Notas de "ALIRUBIT"

24/04/2017

ANIBAL DE BARBA

(Publicado em 24/04/2002)





A Aníbal de Barba era linda!

Escolas Reunidas Aníbal de Barba, no bairro Canta-Galo em Rio do Sul, Santa Catarina, idos de 1966. Uma construção de madeira, enorme, pintada em um laranja escuro, janelas grandes, portas imensas...(É claro que os superlativos são por conta do que eu achava naquela época. Já adulto, em 1991, fui um dia rever a escola, à época já um prédio abandonado. Nossa, que pequenininha! Parecia tão grande!)

Eram duas salas e, no meio delas, quase um apêndice, “o gabinete”: um escritório “grande” onde ficava a diretora.

A diretora, em 1966, ano em que eu entrei na escola era, se eu não me engano, a dona Irene. A minha professora, essa eu não esqueço, é claro: a dona Alda (no segundo ano foi a dona Rose, no terceiro ano a inesquecível dona Méri e no quarto ano a dona Irene, ainda diretora da escola. A todas eu devo muito e não tenho a menor idéia de como saldar a dívida).

Um ano antes meu irmão mais velho, o Carlos, e todo um grupo de meninos mais ou menos na minha idade haviam entrado na escola. Naquela época e naquelas circunstâncias (bairro pobre, afastado do centro) não havia jardim de infância nem pré-escola. Então entrava-se na escola já com sete ou oito anos. Na primeira série.

Eu passei um ano inteiro (1965) escutando as histórias do Calinho, do Dico (Valdir Mendes) e do Fuminho (Reinaldo Simão) sobre a escola, sobre a professora deles (dona Isaltina, uma espécie de Deusa que eles adoravam mais do que às próprias mães) e sobre as novas brincadeiras que haviam aprendido. Sem contar que eles todos aprenderam a ler.

Meu Deus! Aquilo era o máximo! Eu precisava crescer logo para ir para a Aníbal de Barba também.
Dezembro de 65 e janeiro e fevereiro de 66 foram meses que duraram quase um ano, de tanto que não passavam nunca.

Finalmente o grande e inesquecível dia chegou. O ano de 1966 finalmente começava.
(Escrevi, ano passado, uma historinha sobre esse primeiro dia e de como eu descobri que o meu nome era Ênio e não Didi, que era meu apelido em casa – veja AQUI).

Na Aníbal de Barba eu me sentia em casa. Eu adorava a escola. Tirava notas boas, era paparicado pelas professoras, recitava versos nas homenagens à bandeira, todos os sábados, cantava, contava histórias, carregava bandeira no desfile de sete de setembro, brincava de pegar, de polícia e ladrão, de pular corda, de amarelinha e de quilica (eu adorava jogar quilica)

O pátio da escola era “imenso” a gente corria em volta da escola feito diabinhos, até esgotar as energias. Quando a aula começava (ou recomeçava, depois do recreio) estávamos encharcados de suor e, não raro, com algumas escoriações leves, sempre tratadas pela dona Alda, com mercúrio e merthiolate.

No recreio comíamos a sopa e o pão da dona Lola, zeladora da escola, cozinheira, mãe de todos (esposa do Aníbal de Barba, o patrono da escola) mas, principalmente, mãe do Aníbal de Barba Filho, meu colega de aula. Gordinho, divertido e muito, muito inteligente. Por conta da presença dele, nossa turma tinha um tratamento especial (coisas de mãe, sabe como é).

Tinha também o Gilson (Gilson Schlichting) o meu melhor amigo. Um intelectual, de óculos e tudo. Tirava ótimas notas e tinha respostas para tudo.

Aprendi a ler rapidinho (antes das férias de julho) e a fazer contas também. Mas o grande momento do ano foi a semana da criança, em outubro. A professora levou um toca-discos portátil (daqueles da Sonatta, lembra), à pilha, pois a Aníbal de Barba não tinha luz elétrica. E botou para tocar uma historinha maravilhosa.
E ainda teve “farta” distribuição de pipocas balas e pirulitos, que foram obtidos por doação nas vendas do seu Arnildo e do seu Hermínio.

Ah, que saudade!
Por onde andará essa gente toda?



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




Ilustração: Imagem atual (2017) tirada do Google Maps. A porta grandona era da minha sala de aula, no primeiro ano, em 1966.



---Artigo2002

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16/02/2017

TIROU AS PALAVRAS DA MINHA BOCA

(Publicado em 16/02/2017)





Sabe quando você lê um artigo e tem aquela sensação de "era exatamente isso o que eu queria ter dito!"? Pois foi isso o que eu senti quando li o artigo FÓRMULAS, TRUQUES, GURUS E GAVIÕES escrito de forma brilhante por Cristiano Chaussard um jovem autor catarinense o qual eu ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente.

Eu mesmo já havia abordado este tema algumas vezes, como no artigo POR QUE NÃO INCLUO GATILHOS MENTAIS NO CONTEÚDO DOS MEUS CURSOS E PALESTRAS? mas estava faltando uma análise mais precisa, mais didática e mais completa.

Tá aí. Leia! É só clicar sobre a imagem que ilustra este post.




ÊNIO PADILHA
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---Artigo2017

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04/02/2017

400 VEZES!

(Publicado em 04/02/2017)





Mais de 8 mil colegas arquitetos, engenheiros, administradores e estudantes que se inscreveram no nosso site nos últimos 18 anos estão recebendo hoje (e ao longo deste final de semana) o nosso boletim semanal TRÊS MINUTOS de número 400.

Isso mesmo. Desde o primeiro envio, em janeiro de 2000 até hoje já foram 400 edições. As primeiras (acredite) foram por fax.

A ideia é sempre a mesma. Um email com o texto integral de um artigo inédito, sobre administração de escritórios, gestão de carreira, marketing de serviços ou marca pessoal (eventualmente, algum artigo sobre valorização profissional).

Além disso, o Três minutos serve também para informar os leitores sobre a nossa agenda de palestras e cursos.

Se você ainda não recebe o nosso TRÊS MINUTOS toda semana, inscreva-se ali na coluna da direita. É rapidinho. Você só precisa informar o nome, profissão, cidade, estado e o email. Pronto. Na semana que vem você já vai ser o primeiro a saber das coisas.



ÊNIO PADILHA
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---Artigo2017

26/01/2017

DESCULPA AÍ, MAS VOU FALAR
É sobre os rapazes e moças do CreaJr

(Publicado em 26/01/2017)



Todo mundo sabe o empenho que eu tenho em ajudar os movimentos de estudantes e jovens profissionais. Há mais de seis anos criamos aqui o PROJETO UNIVERSIDADES que cria imensas facilidades para que palestras minhas sejam realizadas em Semanas de Engenharia ou em eventos destinados para estudantes ou profissionais recém-formados.

Mas algumas vezes eu tenho visto coisas que me dão nos nervos. Nesta semana aconteceu de novo (e já aconteceu umas oito vezes!): o líder do CreaJr de um estado pediu uma palestra minha num evento da organização local. Por coincidência havia um curso meu programado para a cidade e isto permitiria fazer um aproveitamento de agenda.

O meu cliente do tal evento, que também apoia os movimentos jovens, além de estar bancando as passagens aéreas, resolveu também ceder o espaço físico para a realização do evento dos moços.

Para facilitar ainda mais, resolvi passar para o tal CreaJr apenas um custo simbólico (pra não dizer que a palestra seria totalmente de graça).

Funcionaria assim: eles (o CreaJr) comprariam da minha editora (com 11% de desconto) uma caixa com 30 exemplares do livro MANUAL DO ENGENHEIRO RECÉM-FORMADO. Só isso! E eu apresentaria a palestra, com o maior prazer.

Observem que, para recuperar o dinheiro de volta (com lucro) bastaria vender os 30 exemplares. Pronto. Tava resolvido. Com o lucro eles pagariam uma diária de hotel (que era o único custo extra que eles teriam).

((lembrando que, mesmo pelo PROJETO UNIVERSIDADES, o normal seria eles adquirirem 100 exemplares))

Pois bem. Ontem recebi a resposta: "infelizmente os nossos recursos para essa atividade não esta atendendo a suas solicitações, pois o creajr xx está começando suas atividades com uma nova coordenação, pois gostaríamos muito da sua presença em nossos eventos, peço desculpa pela demora, pois estávamos a procura de patrocinadores para esse workshop."

O que??? Não têm recursos? Como assim? Eu dei a vocês os recursos! Vocês só tinham que tirar a bunda da cadeira e vender 30 livros. Qual é a dificuldade? Os alunos não compram livros? Os amigos não compram livros? Os professores de vocês não compram livros? Vocês não têm amigos engenheiros? 30 livros! (ou vocês entenderam errado, e estavam pensando que eu falei 300 livros?)

Gente, liderança estudantil tem de ter um mínimo de espírito empreendedor. Espírito realizador. Tem de ser ágil, inteligente, articulado. Não é só ficar postando coisas bonitinhas no Facebook não. Tem de se levantar e fazer o trabalho.

Se é verdade que vocês "queriam muito" a minha presença no evento, desculpa aí, mas vocês não fizeram a lição de casa. E, se vocês não conseguem realizar um evento como este, "mamão com açúcar" vocês vão criar uma organização tutelada por provedores de recursos. E vocês sabem muito bem do que eu estou falando

#ProntoFalei!



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br



---Artigo2017 ---CreaJr

Comentário do Ênio PadilhaTEM GENTE QUE SÓ APRENDE O QUE JÁ SABE
Mais cedo, pela manhã, publiquei aqui um texto sobre a falta de senso empreendedor do CreaJr de um certo estado.

Teve muitos comentários. Muitos à favor e muitos contra. Dos comentários contrários, muitos reclamavam do fato de eu ter generalizado o comportamento para todo o CreaJr.

É verdade. Cometi este erro. Peço desculpas.

Escrevi, depois, em dois comentários, uma correção, que faço questão de repetir aqui: "FELIZMENTE, não é um problema generalizado. Mas ocorre em 30 ou 40% dos casos, o que eu já considero alarmante."

Portanto, no CreaJr da maioria dos estados a coisa vai bem. Existem, sim, lideranças de qualidade e que são, de verdade, empreendedores, líderes, inovadores e operativos.

Mas a maioria desses bons líderes (com ou sem mandato atual) nem se manifestou. Leu, curtiu, entendeu a mensagem e seguiu na vida.

Dentre os que comentário, infelizmente, a maioria passou direto pelo que realmente importava e ocupou-se apenas em atacar o autor, como se isso resolvesse o problema (pior, como se o autor fosse inimigo do CreaJr). Essas pessoas, infelizmente, estão perdendo uma oportunidade de crescer como liderança empreendedora, inovadora e proativa.

Aí lembrei de um artigo que eu publiquei há 10 anos, sobre o mesmo tema, só que tratando das entidades de classe. (preste atenção moçada: os dois textos tratam do mesmo tema)

Naquela época houve o mesmo tipo de reação. Muitos presidentes de entidades ficaram de mal comigo.

O tempo passou. Hoje, dez anos depois, quase todas as entidades de classe, no Brasil inteiro, estão quebradas. Sabe por que? Porque ninguém levou à sério o que eu escrevi. Porque eu escrevi uma coisa que eles não queriam aprender. Porque tem gente que só aprende o que já sabe.

Leia AQUI o texto de 2007

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01/09/2016

LEGADO DE JOBS
(Criação do VIVER DE BLOG)

Comentários?

18/07/2016

COMO SE RELACIONAR COM O SEU PRINCIPAL CONCORRENTE

Airbus e Boing competem acirradamente, todos os dias, no mundo inteiro, pela produção e comercialização de grandes aeronaves.
Agora a Boing completa 100 anos de existência.

Empregados da Airbus (incluindo membros da alta gerência) gravaram um vídeo com uma mensagem para a concorrente.
Dá uma olhada!





Uma tradução livre seria mais ou menos a seguinte:

"ultimamente temos ouvido falar muito sobre a Boing. Sobre o seu 100º aniversário neste ano.
100 anos é muito tempo. Muitos produtos foram feitos nesses anos. Muitos aviões, muita competição dura no mercado de aeronaves. Muita história.

Isso nos deixou (aqui na Airbus) pensando: Nos da Airbus competimos duro com a Boing, dia sim e dia não, brigando por cada pedido. Trabalhando incansavelmente para conectar e proteger pessoas ao redor do mundo, inovando todos os dias, e fazemos tudo isso na competição com a Boing.

O que teríamos a dizer a Boing? O que poderíamos dizer aos nossos concorrentes no momento em que eles completam 100 anos de bons negócios?

Nós, da Airbus achamos que a resposta é óbvia: todas as 150 mil pessoas no grupo Airbus temos apenas uma coisa para dizer a Boing.

UMA COISA:

Parabéns...
Parabéns...
Parabéns...
Feliz aniversário de 100 anos

Parabéns, Boing. Um brinde pelo que vem pela frente. Um brinde por uma concorrência saudável nos próximos 100 anos. Um brinde ao futuro.

De todos nós da Airbus para todos vocês da Boing

Feliz aniversário Boing. E obrigado pela competição que nos torna melhores.

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13/07/2016

ESTUDANTE DE ENGENHARIA PREPARA LIVRO

(Publicado em 13/07/2016)



Ana Luisa Almeida, estudante de Engenharia Química da UFBA está produzindo o livro "O QUE APRENDI NA ENGENHARIA: muito mais do que limites e derivadas, lições de vida" no qual pretende compartilhar os aprendizados de coaching, programação neurolinguistica, empreendedorismo e produtividade que fazem sentido "na sua jornada como ser humano, universitária, futura engenheira (loading...) e por ai vai".

Para isso, lançou-se na empreitada de um crowdfunding para arrecadar R$10.000,00 e imprimir 500 exemplares do livro, de forma independente.

Clique AQUI, conheça o projeto e faça a sua contribuição.

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08/07/2016

CRISE: NÃO É A PRIMEIRA E NÃO SERÁ A ÚLTIMA

(Publicado em 08/07/2016)



Eu queria dizer uma coisa para os jovens (entre 25 a 35 anos) que estão enfrentando sua primeira grande crise econômica no país: não desesperem nem desanimem. O Brasil, acreditem, já enfrentou coisa pior. E nem faz muito tempo.

Eu vou contar aqui como foi (não se impressione com o tamanho do texto) e depois vou dar algumas sugestões de como lidar com as crises econômicas. Não apenas com esta crise. Mas com todas as que ainda estão por vir.




Este artigo foi publicado no TRÊS MINUTOS - Ano 17 - Número 19 de 07/07/2016



Pois bem: no dia 28 de fevereiro de 1986 (uma sexta-feira, há 30 anos) o Brasil acordou em polvorosa. Os bancos não abriram. O presidente José Sarney anunciou um Plano audacioso de Estabilização Econômica, que logo recebeu o nome de "Plano Cruzado" (porque a moeda mudou de nome -- de Cruzeiro para Cruzado -- e perdeu três zeros).

A economia não vinha bem. Havia uma certa instabilidade política. O país recém saíra de um regime militar que durara 20 anos. Eram novos tempos.

Com o plano econômico daquele 28 de fevereiro, os preços, o câmbio e os salários foram congelados, foi instituído o gatilho salarial e a população foi chamada para defender os novos paradigmas econômicos. Surgiram os "Fiscais do Sarney" (pergunte para o seu pai ou sua mãe. Eles vão lembrar dos Fiscais do Sarney).

O plano foi um sucesso! A inflação (que no ano anterior foi de 235%) recuou e os salários ganharam fôlego... parecia que os problemas do Brasil, finalmente, haviam sido resolvidos. Mas a calmaria durou pouco. Depois de alguns meses os produtos desapareceram do mercado. O país passou a enfrentar o desabastecimento e o Plano Cruzado começou a fazer água.

Eu me formei engenheiro (na UFSC) em julho de 1986. Bem no meio disso tudo. Abri meu escritório de Engenharia, em Rio do Sul, exatamente quando o Plano Cruzado estava afundando e o governo Sarney anunciava o Plano Cruzado 2, em novembro (alguns dias depois das eleições, claro). O novo Plano trazia o fim do congelamento e a elevação dos preços das tarifas públicas.

Não deu certo. O Plano Cruzado 2 também foi um fiasco e consolidou fracasso do já combalido Plano Cruzado. Foi então que, no início de 1987, o então ministro da Fazenda, Dilson Funaro (o pai do Plano Cruzado) deixou o governo. Em seu lugar assumiu Luiz Carlos Bresser-Pereira, que lançaria outro plano, que levava seu nome (o Plano Bresser). Mais uma vez tivemos o congelamento de preços e salários (por 90 dias). Mais uma vez não deu certo. Era um plano muito ruim. Muito burro. E que insistia em fundamentos do já fracassado Plano Cruzado.

E assim, naquele ano de 1987, a inflação atingiu 415,87%.

No Brasil daquela época já estava instituída a cultura dos pacotes econômicos. A sociedade (a população, a imprensa e, principalmente, os empresários) ficavam especulando sobre o próximo plano econômico, enquanto isso a economia estagnava. Ninguém investia, ninguém fazia projetos. Os escritórios de Arquitetura e de Engenharia quebravam um atrás do outro. A década perdida estava fechando com chave de ouro.

A inflação de 1988 ultrapassou a barreira dos quatro dígitos: bateu em 1.037,53%. Por isso, em janeiro de 1989 houve uma nova tentativa: foi lançado o "Plano Verão", capitaneado pelo então ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega. Preços foram congelados, o cruzado perdeu três zeros e passou a se chamar Cruzado Novo.

Novamente, deu tudo errado. E a inflação de 1989 chegou a 1.782.85%. Você leu certo! é isso mesmo: 1.782.85% de inflação num único ano!


UMA ESPERANÇA NO HORIZONTE
Mas em 1989 o Brasil estava cheio de esperanças. Haveria uma eleição para presidente da república. Da disputa entre vários candidatos resultou um segundo turno entre Lula e Fernando Collor. Collor levou a melhor e foi eleito. Tomou posse no dia 15 de março de 1990.

Um dia depois da sua posse Fernando Collor de Mello declarou feriado bancário de dois dias e anunciou seu Plano de Estabilização Econômica. Foi um choque! Estabeleceu-se um pânico na sociedade (especialmente aquela parte da sociedade que produzia riquezas para o país).

O Plano Collor foi, sem dúvida, o mais traumático de todos os planos econômicos, pois promoveu o confisco das poupanças e das contas correntes, além do tabelamento dos preços e da extinção de 24 órgãos do governo. A moeda voltou a se chamar Cruzeiro.

A economia doméstica foi dizimada. Da noite para o dia simplesmente não havia mais dinheiro em circulação pois quem tinha dinheiro em banco (conta corrente ou poupança) simplesmente não poderia utilizá-lo. Foi uma coisa triste demais. Gente que tinha, por exemplo, vendido uma casa para comprar um apartamento, ficou, da noite pro dia, sem a casa e sem o apartamento. Simples assim.

Muita gente sofreu. Casamentos se desfizeram, Pessoas ficaram doentes. Outros, no limite, cometeram suicídio. Era uma coisa terrível!

O Plano Collor, não deu certo. Não venceu a inflação, que, em 1990, chegou a 1.476,71%.

Em janeiro de 1991, a ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Mello, anunciava na TV novas medidas econômicas que congelaram preços, salários e serviços. Era o novo plano econômico do governo Collor. O Plano Collor 2.

O fracasso desse novo plano custou o cargo da ministra que deu lugar a Marcílio Marques Moreira (em maio de 1991). O Brasil inteiro entrou em novo compasso de espera. E vieram novos ajustes na economia. A sucessão de medidas de impacto na economia não foram suficientes: a inflação em 1991 baixou, mas ainda estava em absurdos 480,17%.

O governo Collor começou a afundar com denúncias de corrupção e uma oposição ferrenha exercida principalmente pelo PT, que resultou no pedido de impeachment do presidente. Assim, o programa econômico de Marcílio Marques Moreira, que previa a redução drástica da hiperinflação, foi prejudicado e por fim, suspenso.

Collor acabou caindo, no segundo semestre de 1992. Itamar Franco assumiu o governo e nomeou Gustavo Krause Gonçalves Sobrinho para o Ministério da Fazenda. Krause foi substituído depois por Paulo Roberto Haddad, que logo depois foi substituído por Eliseu Resende. O Brasil trocava mais de Ministro da Fazenda do que os brasileiros trocavam de roupa. E cada ministro novo significava um novo pacote de medidas para a economia. Nada funcionava. Era uma coisa horrorosa ser empresário no Brasil daquela época.

A inflação acumulada de 1992 foi de 1158,0%. Não havia esperanças. Só os loucos empreendiam. Só ganhava dinheiro quem conseguia especular no mercado financeiro, ou seja: quem já tinha dinheiro. Os pobres e os pequenos empresários eram os que mais sofriam.

ITAMAR FRANCO E SEU PLANO FHC
Em maio de 1993 Fernando Henrique Cardoso assumiu o ministério da Fazenda. Logo em seguida, novo pacote de medidas em que o Cruzeiro Real (CR$) substitui o Cruzeiro, que perdeu três zeros (isso era muito comum em tempos de inflação exorbitante).

As primeiras medidas contra a inflação do novo ministro não surtiram grandes resultados. A inflação acumulada do ano de 1993 foi de 2.780,6%. O Brasil bateu no fundo do poço!

A virada começou quando, em fevereiro de 1994 foi lançado um novo programa de estabilização econômica, chamado Plano FHC. O plano criava a URV (Unidade Real de Valor), indexador que seria base para uma nova moeda que seria lançada mais tarde.

Ninguém mais tinha esperança. Por isso ninguém deu muita importância para um plano econômico que não foi apresentado de forma espetacular. Não houve choque econômico, nem congelamento de preços, nem feriado bancário nem surpresas de nenhuma natureza. Haveria apenas uma transição na qual a sociedade haveria de se reacostumar com preços ancorados e redescobrir o real valor das coisas, até estar pronta para a entrada em cena da tal nova moeda (cuja transição seria, também, sem sobressaltos).

O universo inflacionário no qual o Brasil vivia era insano. Havíamos perdido a noção do valor dos produtos. Com a entrada em cena da URV conseguimos perceber que alguns produtos tinham preços que eram simplesmente absurdos. Uma calça jeans, por exemplo, poderia ter o preço de uma TV das grandes. Um cafezinho poderia custar o preço de um corte de cabelo. Um jantar poderia custar o preço de um equipamento de som. Vivíamos em um mundo sem referências.

A nova moeda, o Real, entrou em circulação em julho de 1994, mantendo a paridade de 1 pra 1 com a URV, o que tornou o processo muito transparente e tranquilo. Com o Real, o país finalmente passou a ter crescimento sem inflação.

ENFIM, NOVOS TEMPOS
Com uma moeda forte e com a inflação finalmente sob controle, o Brasil passou a viver um tempo de estabilidade econômica e de prosperidade. A segunda metade da década de 1990 foi marcada pelo desenvolvimento das empresas e pela introdução de novas tecnologias de produção, que levou alguns escritórios de Arquitetura e de Engenharia a experimentar algumas turbulência (leia mais a respeito disso no artigo A DÉCADA EM QUE ESTÁVAMOS PERDIDOS que eu escrevi em 2013). Essas turbulências levaram muita gente a achar (equivocadamente) que a tal crise da década de 1980 ainda não havia acabado.


Mas o Brasil havia vencido a crise, definitivamente. E, no início dos anos 2000 todos os índices econômicos navegavam em mar de almirante. Essa estabilidade só foi quebrada em 2002 com a crescente possibilidade de o PT vencer as eleições. Os mercados, ficaram apreensivos e houve uma forte valorização do dólar e até mesmo algum avanço da inflação. Tudo voltou ao normal logo depois da eleição, quando se viu que Lula manteria os principais pilares da economia estabelecidos no governo anterior. No primeiro governo do presidente Lula a economia do Brasil continuou sua viagem em mar de almirante e céu de brigadeiro.

TEMPESTADE NO HORIZONTE
Se Lula teve um governo repleto de crises políticas (especialmente por conta do processo do chamado Mensalão), pelo menos restava-lhe o desempenho da economia. A política ia mal, mas a economia ia bem. No fim o resultado foi bom e Lula conseguiu eleger seu sucessor: Dilma Roussef

No início dos anos 2000, enquanto usufruia de uma economia em ordem e de uma moeda forte, o presidente Lula e seus aliados não cansavam de reclamar da "herança maldita" deixada pelo governo anterior. Dilma Roussef não teve a mesma sorte. Infelizmente (para ela) o seu antecessor não foi Fernando Henrique Cardoso. Ela teria de lidar com a herança deixada por Lula. A herança econômica era ruim, mas a herança política era ainda pior: uma bomba relógio. Uma bomba atômica!

Enfim... deu no que deu. Os números falam por si: (a) o Brasil está mergulhado numa recessão profunda; (b) o rombo nas contas públicas passa dos 70 bilhões (isto é quase dez vezes o que o governo brasileiro gastou com a Copa do mundo); (c) A taxa de juros está acima de 14%; (d) o Brasil teve sua avaliação rebaixada sistematicamente por diversas agências de risco internacionais (está com o nome no Serasa internacional) e (e) o número mais cruel de todos: 11 milhões de desempregados no país!

RESUMINDO: o Brasil enfrenta hoje uma crise quase do tamanho da que enfrentamos na década de 1980.

Muitos jovens não sabem como lidar com isso. Muitos dos veteranos já esqueceram como foi lidar com aquilo (alguns, inclusive, tentaram, durante muitos anos, apagar da memória aqueles anos horrorosos!).

Mas é importante tentar lembrar o que aprendemos naquela crise e que podemos utilizar na travessia da atual?


A melhor coisa a se fazer, em relação a uma crise econômica, é não ser atingido por ela. O problema é que isso não pode ser feito se a crise já está esmurrando a sua porta. Aí já é tarde demais. É importante não deixar a crise chegar nem perto da sua porta. Isso é uma coisa que se faz, principalmente, em tempos de vacas gordas, através da adoção de estratégias de crescimento, estabilidade e segurança (formação profissional, aperfeiçoamento técnico, domínio de técnicas de administração, crescimento profissional, etc, etc, etc).

Observe que em todas as crises econômicas, e em todos os segmentos, existem aquelas empresas que ou não são atingidas pela crise, que sofrem menos o impacto de sua onda de maldades ou ainda que demoram muito mais do que outras até sofrer alguma consequência da crise. Essas empresas são justamente aquelas que estão melhor posicionadas. As que possuem diferenciais competitivos. São aquelas que estão disputando o campeonato da primeira divisão, como eu falei neste artigo AQUI (vale a pena ler). São as empresas mais criativas e com mais recursos (desenvolvidos ou cultivados durante os tempos bons) e que conseguem encontrar oportunidades na crise (e algumas vezes até se beneficiam dela)

Mas, e se a crise já entrou e já abraçou todo mundo? E se a crise já está na sala e você já está sentindo os seus efeitos? o que fazer?

Duas coisas: primeiro, NÃO SUBESTIME A CRISE. A gente tem, muitas vezes, a esperança de que a coisa vai passar. Que é só uma marolinha. Que não vai fazer estrago considerável. E, no fim, transformamos essa esperança em crença. E acreditamos que está tudo bem.

Não faça isso! Acredite na crise. Se ela já chegou ou se ela já está rondando a casa, fique atento. Comece a fazer ajustes, cortes, adaptações. E comece a tomar cuidados. Coloque em ação o seu plano de contingência (O que? você não tem um plano de contingência? Não tem um "Plano B"? Hmmmm.... Bom, já vamos falar nisso, daqui a pouco).

Segundo, durante a crise, além de sobreviver, você precisa se preparar para emergir. Fique certo de que, durante a crise muitos dos seus concorrentes desaparecerão. Quando a crise passar (crises sempre passam) o mercado estará à disposição dos sobreviventes que estiverem melhor preparados. Portanto, estude, leia os livros que estavam atrasados, faça cursos, leia aqueles artigos nas revistas técnicas que você assina e que estão empilhadas na estande... não desperdice o período da crise apenas com lamentações e queixas. Plante. Cultive seus recursos valiosos. Prepare-se para o que vier depois da crise.

Aproveite o tempo para organizar os processos produtivos, para reescrever os modelos de propostas comerciais, os modelos de contratos. Aproveite para atualizar o cadastro de clientes, fornecedores e parceiros. Reorganize e coloque em dia os controles financeiros, Organize treinamentos para a sua equipe, faça uma lista de tarefas atrasadas, reforme ou reorganize os depósitos, coloque a biblioteca em ordem, enfim... prepare-se para quando chegar o tempo das vacas gordas.

Quando as coisas melhorarem, inclua um objetivo nos seu planejamento estratégico: distanciar-se o máximo possível da zona de risco da próxima crise econômica (a próxima crise econômica é uma certeza. Não é uma questão de "se" e sim uma questão de "quando").

Faça reservas de contingência. E tente desenvolver diferenciais competitivos. São eles que levam seu escritório para longe da zona do epicentro da próxima crise econômica. Se a crise não for muito forte, é provável que o seu escritório nem chegue a ser atingido. Se for muito violenta, pelo menos vai demorar mais tempo até que a tempestade o alcance. E, mesmo que ela seja devastadora... com um bom plano de contingência, o seu escritório será, ainda assim, um dos sobreviventes.

E, no fim das contas, o mundo é dos sobreviventes.

Boa sorte.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




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---Artigo2016 ---Administração ---Crise

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06/07/2016

A HISTÓRIA DE UM VENCEDOR NO ESPORTE E NA VIDA

JOSÉ MARIA NUNES



Se hoje, perto de completar 70 anos, José Maria Nunes ainda fosse o Zeca, morasse num barraco simples, numa fazenda qualquer no interior de Santa Catarina e vivesse com os parcos recursos de uma aposentadoria minguada, enfrentando as dificuldades do analfabetismo e da pobreza absoluta... ele estaria apenas cumprindo o seu destino natural.

Mas ele mudou seu destino aos 18 anos, quando descobriu e foi descoberto pelo atletismo, em pleno Exército Brasileiro. Era então analfabeto e miserável.

As transformações na sua vida foram muitas e importantes. Mas elas não caíram do céu, não foram fáceis nem rápidas e nem foram apenas para ele. As vitórias pessoais de José Maria Nunes foram combustível para transformações na vida de muita gente.

O atleta campeão, o professor renomado e o profissional reverenciado que ele é hoje foi forjado em centenas de batalhas com todos os ingredientes de uma história brasileira, que combina sorte, azar, fama, brigas, política, dinheiro, família, mudanças de cidades e de trabalhos, adversários fortes, amigos importantes, fãs apaixonados, muito talento, muita disciplina… e muita luta.

Mas o que essa história tem de mais extraordinária, além do imenso talento de atleta campeão é a espetacular capacidade de se adaptar, de enfrentar e vencer desafios pessoais, conquistando centenas de medalhas e troféus, uma legião de fãs e seguidores, obtendo conhecimentos e diplomas universitários, conquistando posições de comando e liderança e, finalmente, o respeito de todos os que o conhecem e com ele convivem.

Tudo isso é a receita perfeita para um livro que certamente despertará o interesse de muitos leitores de Santa Catarina e do Brasil. Leitores que, nos anos 1970, não sabiam de onde tinha surgido aquele fenômeno que assombrou as pistas de atletismo. Leitores que hoje se perguntam: o que foi feito dele? O que ele fez, depois que parou de correr? E de muitos outros leitores que conhecerem o Professor Nunes depois de 1990 e que, talvez nem saibam que ele foi um grande campeão no atletismo.

Uma busca feita na internet em outubro de 2015 com o nome “José Maria Nunes” resultava (acredite!) nenhuma página com referências a este que ainda é o atleta vencedor do maior número de medalhas de ouro (atletismo masculino) dos Jogos Abertos de Santa Catarina, a competição mais importante do estado. Durante mais de uma década (de 1968 até 1982) José Maria Nunes imperou absoluto nas pistas e nas corridas de rua. Depois de encerrar a sua carreira de atleta e treinador de atletismo, seguiu sua trajetória de professor, tendo importante participação na implantação do IFTSC, unidade de Jaraguá do Sul. Mais tarde, já aposentado, continuou trabalhando na sua formação em Quiropraxia, com milhares de clientes na sua cidade (Jaraguá do Sul) e no estado de Santa Catarina.

Existe, portanto, uma legião de ex-alunos das escolas técnicas nas quais ele atuou, como professor e diretor, de pacientes da sua clínica de Quiropraxia e de pessoas que o conhecem de outros trabalhos sociais, e que não fazem ideia de que estão tratando de um campeão brasileiro e multi campeão de Santa Catarina. Além disso, não fazem ideia de que ele, aos 19 anos era analfabeto e aos 29 anos estava formado em um curso superior -- Educação Física (e que, depois disso, concluiu outros dois cursos superiores: Pedagogia e Administração Escolar e uma pós graduação em Educação Física).

Por essas razões entendemos que a história de José Maria Nunes, um vencedor, no esporte e na vida, merece ser contada. Merece ser conhecida de todos os catarinenses e brasileiros.

No que depender de mim, essa história será bem contada!

ÊNIO PADILHA
Engenheiro, professor, autor e ex-atleta (atletismo - 1975 a 1984)

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05/07/2016

JOSÉ MARIA NUNES - LANÇAMENTO EM FLORIANÓPOLIS

A música Victory, do grupo Two Steps From Hell parece ser a trilha perfeita para este breve vídeo de divulgação para o livro "JOSÉ MARIA NUNES - a história de um vencedor no esporte e na vida" cujo lançamento em Florianópolis acontecerá nesta quinta-feira, 7 de julho de 2016, no auditório do IEE - Instituto Estadual de Educação.
Atletas, ex-atletas, jornalistas, professores e fãs de atletismo estão convidados.





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