Notas de "CRÔNICAS DA CRISE"

18/04/2020

GALERA 50+. BORA PARAR DE PASSAR VERGONHA?

(Publicado em 18/04/2020)





TÁ FICANDO FEIO.
Nessa crise causada pela covid-19 os mais velhos (maiores de 50 anos) que deveriam ser a voz da razão, da experiência e da racionalidade são justamente os que estão fazendo o maior papelão.

E eu não estou falando do Seu Pedro, servente de pedreiro que passa o dia inteiro na obra, sem tempo ou acesso a livros e informação de qualidade. Nem da Tia Juraci, diarista, que não tem como verificar se a fofoca que acabou de ouvir no portão de casa tem ou não tem fundamento.

Estou falando do Dr. Fulano, do Professor Cicrano e de muitos colegas Engenheiros e Arquitetos... gente que trabalha com números, organiza e processa informação para vender aos seus clientes, mas que, aparentemente, não sabe separar o joio do trigo quando o assunto é notícia sobre a crise.




Meu amigo engenheiro ou arquiteto com mais de 50 anos e que está nesse exército de compartilhadores compulsivos de posts com "informações importantes sobre a covid-19". Por favor...

Pare de compartilhar notícias falsas que não resistem a um clique de verificação. O que é que custa verificar se a notícia é verdadeira, antes de enfiar o dedo no botão "compartilhar"?

Pare de compartilhar posts ou notícias sem ler o conteúdo. Muitos sites "caça cliques" escolhem manchetes exageradas ou mentirosas para atrair a atenção de leitores descuidados. Não seja um leitor descuidado.

Preste atenção: quando foi que uma notícia realmente importante (dessas que alteram a conjuntura) apareceu no Whatsapp antes de aparecer num dos grandes veículos da mídia tradicional? Quando foi? Isso não significa alguma coisa? Você realmente acha que se algo importante acontecer isso não será veiculado na mídia?

Toda vez que você lê um post com um fato IMPORTANTE e que começa dizendo que "isto a grande imprensa não mostra" basta fazer uma busca de dois minutos para descobrir que (1) a grande imprensa noticiou, sim ou (2) é apenas mais uma fake news. Desafio o leitor a mostrar uma única vez que isso não aconteceu.

Pare de passar vergonha. Tá ficando feio.




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PADILHA, Ênio. 2020




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DIGA-ME O QUE REPASSAS, RETUÍTAS OU COMPARTILHAS...



Tudo o que você repassa, na internet, chega ao destinatário com a sua "assinatura intelectual". Você se associa automáticamente com aquela idéia, com aquela preferência, com aquele ponto de vista. Enfim, você assina embaixo.



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16/04/2020

O EAD E O TREM DA HISTÓRIA

(Publicado em 16/04/2020)





Ontem eu estava conversando com um amigo que é professor em uma Universidade Federal. Ele estava me dizendo que, como ele já previa, o EAD não funciona.

Contou que a universidade até criou ambientes virtuais e disponibilizou ferramentas de EAD para os professores e alunos.
Mas não deu certo, basicamente porque os professores não se entenderam com os equipamentos e não tiveram a disposição de fazer o esforço necessário para se adaptar às tecnologias de educação à distância.
Conclusão: as aulas foram suspensas e, provavelmente, o semestre será perdido.

Pergunto: qual é a possibilidade de isso acontecer numa universidade privada?
E ouso fazer uma previsão: Estamos vivendo um momento histórico de transformação na educação brasileira (em todos os níveis). E algumas pessoas e instituições poderão perder o trem dessa história




Daqui a uns 10 anos esse episódio "coronavírus/covid-19/quarentena" será lembrado como o vetor fundamental da virada da Educação a Distância no Brasil. As pessoas falarão ou escreverão sobre como, num tempo muito curto, muitos conceitos, ferramentas e recursos de EAD foram popularizados e como milhões de pessoas aprenderam a utilizar a tecnologia para continuar aprendendo ou aperfeiçoando suas competências.

Os nomes de muitas pessoas, empresas e instituições serão mencionados como fruto desse momento de transformação.

E algumas instituições, empresas ou profissionais talvez tenham sua derrocada ou perda de valor de marca ou de mercado explicada pelo fato de terem virado as costas para esta realidade ou por terem minimizado seus efeitos.

Todas as escolas particulares (do ensino fundamental à pós graduação) estão fazendo investimento de recursos (humanos, materiais e financeiros) no sentido de tornar o EAD uma tábua de salvação do ano letivo ou de continuidade dos cursos em andamento. Isso requer organização, disciplina e empenho de alunos, professores e dirigentes dessas instituições. Alguns problemas são inevitáveis. Algumas dificuldades serão relevantes. Mas nada, absolutamente nada, poderá deter o espírito empreendedor.

Os aplicativos e plataformas estão numa guerra para fornecer as melhores soluções para que as aulas possam ser dinâmicas e produtivas. Professores estão tendo seu talento, criatividade e empenho sendo mais valorizados do que a commodity que se transformou o conhecimento técnico. Dirigentes estão tendo que desenvolver habilidades de liderança e coordenação que caibam nos recursos tecnológicos disponibilizados.

Desistir não é uma opção. Suspender o semestre letivo não passa pela cabeça dessa gente. É lutar e lutar, até a vitória.

Tem um trem saindo da estação da história neste momento. Não fique pra trás. Não sabemos quando haverá outro.




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O EAD SERÁ FORTALECIDO NESTA CRISE



(publicado em 22/03/2020)



Assim como muito do trabalho que está agora em home office voltará a ser realizados nas empresas, depois que a crise passar, também muita coisa que será feita por EAD durante a crise voltará ao modo presencial depois da tempestade. Mas... parafraseando Einstein, quando disse que "uma mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original" o avanço e alcance das ações de EAD que ocorrerem durante esta crise estabelecerão um novo patamar de reconhecimento e utilidade para a modalidade.



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16/04/2020

LIVE NO INSTAGRAM @enio.padilha

(Publicado em 16/04/2020)





Todo mundo tem um livro quase pronto (na cabeça). Alguns até já começaram a escrever. E outros já têm o texto pronto, faltando "apenas" alguns ajustes finais.

Produzir um livro, da ideia original até o exemplar na mão do leitor é uma tarefa que exige muito trabalho, de muita gente especializada. Não é fácil e não é simples.

É disso que eu vou falar nessa live do dia 28 (30 minutos de exposição e 30 minutos respondendo perguntas)

Ah, e não se preocupe. Não se trata de divulgação de nenhum curso ou consultoria. O pouco que eu tenho para dizer (com a minha experiência de autor e editor) será dito na live mesmo (de grátis).
Depois é com você. Agenda aí.




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09/04/2020

LIVES, LIVES E MAIS LIVES

(Publicado em 09/04/2020)





Nesses dias de quarentena, algumas pessoas estão reclamando do excesso de Lives nas redes sociais. Mas não há motivo para isso.
Afinal, pra começo de conversa, ninguém é obrigado a ver nenhuma delas. E, além disso, nenhuma dessas lives impede ninguém de fazer qualquer outra coisa. Portanto...

As lives (ou transmissões ao vivo) já estavam por aí, havia algum tempo. Agora assumiram uma posição muito sólida entre as práticas de comunicação social de artistas e produtores de conteúdo em geral.

Passada a quarentena, acredito que os grandes artistas voltarão às suas rotinas de viagens e shows em ginásios e estádios.
Mas, no mundo da produção de conteúdo e da formação continuada de profissionais, a agenda de lives certamente permanecerá com toda a força. E isso é muito bom.




Eu tenho tirado pelo menos uma hora por dia para assistir a uma Live. Nem todas são boas. Em alguns casos é pura perda de tempo, ou por ser mais do mesmo ou porque os envolvidos não conseguem se comunicar com eficiência.

Seja como for, assistir a essas Lives serve, pelo menos, para eliminar de vez certos "influencers" do meu radar. Outros, no entanto, estão conquistando posições importantes nos corações e mentes dos seus leitores e seguidores.

A maioria dos envolvidos nessas Lives (isso me inclui) tem algum produto para vender (cursos, palestras, consultorias, projetos, assessoria, etc). Esses autores fazem das suas redes sociais uma plataforma de comunicação na qual disponibilizam conteúdos com o objetivo de ganhar o interesse e a atenção dos leitores/seguidores.

Se fizermos um trabalho de qualidade, conquistaremos o respeito e o tão sonhado engajamento. Sucesso!

O fracasso, para muitos, não é uma opção. Daí o desespero com que alguns se lançam na rede, com estratégias que algumas vezes ultrapassam o bom senso e, não raro, os limites da ética. E isto explica porque algumas pessoas torcem o nariz para a quantidade de lives que estão acontecendo.

O que eu posso dizer (até agora) é que não vejo motivo para preocupação. Aproveite o momento. Sempre se pode aprender alguma coisa. Ou, no mínimo, descobrir onde não há nada para aprender.




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EMBAIXADINHA NÃO GANHA O CAMPEONATO



(...) Os profissionais têm cada vez mais dificuldade para separar o joio do trigo e estabelecer quem, de fato, tem um conhecimento sólido e um conteúdo com valor diferenciado.

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08/04/2020

AS CRISES EM PROGRESSÃO GEOMÉTRICA



(Publicado em 08/04/2020)



Imagine um cenário fictício em que um reino esteja sendo invadido por forças alienígenas.

A situação é a seguinte:

(a) O planeta invasor deixou apenas um guerreiro às portas do reino. E esse guerreiro, todas as manhãs, consegue se multiplicar gerando outro guerreiro, ou seja: no 1ª dia é um guerreiro, no 2ª dia são 2, no 3ª dia são 4, e assim por diante.

(b) O ataque inimigo começará assim que houver pelo menos 200 guerreiros

(c) O reino poderá resistir ao combate de até 800 guerreiros invasores. Um ataque inimigo com mais de 800 guerreiros conseguirá invadir o reino imediatamente.

(d) O reino possui arqueiros de elite que podem eliminar 30 guerreiros invasores por dia (não mais do que isso). Este é o número máximo de baixas que o reino poderá impor, por dia, ao exército inimigo

A pergunta é: quantos dias o comandante do reino pode esperar até iniciar a resposta à ameaça de invasão inimiga?




Se você aprendeu a calcular progressão geométrica (no meu tempo isso era ensinado no segundo ano do ensino médio) já sabe que o comandante tem apenas 6 dias para iniciar o ataque com chance de sucesso.

No sétimo dia o exercito inimigo já contará com 64 guerreiros e, mesmo que todos os arqueiros acertem seus alvos, ainda restarão 34. E no dia seguinte, serão 68.

Se, no dia seguinte, outros 30 guerreiros inimigos forem eliminados, ainda restarão 38, o que resultará em 76 no dia 9 e aí, como você já percebeu, a derrota é apenas uma questão de dias.

O que podemos aprender com o exemplo acima?
(1) Toda crise é (de alguma maneira) anunciada. Existe um tempo de resposta para praticamente qualquer problema anunciado;

(2) O fato de o inimigo ainda não estar atacando ou não estar causando danos visíveis não quer dizer que ele não existe ou que a ameaça não seja real;

(3) Resistir ao problema e manter as coisas como estão pode protelar a derrota, mas, se a resposta veio atrasada, a derrota é inevitável.

(4) O tempo de resposta efetiva pode ser muito curto ou muito confortável, Mas sempre existe. E existe uma diferença entre não saber o que fazer e não fazer o que precisa ser feito no tempo certo.

(5) Saber o que fazer e saber como fazer exige experiência e o conhecimento da teoria sobre o assunto, pois somente esse conhecimento profundo permite responder de maneira correta dentro do prazo correto;

E isto (é bom entender) embora se aplique à atual crise da Covid19, vale para todas as outras situações do seu negócio.




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07/04/2020

HONRE O JURAMENTO, COLEGA ENGENHEIRO.



(Publicado em 07/04/2020)



ATENÇÃO, COLEGA ENGENHEIRO, que faz parte da elite intelectual brasileira, que teve a oportunidade de estudar estatística, probabilidade e lógica matemática e que, apesar disso está compartilhando fake news pelo Whatsapp e publicando textos e provocações no Facebook em defesa desta busca insana de salvar o patrimônio dos donos do poder econômico (com a desculpa esfarrapada de que é para salvar empregos).

Felizmente, vocês são muito poucos, mas minha sugestão para vocês é que se lembrem do dia da formatura e de um momento específico em que vocês levantaram a mão direita e, junto com todos os seus colegas, fizeram o JURAMENTO DO ENGENHEIRO.

Aquilo ali não era de brincadeirinha, meus amigos. Era pra valer.
E agora chegou a hora de honrar a palavra.




"PROMETO que, no cumprimento do meu dever de Engenheiro, não me deixarei cegar pelo brilho excessivo da tecnologia, de forma a não me esquecer de que trabalho para o bem do Homem e não da máquina. Respeitarei a natureza, evitando projetar ou construir equipamentos que destruam o equilíbrio ecológico ou poluam, além de colocar todo o meu conhecimento científico a serviço do conforto e desenvolvimento da humanidade. Assim sendo, estarei em paz Comigo e com Deus."



Este é o JURAMENTO DO ENGENHEIRO, dito por todos os profissionais de engenharia, no dia da sua formatura. Seu cumprimento resulta em cidades e profissões sustentáveis.




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05/04/2020

LIVE NO INSTAGRAM (2)

(Publicado em 06/04/2020)





Nesta quarta-feira (08/04/2020 - 20h30) estarei participando, como convidado, em uma Live no Instagram do colega engenheiro
Ricardo Almeida, de Aracaju, Sergipe.

O tema será a PRODUTIVIDADE EM ESCRITÓRIOS DE ENGENHARIA E ARQUITETURA. Conversaremos sobre (1) o que significa produtividade e seus impactos na sustentabilidade de um Escritório de Engenharia e Arquitetura; (2) a sistematização dos processos produtivos — os algoritmos de tarefa e de serviço; (3) a importância das rotinas para a produtividade.

A live acontecerá no @eng_ricardo_almeida.

Você não pode perder esse bate-papo:






Veja, abaixo, os links para os artigos citados durante o Bate-Papo:

SISTEMATIZAÇÃO DOS PROCESSOS PRODUTIVOS EM ESCRITÓRIOS DE ARQUITETURA E ENGENHARIA

TALENTO, ORGANIZAÇÃO E DISCIPLINA

PROJETO, CONSULTORIA, ASSESSORIA ALHOS E BUGALHOS

Muito obrigado a todos os que participaram, enviaram perguntas ou fizeram comentários




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04/04/2020

LIVE NO INSTAGRAM



(Publicado em 04/04/2020)



Neste sábado (04/04/2020 - 16h00) estarei participando como convidado em uma Live no Instagram do colega engenheiro Emanuel Maia Mota, presidente licenciado do Crea-CE.

Conversaremos sobre (1) voto pela internet, (2) padronização de procedimentos (em todos os Creas), (3) uso de Inteligência Artificial, utilização de BigData, (4) ações possíveis em favor da Qualidade da Educação Fundamental e (5) ações possíveis em favor da Qualidade da Formação Profissional.

Não perca esse bate-papo:




Veja, abaixo, os links para os artigos citados durante o Bate-Papo:

QUEM TEM MEDO DA ELEIÇÃO VIA INTERNET NO SISTEMA CONFEA/CREA

POR QUE ODIAMOS TANTO O CREA?

ENCONTRO DE LIDERANÇAS DO SISTEMA CONFEA/CREA (2020)
(Veja o tópico EDUCAÇÃO


Muito obrigado a todos os que participaram, enviaram perguntas ou fizeram comentários





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03/04/2020

OS BENEFÍCIOS E PERIGOS DA AUTOPUBLICAÇÃO



(Publicado em 03/04/2020)



Em janeiro de 2019 escrevi um texto que explica O CAMINHO DAS PEDRAS PARA A PRODUÇÃO DE UM LIVRO (link AQUI) que é uma tentativa de explicar quais são as fases e tarefas para publicar um livro, desde a ideia original até o exemplar impresso entregue ao leitor.

Esse artigo, felizmente, teve muitos leitores desde a sua data de publicação e, nesta semana, um professor por quem eu tenho um carinho muito grande (o Farlley Derze, de Brasília) deixou lá um comentário e uma pergunta:
Eu gostaria de conhecer sua opinião a respeito da “autopublicação” (Amazon, Clube de Autores, PerSE).
E, ainda, sua opinião sobre os e-Books


É claro que eu tenho de dar uma resposta, embora não seja uma coisa tão fácil. Aí vai:




Num passado não muito distante (estamos falando de 50 ou 60 anos) escrever um livro era um trabalho de no mínimo, duas pessoas: o autor e o editor.

Cabia ao editor fazer a curadoria do trabalho do autor. Avaliar a ideia original do livro, decidir se valia ou não a pena publicar, orientar o autor no processo de pesquisa, fazer a leitura crítica dos originais, enfim... o editor era o filtro que entregava ao livro um "selo de qualidade editorial" que, muitas vezes, garantia o sucesso da produção.

E, além disso, os custos de produção de um livro eram muito altos e poucos tinham acesso a esses recursos. Era preciso utilizá-los com muita inteligência e, claro, não se podia publicar qualquer coisa.

Entre os anos 1960 e 1980 as impressoras Offset foram se tornando cada vez mais populares e as velhas impressoras de tipos móveis foram sendo substituídas, resultando num custo cada vez menor para a impressão de jornais, revistas e livros. Com isto, entre o final do século XX e nas primeiras décadas do século XXI a ETAPA 3 - Impressão e Acabamento da produção dos livros tornou-se acessível para muito mais gente (Leia o artigo O CAMINHO DAS PEDRAS PARA A PRODUÇÃO DE UM LIVRO para entender do que estamos falando).

No início dos anos 2000 a internet permitiu o surgimento dos Blogs e com eles uma legião de autores passou a escrever com uma frequência muito maior. Alguns deles descobriram que tinham leitores interessados no que escreviam e uma parte desses autores (que tinham muitos leitores) encontrou espaços nas editoras estabelecidas e tiveram seus livros publicados.

Muitos porém, apesar de terem leitores foram preteridos e acabaram descobrindo que poderiam bancar, por conta própria a produção dos seus próprios livros. Afinal, não existe nenhuma lei ou reserva de mercado protegendo interesses das editoras.

O que parece ter sido uma coisa boa, representa também um grande perigo: a eliminação da figura do EDITOR, que funcionava como um curador literário acabou permitindo a publicação de um volume muito grande de livros de qualidade no mínimo duvidosa.

Mas isso nem é um grande problema. Afinal, ninguém é obrigado a comprar um livro e, muito menos, lê-lo até o fim. Portanto, um livro ruim na sua biblioteca é, quando muito, apenas um mau investimento.

Então, respondendo a uma das perguntas do meu querido amigo Farlley: Sim, eu acho que a possibilidade de autopublicação, ainda que possa resultar, eventualmente, em livros ruins, não é, em si, um grande problema.E isto se aplica, indistintamente, tanto para livros impressos como para e-books.

Eu já me acostumei com e-books. Embora ainda goste mais dos livros impressos, consigo ler muito bem nos aplicativos e nas telas do computador. O que acontece com os ebooks , no entanto, é que esse é um produto muito fácil de fazer mal feito.

Uma vez que os custos de produção são muito mais baratos, muito mais gente se aventura a publicar seus próprios e-books e isso nos leva a uma quantidade muito grande de livros muito ruins nesse formato.

Eu prefiro e-books que já tenham tido uma versão impressa. É um critério de seleção que eu costumo fazer.




Agora, sobre a outra parte da pergunta, respondo contando um pouco sobre como eu acabei, há 20 anos, criando a OitoNoveTrês Editora para produzir os meus livros.

Como vocês sabem, meu primeiro livro (MARKETING PARA ENGENHARIA E ARQUITETURA) foi editado pelo Crea-SC, em 1998. Teve a curadoria do querido amigo arquiteto Osvaldo Pontalti. Foram muito importantes as orientações que eu recebi dele e o cuidado que ele teve com a qualidade do produto final. Eu não tinha nenhuma experiência com aquilo e, provavelmente, sem a participação dele, teria transformado meu próprio trabalho em um fracasso editorial.

Com o sucesso do primeiro livro, comecei logo a produzir o segundo (MARKETING PESSOAL E IMAGEM PÚBLICA) com o objetivo de complementar o conteúdo. Apresentei os originais a diversas editoras de Santa Catarina. As condições propostas por essas empresas esbarravam no meu bom senso. Não fazia nenhum sentido entregar um livro pronto para uma editora que não prometia fazer nenhum esforço de promoção e distribuição e que me pagaria apenas 10% do valor de venda de cada unidade (e só se houvesse vendas!).

Meu raciocínio foi o seguinte: se eu terei de escrever, promover e vender os livros e só vou ganhar 10% então eu mesmo vou assumir todo o trabalho e todo o risco, mas, pelo menos, ficarei com uma parcela bem maior do faturamento. E foi o que eu fiz (e nunca me arrependi!).

E eu acredito que esse é o raciocínio de todos os autores independentes e de todas as pequenas editoras espalhadas pelo Brasil. Trata-se apenas de escapar de um modelo de negócio (das grandes editoras) que só é bom para o autor se existir a perspectiva de vendas de milhares e milhares de exemplares por mês. Não é o meu caso, infelizmente.

Isto explica o surgimento de dezenas de plataformas, dentre as quais destacamos aqui essas três mais famosas (Amazon, Clube de autores, PerSE). Todas essas plataformas têm em comum o fato de não fazerem curadoria, ou seja: permitem uma linha reta da cabeça do autor até a mão do leitor. Muitas vezes isso resulta em um livro sem revisão gramatical, sem revisão editorial, com uma diagramação ruim e ilustrações impertinentes.

Mas, eventualmente, como em qualquer área, podem surgir produtos de boa ou excelente qualidade.

Essas plataformas de produção e distribuição disponibilizam ao autor a ETAPA 3 - Impressão e Acabamento e a ETAPA 4 - Lançamento e Distribuição. Ajuda muito. Mas o autor não pode perder de vista que são as etapas (Pesquisa e Texto) e 2 (Produção pré-impressão) as que, realmente, garantem a qualidade do livro.




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02/04/2020

EMBAIXADINHA NÃO GANHA O CAMPEONATO



(Publicado em 02/04/2020)



Em setembro de 2015 eu escrevi um artigo no meu site com o título ABRE TEU OLHO, COLEGA ARQUITETO no qual eu enumerava considerações sobre uma crescente onda de Consultores/Coaches/Evangelizadores que ensinavam técnicas de manipulação dos clientes, truques baseados na neurolinguística e conceitos como “gatilho mental” para provocar comportamentos ou “isca” para atrair clientes incautos.

Evidentemente meu esforço foi em vão. Cinco anos depois, essas coisas foram espalhadas de tal maneira que agora qualquer recém-formado (e até mesmo alunos de 5º ou 6º período da graduação) já está se apresentando como AUTORIDADE. Ninguém mais é aprendiz.

Os profissionais têm cada vez mais dificuldade para separar o joio do trigo e estabelecer quem, de fato, tem um conhecimento sólido e um conteúdo com valor diferenciado.




Parece que o principal indicador de qualidade utilizado é o número de seguidores no Instagram. Eu não digo que isso não é importante, mas não pode ser o único, nem o mais importante.

Na minha área de conhecimento, eu conseguiria listar uma dúzia de autores experientes, com livros publicados e pesquisas consistentes e que não têm nem 10 mil seguidores. Por outro lado, Seria muito fácil apontar uns 15 ou 20 com mais de 50 mil seguidores no Instagram mas que não conseguiriam escrever um artigo para publicação em uma Revista Nacional B5 (na verdade, a maioria deles nem sabe o que é uma Revista Nacional B5).

Esse parece ser o desafio que se impõe, nos dias de hoje, para aqueles que produzem conteúdo de qualidade: demonstrar que, fazer centenas de embaixadinhas sem deixar a bola cair não faz de ninguém um bom jogador de futebol.

Nessas semanas de quarentena as Lives se multiplicaram quase tanto quanto o próprio coronavírus. Eu tenho visto muitas delas (sempre se pode aprender algumas coisas). Em algumas, porém, eu me sinto como se estivesse vendo um jogo de um campeonato de várzea... em dia de chuva.

E o pior é que os protagonistas acham que estão jogando a Champions League. Chega a ser patético a falta de leitura, de referências e de experiência. Mas não faltam arrogância e pretensão.

Nesta semana eu estava assistindo a apresentação de um jovem engenheiro, formado há três anos e que disse, lá pelas tantas, que estava ali para ensinar os seguidores a serem como ele e a conquistarem a posição que ele conquistou. Não sem antes dizer, claro, que é muito fácil.

(Não consigo imaginar um profissional competente, com 15 ou 20 anos de experiência, dizendo uma barbaridade dessas)

Tenho conversado com colegas de áreas técnicas como Estruturas, Gestão de Projetos e Iluminação, por exemplo, e eles relatam as mesmas coisas. Dizem que está em curso um festival de barbaridades.

No meu caso, em praticamente todas as lives que eu vi, os apresentadores não foram além dos manuais de marketing e vendas. Nenhum pensamento realmente novo. Nenhuma abordagem inovadora. Só o mesmo Bê-a-Bá (ou bla-bla-blá, se preferir). Na maioria dos casos, confundindo conceitos, desconsiderando fundamentos teóricos e realizando tentativas bizarras de redescobrir a roda.

Não estão fazendo mais do que embaixadinhas. E são bons nisso. Atraem a atenção do público e ganham suas moedas. Mas não são úteis para quem pretende ganhar campeonatos e chegar à Série A.

Volto a repetir: abram os olhos, colegas engenheiros e arquitetos.




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PADILHA, Ênio. 2020



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