmitidos ao vivo pela TV

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05/08/2016

DNA DO TIME BRASIL (by GloboEsporte.com)

02/08/2016

ALGUNS NÚMEROS DOS JOGOS OLÍMPICOS

(Publicado em 02/08/2016)



Segundo a Jornalista Ana Estela de Souza Pinto, da Folha de São Paulo, a realização dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro custa algo em torno de 40 bilhões de reais (11,6 bilhões de dólares). Quase 40% a mais do que a projeção em 2009, que era de 28,8 bilhões de reais.

No fim das contas, os Jogos do Rio ficaram bem abaixo do custo dos Jogos mais recentes.
• 2004 - Atenas: 15 bilhões
• 2008 - Pequim: 43 bilhões
• 2012 - Londres: 14,6 bilhões
• 2016 - Rio: 11,6 bilhões

COMO OS VALORES FORAM DISTRIBUÍDOS?
Os valores foram distribuídos assim:
Comitê organizador: 7 bilhões (100% do setor privado - patrocinadores, venda de ingressos, licenciamento de marcas, etc)

Arenas e ginásios: 7 bilhões (público 4,2 bi e privado 2,3 bi)

Legado: infra estrutura: VLT, BRT, metrô, revitalização da área portuária do Rio, Parques como Madureira e Parque dos Atletas, reflorestamento de encostas, descontaminação da Baia da Guanabara e da Lagoa Rodrigo de Freitas -- 25 bilhões - 60% desse dinheiro veio do setor público

Foram 27 projetos. Nem todos foram concluídos à tempo

E a pergunta de 12 bilhões de dólares: VALE A PENA?
Os países que sediaram os Jogos nos últimos anos têm balanços diferentes: EUA e China dizem ter lucrado com os jogos. A Austrália diz que teve prejuízo. Grécia e Reino Unido dizem que houve um empate.
Stefan Szymanski, especialista em economia do esporte, afirma que existe um impacto positivo no PIB do país no ano em que realiza a Olimpíada e que, no ano seguinte há um impacto negativo.

Na minha avaliação, essa análise é muito pobre. O impacto de um evento dessa natureza não pode ser medido apenas em dois anos. Tem de avaliar os impactos de longo prazo.

Mas eu ainda acho que a pergunta certa não é “o que o Brasil ganhou com a realização dos Jogos?” e sim “o que o Brasil — e o Rio de Janeiro em particular — poderia ter ganho com a realização dos Jogos?”

Essa é, na minha opinião, a pergunta cuja resposta nos leva à pergunta mais importante: “por que não conseguimos tirar dos Jogos Olímpicos tudo o que ele poderia nos dar?”

A resposta talvez nos devesse refletir sobre as crenças, valores e princípios do povo brasileiro. Como lidamos com o senso de planejamento? Que valor damos ao projeto das obras? Em que medida valorizamos a pontualidade? Que mecanismos temos para o combate à corrupção em obras públicas? Valorizamos o preparo ou aplaudimos o jeitinho?

Mega eventos como este são grandes oportunidades. Porém, se não tratarmos dessas questões, nem dez Copas do Mundo e outros dez Jogos Olímpicos vão dar jeito neste país.



ÊNIO PADILHA
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---Artigo2016 ---Jogos Rio 2016

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24/07/2016

VEM AÍ A “COPA DAS COPAS” PARTE 2

(Publicado em 24/07/2016)



Escrevam aí. E podem me cobrar isso, mais tarde.

Nesses dias que antecedem a abertura dos Jogos a imprensa (por falta de assunto melhor) dará amplo destaque aos problemas encontrados na Vila Olímpica, nos sistemas de organização, nas dificuldades de transportes e em outros problemas que forem encontrados.

Mas, assim que os Jogos Olímpicos começarem, no dia 5 de agosto, grande parte da imprensa irá focar sua cobertura (matérias e reportagens) nos personagens brilhantes, nos atletas simpáticos, nos torcedores estrangeiros deslumbrados e, principalmente, no desempenho da torcida brasileira e na fascinação que a hospitalidade e a alegria dos brasileiros exercem sobre os estrangeiros em eventos desse tipo. Será uma reedição da COPA DAS COPAS. Tá lembrado?

Aí, muita gente (do PSOL ao DEM, passando pelo PT e PSDB) querendo faturar politicamente, assumirá o “fato” de que os Jogos foram um sucesso, que tudo saiu melhor até do que a expectativa e que os pessimistas devem recolher seus maus prognósticos e aceitar o fato inexorável: as preocupações eram exageradas e sem sentido.

Eu não duvido que os jogos sejam sensacionais (tanto que até comprei ingresso e vou ao Rio, para ver um dia do Atletismo (dia 15. Dia da final dos 800 metros masculino). Não duvido que a torcida brasileira fará um belíssimo papel. Não duvido que a hospitalidade brasileira marcará os pontos positivos que sempre marca em eventos dessa natureza. O que eu digo é que NÃO É ESSE O PONTO.

Digo que o Brasil, infelizmente, perdeu esses Jogos Olímpicos. O Rio de Janeiro perdeu uma grande oportunidade de se reinventar. Perdeu a grande chance de voltar a ser uma cidade com status de capital nacional.

Não conseguiu nenhum progresso na questão da Segurança Pública. Não avançou um milímetro na questão da Saúde. Não fez absolutamente nada de relevante na questão do Saneamento Básico. Fez muito pouco na área de Mobilidade Urbana… isso sem falar no desenvolvimento da Educação e dos Esportes em Geral (e dos esportes olímpicos em particular). Depois de queimar os sete anos que tivemos para nos preparar para esses jogos, o saldo é, infelizmente, muito negativo.

Tudo o que se verá na cidade durante os Jogos Olímpicos é teatro. Será resultado de um esforço excepcional para garantir um padrão mínimo de segurança e conforto “para inglês ver”. Desde a Conferência Rio 1992 o Brasil se tornou especialista em fazer isso. Não importa o que seja dito na imprensa e nas redes sociais.

É uma pena! (E quem me conhece bem sabe que eu não fico nada feliz em dizer isso)



ÊNIO PADILHA
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---Artigo2016 ---Jogos Olímpicos ---Rio2016


Comentário do Ênio Padilha

ALGUMAS COISAS QUE A GENTE ESTÁ LENDO NOS PORTAIS DE NOTÍCIAS

SEGURANÇA PÚBLICA
• Milícia veta internet para soldados da Força Nacional
Agentes que vão realizar a segurança nos Jogos Olímpicos foram impedidos de instalar equipamentos para ter acesso à rede.
• 28/07/2016 - Um jornalista japonês foi furtado, na tarde da última terça-feira (26), no setor de desembarque do terminal 1 do Aeroporto Internacional Tom Jobim, o RIOgaleão. De acordo com as informações da Delegacia do Aeroporto Internacional (DAIRJ), a vítima foi abordada por dois homens que trocaram a sua mochila por outra vazia.

CULTURA
• A cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro terá presenças de altíssimo nível na parte musical: Anitta, Wesley Safadão, Ludmilla.

ORGANIZAÇÃO E INFRA-ESTRUTURA
• Comitê olímpico australiano encontra péssimas condições nos apartamentos e diz que Vila dos Atletas está inabitável. Eles se recusaram a entrar nos apartamentos da Vila Olímpica e dizem que atletas de outros países estão enfrentando os mesmos problemas.
• As delegações dos EUA, da Itália e da Holanda pagaram funcionários por obras de acabamento em apartamentos da Vila Olímpica. Descontentes com o que viram, os países arcaram com serviços como ajuste de encanamento, colocação de lâmpadas e até limpeza.

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