Notas de "BLOG DA MARIA HELENA"

26/10/2016

PAU PRA TODA OBRA

(Publicado em 26/10/2016)




MARIA HELENA
www.farolarq.com.br





Recém-formado é a criatura mais inteligente do mundo. É sério, pode perguntar por aí: não há NADA que um arquiteto que abriu escritório recentemente não saiba fazer. Eu mesmo, é uma loucura.

Perguntam: “Maria, você faz projeto de casa?”, “Faço!”. “Maria, mobiliário pra minha sala, você faz?”, “Faço!”. “Queria reformar meu banheiro”, “Deixa comigo”. “E mudar a fachada?”, “Faço e ainda parcelo o pagamento!”. “Tenho um terreno e precis...”, “Faço também”. Faço tudo. Projeto de casinha de João de Barro, se me pedirem, eu faço!

Aí você trabalha na sua melhor cara de “sei exatamente o que estou fazendo” e espera que o cliente acredite que você, de fato, tem uma vasta experiência no ramo da reforma de ambientes redondos. E as vezes, funciona. E é aí que o bicho pega.

Porque você disse que sabia fazer, então... Tem que fazer. E tem que ficar bom. E mais importante que ficar bom: tem que ficar correto.

Ainda bem que existe o Google, e os livros, e os amigos, e os professores, e os arquitetos que já se formaram a mais tempo, e os anjos da guarda e sempre tem alguém pra ajudar a tirar as dúvidas!

Porque não existe ninguém mais inteligente que um recém-formado, mas ao mesmo tempo, recém-formado não sabe muita coisa e todo mundo sabe disso. E tudo bem. Faz parte. To aprendendo.





MARIA HELENA é arquiteta e urbanista formada pela UDESC, em 2015. Comanda o escritório Farol Arquitetura em Laguna-SC, que atua na área de projetos e obras de arquitetura, além de reformas comerciais.
(aos 9 anos, em 2002, foi premiada no concurso "Jornalista por um dia" do Jornal de Santa Catarina)



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O MEU BAR FAVORITO DA CIDADE (12/10/2016)

Comentário do Ênio Padilha

O que salva os recém-formados é O DIREITO À IGNORÂNCIA. Clique no link e saiba mais.

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12/10/2016

O MEU BAR FAVORITO DA CIDADE

(Publicado em 12/10/2016)




MARIA HELENA
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O escritório ainda estava em obras quando me perguntaram “Maria, quer fazer um projeto de um bar?”, e eu respondi na hora: “Quero!”.

Já fiz algum projeto de bar na minha vida? Não. Já tinha feito algo remotamente parecido durante a faculdade? Não. Já tinha, pelo menos, visitado algum bar em construção? Nops. Mas sabe o que eu tinha feito? Cinco anos de estudos de caso.

Digo “cinco anos” porque meu conhecimento em bares pré-faculdade resumia-se as saídas esporádicas em Balneário Camboriú enquanto ainda era menor de idade. Em 2011 foi quando comecei a frequentar bares.

Uma vez me falaram que toda faculdade tem um bar na frente. A UDESC tinha o Ferrugem, e o dono do bar se chamava Ferrugem. Ferrugem (o bar) tinha um deck com mesinhas na calçada onde as pessoas sentavam, e dependendo da situação, nós nem entravamos no bar propriamente dito, só ficávamos ali no deck até a hora de ir embora. O banheiro do Ferrugem tinha um espelho que esteve quebrado durante todo o tempo que eu me lembro de o Ferrugem existir. Ferrugem fechou em 2013 (talvez 14, não lembro bem), e os Happy Hour de recepção dos calouros deixam saudades até hoje.

Quando cheguei em Laguna também tinha o Mix. Mix tinha a versão Mix da Avenida e Mix da Praia. Toda vez que pai e mãe iam visitar Laguna, eu levava eles pra comer no Mix. Sempre que estávamos em casa de bobeira de noite no fim de semana, nós íamos comer no Mix. Quando tinha alguém de aniversário, nós comemorávamos no Mix. Quando a gente voltava de ônibus da academia, parava direto no ponto do Mix. Quando estávamos fazendo trabalho na casa de alguém e não tinha comida, a gente corria pro Mix. Um dia, nos contaram que o Mix ia fechar. Foi triste, este dia. Fizemos várias despedidas do Mix (é sério, pelo menos três) e o Mix fechou.

Mix reabriu alguns meses depois, em outro local. Muito mais bonito. Pé-direito duplo, mezanino, papel de parede estampado, outra coisa. Mas a gente não ia mais no Mix. “Agora tem que se arrumar pra ir no Mix”, não pode mais voltar da academia direto pra comer. Não é mais a mesma coisa, agora é um lugar bonito.

Tem também o Destak. O único dos nossos bares favoritos que ainda está ali, firme, forte e operante! É aquele bar que todo mundo ama odiar. Faz cara feia quando fala, mas ta sempre cheio. E tem altas batatas fritas.

Toda viagem que fizemos com a faculdade, em algum momento, acabava em um bar. E de todo bar, voltávamos com alguma história pra contar.

Quando fiz o projeto para o bar, pensei neles todos. Tudo o que já achei legal em algum bar que visitei, tudo o que não funcionava ou o que funcionava bem, o que era legal de registrar, o que a gente lembrava no dia seguinte e o que a gente continua comentando até hoje. “Lembra aquele bar la em Minas que tinha aquela coisa?”, “lembra aquele banheiro daquele lugar que a gente foi em São Paulo?”.

Espero que, no futuro, alguém fale do “meu” bar do mesmo jeito que eu falo do Mix, ou do Ferrugem.





MARIA HELENA é arquiteta e urbanista formada pela UDESC, em 2015. Comanda o escritório Farol Arquitetura em Laguna-SC, que atua na área de projetos e obras de arquitetura, além de reformas comerciais.
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PROCURA-SE O PROTÉTICO (05/10/2016)

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05/10/2016

PROCURA-SE O PROTÉTICO

(Publicado em 05/10/2016)




MARIA HELENA
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A sala em que montamos o escritório fica no centro histórico de Laguna, dentro da poligonal de tombamento, num prédio construído há algumas décadas. No térreo tem uma loja de doces e artigos para festas, no primeiro andar salas comerciais e em cima alguns apartamentos. Quando alugamos a sala, havia apenas uma sala no nosso andar que já estava ocupada. Um escritório de contabilidade, daqueles com cara de quem já está ali há bastante tempo. Na nossa sala, nada além de paredes brancas e nenhuma indicação do que acontecia ali.

Mas começou no primeiro dia da reforma. Estava eu acompanhando o trabalho enquanto pintavam a nossa parede amarela quando alguém deu uma batidinha na porta. O olhar confuso do senhor deixava bem claro que aquela bagunça que estava a sala não era o que ele esperava.

“Ué, aqui não é o protético?”

Não, não era. Expliquei que era um escritório de arquitetura. Ou melhor, seria, em alguns dias. Ok, vida que segue.

Nos dias seguintes esta cena se repetia pelo menos uma vez por dia. Não, não é o protético. Não, não sei onde o protético está. Não, não conheço ninguém que sabe dizer onde ele está. Mas se ta pensando em construir ou reformar, pega aqui meu cartão.

Essa semana, pouquinho depois do meio dia, a moça chegou, entrou no escritório e olhou confusa pra mim. Eu olhei confusa pra ela, e falei “Boa tarde”.

“Ué, aqui não é o protético?”

Segurei a risadinha.

“Não senhora, ele não trabalha mais aqui.”

“E onde trabalha agora?”

“Não sei dizer.”

“Não sabe? E quem sabe?”

“Não sei também. Não conheci ele, aluguei a sala depois que ele saiu.”

“E como que eu vou achar ele então?”

“Ah... Não sei... Eu não sei quem ele é.”

“Mas ele trabalhava aqui.”

E seguiu-se uns bons 5 minutos desta conversa. Eu dizendo que não sabia, e ela querendo ajuda para encontrá-lo. Até que se convenceu que eu estava, de fato, falando a verdade e não sabia do paradeiro do tal moço.

Voltei ao trabalho. Nem bem três minutos depois, surge a moça novamente.

“Perguntei aqui embaixo e me falaram que alguém aqui em cima ia saber me dizer.”

Respirei fundo. Protético é o cara que faz próteses dentárias, né não? Minha irmã é dentista. Será que serve?
Qualquer coisa pra essa moça me deixar trabalhar.

“Pergunta ali no escritório de contabilidade, acho que eles sabem.”

Pronto.





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O VALOR DE QUEM SABE O QUE ESTÁ FAZENDO (21/09/2016)

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21/09/2016

O VALOR DE QUEM SABE O QUE ESTÁ FAZENDO

(Publicado em 21/09/2016)




MARIA HELENA
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Levou uma semana do dia em que começamos a reforma no escritório até o dia em que estávamos trabalhando. No primeiro dia oficial do escritório aberto com estagiária e cafezinho, nós tínhamos cafeteira mas não tínhamos cadeiras. Por quase 15 dias, o painel da TV ainda não estava pronto e só uns 15 dias depois dele pronto é que colamos o letreiro.

Pedi ajuda para um amigo para instalar uma prateleira, mãe me deu vasinhos de plantas e aos pouquinhos as coisas estão se ajeitando. Essa semana ficou pronta a placa!

Eu e Bia (Bia é a estagiária, beijo Bia), numa onda de autossuficiência, resolvemos que instalaríamos a placa sozinhas. Qual a dificuldade de mexer com uma furadeira? Não precisamos de ninguém pra nada! A Bia é quem conseguiu a furadeira e estávamos lá, nós duas, prontas pro combate.

Já que a furadeira estava aqui, aproveitamos pra furar tudo o que precisava. Dois quadros que estavam esperando desde sempre, um quadro-verde que não aguentou a fita dupla-face e acabou caindo, parafusamos tudo. Com a broca certa para o tamanho do parafuso. A primeira etapa do trabalho foi um sucesso.

Ai chegou a hora da placa.
Na teoria, tava tudo certo. Marcamos o lugar, separamos o material, tudo nos conformes. Vendo duas meninas com uma furadeira na mão, as pessoas começaram a 1) parar pra assistir e/ou 2) oferecer ajuda. Nah, não precisávamos de ajuda, obrigada. Eram quatro furos, quatro parafusos, quatro prendedores, não tinha dúvida. Mas ai algo deu errado em algum dos furos e o role inteiro complicou.

Eu e Bia, então, aceitamos que era a hora de pedir ajuda. Tínhamos ido bem até ali, afinal. Já dava pra considerar uma vitória. Resumidamente, em alguns minutos, tinham umas quatro pessoas nos ajudando. “Solta o parafuso”, “prende de novo”, “fura no outro lado”, “solta o parafuso”, “coloca mais pra direita”, “mas ta torto”, enfim... Todo mundo tinha uma opinião ou ideia de como resolver o problema. No fim, depois de algum sofrimento e umas três tentativas, conseguimos.

Enquanto eu agradecia, um dos enviados divinos que nos ajudou disse: “Fulano faria isso em 15 minutinhos”, e o amigo concordou veementemente: “Tem coisa que vale a pena pagar um pouquinho pra um profissional resolver”.

Fui obrigada a concordar. E a questão ali não era nem a de “pagar um pouquinho”, mas sim a de conseguir fazer sozinha. Não consegui fazer sozinha, logicamente, porque não aprendi nem tenho a pratica de como se faz. Um profissional teria resolvido em 15 minutinhos sem grandes transtornos.

Eu aprendi a lição! E vou contar essa história pra todo mundo que me falar que vai fazer a reforma sozinho, que viu na revista e sabe como quer, que não precisa de arquiteto porque é pequenininho. Vou contar pra todo mundo que eu também vi como faz pra prender uma placa, e nem parecia ser difícil, mas, no fim, teria valido mais a pena contratar o Seu Fulano que ele resolveria rapidinho.





MARIA HELENA é arquiteta e urbanista formada pela UDESC, em 2015. Comanda o escritório Farol Arquitetura em Laguna-SC, que atua na área de projetos e obras de arquitetura, além de reformas comerciais.
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A POLÊMICA DO METRO QUADRADO (14/09/2016)

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14/09/2016

A POLÊMICA DO METRO QUADRADO

(Publicado em 14/09/2016)




MARIA HELENA
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Assim que entrei na faculdade, em 2011, minha turma criou um grupo no MSN (saudades MSN). Todos calouros, tendo que comprar material escolar, com dúvidas de que canetinha Magic Color comprar, fundamos nosso próprio grupo de apoio ali, antes mesmo da primeira aula, onde sempre tentávamos nos ajudar e amenizar as dúvidas dos coleguinhas.

Evoluímos para uma comunidade do Orkut (saudades Orkut), onde combinávamos as festinhas de quinta feira e compartilhávamos resumos dos fichamentos que tínhamos que entregar na sexta. Não demorou muito para que o Orkut fosse esquecido e nos entregássemos aos Grupos do Facebook. Este ainda deve existir, mas há tempos que ninguém publica nada.

Temos um grupo do WhatsApp. Melhor que qualquer grupo de família que você pode ter por ai. Tem gente dando bom dia, mandando piada, dizendo “lembrei de vocês”, “vamo marcar um churrasco”, tudo como em qualquer grupo de família. E como em qualquer grupo da 2011/1, tem gente pedindo ajuda e gente ajudando a tirar dúvida.

No começo eram coisas sobre trabalhos da faculdade, dúvidas sobre TCC, qual o comando do Revit que faz isso, quem tem bloco daquilo, essas coisas. Mas, agora que somos todos arquitetinhos adultos, a dúvida mais frequente que está rolando por lá agora é: “quanto que cobra o m² de projeto arquitetônico /interiores /paisagismo /detalhamento de maçaneta?”.

Toda vez que alguém pergunta, chove um monte de resposta de “aqui na minha cidade cobra R$60”, “minha chefe fazia por R$45”, “a tia da prima da moça que limpava o escritório nem cobra, faz porque é querida mesmo”. E euzinha aqui, que tenho que dar preço pros meus serviços com frequência, penso: Gente, metro quadrado? Serião?

Já expliquei pra eles, no grupo, uma vez, hoje vou explicar pra vocês o porquê de eu não cobrar projeto por m²:

Comecei a trabalhar fazendo Stands para feiras e eventos, numa parceria com a minha ex-chefe queridíssima Luiza Schenk do LS Arquitetura em Florianópolis. No nosso acordo, eu receberia por m² do stand. Um stand desses, normalmente, tem 3m x 4m, ou as vezes até um 6m x 5m. A maioria tem 3m x 3m mesmo. 9m². Eu levava, normalmente, uns 4 ou 5 dias para entregar uma apresentação com 4 imagens e uma planta esquemática do stand.

Um dia eu ganhei na mega sena e recebi um briefing de um stand 10m x 11m. 110m². Uma loucura. Mal sabia o que fazer com tanto espaço. Pensei que ia me dar uma trabalheira descomunal lidar com um stand tão maior do que os que eu estava acostumada. Surpreendentemente, nos mesmos 5 dias, entreguei a apresentação. Sem sofrimento adicional nenhum que justificasse o fato de receber quase o triplo por este stand do que receberia por um de 18m². Deu o mesmo trabalho, levou o mesmo tempo, utilizei os mesmos recursos.

Mas ai ta bom, to falando de arquitetura efêmera, é outros quinhentos. Vamos falar de reforma de banheiro, então.

Cliente tem dois banheiros em casa: um deles ta lá, bonitão, espaço pra uma pia show de bola, um box delicioso que da pra tomar banho de braço aberto, a porta abre e fecha e a janela ta na melhor posição. Da até vontade de projetar, dá não? Já to até pensando nas ideias que eu vi no pinterest que to louca pra usar em algum projeto. Ai o outro banheiro, coitado, ta ocupando um cantinho que sobrou do corredor. Preciso nem falar que a porta não abre se tiver armário na pia, o box é tão estreito que tem que tomar banho de lado, a janela... ah, é, esqueci de falar, não tem nem janela. Imaginou a situação? Já passou por isso? Ta com raiva só de lembrar agora? Calma, respira.

Agora imagina que o banheiro "A" tem o dobro do tamanho do banheiro "B". O banheiro "A", o gostosão, o que você consegue projetar quase de olhos fechados, tem o dobro da área do banheiro "B", o sofrido, o que você tem que passar horas brincando de quebra cabeça pra conseguir encaixar tudo e ainda deixar bonito. Não faria mais sentido receber mais pelo banheiro B? Ele não deu muito mais trabalho? Não exigiu muito mais do profissional? Não merece ser muito mais valorizado?

E agora, faz sentido cobrar por metro quadrado?

(Querida 2011/1: To com saudades de vocês, vamos marcar um churrasco. Beijão.)





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EMPOLGAÇÃO (07/09/2016)

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07/09/2016

EMPOLGAÇÃO

(Publicado em 07/09/2016)




MARIA HELENA
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Cês já viram o site do escritório? Se ainda não viu, entra lá pra ver: www.farolarq.com.br.

E a página no facebook, já viu? www.facebook.com/farol.arq. Ontem eu atualizei a foto de capa. Tá bonita, tá não?

E o Instagram? Entra lá pra ver o vídeo de quando eu e a estagiária colamos o letreiro no painel da mesa de reunião de escritório. É bem massa, o vídeo, o letreiro, a mesa...

Daí que fica a minha pergunta: Meu escritório acabou de começar, tem só seus 3 mesesinhos e tudo é novidade e tudo mais... Mas vai ser assim pra sempre ou isso para em algum momento? Vai ter uma hora em que eu não vou mais achar tudo a coisa mais legal do mundo?

Porque eu ando meio mãe de recém nascido (só que não conto a passagem do tempo por semanas). QUALQUER coisinha eu acho o máximo, bato foto, mando pro grupo da família, conto pra todo mundo cheia de orgulho.

Quando eu encontrei a sala em que trabalhamos hoje, a primeira coisa que eu fiz foi bater uma foto da vista. Gente, essa vista. Tão linda que é essa vista, da até um calorzinho no coração quando olho. Mostrei pra todo mundo que eu podia, até pra quem não tava interessado.

Um dia eu sai com a minha mãe com a missão de comprar xícaras, copos, toalhas e apetrechos para receber clientes. Foi a alegria da semana. Na semana seguinte, sai com o pai com uma lista quase tão grande quanto a que os calouros recebem no primeiro semestre da faculdade de material para o escritório. Compramos até porta canetas!!!!!

Começou a reforma na sala, acabou a reforma na sala, começou a procurar estagiária, contratou uma estagiária, estagiária começou a trabalhar, mas ainda não tem cadeira, cadeiras chegaram, primeiro cafezinho feito na primeira cafeteira no escritório, a primeira vez que o telefone fixo tocou e atendeu falando “Farol Arquitetura, boa tarde”, tudo é tããão legal.

Mas legal mesmo foi o primeiro cliente. E a primeira vez que o cliente disse que gostou do projeto. E a primeira vez que imprimiu projeto pra entregar pro cliente. Da vontade de imprimir uma cópia pra colocar na geladeira, de tanto orgulho.

Da bastante trabalho, e tem muita coisa pra correr atrás e resolver. Coisas que eu nunca tinha pensado durante a faculdade inteira. Eu comprei um extintor de incêndio antes de comprar uma impressora para o escritório. E é lógico que tem coisas que não são tão divertidas. Tem dias que tem que pagar contas, e tem cliente que não volta, e tem projeto que é difícil a beça pra resolver.

Mas ah... Eu já mostrei a vista do escritório pra vocês? E o site, vocês já viram que bonitinho que ta? Isso não passa não, né?





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31/08/2016

EU E O REVIT (2)
Mozão!

(Publicado em 31/08/2016)




MARIA HELENA
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Nos meus primeiros dois anos de faculdade, entreguei todos os trabalhos desenhados a mão. Na quinta fase, quando fui apresentada oficialmente ao combo AutoCad e SketchUp, foi outra vida. Não precisava mais refazer o desenho todo quando errava uma medida, era só dar um offset; não precisava pintar o desenho todo pra ver qual cor ficaria melhor, era só apertar na latinha de tinta; e GLÓRIA IRMÃOS, não tinha mais o risco de amassar a folha inteira quando ia apagar um pedacinho do desenho.

Ai um dia apareceu o Revit.
Ah, o Revit...

O maravilhoso Revit, que permite fazer todos os desenhos ao mesmo tempo, calcula todas as áreas automaticamente, gera tabelas de esquadrias, cota paredes inteiras com um clique só... Minha vida mudaria completamente se eu aprendesse a usar o Revit.

E ai sabe o que eu fiz?

Nada. Afinal de contas, o AutoCad e SketchUp dão conta, né mesmo? Assisti todas as aulas e aprendi os comandos suficientes pra passar nas provas. Só fui aprender de verdade quase um ano depois, quando comecei meu estágio (já contei isso aqui, no artigo da semana passada)

Quando me perguntam se o Revit é bom, eu digo: "Revit só falta servir café e fazer massagem. De resto, ele faz".

Você cria uma parede, decide se essa parede vai ser de 15cm ou de 20cm ou de 18cm ou de 126cm, tanto faz. Ai decide se essa parede vai ser de tijolo, ou de madeira, ou de vidro, ou de pó de pirilipimpim, tanto faz. Ai decide se essa parede vai ter 2,50m de altura, ou 1,80m, ou 5m, ou... Já deu pra entender, né? Ai você tem ali sua parede em planta baixa. Clicou no lado e OPA, ta ai sua parede em vista. Clicou umas duas coisinhas e TCHARÃÃÃN, tem corte também. Quer ver ela 3D? Revit tem 3D. Mas e o render? Faz render também. E agora quero pintar: tudo bem, Revit diz: ta vendo essa parede ali? Tem tantos m² de superfície.

Ai você, no meio do projeto, decidiu que essa parede tem que ficar 15cm mais pro lado. Já doeu o coração de pensar que tem que mudar isso em todos os desenhos, né? Relaxa, migo. Revit já fez.

Mozão ainda faz toda aquela parte burocrática do projeto: coloca nome nas portas e janelas, nome e área de ambiente, cota o nível, cota tudo. E depois gera tabelas: do que você quiser. Só porta? Só janela? Só portas que abram para a direita? Sem crise, rapidinho ta pronto.

E o Revit é tão legal que ainda avisa, de tempos em tempos, que está na hora de salvar o arquivo. Só falta mesmo a massagem, porque o cafezinho deve ter algum comando que ele faz também, eu é que ainda não aprendi!

(Em tempo: Revit é um software de tecnologia BIM assim como ArchCad e outros no mercado. Ele não é especialzão e único a fazer tudo isso não, só é o mais conhecido no momento.)





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22/08/2016

EU E O REVIT (1)

(Publicado em 22/08/2016)




MARIA HELENA
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Tudo começou quando eu estava procurando estágio.

O primeiro e-mail que me responderam (depois dos 20 que foram ignorados), me trazia a seguinte pergunta: “como você avalia seu desempenho no Revit?”. Olha, veja bem, se é pra ser bem honesta, eu tive aulas na faculdade que me ensinaram a abrir o programa e um ou outro comando básico. Respondi “sei os comandos básicos”, na humildade, torcendo pra que fosse suficiente. Não era.

Na segunda entrevista, novamente tocaram no assunto Revit e eu, ainda acanhada, expliquei que conhecia o programa, mas não sabia mexer muito bem não. “Mas eu aprendo”, garanti. Não acreditaram.

Na terceira vez, até a chefe estava pouco esperançosa quando falou em Revit. “E Revit, você já ouviu falar?”. “Tive aulas na faculdade”, eu falei. “Ah, então você trabalha com Revit?”.

Juro que pensei em mentir. Falar que sabia, mexia em tudo, rainha do Revit, modelava até casa de João de Barro. Mas e vai que ela me pede pra modelar uma casa de João de Barro?

“Olha... Não que eu seja booooooa, mas conheço”. Não era mentira, eu sabia abrir o programa e um ou dois comandos básicos. Já me preparei para ela falar que “obrigada, vou avaliar e te dou uma resposta” e no fim contratar alguém que já soubesse mexer no Revit quando ela disse: “Ah, mas é tão fácil, acho que você aprende! Tem vários tutoriais na internet.”

Resultado: consegui a vaga e passei o semestre trabalhando com Revit. A chefe tinha muita paciência pra me ensinar o que eu não sabia (que era um bocado de coisa).

Mas agora, quando me perguntam sobre, eu já posso falar que mexo sim, rainha do Revit, modelo até casa de João de Barro.





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