Notas de "TGA - TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO"

17/06/2019

CLÁSSICO É CLÁSSICO

(Publicado em 17/06/2019)



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12/06/2019

O BURACO É MAIS EM CIMA

(Publicado em 08/05/2007)



Há muito tempo que essa constatação me incomoda. Na verdade, quem leu meu primeiro livro (Marketing para Engenharia e Arquitetura) deve ter visto, já na primeira edição, de 1998, no último capítulo, algo a respeito. O assunto foi abordado em todas as edições seguintes e nas últimas quatro (6ª, 7ª, 8ª e 9ª) de forma bastante explícita:




TRÊS MINUTOS - Ano 17 - Número 389 (Ênio Padilha, 29/10/2016)



Tem alguma coisa errada com essa afirmação de que o marketing é uma coisa capaz de solucionar os problemas mercadológicos dos engenheiros e arquitetos. O marketing não tem essa capacidade porque ele não consegue se aplicar a empresas sem que haja uma base na qual ele possa se sustentar. Essa base se chama Administração.

Então o problema (ou a solução) não está no Marketing?
Não. Está um pouco mais acima: na Administração.

As empresas de Engenharia e de Arquitetura são mal administradas. Os profissionais desconhecem aspectos primários das Teorias de Administração e das Teorias Organizacionais. Desconhecem Taylor, Fayol, Max Weber, Elton Mayo e as coisas que decorrem do que esses pensadores estudaram.

Com isso, estamos administrando nossas empresas na base do chute. Com práticas gerenciais tiradas do senso comum, muitas vezes sem nenhum fundamento (o que explica os fracassos empresariais tão comuns).

Não deixa de ser irônico o fato de que Taylor e Fayol (os precursores das Teorias da Administração), eram engenheiros e que a Administração, enquanto ciência aplicada, tenha nascido da engenharia. Os criadores abandonaram a própria criatura. As escolas de engenharia, de uma maneira geral, nunca deram suficiente atenção aos aspectos técnicos da administração empresarial nas atividades profissionais, por mais evidente que se torne a cada dia o fato de que as habilidades de relacionamento social são mais relevantes (determinantes) para o sucesso profissional do que as habilidades e conhecimentos técnicos (que são fatores mínimos obrigatórios e, portanto, commodities).

A maioria dos cursos de Engenharia e de Arquitetura ainda jogam todas as fichas na capacitação técnica dos seus alunos. E eu não sou totalmente contrário a isso. Acho até que faz sentido. Afinal o curso é de Engenharia (ou Arquitetura) e não de Administração.

É razoável que o ensino se concentre em temas que digam respeito à Engenharia propriamente dita, ou seja, às questões técnicas, científicas e tecnológicas. O erro, na minha opinião, está na visão de mundo que é transmitida pelas escolas aos seus alunos. Eles passam cinco anos recebendo, de forma objetiva ou subliminar, a informação de que o conhecimento das técnicas é condição necessária e suficiente para o sucesso profissional.

Aí é que está o erro! O conhecimento da técnica (ser um bom engenheiro ou arquiteto, do ponto de vista técnico) é sim, condição necessária.

Porém, não é condição suficiente. Longe disso. A história da Engenharia no Brasil está cheia de exemplos que demonstram isso. O mais eloqüente talvez seja o do engenheiro Emílio Baumgart, um gênio da Engenharia, considerado o pai do concreto armado no Brasil e que foi, entre 1920 e 1940, um dos maiores nomes do cálculo estrutural no mundo. Mas apesar dessa qualidade técnica inquestionável, a empresa que ele fundou, logo depois de se formar, FALIU em menos de dois anos.

O erro não está em não ensinar Administração aos estudantes de Engenharia. O erro está em não ensinar a eles que saber administrar é um pouco mais do que fundamental: é fator determinante do sucesso. Os estudantes de Engenharia chegam à Universidade com pouca ou nenhuma disposição/paciência para qualquer disciplina que não seja matemática, física, química ou matérias de aplicação tecnológica. Eles precisam ser estimulados para dar atenção a esses assuntos.

É função dos professores (ou antes, dos coordenadores) dos cursos fazê-los ver que conhecer história econômica, português, fundamentos de administração e contabilidade, noções gerais de direito e de economia não são apenas “perfumarias” do curso. São, antes, questões de vida ou morte (empresarialmente falando). Os diretores, coordenadores e professores dos cursos de Engenharia e Arquitetura precisam se dar conta de que não estão formando apenas engenheiros ou arquitetos. Estão formando pessoas que precisam estar aptas para realizar seus sonhos de progresso e felicidade.

E este objetivo está muito além da Matemática, da Física e das disciplinas técnicas.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




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---Artigo2007 ---Administração

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28/03/2016

BACK TO BASICS
(Nossos Escritórios estão na Idade da Pedra da Administração)

(Publicado em 19/01/2011)



Uma conversa entre dois consultores de gestão pode deixar constrangido um arquiteto ou engenheiro que comanda com sacrifício seu escritório. Aquele papo sobre as teorias da administração, os elementos clássicos, os ensinamentos de Taylor, Fayol, Mayo, Weber e os contemporâneos, Drucker, Porter, Mintzberg... a coisa é meio assustadora!

Será que eu não sei nada de gestão? Como fazer para implementar na minha empresa os mais novos (recentes) conceitos de administração de empresas?





Calma! Calma! Não vamos tentar recuperar em uma semana quase 120 anos de atraso.
Isso mesmo. Eu disse 120 anos! Já explico.

Há 120 anos as empresas (no mundo inteiro) eram administradas sem muito critério. O processo produtivo, em todas as áreas, era gerido pelas pessoas que sabiam fazer o trabalho (porque haviam aprendido com seus mestres). Mesmo em grandes empresas os processos eram bastante artesanais e personalizados.

Foi nessa época (final do século XIX) que apareceu, nos EUA, um jovem engenheiro mecânico chamado Frederick Winslow Taylor e tocou uma grande revolução no universo empresarial. Estava criada a Administração Científica, sustentada em quatro princípios que hoje parecem primários mas que, na época, era uma inovação sem precedentes. Os quatro princípios eram os seguintes:

1) Separar quem planeja de quem executa as tarefas (criava a figura do administrador profissional, que não existia até então);

2) Selecionar os empregados de acordo com as características necessárias para a execução das tarefas;

3) Dar treinamento adequado e exaustivo aos empregados para que executassem as tarefas com perfeição;

4) Controlar os processos para garantir que o que foi planejado (no item 1) fosse realizado pelas pessoas selecionadas (de acordo com o item 2) que haviam sido treinadas (conforme o item 3)

Na França, mais ou menos na mesma época, outro engenheiro, Henry Fayol, desenvolveu uma teoria semelhante, com resultados muito parecidos.

Taylor e Fayol foram as grandes referências da Adminsitração durante mais de 30 anos, quando então surgiu Elton Mayo, um médico australiano que desenvolveu uma importante pesquisa em Chicago, nos EUA. Ele começou a discordar da maneira como algumas coisas eram feitas. Começou a dizer que os empregados eram seres humanos e que a administração precisaria levar em conta esse "detalhe" (de fato, nem Taylor nem Fayol prestavam muita atenção nisso. Para eles os empregados eram apenas instrumentos do processo produtivo, recebiam apenas os cuidados necessários para que se mantivessem operantes e produtivos).

Elton Mayo criou a Teoria das Relações Humanas, que foi a segunda e talvez a mais importante revolução ocorrida na Administração depois de Taylor. Os empregados passaram a ser considerados e ouvidos. Produzir mais, melhor e mais barato já não era suficiente. Era preciso fazer tudo isso e ter empregados satisfeitos. Nascia a função social das empresas.

Depois disso (e, para encurtar essa nossa conversa) surgiram muitas outras teorias. A maioria delas cobrindo lacunas deixadas pelas suas antecessoras. Vieram o Modelo Burocrático, a Teoria Estruturalista, a Teoria Neoclássica e a Teoria Comportamental (que, nada mais eram do que releituras mais serenas da Administração Científica e da Teoria das Relações Humanas) e a moderna Teoria da Contingência... ufa!!!

E, nessa esteira, surgiram as modernas técnicas de gestão: Administração Participativa, Administração Holística, Benchmarking, Downsizing, Qualidade Total, Learning Organization, Terceirização, Reengenharia, Readministração... Meu Deus!

E o nosso Escritório de Arquitetura? e o nosso Escritório de Engenharia? muitos deles sequer têm uma secretária? Como faz?

Poisintão! Era disso que eu estava falando, quando disse que temos 120 anos para recuperar. Nossos escritórios (a maioria deles) ainda é tocado com as mesmas técnicas de gestão utilizadas pelas empresas em 1890!
Estamos na Idade da Pedra da Administração. Precisamos fazer alguma coisa, claro!

Mas, atenção. Não devemos começar pelo fim, cedendo à tentação dos modismos da gestão. Nenhuma dessas modernas técnicas de gestão, com nomes bonitos (em inglês, of course) vai funcionar numa empresa que não tenha sido alfabetizada em Administração. É preciso investir nos fundamentos da Administração. Beber um pouquinho nos ensinamentos de Taylor, Fayol, Elton Mayo e Webber (pra ficar só em alguns clássicos). É preciso, no mínimo, implementar na sua empresa os quatro princípios da Administração Científica de Taylor, combinados com os princípios fundamentais da Administração de Recursos Humanos.

É preciso entender que a Administração é um conjunto de quatro grandes áreas (Produção, Financeiro, Pessoas e Mercado) e que descuidar de um deles (qualquer um deles) pode ser fatal.

É preciso tirar o seu escritório da indigência administrativa. Mas isso deve ser feito sem queimar etapas. Primeiro devemos ficar de pé e depois caminhar... Correr já é outra conversa.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




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---Artigo2011

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20/03/2015

PARABÉNS, FRED

(Publicado em 20/03/2006)



Corria o ano de 1879 em Filadélfia, estado da Pensilvânia, EUA. O jovem chefe de seção das oficinas de construção de máquinas Midvale Steel Company, estava tentando resolver um grande problema: a galeria subterrânea por onde se escoavam os detritos da fábrica entupiu. O esgoto ficava a uma profundidade de sete ou oito metros e corria por baixo da fábrica.

Fred (o nosso homem) enviou um grupo de trabalhadores para limpar o esgoto. Os homens puseram-se a trabalhar utilizando varas, emendadas umas as outras, mas não conseguiam sucesso. Por fim desistiram. Disseram ao chefe que o trabalho era impossível de ser resolvido e que era necessário abrir uma vala e pôr o esgoto à descoberto. Isto paralisaria o serviço na fábrica por vários dias.

Fred tomou então uma decisão típica do seu temperamento: decidiu ele mesmo limpar o esgoto. Sozinho.

Tirou a própria roupa, amarrou sapatos nos cotovelos e nos joelhos, para proteger-se e meteu-se nos canos. Por várias vezes teve de levantar o nariz na curva da manilha para não se afogar. Avançou engatinhando pela escuridão, por mais ou menos cem metros de lodo. Por fim encontrou a causa da obstrução, removeu-a e voltou pelo mesmo cano. Saiu coberto de sujeira, mas vitorioso.

Seus colegas de trabalho acharam aquilo uma palhaçada e riram-se à vontade. Mas o presidente da Companhia, percebendo que a empresa havia economizado alguns milhares de dólares, relatou o caso ao Conselho Administrativo e Fred foi promovido.

Fred já estava a caminho de se tornar Taylor. Frederick Winslow Taylor, que nascera em Germantown, subúrbio de Filadélfia, em 20 de março de 1856 e viria a se tornar um dos engenheiros mais importantes do mundo na sua época e a "inventar" a Administração Científica.

Antes de Taylor, a administração das fábricas era feita pelos próprios empregados, de maneira totalmente empírica e sem nenhum controle por parte da direção das empresas. A produtividade era baixa principalmente porque os sindicatos adotavam a filosofia de que quanto menos os empregados produzissem mais garantidos estariam seus empregos (por incrível que pareça, isso funcionava).

Taylor havia se preparado, até os 18 anos, para ser advogado (como era o desejo de sua família), mas problemas de saúde o afastaram dos estudos e ele resolveu ser aprendiz de mecânico por 4 anos (isso também era muito comum naquela época).

Depois foi admitido como mecânico na Midvale Steel Company, onde o encontramos já como chefe de seçao (e sendo promovido).

Formou-se Engenheiro pelo Stevens Institute, em 1885, depois de cinco anos estudando pelas noites adentro e aos domingos (naquela época trabalhava-se seis dias por semana).

Por conta de sua genialidade e de atitudes como a descrita no início deste artigo, Taylor teve uma carreira espetacular na Midvale Steel Company: em menos de seis anos passou de mecânico recém-contratado a Diretor de Fábrica (e isto não era nada comum naquela época).

Inconformado com os métodos e modelos de administração existentes Taylor desenvolveu estudos científicos durante 30 anos até publicar, em 1911, seu mais famoso livro, "Princípios de Administração Científica", referência obrigatória de qualquer curso de Administração em qualquer país do mundo. Seu método revolucionário teve, na sua época, grande oposição de muitos segmentos da sociedade, principalmente dos sindicatos que acreditavam que o novo sistema seria contrário aos seus interesses.

A Administração Científica proposta por Taylor venceu esses obstáculos não por ser melhor do que os sistemas anteriores, mas por ser muito, muito, muito melhor do que os sistemas anteriores. Era impossível, mesmo aos mais recalcitrantes deixar de reconhecer que Taylor tinha razão.

Pelo novo modelo proposto, os empregados trabalhavam menos e produziam muito mais; as empresas aumentavam consideravelmente sua produção, os empregados ganhavam salários mais altos e os produtos ficavam mais baratos para os compradores e as empresas tinham muito mais lucros. Era o que hoje os consultores chamam de relação ganha-ganha-ganha. Isso mesmo. Parece mágica. Mas é apenas ciência. Ou melhor, Administração Científica.

Taylor tinha muitas qualidades típicas dos engenheiros. Mas tinha também alguns defeitos típicos da profissão. Era rabugento e há diversas passagens de sua biografia que se referem à maneira rude e grosseira com que ele lidava com os empregados e (sejamos justos) também com os superiores. Pavel Gerencer, autor de uma de suas biografias, afirma que “sua linguagem era vivaz e descritiva. Soltava palavrões. Nada tinha de urbanidade ou cortesia”

Tudo isso, no entanto, já está perdoado, pois o saldo de sua passagem foi altamente positivo. Além do mais, nesta semana ele está de aniversário: (20/03/2015 - 159 anos!)

Fica aqui nossa singela homenagem a este grande homem que dedicou sua vida a desenvolver uma ciência tão importante para o bem estar da humanidade: a Administração.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




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Ref.: TAYLOR, Frederick Winslow. Princípios de Administração Científica. 7ª ed. São Paulo: Editora Atlas.



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---Artigo2006 ---Administração


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20/03/2015

TAYLORISTA, GRAÇAS A DEUS!

(Artigo publicado, em 20/03/2009, em homenagem ao aniversário de nascimento de Frederick Winslow Taylor: 20 de Março de 1856)



Desde que me formei engenheiro, em 1986, tenho estado sempre com um pé nas Ciências Sociais. Nos primeiros anos lendo livros ou participando de cursos e seminários de administração e marketing. Mais tarde, por volta de 1995, fiz uma especialização em Marketing Empresarial e, recentemente, enfiei o pé na jaca definitivamente, fazendo um Mestrado Acadêmico em Administração.

Deus é que sabe onde isso vai parar.

Nessas andanças uma coisa é constante. Eu estou sempre em minoria, convivendo com pessoas oriundas das áreas ditas “humanas”. O povo da Administração, da Economia, do Direito, da Pedagogia e das Ciências Sociais em geral.

Sempre levo algum tempo pra romper os preconceitos. Engenheiros nunca são muito bem-vindos nesses meios. Os narizes se torcem. Engenheiros são considerados calculistas, cartesianos, sistemáticos... como se essas características fossem defeitos graves.

Muitas vezes frases como “isso é pensamento de engenheiro” é utilizado como senha para cortar o argumento e retomar “o reto caminho da verdade e da virtude”.

Já vi muitos colegas engenheiros negando suas origens e renegando sua formação, como se tivessem vergonha de ser assim (de ter esse jeito engenheiro de olhar o mundo).

Eu não! Eu sou engenheiro! E, quando o assunto é Administração, sou Taylorista (o que, para muitos, é pior do que ser engenheiro).

Sim. Taylor era engenheiro! E dos bons. Antes dele a administração das fábricas era feita pelos próprios empregados, de maneira totalmente empírica e sem nenhum controle por parte da direção das empresas. A produtividade era baixa principalmente porque os sindicatos adotavam a filosofia de que quanto menos os empregados produzissem mais garantidos estariam seus empregos (por incrível que pareça, isso funcionava).

Taylor formou-se Engenheiro pelo Stevens Institute, em 1885, depois de cinco anos estudando pelas noites adentro e aos domingos (naquela época trabalhava-se seis dias por semana). Teve uma carreira profissional espetacular para os padrões da época: em menos de seis anos passou de mecânico recém-contratado a Diretor de Fábrica (Midvale Steel Company).

Inconformado com os métodos e modelos de administração existentes desenvolveu estudos científicos durante 30 anos até publicar, em 1911, seu mais famoso livro, "Princípios de Administração Científica", referência obrigatória de qualquer curso de Administração em qualquer país do mundo, até hoje.

Seu método revolucionário teve, na sua época, grande oposição de muitos segmentos da sociedade, principalmente dos sindicatos que acreditavam que o novo sistema seria contrário aos seus interesses. Taylor teve de se explicar até para o Congresso Americano.

No entanto, a Administração Científica proposta por Taylor venceu esses e outros obstáculos. Não por ser melhor do que os sistemas anteriores, mas por ser muito, muito, muito melhor do que os sistemas anteriores. Era impossível, mesmo aos mais recalcitrantes deixar de reconhecer que Taylor tinha razão.

Pelo novo modelo proposto, os empregados trabalhavam menos e produziam muito mais; as empresas aumentavam consideravelmente sua produção, os empregados ganhavam salários mais altos e os produtos ficavam mais baratos para os compradores e as empresas tinham muito mais lucros. Era o que hoje os consultores chamam de relação ganha-ganha-ganha. Isso mesmo. Parece mágica. Mas é apenas ciência. Ou melhor, Administração Científica.

Taylor tinha todas as qualidades que se pode atribuir aos engenheiros. Mas tinha também defeitos que muitas vezes são considerados típicos da profissão: era rabugento, teimoso e há diversas passagens de sua biografia que se referem à maneira rude e grosseira com que ele lidava com os empregados e (sejamos justos) também com os superiores.

Pavel Gerencer, autor de uma de suas biografias, afirma que “sua linguagem era vivaz e descritiva. Soltava palavrões. Nada tinha de urbanidade ou cortezia”. A este aspecto “peculiar” da sua personalidade se deve muito do ressentimento que o taylorismo herdou mesmo depois de um século.

Porém, a maioria das críticas que se faz ao Taylorismo nos dias de hoje são simplistas e preconceituosas, pois desconsideram os avanços incorporados à teoria por sucessores.

O Taylorismo seco, sem considerar todas as perspectivas teóricas posteriores (a teoria Clássica, de Henry Fayol; a teoria das Relações Humanas, de Elton Mayo; a Burocracia e o Estruturalismo, de Max Weber; a teoria NeoClássica, a teoria Comportamental e a teoria da Contingência, essas últimas de autores diversos) seria uma coisa sem sentido nos dias de hoje. Mas essas teorias todas só param em pé quando sustentadas por ações baseadas nos PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA, de Taylor.

Esses princípios são
• o princípio do planejamento (que consiste em separar as atividades de planejamento e produção);
• o princípio da seleção científica dos trabalhadores (de acordo com suas aptidões para determinadas tarefas);
• o principio da instrução (que determina a preparação e o treinamento para produção de acordo com o método planejado, e em preparar máquinas e equipamentos em um arranjo físico e disposição racional. É o princípio que pressupõe o estudo dos tempos e movimentos e a Lei da fadiga);
• e o princípio do Controle (consiste em controlar o trabalho para se certificar de que o mesmo está sendo executado de acordo com o método estabelecido e segundo o plano de produção)

Quando o administrador se utiliza das teorias posteriores para retirar do Taylorismo os seus exageros ou preciosismos ou quando utiliza o Taylorismo para dar um sentido prático e produtivo para algumas das teorias posteriores pode obter resultados muito positivos. Negar pura e simplesmente à Administração Científica sua validade, utilidade e importância é uma atitude preconceituosa e improdutiva.

A organização do trabalho e a sistematização dos processos continuam sendo dois dos pilares da administração de resultado.

Eu sou taylorista. Sou cartesiano. Sou sistemático. Sou engenheiro. E estou em boa companhia, pois muitos dos presidentes das grandes organizações pelo mundo são engenheiros.



ÊNIO PADILHA
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