O livro traz uma dupla delícia de a gente poder estar
só e ao mesmo tempo acompanhado.

MÁRIO QUINTANA

(1906-1994)
Poeta, tradutor e jornalista
(Veja no site releituras.com uma belíssima biografia do poeta.)

Um dia, Madame de Sévigné sentenciou:
'O CAFÉ PASSARÁ COMO RACINE!'
Ah, que poder de síntese, minha cara Madame!
Como foi que a senhora conseguiu
dizer duas barbaridades numa única frase?

MÁRIO QUINTANA

(1906-1994)
Poeta, tradutor e jornalista
(Veja no site releituras.com uma belíssima biografia do poeta.)

Quem pretende apenas a glória não a merece.

MÁRIO QUINTANA

(1906-1994)
Poeta, tradutor e jornalista, no livro Caderno H, página 80
(Veja no site releituras.com uma belíssima biografia do poeta.)

Todos esses que aí estão
Atravancando o meu caminho
Eles passarão
Eu passarinho.

MÁRIO QUINTANA

(30/07/1906 - 1994)
Poeta, tradutor e jornalista, no livro Na volta da esquina
Este "Poeminha do Contra" teve como motivação o fato de ele, o poeta,
nunca ter sido eleito para a Academia Brasileira de Letras.
(Veja no site releituras.com uma belíssima biografia do poeta.)

A eternidade é um relógio sem ponteiros.

MÁRIO QUINTANA

(1906-1994)
Poeta, tradutor e jornalista no livro Mário Quintana - Coleção Esses gaúchos,
página 94, volume 16

A CRIAÇÃO DO ESCRITÓRIO (EMPRESA) DE ARQUITETURA OU DE ENGENHARIA
(O Plano de Negócio)

(Publicado em 10/04/2014)



Antes de iniciar o processo de abertura do escritório é importante definir o Modelo do Negócio que é a decisão sobre como a empresa será constituída: escritório de autônomo, associação de profissionais, sociedade com outros profissionais ou outras formas de organização que atendam os interesses e as condições materiais dos interessados (veja detalhes na página 39 do livro ADMINISTRAÇÃO DE ESCRITÓRIOS DE ARQUITETURA E ENGENHARIA)

Uma vez que o modelo de negócio já esteja definido, que os sócios (se for o caso) já estejam bem entendidos sobre as questões de princípios (derivados de crenças e valores) e que (isso é importante) já se tenha decidido sobre quem irá assumir as tarefas de administração do escritório... pode-se seguir em frente e buscar os passos seguintes:
• Contratar um Contador para orientar a confecção do Contrato Social;
• Providenciar os documentos necessários;
• Relacionar os custos de instalação do escritório, considerando os primeiros meses de atividade;
• Elaborar um PLANO DE NEGÓCIO simples e exequível;
• Incluir no Plano de Negócio o Plano de Marketing, privilegiando um plano agressivo de comunicação e vendas para os primeiros meses.

O PLANO DO NEGÓCIO
O Plano do Negócio é o projeto da sua empresa. Abrir uma empresa sem fazer um Plano de Negócio é como construir uma casa sem fazer um projeto. É possível, mas, com certeza irá ficar mal feito e os custos serão mais elevados (sem contar uma série de outros problemas que poderão surgir pela falta do planejamento).

O Plano de Negócio é um documento (que pode ter de 10 a 100 páginas, dependendo do nível de detalhamento) que descreve o planejamento global da empresa, incluindo motivações, instalações, equipamentos, conhecimentos, tecnologias, custos, além de um esboço do Manual de Operações.
O Plano de Negócio é composto dos seguintes itens (ou partes):

INTRODUÇÃO, onde é descrito o mercado para o produto típico da sua empresa e as razões pelas quais, de uma maneira geral, pode-se acreditar que uma empresa que atenda a este mercado tem chances de sucesso.
• Breve discussão sobre o NOME DA EMPRESA. Esta discussão deve dar uma explicação para a escolha.
• Definição dos ATRIBUTOS DA MARCA. (as promessas). Características dos produtos que serão disponibilizados ao mercado.

CUSTOS
(1) Custo de Instalação;
(2) Custo de Manutenção e
(3) Custo de produção de cada unidade (considerando o número provável de unidades vendidas por mês)

REMUNERAÇÃO (dos sócios e dos operadores).
Deve-se atribuir um valor ao trabalho de cada um dos agentes operadores da empresa.
• Administrador (Administração Financeira, Administração de Pessoal)
• Técnico (o trabalho de produção em si)
• Administração de Mercado (Marketing) - o que inclui a elaboração de orçamentos, as negociações e o fechamento dos negócios;

EQUIPE DE TRABALHO (Descrição detalhada)
Quantos empregados são necessários? para que funções? e quais as características e atribuições de cada empregado?)
Também é interessante que o Plano de Negócio já faça menção à forma como os empregados deverão ser selecionados e treinados

ANEXOS:
(1) Minuta do Contrato Social;
(2) Estudos Económicos que serviram de referência para o Plano de Negócio;
(3) Leis que regem o negócio;





PADILHA, Ênio. 2014




Leia também: A RELAÇÃO ENTRE O ESCRITÓRIOS DE ARQUITETURA E ENGENHARIA E O ESCRITÓRIO DE CONTABILIDADE





Este artigo é baseado no capítulo 11 do livro ADMINISTRAÇÃO DE ESCRITÓRIOS DE ARQUITETURA E ENGENHARIA. 3ª ed. Balneário Camboriú: 893 Editora, 2017. pág. 48 - 49






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NÃO SEJA VAMPIRO

(Publicado em 31/10/2019)








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SE EU FIZER ARQUITETURA CORRO O RISCO
DE FICAR DESEMPREGADA OU GANHAR POUCO?

(Publicado em 08/03/2012)



Professor Ênio
Gostaria muito de saber como anda o mercado de trabalho para Arquitetura, pois terminei recentemente o curso de segurança do trabalho e gostaria de prestar vestibular para ARQUITETURA... li muitas coisas dessa profissão que me deixaram feliz e triste ao mesmo tempo. Mas, a minha maior preocupação é encarar 5 anos de faculdade, sendo que li muitos relatos de arquitetos desistindo da profissão por falta de trabalho e por muitos acabarem na área de vendas, ganhando um valor baixíssimo.
Aguardo ansiosa a sua resposta.

Desde já,
Grata!

Priscila Pinheiro | Salvador-BA
(Nesta seção, o nome e a cidade são trocados sempre que solicitado pelo leitor)



Resposta de Ênio Padilha

Priscila,

É o seguinte: eu conheço centenas, milhares de arquitetos no Brasil inteiro. E não conheço NENHUM arquiteto ou arquiteta que...
a) tenha feito uma boa faculdade de Arquitetura (e tenha sido um aluno aplicado);
b) domine os fundamentos da profissão: desenho, expressão gráfica, visão espacial e senso de organização de espaços;
c) tenha domínio da língua portuguesa e saiba inglês suficiente para ler e ouvir, pelo menos;
d) tenha participado, durante a faculdade, das atividades extracurriculares oferecidas pela escola de Arquitetura (palestras, cursos, serviços comunitários, etc);
e) tenha lido, durante a faculdade, pelo menos um livro por mês...

... e que esteja desempregado ou ganhando pouco dinheiro!

Então, o que eu posso dizer é o seguinte: em todas as profissões existem os bons, os ruins e os mais ou menos. O problema é que o exercício profissional da Arquitetura não é fácil para os profissionais mais ou menos. Praticamente todos os arquitetos ou arquitetas que eu conheço e que não se deram bem na carreira foram estudantes muito negligentes. Acreditaram que "depois de formados as coisas se ajeitariam" e se deram mal. Não podem culpar a faculdade e muito menos a profissão que escolheram.

Outra coisa: a Arquitetura permite inúmeras possibilidades de especialização (ou áreas de atuação profissional). Veja alguns exemplos:

URBANISMO
• Elaboração de Planos Diretores
• Projetos de revitalização
• Estudos de Impacto Urbanístico
• Estudos de Impacto Ambiental
• Projetos de Loteamentos
• Projetos de Paisagismo

CONSTRUÇÃO CIVIL
• Projetos residenciais
• Projetos de Edifícios Residenciais
• Projetos de Edifícios Comerciais
• Projetos de Reforma que incluem exteriores.
• Administração de obra

INTERIORES
• Projetos de lojas
• Administração de obra
• Projetos de interiores residenciais
• Projetos de interiores comerciais
• Projetos mobiliários
• Projeto de iluminação
• Projetos de lojas
• Arquitetura embarcada (aeronaves, navios, ônibus, motor home),
• Projetos de móveis

ARQUITETURA EFÊMERA
• Vitrines
• Decoração de Shoppings Centers
• Palcos para Shows musicais
• Cenários para Teatro
• Parques de Diversão (itinerantes)

ÁREAS ESPECÍFICAS
• Projetos para a Área da Saúde
(Hospitais, Clínicas, Consultórios, Ambulatórios, Farmácias, Postos de Saúde...)
• Projetos para a Área de Educação e Cultura
(Escolas, Teatros, Centros Culturais, Museus...)
• Restauração

Da lista acima você vê que muita gente que está desempregado ou ganhando pouco, além das deficiências de formação (anotados nas letras "a" até "e", acima) está cego por uma determinada área da Arquitetura, sem perceber que existem inúmeras outras possibilidades de atuação profissional a serem exploradas.

Resumindo: escolha uma boa faculdade de Arquitetura e faça a sua parte. A colheita virá naturalmente.

Boa sorte!





PADILHA, Ênio. 2012





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ENIO PADILHA ENTREVISTA -
EDEMAR DE SOUZA AMORIM

(Publicado em 13/08/2017)





EDEMAR DE SOUZA AMORIM é um dos engenheiros mais importantes do sistema profissional do Brasil. Desfruta de uma reputação valiosíssima, construída por décadas de trabalho incansável pela valorização profissional dos engenheiros.

É Engenheiro Civil e Engenheiro Eletricista, diplomado pela Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Macckenzie, possui o registro 0600139350 no Cres-SP

Foi professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie durante 18 anos tendo sido Professor Assistente e Professor Titular de Resistência dos Materiais na Escola de Engenharia além de ter sido Diretor do Departamento de Estruturas da Universidade

Atividades Atuais
Vice-Presidente da Federação Brasileira de Associações de Engenheiros – FEBRAE
Tesoureiro da Unión Panamericana de Asociaciones de Ingenieros - UPADI
Membro do Conselho Consultivo do Instituto de Engenharia
Membro do Conselho Diretor da ACM/YMCA de São Paulo
Diretor Financeiro da Associação Evangélica Beneficente - AEB
Engenheiro Consultor
Diretor da EDENISA Participações Ltda.

Experiência Profissional
Engenheiro de Projetos de Estruturas de Concreto Armado e Protendido
Engenheiro de Diversas Empresas Construtoras de Obras Públicas e Privadas tendo ocupado diversas funções, tais como
• Engenheiro de obras
• Coordenador de obras
• Gerente de Planejamento
• Gerente de Engenharia
• Diretor Técnico
• Diretor Comercial


Teve, ao longo de sua carreira, ativa e consistente atuação em Entidades de Classe e outras Associações.

Foi ou é Diretor ou Conselheiro de diversas Entidades:
• Associação Brasileira de Engenharia Industrial – ABEMI
• Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas – APEOP
• Associação Brasileira de Dragagem – ABED
• Associação Evangélica Beneficente
• Instituto de Engenharia (Diretor 2anos, Vice-Presidente 2 anos e Presidente 2 anos)
• Federação Brasileira de Associações de Engenheiros – FEBRAE
• Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP
• Federação Paulista de Natação
• Federação Universitária Paulista de Esportes – FUPE
• Unión Panamericana de Asociaciones de Ingenieros - UPADI
• Centro Acadêmico Horácio Lane
• Clube dos Empreiteiros
• Club Athlético Paulistano
• YMCA / ACM Associação Cristã de Moços de São Paulo

Esta entrevista foi concedida na segunda-feira, dia 07/08/2017, através do aplicativo WhatsApp.



















PADILHA, Ênio. 2017




Leia também: JÉSSYCA , do blog EU.ENGENHEIRA (estudante de Engenharia)






Tudo o que o profissional precisa saber para construir uma carreira bem sucedida.

autor: Ênio Padilha
ilustrações: Sérgio dos Santos
prefácio: Carlos Alberto Kita Xavier
ISBN: 978 85 67657 01 1
Editora: OitoNoveTrês Editora
preço de capa: R$ 45,00

Clique AQUI para ler o primeiro capítulo do livro.

citar:
PADILHA, Ênio. Manual do engenheiro recém-formado. Balneário Camboriú: OitoNoveTrês Editora. 2015. 162p.





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O GRANDE DILEMA DA INTERNET

(Publicado em 15/09/2020)



Em 2014 (Há mais de seis anos!) eu escrevi o artigo O FACEBOOK FAZ MUITO BEM O MAL QUE NOS FAZ sobre como as pessoas (especialmente os produtores de conteúdo) estavam perdendo a guerra da internet e se entregando de corpo e alma aos caprichos de Mark Zuckerberg e sua fazenda de criação de tolos.

Depois disso já tivemos o Brexit, a eleição do Trump, a eleição do Bolsonaro e a ascensão vertiginosa da extrema direita no mundo inteiro. As redes sociais escalaram e a ameaça de guerras civis já está no horizonte.

Por isso o documentário O Dilema das Redes (The Social Dilemma), de Jeff Orlowski, é tão importante.





ator Skyler Gisondo em cena de O Dilema das Redes (2020)



Se você achou exagerado o uso do termo "guerra civil" no segundo parágrafo deste texto é porque você ainda não percebeu a gravidade do que está em curso. Vários livros e documentários têm se esforçado em mostrar (e demonstrar) o esforço desses bilionários donos das principais redes sociais do mundo (Google, Facebook, Twitter, Instagram, Pinterest, YouTube, Whatsapp, Telegram e outras) em manter os "usuários" presos às suas grades e fazendo o que eles querem que seja feito. O termo usuário, aliás, é objeto de uma citação no filme. É a frase do professor da Universidade de Yale Edward Tufte: "Existem apenas duas indústrias que chamam seus clientes de usuários: a de drogas e a de software.".

O documentário, construído sobre depoimentos de grandes nomes do vale do Silício, como Tristan Harris, ex-designer ético do Google; Tim Kendal, ex-presidente do Pinterest; Justin Rosenstein, ex-engenheiro do Facebook; Roger McNamee, investidor em tecnologia, e Jaron Lanier, cientista da computação e autor de "Dez argumentos para você deletar agora suas redes sociais".

No mundo da informação ou entretenimento, toda vez que você vê alguma coisa grátis é porque o produto é você.
Esta frase é do professor da Universidade do Texas, Rosental Calmon Alvez, em 2012, na 62ª Assembleia Geral da Sociedade Interamericana de Imprensa, no debate em que foi discutido o modelo de negócio adotado por muitos jornais pelo mundo inteiro. Não poderia ser mais apropriada para descrever o que todos nós "usuários" somos para as redes sociais: o produto. Nós temos sido vendidos para quem pagar mais pelo nosso comportamento. Estamos sendo leiloados no mercado futuro do comportamento humano.

Se você não entendeu direito, recomendo com força que você pare o que está fazendo (agora mesmo, no horário de trabalho, se você for o seu próprio chefe) e veja O DILEMA DAS REDES. É, realmente, muito importante.





PADILHA, Ênio. 202x





Leia também: O FACEBOOK FAZ MUITO BEM O MAL QUE NOS FAZ
Por que diabos tudo precisa ser integrado ao Facebook? Que bobagem é esta? As pessoas precisam cair na real de que a internet não se limita ao Facebook. O Facebook é apenas um cercadinho que o Zuckerberg criou e no qual parece ter a firme intenção de aprisionar o maior número de pessoas que puder







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O LIVRO DO MANDETTA

(Publicado em 05/10/2020)



Antes de qualquer coisa é importante entender que o livro foi escrito por um político. E que o livro foi escrito para ser, entre outras coisas, uma ferramenta de campanha em 2022.
Isto posto (e observado) vamos ao conteúdo. Vale a pena ler o livro?





Imagem: OitoNoveTrês - sobre a capa do livro



Sim. Vale a pena ler o livro, por vários motivos:

(1) O livro é muito bem escrito. Isso por si só já é uma coisa muito boa. A leitura é leve, sem rodeios, sem sutilezas malandras e sem labirintos. Um livro escrito para ser popular, sem dúvida. É como se você estivesse lendo uma longa entrevista, muito bem transcrita.

(2) Nada do que é dito no livro parece ter sido escrito com exagero ou afetação. A maior parte do que está relatado no livro são acontecimentos de domínio público (apareceu na impressa). Apenas está sendo contada agora a versão dos bastidores. Antes sabíamos O QUE ACONTECEU e agora podemos saber o PORQUÊ e o COMO.

(3) Nada do que foi dito no livro foi desmentido ou questionado. E nem parece que o será.

(4) É um registro histórico importante. Infelizmente não temos relatos tão precisos sobre o que acontecia nos bastidores da epidemia da Gripe espanhola de 1918. Espero que os futuros líderes possam se basear neste livro para entender o que fazer e o que não fazer diante de enfrentamentos semelhantes.

No mais o livro traça um perfil dos principais membros do governo e de como se comportaram naqueles meses iniciais da pandemia. Mostra como (e porque) a principal liderança do país escolheu o caminho que escolheu. E, infelizmente, não nos dá muita esperança sobre o que vem pela frente.

Tomara que mais gente escreva livros assim, contando o que aconteceu desde que Nelson Teich assumiu o ministério, em abril de 2020.





PADILHA, Ênio. 2020




Leia também: NEGACIONISTAS NÃO SÃO BURROS (uma breve linha de argumentação segundo a qual, os negacionistas são mais inteligentes do que a média das pessoas que os cercam. E esse é o problema.)







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OS NÚMEROS DO JOGO
(ou, de como o futebol pode vir a ser um esporte de engenheiros)

(Publicado em 30/12/2013)



No início de 2009 escrevi um artigo com o título FÓRMULA UM. O ESPORTE DOS ENGENHEIROS no qual discorria sobre o fato de que, na Fórmula Um, a engenharia é considerada uma das estrelas do espetáculo. E, por isso exerce tanto fascinio sobre os engenheiros.

Raramente se pensa no Futebol como um esporte com algum elemento capaz de atrair a atenção de engenheiros em especial. O livro Os números do jogo: porque tudo o que você sabe sobre o futebol está errado de Cris Anderson e David Sally (professores em importantes Universidades americanas e consultores de importantes clubes de futebol no mundo inteiro) parece ter o potencial de alterar esse quadro. O livro mostra que o futebol está cruzando uma nova fronteira. Daqui para o futuro os clubes dependerão cada vez mais de profissionais capazes de saber o que fazer com os números que o esporte produz.

Cris Anderson é especialista em Economia política (e ex-goleiro - amador). David Sally é especialista em Economia comportamental (e ex-jogador de basebol). Aproximaram-se devido ao fato de (além de serem vizinhos) terem ocupações profissionais semelhantes e olharem para o esporte com menos paixão e mais matemática (estatística, para ser mais exato)

Escreveram um livro no qual esse olhar chega ao futebol. Tentam apresentar (e desmistificar) pelo prisma da matemática e da economia, algumas das verdades absolutas do esporte. Vale a pena ler.

O livro dedica o primeiro capítulo (nada menos de 30 páginas) para falar de SORTE e sua influência (e bota influência nisso!) nos resultados das partidas de futebol. Joga um balde de gelo no leitor, afirmando (e demonstrando matematicamente) que muitas partidas poderiam simplesmente ser resolvidas no cara-ou-coroa.

Uma vez estabelecido que uma partida de futebol, isoladamente, é quase uma loteria, resta aos dirigentes, aos treinadores e aos jogadores pensarem em termos de temporada. Ou melhor: temporadas. As estratégias de um time mostram seus resultados no final de uma temporada e não em partidas isoladas.

Algumas fórmulas e estratégias de jogo são analisadas do ponto de vista estatístico. Há uma bela explicação sobre a posse de bola (o futebol praticado pelo Barcelona, pela seleção da Espanha e agora pelo campeão mundial, Bayern de Munich), o jogo aéreo, os contra-ataques e o futebol de guerrilha.

Nós, os fãs de futebol, sempre acreditamos que existem jogadores que desequilibram uma partida ou um campeonato. Que o time que tiver o melhor jogador será o vencedor. Mas a verdade (demonstrada cristalinamente no livro) é que o futebol é um esporte definido pelo elo mais fraco. Isto é: o time que tiver o pior jogador dificilmente pode sonhar com uma classificação na parte superior da tabela. Não importa a excelência do seu melhor jogador.
Por isso o processo de composição do elenco deve ser baseado na qualidade do pior jogador contratado e não apenas da superestrela do ataque.

Nos últimos quatro capítulos os autores tratam da relação dos clubes com seus treinadores, sobre liderança e condução de equipes.
O capítulo 9 (Como você resolve um problema como Megrelishvili?) é um texto que deveria ser adotado em cursos de pós graduação em recursos humanos. Especialmente a análise do Efeito Kohler, que trata dos resultados obtidos com o sentimento de equipe sobre os membros mais fracos ou menos talentosos (tanto nos esportes quanto nas empresas).

Um detalhe importante: o leitor certamente não deixará de observar a quase total ausência de referências ao futebol brasileiro. Isso, claro, não diminue o valor do livro, uma vez que os conceitos apresentados se aplicam completamente ao Brasil e a eventual inclusão do futebol brasileiro na análise não mudaria nenhuma das conclusões do livro.

A ausência do Brasil no livro poderá parecer apenas uma manifestação de eurocentrismo. Um brasileiro diria que "um futebol que ganhou 5 das 19 copas do mundo disputadas até aqui (e ficou entre os quatro primeiros em outras 4 vezes) merece ser avaliado em qualquer estudo de futebol com a pretensão de ser global." No entanto, se observarmos mais atentamente veremos que o livro se sustenta em pesquisas acadêmicas publicadas em congressos e revistas internacionais. Então a ausência do Brasil no livro talvez se deva a ausência de pesquisas importantes sobre o futebol brasileiro nos congressos internacionais.

No início deste artigo eu falei que o futebol está à caminho de se tornar um esporte mais racionalizado. Baseado em números e vencido pelas equipes que tiveram o melhor time de estatísticos e economistas. Os autores vão mais longe. Na página 289, numa das previsões que fazem para o futuro do futebol eles afirmam que "o 4-4-2 será substituído pelo 150-4-4-2". Ou seja: para que o time vença dentro do campo, terá de haver um batalhão de umas 150 pessoas, entre treinadores, nutricionistas, fisiologistas, médicos, dentistas, olheiros, analistas de jogos, estatísticos, economistas... e, quem sabe, engenheiros.

Não sei quanto a vocês, mas eu acho isso muito bacana





PADILHA, Ênio. 2013




REFERÊNCIAS:
1) ANDERSON, Chris. SALLY, David Os números do jogo; por que tudo o que você sabe sobre futebol está errado. São Paulo: Paralela, 2013.




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PENSE MELHOR ANTES DE ATIRAR PEDRAS
NOS ESTÁDIOS DA COPA DO MUNDO

(Publicado em 23/01/2014)



Nos blogs e nas redes sociais (especialmente no Facebook e no Twitter) tá uma onda incontrolável de mimimi contra a Copa do Mundo. Tudo bem. Quem não gosta de futebol ou é contra a realização da Copa do Mundo no Brasil tem o direito de se manifestar. Mas, nesse caso, pelo menos utilize argumentos inteligentes.

Problema maior é quando Engenheiros e Arquitetos (que deveriam entender um pouco mais de números) atiram-se em argumentos vazios, só porque é o que todo mundo está dizendo e é bacana ficar bem na foto do perfil.

Ficar compartilhando posts comparando hospitais e escolas com estádios da copa do mundo não tem sentido. Mas parece surtir um efeito muito grande. Só que o efeito colateral é justamente "não pensar corretamente nem fazer as perguntas e exigências certas".





VAMOS FALAR DE NÚMEROS?

Tomemos apenas a Educação e a Saúde.

Quanto os governos do Brasil (governo federal, estados e municípios) investem em Educação e Saúde?

Dados oficiais (amplamente aceitos) dão conta de que o Brasil investe algo em torno de 5,1% do PIB em educação e cerca de 4% em saúde

Quanto é o Pib do Brasil? Peguei o valor num site estrangeiro, pra não haver contaminação política na informação: R$ 4.403.000.000.000,00 (quatro ponto quatrocentos e três trilhões de reais).

Pois bem: 9,1% (5,1+4) de R$ 4.403.000.000.000,00 = R$ 400.673.000.000,00 (quatrocentos ponto seiscentos e setenta e três bilhões de reais)

E quanto é o investimento público nos estádios da Copa do Mundo?

Segundo matéria publicada em novembro de 2013, no site do Jornal GazetaOnLine o valor total alcança a soma de R$ 8.005.000.000,00 (oito bilhões de reais)

Uma calculadora simples nos permite dizer que o investimento em estádios da Copa do mundo corresponde a 2% do investimento público em educação e saúde.

Significa que, se o Brasil dedicasse todo o dinheiro dos estádios para a saúde e a educação deixaria de investir 9,1% e passaria a investir 9,3% (pode fazer a conta. É uma regra de três simples)

Mas a questão não é essa. O problema é que, quando Arquitetos e Engenheiros ficam aumentando essa legião de pessoas que defendem simplesmente que o Brasil não deveria fazer a copa do mundo para investir em Saúde e Educação perde-se a discussão de questões muito mais importantes e que deveriam ser abraçadas neste momento por essas duas categorias:

PRIMEIRO: se a gente se impressiona tanto com os números envolvendo os estádios da copa, por que não nos impressionamos ainda mais com o número astronomicamente superior envolvendo os investimentos de saúde e educação?
E, veja bem, não me entenda mal: não estou aqui falando que é suficiente ou que é demais. Estou dizendo que é muito dinheiro. E que, desse total muito dinheiro é desviado para a corrupção. E ninguém está prestando atenção, porque está ocupado atirando pedras nos estádios da Copa.



Faça as contas. Se 5% do valor destinado para a educação e saúde for desviado para a corrupção, esse total (R$ 20.033.650.000,00) daria para construir 20 estádios ao preço médio dos estádios da copa. Por ano! Isto não é impressionante pra você?



Você já se perguntou a quem esse tipo de desconversa interessa? Você, meu colega engenheiro, meu colega arquiteto, quer mesmo ser um agente dessa desconversa?

SEGUNDO: Eu não acredito que não haja nenhum desvio ou caso de corrupção envolvendo o dinheiro público nas obras dos estádios da Copa do Mundo. Mas, com certeza, dada a visibilidade e a quantidade de fiscais (público, imprensa, políticos) de olho nessas obras, posso garantir que não é nos estádios que o ralo do dinheiro público vai se manifestar de forma mais intensa.

As outras obras de mobilidade (aeroportos, avenidas, metrôs, monotrilhos, etc) é que são o perigo. Justamente por falta do apelo jornalístico que essas obras têm e, por conta disso, a baixa fiscalização. São dezenas de obras pelo Brasil afora. Dá uma olhada AQUI. Cada obra dessas é um ralo, pronto pra ser acionado. Cadê os patruleiros para cuidar disso? Cadê os posts no Facebook. (não vi uma linha sobre o puxadinho que será feito no aeroporto de Fortaleza. Uma vergonha)

TERCEIRO: A Copa do Mundo, em si, nunca foi um mau negócio para o país. Pelo contrário: veja o Relatório da Ernst & Young Brasil sustentável – Impactos Socioeconômicos da Copa do Mundo 2014. Mesmo descontados todos os exageros típicos desse tipo de documento, a Copa do Mundo é uma grande oportunidade. Oportunidade de o país se reinventar; Oportunidade de desenvolvermos nosso senso de responsabilidade e organização profissional; Oportunidade de produzirmos obras de infra-estrutura e de mobilidade que teriam efeitos por décadas. Tudo perdido! Ou porque não foi feito, ou porque não ficou pronto a tempo, ou porque teve seu preço muito alterado, ou por dezenas de outros motivos.

A Arquitetura e a Engenharia brasileira perderam uma grande oportunidade e parece que ninguém se importa. A quem interessa esse silêncio.

O VERDADEIRO PROBLEMA
O verdadeiro problema, (que esse discurso anti-copa está escondendo) é "como o governo gasta mal o dinheiro da saúde e da educação". O problema não é a Copa do Mundo. O dinheiro da Saúde e da Educação não foi desviado para as obras da Copa. Foi desviado para a corrupção pura e simples. E os corruptos estão felizes, porque tá todo mundo culpando a Fifa e culpando as obras da Copa do Mundo.

Pense nisso na hora de compartilhar seu ódio à Copa do Mundo e aos seus estádios. Pense sobre quem você está defendendo, de verdade.





PADILHA, Ênio. 2014





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CRISE: NÃO É A PRIMEIRA E NÃO SERÁ A ÚLTIMA

(Publicado em 08/07/2016)



Eu queria dizer uma coisa para os jovens (entre 25 a 35 anos) que estão enfrentando sua primeira grande crise econômica no país: não desesperem nem desanimem. O Brasil, acreditem, já enfrentou coisa pior. E nem faz muito tempo.

Eu vou contar aqui como foi (não se impressione com o tamanho do texto) e depois vou dar algumas sugestões de como lidar com as crises econômicas. Não apenas com esta crise. Mas com todas as que ainda estão por vir.




Este artigo foi publicado no TRÊS MINUTOS - Ano 17 - Número 19 de 07/07/2016



Pois bem: no dia 28 de fevereiro de 1986 (uma sexta-feira, há 30 anos) o Brasil acordou em polvorosa. Os bancos não abriram. O presidente José Sarney anunciou um Plano audacioso de Estabilização Econômica, que logo recebeu o nome de "Plano Cruzado" (porque a moeda mudou de nome -- de Cruzeiro para Cruzado -- e perdeu três zeros).

A economia não vinha bem. Havia uma certa instabilidade política. O país recém saíra de um regime militar que durara 20 anos. Eram novos tempos.

Com o plano econômico daquele 28 de fevereiro, os preços, o câmbio e os salários foram congelados, foi instituído o gatilho salarial e a população foi chamada para defender os novos paradigmas econômicos. Surgiram os "Fiscais do Sarney" (pergunte para o seu pai ou sua mãe. Eles vão lembrar dos Fiscais do Sarney).

O plano foi um sucesso! A inflação (que no ano anterior foi de 235%) recuou e os salários ganharam fôlego... parecia que os problemas do Brasil, finalmente, haviam sido resolvidos. Mas a calmaria durou pouco. Depois de alguns meses os produtos desapareceram do mercado. O país passou a enfrentar o desabastecimento e o Plano Cruzado começou a fazer água.

Eu me formei engenheiro (na UFSC) em julho de 1986. Bem no meio disso tudo. Abri meu escritório de Engenharia, em Rio do Sul, exatamente quando o Plano Cruzado estava afundando e o governo Sarney anunciava o Plano Cruzado 2, em novembro (alguns dias depois das eleições, claro). O novo Plano trazia o fim do congelamento e a elevação dos preços das tarifas públicas.

Não deu certo. O Plano Cruzado 2 também foi um fiasco e consolidou fracasso do já combalido Plano Cruzado. Foi então que, no início de 1987, o então ministro da Fazenda, Dilson Funaro (o pai do Plano Cruzado) deixou o governo. Em seu lugar assumiu Luiz Carlos Bresser-Pereira, que lançaria outro plano, que levava seu nome (o Plano Bresser). Mais uma vez tivemos o congelamento de preços e salários (por 90 dias). Mais uma vez não deu certo. Era um plano muito ruim. Muito burro. E que insistia em fundamentos do já fracassado Plano Cruzado.

E assim, naquele ano de 1987, a inflação atingiu 415,87%.

No Brasil daquela época já estava instituída a cultura dos pacotes econômicos. A sociedade (a população, a imprensa e, principalmente, os empresários) ficavam especulando sobre o próximo plano econômico, enquanto isso a economia estagnava. Ninguém investia, ninguém fazia projetos. Os escritórios de Arquitetura e de Engenharia quebravam um atrás do outro. A década perdida estava fechando com chave de ouro.

A inflação de 1988 ultrapassou a barreira dos quatro dígitos: bateu em 1.037,53%. Por isso, em janeiro de 1989 houve uma nova tentativa: foi lançado o "Plano Verão", capitaneado pelo então ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega. Preços foram congelados, o cruzado perdeu três zeros e passou a se chamar Cruzado Novo.

Novamente, deu tudo errado. E a inflação de 1989 chegou a 1.782.85%. Você leu certo! é isso mesmo: 1.782.85% de inflação num único ano!

UMA ESPERANÇA NO HORIZONTE
Mas em 1989 o Brasil estava cheio de esperanças. Haveria uma eleição para presidente da república. Da disputa entre vários candidatos resultou um segundo turno entre Lula e Fernando Collor. Collor levou a melhor e foi eleito. Tomou posse no dia 15 de março de 1990.

Um dia depois da sua posse Fernando Collor de Mello declarou feriado bancário de dois dias e anunciou seu Plano de Estabilização Econômica. Foi um choque! Estabeleceu-se um pânico na sociedade (especialmente aquela parte da sociedade que produzia riquezas para o país).

O Plano Collor foi, sem dúvida, o mais traumático de todos os planos econômicos, pois promoveu o confisco das poupanças e das contas correntes, além do tabelamento dos preços e da extinção de 24 órgãos do governo. A moeda voltou a se chamar Cruzeiro.

A economia doméstica foi dizimada. Da noite para o dia simplesmente não havia mais dinheiro em circulação pois quem tinha dinheiro em banco (conta corrente ou poupança) simplesmente não poderia utilizá-lo. Foi uma coisa triste demais. Gente que tinha, por exemplo, vendido uma casa para comprar um apartamento, ficou, da noite pro dia, sem a casa e sem o apartamento. Simples assim.

Muita gente sofreu. Casamentos se desfizeram, Pessoas ficaram doentes. Outros, no limite, cometeram suicídio. Era uma coisa terrível!

O Plano Collor, não deu certo. Não venceu a inflação, que, em 1990, chegou a 1.476,71%.

Em janeiro de 1991, a ministra da Fazenda, Zélia Cardoso de Mello, anunciava na TV novas medidas econômicas que congelaram preços, salários e serviços. Era o novo plano econômico do governo Collor. O Plano Collor 2.

O fracasso desse novo plano custou o cargo da ministra que deu lugar a Marcílio Marques Moreira (em maio de 1991). O Brasil inteiro entrou em novo compasso de espera. E vieram novos ajustes na economia. A sucessão de medidas de impacto na economia não foram suficientes: a inflação em 1991 baixou, mas ainda estava em absurdos 480,17%.

O governo Collor começou a afundar com denúncias de corrupção e uma oposição ferrenha exercida principalmente pelo PT, que resultou no pedido de impeachment do presidente. Assim, o programa econômico de Marcílio Marques Moreira, que previa a redução drástica da hiperinflação, foi prejudicado e por fim, suspenso.

Collor acabou caindo, no segundo semestre de 1992. Itamar Franco assumiu o governo e nomeou Gustavo Krause Gonçalves Sobrinho para o Ministério da Fazenda. Krause foi substituído depois por Paulo Roberto Haddad, que logo depois foi substituído por Eliseu Resende. O Brasil trocava mais de Ministro da Fazenda do que os brasileiros trocavam de roupa. E cada ministro novo significava um novo pacote de medidas para a economia. Nada funcionava. Era uma coisa horrorosa ser empresário no Brasil daquela época.

A inflação acumulada de 1992 foi de 1158,0%. Não havia esperanças. Só os loucos empreendiam. Só ganhava dinheiro quem conseguia especular no mercado financeiro, ou seja: quem já tinha dinheiro. Os pobres e os pequenos empresários eram os que mais sofriam.

ITAMAR FRANCO E SEU PLANO FHC
Em maio de 1993 Fernando Henrique Cardoso assumiu o ministério da Fazenda. Logo em seguida, novo pacote de medidas em que o Cruzeiro Real (CR$) substitui o Cruzeiro, que perdeu três zeros (isso era muito comum em tempos de inflação exorbitante).

As primeiras medidas contra a inflação do novo ministro não surtiram grandes resultados. A inflação acumulada do ano de 1993 foi de 2.780,6%. O Brasil bateu no fundo do poço!

A virada começou quando, em fevereiro de 1994 foi lançado um novo programa de estabilização econômica, chamado Plano FHC. O plano criava a URV (Unidade Real de Valor), indexador que seria base para uma nova moeda que seria lançada mais tarde.

Ninguém mais tinha esperança. Por isso ninguém deu muita importância para um plano econômico que não foi apresentado de forma espetacular. Não houve choque econômico, nem congelamento de preços, nem feriado bancário nem surpresas de nenhuma natureza. Haveria apenas uma transição na qual a sociedade haveria de se reacostumar com preços ancorados e redescobrir o real valor das coisas, até estar pronta para a entrada em cena da tal nova moeda (cuja transição seria, também, sem sobressaltos).

O universo inflacionário no qual o Brasil vivia era insano. Havíamos perdido a noção do valor dos produtos. Com a entrada em cena da URV conseguimos perceber que alguns produtos tinham preços que eram simplesmente absurdos. Uma calça jeans, por exemplo, poderia ter o preço de uma TV das grandes. Um cafezinho poderia custar o preço de um corte de cabelo. Um jantar poderia custar o preço de um equipamento de som. Vivíamos em um mundo sem referências.

A nova moeda, o Real, entrou em circulação em julho de 1994, mantendo a paridade de 1 pra 1 com a URV, o que tornou o processo muito transparente e tranquilo. Com o Real, o país finalmente passou a ter crescimento sem inflação.

ENFIM, NOVOS TEMPOS
Com uma moeda forte e com a inflação finalmente sob controle, o Brasil passou a viver um tempo de estabilidade econômica e de prosperidade. A segunda metade da década de 1990 foi marcada pelo desenvolvimento das empresas e pela introdução de novas tecnologias de produção, que levou alguns escritórios de Arquitetura e de Engenharia a experimentar algumas turbulência (leia mais a respeito disso no artigo A DÉCADA EM QUE ESTÁVAMOS PERDIDOS que eu escrevi em 2013). Essas turbulências levaram muita gente a achar (equivocadamente) que a tal crise da década de 1980 ainda não havia acabado.

Mas o Brasil havia vencido a crise, definitivamente. E, no início dos anos 2000 todos os índices econômicos navegavam em mar de almirante. Essa estabilidade só foi quebrada em 2002 com a crescente possibilidade de o PT vencer as eleições. Os mercados, ficaram apreensivos e houve uma forte valorização do dólar e até mesmo algum avanço da inflação. Tudo voltou ao normal logo depois da eleição, quando se viu que Lula manteria os principais pilares da economia estabelecidos no governo anterior. No primeiro governo do presidente Lula a economia do Brasil continuou sua viagem em mar de almirante e céu de brigadeiro.

TEMPESTADE NO HORIZONTE
Se Lula teve um governo repleto de crises políticas (especialmente por conta do processo do chamado Mensalão), pelo menos restava-lhe o desempenho da economia. A política ia mal, mas a economia ia bem. No fim o resultado foi bom e Lula conseguiu eleger seu sucessor: Dilma Roussef

No início dos anos 2000, enquanto usufruia de uma economia em ordem e de uma moeda forte, o presidente Lula e seus aliados não cansavam de reclamar da "herança maldita" deixada pelo governo anterior. Dilma Roussef não teve a mesma sorte. Infelizmente (para ela) o seu antecessor não foi Fernando Henrique Cardoso. Ela teria de lidar com a herança deixada por Lula. A herança econômica era ruim, mas a herança política era ainda pior: uma bomba relógio. Uma bomba atômica!

Enfim... deu no que deu. Os números falam por si: (a) o Brasil está mergulhado numa recessão profunda; (b) o rombo nas contas públicas passa dos 70 bilhões (isto é quase dez vezes o que o governo brasileiro gastou com a Copa do mundo); (c) A taxa de juros está acima de 14%; (d) o Brasil teve sua avaliação rebaixada sistematicamente por diversas agências de risco internacionais (está com o nome no Serasa internacional) e (e) o número mais cruel de todos: 11 milhões de desempregados no país!

RESUMINDO: o Brasil enfrenta hoje uma crise quase do tamanho da que enfrentamos na década de 1980.

Muitos jovens não sabem como lidar com isso. Muitos dos veteranos já esqueceram como foi lidar com aquilo (alguns, inclusive, tentaram, durante muitos anos, apagar da memória aqueles anos horrorosos!).

Mas é importante tentar lembrar o que aprendemos naquela crise e que podemos utilizar na travessia da atual?

A melhor coisa a se fazer, em relação a uma crise econômica, é não ser atingido por ela. O problema é que isso não pode ser feito se a crise já está esmurrando a sua porta. Aí já é tarde demais. É importante não deixar a crise chegar nem perto da sua porta. Isso é uma coisa que se faz, principalmente, em tempos de vacas gordas, através da adoção de estratégias de crescimento, estabilidade e segurança (formação profissional, aperfeiçoamento técnico, domínio de técnicas de administração, crescimento profissional, etc, etc, etc).

Observe que em todas as crises econômicas, e em todos os segmentos, existem aquelas empresas que ou não são atingidas pela crise, que sofrem menos o impacto de sua onda de maldades ou ainda que demoram muito mais do que outras até sofrer alguma consequência da crise. Essas empresas são justamente aquelas que estão melhor posicionadas. As que possuem diferenciais competitivos. São aquelas que estão disputando o campeonato da primeira divisão, como eu falei neste artigo AQUI (vale a pena ler). São as empresas mais criativas e com mais recursos (desenvolvidos ou cultivados durante os tempos bons) e que conseguem encontrar oportunidades na crise (e algumas vezes até se beneficiam dela)

Mas, e se a crise já entrou e já abraçou todo mundo? E se a crise já está na sala e você já está sentindo os seus efeitos? o que fazer?

Duas coisas: primeiro, NÃO SUBESTIME A CRISE. A gente tem, muitas vezes, a esperança de que a coisa vai passar. Que é só uma marolinha. Que não vai fazer estrago considerável. E, no fim, transformamos essa esperança em crença. E acreditamos que está tudo bem.

Não faça isso! Acredite na crise. Se ela já chegou ou se ela já está rondando a casa, fique atento. Comece a fazer ajustes, cortes, adaptações. E comece a tomar cuidados. Coloque em ação o seu plano de contingência (O que? você não tem um plano de contingência? Não tem um "Plano B"? Hmmmm.... Bom, já vamos falar nisso, daqui a pouco).

Segundo, durante a crise, além de sobreviver, você precisa se preparar para emergir. Fique certo de que, durante a crise muitos dos seus concorrentes desaparecerão. Quando a crise passar (crises sempre passam) o mercado estará à disposição dos sobreviventes que estiverem melhor preparados. Portanto, estude, leia os livros que estavam atrasados, faça cursos, leia aqueles artigos nas revistas técnicas que você assina e que estão empilhadas na estande... não desperdice o período da crise apenas com lamentações e queixas. Plante. Cultive seus recursos valiosos. Prepare-se para o que vier depois da crise.

Aproveite o tempo para organizar os processos produtivos, para reescrever os modelos de propostas comerciais, os modelos de contratos. Aproveite para atualizar o cadastro de clientes, fornecedores e parceiros. Reorganize e coloque em dia os controles financeiros, Organize treinamentos para a sua equipe, faça uma lista de tarefas atrasadas, reforme ou reorganize os depósitos, coloque a biblioteca em ordem, enfim... prepare-se para quando chegar o tempo das vacas gordas.

Quando as coisas melhorarem, inclua um objetivo nos seu planejamento estratégico: distanciar-se o máximo possível da zona de risco da próxima crise econômica (a próxima crise econômica é uma certeza. Não é uma questão de "se" e sim uma questão de "quando").

Faça reservas de contingência. E tente desenvolver diferenciais competitivos. São eles que levam seu escritório para longe da zona do epicentro da próxima crise econômica. Se a crise não for muito forte, é provável que o seu escritório nem chegue a ser atingido. Se for muito violenta, pelo menos vai demorar mais tempo até que a tempestade o alcance. E, mesmo que ela seja devastadora... com um bom plano de contingência, o seu escritório será, ainda assim, um dos sobreviventes.

E, no fim das contas, o mundo é dos sobreviventes.

Boa sorte.





PADILHA, Ênio. 2016






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JEAN TOSETTO e ÊNIO PADILHA
1ª ed. 2015 - 176 páginas
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Prefácio: Alan Cury (Arquiteto e Urbanista)

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ANIBAL DE BARBA

(Publicado em 24/04/2002)





Imagem: Google Maps



A Aníbal de Barba era linda!

Escolas Reunidas Aníbal de Barba, no bairro Canta-Galo em Rio do Sul, Santa Catarina, idos de 1966. Uma construção de madeira, enorme, pintada em um laranja escuro, janelas grandes, portas imensas...(É claro que os superlativos são por conta do que eu achava naquela época. Já adulto, em 1991, fui um dia rever a escola, à época já um prédio abandonado. Nossa, que pequenininha! Parecia tão grande!)

Eram duas salas e, no meio delas, quase um apêndice, “o gabinete”: um escritório “grande” onde ficava a diretora.

A diretora, em 1966, ano em que eu entrei na escola era, se eu não me engano, a dona Irene. A minha professora, essa eu não esqueço, é claro: a dona Alda (no segundo ano foi a dona Rose, no terceiro ano a inesquecível dona Méri e no quarto ano a dona Irene, ainda diretora da escola. A todas eu devo muito e não tenho a menor idéia de como saldar a dívida).

Um ano antes meu irmão mais velho, o Carlos, e todo um grupo de meninos mais ou menos na minha idade haviam entrado na escola. Naquela época e naquelas circunstâncias (bairro pobre, afastado do centro) não havia jardim de infância nem pré-escola. Então entrava-se na escola já com sete ou oito anos. Na primeira série.

Eu passei um ano inteiro (1965) escutando as histórias do Calinho, do Dico (Valdir Mendes) e do Fuminho (Reinaldo Simão) sobre a escola, sobre a professora deles (dona Isaltina, uma espécie de Deusa que eles adoravam mais do que às próprias mães) e sobre as novas brincadeiras que haviam aprendido. Sem contar que eles todos aprenderam a ler.

Meu Deus! Aquilo era o máximo! Eu precisava crescer logo para ir para a Aníbal de Barba também.
Dezembro de 65 e janeiro e fevereiro de 66 foram meses que duraram quase um ano, de tanto que não passavam nunca.

Finalmente o grande e inesquecível dia chegou. O ano de 1966 finalmente começava.
(Escrevi, ano passado, uma historinha sobre esse primeiro dia e de como eu descobri que o meu nome era Ênio e não Didi, que era meu apelido em casa – veja AQUI).

Na Aníbal de Barba eu me sentia em casa. Eu adorava a escola. Tirava notas boas, era paparicado pelas professoras, recitava versos nas homenagens à bandeira, todos os sábados, cantava, contava histórias, carregava bandeira no desfile de sete de setembro, brincava de pegar, de polícia e ladrão, de pular corda, de amarelinha e de quilica (eu adorava jogar quilica)

O pátio da escola era “imenso” a gente corria em volta da escola feito diabinhos, até esgotar as energias. Quando a aula começava (ou recomeçava, depois do recreio) estávamos encharcados de suor e, não raro, com algumas escoriações leves, sempre tratadas pela dona Alda, com mercúrio e merthiolate.

No recreio comíamos a sopa e o pão da dona Lola, zeladora da escola, cozinheira, mãe de todos (esposa do Aníbal de Barba, o patrono da escola) mas, principalmente, mãe do Aníbal de Barba Filho, meu colega de aula. Gordinho, divertido e muito, muito inteligente. Por conta da presença dele, nossa turma tinha um tratamento especial (coisas de mãe, sabe como é).

Tinha também o Gilson (Gilson Schlichting) o meu melhor amigo. Um intelectual, de óculos e tudo. Tirava ótimas notas e tinha respostas para tudo.

Aprendi a ler rapidinho (antes das férias de julho) e a fazer contas também. Mas o grande momento do ano foi a semana da criança, em outubro. A professora levou um toca-discos portátil (daqueles da Sonatta, lembra), à pilha, pois a Aníbal de Barba não tinha luz elétrica. E botou para tocar uma historinha maravilhosa.
E ainda teve “farta” distribuição de pipocas balas e pirulitos, que foram obtidos por doação nas vendas do seu Arnildo e do seu Hermínio.

Ah, que saudade!
Por onde andará essa gente toda?





PADILHA, Ênio. 2002




Ilustração: Imagem atual (2017) tirada do Google Maps. A porta grandona era da minha sala de aula, no primeiro ano, em 1966.





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A HISTÓRIA DE UM VENCEDOR NO ESPORTE E NA VIDA

(Publicado em 06/07/2016)



JOSÉ MARIA NUNES



Se hoje, perto de completar 70 anos, José Maria Nunes ainda fosse o Zeca, morasse num barraco simples, numa fazenda qualquer no interior de Santa Catarina e vivesse com os parcos recursos de uma aposentadoria minguada, enfrentando as dificuldades do analfabetismo e da pobreza absoluta... ele estaria apenas cumprindo o seu destino natural.

Mas ele mudou seu destino aos 18 anos, quando descobriu e foi descoberto pelo atletismo, em pleno Exército Brasileiro. Era então analfabeto e miserável.

As transformações na sua vida foram muitas e importantes. Mas elas não caíram do céu, não foram fáceis nem rápidas e nem foram apenas para ele. As vitórias pessoais de José Maria Nunes foram combustível para transformações na vida de muita gente.

O atleta campeão, o professor renomado e o profissional reverenciado que ele é hoje foi forjado em centenas de batalhas com todos os ingredientes de uma história brasileira, que combina sorte, azar, fama, brigas, política, dinheiro, família, mudanças de cidades e de trabalhos, adversários fortes, amigos importantes, fãs apaixonados, muito talento, muita disciplina… e muita luta.

Mas o que essa história tem de mais extraordinária, além do imenso talento de atleta campeão é a espetacular capacidade de se adaptar, de enfrentar e vencer desafios pessoais, conquistando centenas de medalhas e troféus, uma legião de fãs e seguidores, obtendo conhecimentos e diplomas universitários, conquistando posições de comando e liderança e, finalmente, o respeito de todos os que o conhecem e com ele convivem.

Tudo isso é a receita perfeita para um livro que certamente despertará o interesse de muitos leitores de Santa Catarina e do Brasil. Leitores que, nos anos 1970, não sabiam de onde tinha surgido aquele fenômeno que assombrou as pistas de atletismo. Leitores que hoje se perguntam: o que foi feito dele? O que ele fez, depois que parou de correr? E de muitos outros leitores que conhecerem o Professor Nunes depois de 1990 e que, talvez nem saibam que ele foi um grande campeão no atletismo.

Uma busca feita na internet em outubro de 2015 com o nome “José Maria Nunes” resultava (acredite!) nenhuma página com referências a este que ainda é o atleta vencedor do maior número de medalhas de ouro (atletismo masculino) dos Jogos Abertos de Santa Catarina, a competição mais importante do estado. Durante mais de uma década (de 1968 até 1982) José Maria Nunes imperou absoluto nas pistas e nas corridas de rua. Depois de encerrar a sua carreira de atleta e treinador de atletismo, seguiu sua trajetória de professor, tendo importante participação na implantação do IFTSC, unidade de Jaraguá do Sul. Mais tarde, já aposentado, continuou trabalhando na sua formação em Quiropraxia, com milhares de clientes na sua cidade (Jaraguá do Sul) e no estado de Santa Catarina.

Existe, portanto, uma legião de ex-alunos das escolas técnicas nas quais ele atuou, como professor e diretor, de pacientes da sua clínica de Quiropraxia e de pessoas que o conhecem de outros trabalhos sociais, e que não fazem ideia de que estão tratando de um campeão brasileiro e multi campeão de Santa Catarina. Além disso, não fazem ideia de que ele, aos 19 anos era analfabeto e aos 29 anos estava formado em um curso superior -- Educação Física (e que, depois disso, concluiu outros dois cursos superiores: Pedagogia e Administração Escolar e uma pós graduação em Educação Física).

Por essas razões entendemos que a história de José Maria Nunes, um vencedor, no esporte e na vida, merece ser contada. Merece ser conhecida de todos os catarinenses e brasileiros.

No que depender de mim, essa história será bem contada!





PADILHA, Ênio. 2016





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O MUSEU DOS MUSEUS DO FUTEBOL

(Publicado em 07/01/2019)



Muitas cidades do mundo mantêm museus do futebol. São Paulo, Rio de Janeiro, Santos, Madri, Barcelona, Buenos Aires, Mexico, Manchester, Milão... Mas nenhum desses museus pode apresentar um item extremamente valioso: o campo do jogo final da primeira Copa do Mundo de Futebol. Esse privilégio cabe ao MUSEU DO FUTEBOL DE MONTEVIDEO, no Uruguai.





Imagem: Ênio Padilha



O Museu do Futebol de Montevideo foi o primeiro museu deste tipo do mundo e é considerado pela FIFA o único Monumento Histórico do Futebol Mundial.

Apesar disso, trata-se de um museu "simples", despretencioso, sem praticamente nenhum cuidado especial. O ambiente não é organizado como poderia ser, não tem recursos tecnológicos de som e imagens, o ar condicionado não funciona (o que torna alguns dos ambientes extremamente desconfortáveis) e não tem sequer um bar ou café à disposição dos visitantes.

Ainda assim recebe 80 mil visitantes por ano (ingressos a US$ 5,00). Isto se deve, certamente, ao valor e exclusividade dos itens que esse museu pode apresentar.

Pra começo de conversa, para os mais jovens é preciso dizer que o Uruguai foi a maior potência do futebol mundial durante toda a primeira metade do século XX. Não é pouca coisa: o time nacional venceu quatro das seis mais importantes disputas mundiais do período (Jogos Olímpicos de 1924 e 1928 e Copa do Mundo de 1930 e 1950). (O Uruguai não participou da Copa do Mundo de 1934, na Itália em represália as seleções européias que 4 anos antes nāo quiseram ir a sua copa em 1930. E não participou da Copa do Mundo de 1938, na França, em protesto pelo fato de ser realizada duas edições consecutivas da competição num mesmo continente — a Europa). Assim, pode se dizer que o Uruguai ganhou praticamente tudo o que disputou durante aquela primeira metade do século.

E muita coisa representativa daquele período está à disposição dos olhos e corações dos apaixonados por futebol: bandeiras, uniformes dos jogadores, bolas, medalhas e troféus... e aí abre-se um parêntesis para os mais valiosos deles, as réplicas da Taça Jules Rimet conquistadas pelo Uruguai em 1930 e 1950.

Um outro item chama atenção do visitante mais ligado às questões históricas. Eles preservaram a porta (magnífica, de madeira) e os móveis da sala de reuniões onde foi realizado o Congresso Técnico da primeira Copa do Mundo.

E, claro, não poderia faltar um espaço imenso dedicado à maior conquista do Uruguai no Futebol: a vitória sobre o Brasil no Maracanã, em 1950. Confesso que foi bem instrutivo revisitar esse acontecimento com os olhos dos vencedores.

E, de repente, abre-se uma porta do museu, e o visitante se vê na arquibancada de um dos estádios mais icônicos do mundo: o majestoso Estádio Centenário. O campo de jogo está ali, na sua frente. E você percebe que, na verdade, o estádio é muito menor do que você imaginava. O templo sempre aparece nas imagens como uma coisa grandiosa, cheia de glórias e histórias contadas milhares de vezes na TV, nos jornais e nos livros. Berço que gerou grandes ídolos, mitos, gigantes... e, de repente, é apenas um campo de futebol normal, cercado por arquibancadas simples, sem cobertura e sem absolutamente nada de sensacional. Por um instante (apenas por um instante) você pensa que está num lugar comum, sem nada de especial.

Mas a força daquele azul celeste logo nos devolve à realidade de que estamos diante de 90 anos de história. 90 anos de uma história espetacular. Não importa o que o estádio pareça. Aquele gramado e aquele concreto foram testemunhas da glória do melhor futebol do mundo, no seu tempo.

Enfim, o que eu quero dizer aqui é o seguinte: se você é fã de futebol, não deixe de conhecer o Museu do futebol de Montevideo. Talvez não seja o melhor. Talvez não seja o mais bonito nem o mais bem cuidado. Mas, com certeza, é o mais importante de todos, porque ele (e só ele) pode apresentar os itens mais antigos e valiosos da história da Copa do Mundo de Futebol.





PADILHA, Ênio. 2019





MUSEU DO FUTEBOL DE MONTEVIDEO
Av. Ricaldoni s/n (embaixo da Tribuna Olímpica do Estádio Centenário)
Horários: de quarta a sexta das 10h às 17h. Sábados e domingos das 9h às 14h30.





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