Sábado, 28/03/2020 – Veja todos os posts publicados nesta semana.

Da Hora!

VACAS VERDES E CACHORROS AZUIS



(Publicado em 27/03/2020)



Alguns dos meus amigos queridos estão em quarentena com filhos pequenos em casa. Nem sei o que dizer!

Quando as meninas eram pequenas (3 e 6 anos) a Áurea (que é professora de Educação Física e, na época, trabalhava com educação infantil) cuidava do desenvolvimento social e psicomotor delas com mil e uma atividades lúdicas, uma mais divertida do que a outra.
Mas cabia a mim, todas as noites, contar uma historinha pra elas, antes de dormir.

Era uma tarefa duríssima, porque o meu repertório de historinhas era muito limitado. Então, sabem o que eu fazia... inventava histórias surreais interativas... e elas adoravam:




Era mais ou menos assim: as duas sentadinhas na cama, com os olhinhos brilhando esperando a história começar. Eu, disfarçando meu medo de que, naquela noite, minha farsa seria finalmente descoberta, sentava na cama e começava...

"Era uma vez, numa floresta cheia de árvores amarelas, caminhava saltitando, um cachorrinho azul. Ele passou por uma estradinha de grama bem vermelha e encontrou com uma vaquinha verde. Estão acompanhando? "Sim, sim..." "Que cor era o cachorrinho?" "Azul! Azul!" "Muito bom. Isso mesmo: o cachorrinho era Azul".

"Então... aí a vaquinha verde falou para o cachorrinho azul: 'tenha cuidado com o Leão que mora atrás daquelas árvores brancas!' e o Cachorrinho azul respondeu: "Leão?! Eu nem sabia que tinha leões nesta floresta. Como ele é?' E a vaquinha respondeu: 'Ele é todo roxo, com bolinhas pretas e tem as patinhas marrons'. E o cachorrinho disse: 'Nossa, que medo! Ele come cachorros?' E a vaquinha disse: 'Claro que come. Tome cuidado!'.

As duas cheias de preocupação. Então eu perguntava novamente: "Qual é a cor do Cachorro?" "Azul, Azul!" "E a cor da vaquinha?" "É verde!" "E a cor das patinhas do leão?" "Hein?" "As patinhas do leão? De que cor elas são" "Hummmm deixa eu ver..." Geralmente a Ana Clara que era mais velha já estava mais ligada. "marrom, marrom!" "Isso, isso... continuamos..."

"A tarde começou a cair e o cachorrinho azul precisava voltar pra sua casinha. Mas agora ele estava com medo que o leão o encontrasse. Então ele resolveu pedir ajuda para o urso cor de rosa..." "Urso cor de rosa?!" "Isso, um urso cor de rosa que morava na floresta e que era amigo do cachorrinho azul e da vaquinha. Vocês ainda lembram qual era a cor da vaquinha?" "Verde. A vaquinha era verde" "E a cor da grama na estrada?" "Hein?" "Que cor era a grama?" "..." "???" "Verde?" "Claro que não! Se a grama da estrada fosse verde ninguém poderia enxergar a vaquinha, pois ela era verde também!" "hmmmm" "Ah, lembrei: era vermelha!" "Isso!!! Muito bom"

E assim a história ia se esticando, esticando... e novos personagens iam sendo incluídos, todos com cores estapafúrdias e montando um jogo de memória muito divertido (Pelo menos pra mim. Não sei o que elas pensavam disso) até que eu percebia que tinha vencido o jogo pelo cansaço e elas já estavam ficando com os olhinhos pequenos de sono.

Não. Não estou aqui dando uma dica de como lidar com crianças em casa em tempos de quarentena. Apenas apenas tive essa lembrança feliz e resolvi compartilhar. Deu saudade da minha plateia de ingênuas divertidas.

E, à propósito, meu Kaô nunca foi descoberto. Mantive a farsa por vários anos sem nunca ter sido desmascarado.




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UM FILHO TEU NÃO FOGE À LUTA

(Publicado em 27/03/2020)


 

Professores e estudantes de Engenharia Mecânica da Uniavan (aqui de Balneário Camboriú) estiveram envolvidos numa corrida para desenvolver e produzir uma Mascara 3D para proteção das equipes médicas que tratam os pacientes da Covid19.

Prof. Julio Cesar Berndsen, coordenador do curso de Engenharia Mecânica Uniavan e o acadêmico Andrei Bender foram os principais responsáveis pelo projeto que contou também com a participação da professora Sabrina Weiss Sties coordenadora do curso de fisioterapia.

O protótipo ficou pronto ontem (foto) e deverão ser produzidas mais de 500 peças.

Parabéns aos envolvidos.

O professor Júlio, além de coordenador do curso de Engenharia Mecânica da Uniavan, é um dos mais brilhantes palestrantes da OitoNoveTrês. Estamos, portanto, muito orgulhosos do seu trabalho.


 

Para obter mais informações visite UNIAVAN

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EMPREENDEDORES DO ATRASO



(Publicado em 27/03/2020)



Parece ser muito verdadeira a frase que diz que "é na tempestade que os melhores marinheiros se revelam". Esta tempestade causada pelo novo coronavírus tem feito luz sobre a qualidade absurdamente baixa dos empresários brasileiros.

E, antes que venham de lenga-lenga, esclareço. Sou um empreendedor desde o primeiro dia que coloquei os pés fora da faculdade, em 1986. Sempre tive atividade empreendedora e empresarial. Conheço muito bem o lado de cá. E sinto vergonha de fazer parte do mesmo time de gente como esses irresponsáveis e gananciosos que estão desesperados por salvar suas economias, mesmo que à custa da saúde ou da vida de "apenas" 10% da população (um "desprezível" contingente de 22 milhões de brasileiros de segunda classe, segundo essa gente.




Como eu já disse muitas vezes, não tenho o hábito de bloquear ou eliminar ninguém das minhas redes sociais por divergência de opinião política, religiosa ou futebolística. Isso garante que eu não fique confinado a nenhuma bolha de pensamento. Ouço de tudo, vindo de todos os lados. Tenho uma ideia melhor do que estão fazendo ou dizendo, inclusive os extremistas de direita e de esquerda.

Nesta semana, encorajados pelo discurso e comportamento irresponsável do nosso presidente maluco, grande parte dos empresários sem noção passou a defender com força cada vez maior o retorno imediato à normalidade do dia-a-dia do país.

Que gente despreparada!

Se eles têm tanta preguiça de estudar ou de pensar, pelo menos prestem atenção no que estão fazendo as pessoas e instituições que são reconhecidas justamente por sua capacidade de estabelecer estratégias milimetricamente pensadas e baseadas em informações científicas.

Será que eles acham que é por histeria ou por desejo de derrubar o governo do Mito que foram interrompidos eventos como a Fórmula 1, os Jogos Olímpicos, a NBA e a Champions Leage? Será que eles têm noção de quanto dinheiro será perdido e quantas pessoas e empresas foram prejudicadas com essas decisões? E as grandes feiras? exposições? congressos? Será que mais de 180 governos do mundo inteiro estão histéricos? Que fenômeno fantástico seria esse?

Não é de hoje que se sabe que os empresários brasileiros compõem uma elite ignorante e egoísta. Basta ver como eles têm dificuldade de lidar com a ideia de contribuir com qualquer coisa que não represente lucro imediato, como as escolas, os hospitais, os institutos de pesquisa, as bibliotecas ou museus. A gente praticamente nunca ouve falar de doações de milionários brasileiros para esse tipo de coisa, como se vê nos EUA e na Europa.

Eu sou empreendedor e empresário. Estimulo profissionais de Engenharia e de Arquitetura e abraçar a iniciativa privada e o empreendedorismo. Mas, sinceramente, tenho vergonha desses que se dizem empreendedores mas que têm essa total falta de disposição para correr riscos e essa total falta de empatia e espírito de solidariedade.

Já não basta a vergonha que é impor férias a um empregado que terá de ficar trancado dentro de casa (repassando para eles o prejuízo)?

Espero que 2020 termine logo, porque olha... tá difícil.




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O PREÇO DE TODAS AS COISAS



(Publicado em 26/03/2020)



Muitas pessoas estão escandalizadas por conta de que algumas autoridades (incluindo aí o presidente do Banco do Brasil) estão ponderando que a morte de algumas pessoas (velhos, doentes e improdutivos) é um preço razoável a se pagar para salvar a economia do país.

Aí me lembrei de um livro que eu li em 2011 (O PREÇO DE TODAS AS COISAS - Porque pagamos o que pagamos de Eduardo Porter), cuja resenha escrevi na época e repito abaixo.

Quanto vale o trabalho? Quanto vale o tempo? Quanto vale o lixo, a cultura, a fé? Quanto vale uma vida humana? Quanto vale o que é recebido de graça?




(Publicado em 09/11/2011)



Tudo na vida tem um preço! Você já deve ter ouvido isto algumas vezes. Talvez tenha até concordado. Mas é pouco provavel que já tenha parado para pensar mais profundamente à respeito. Será que é verdade? Tudo tem preço mesmo? Quanto vale o trabalho? Quanto vale o tempo? Quanto vale o lixo, a cultura, a fé? Quanto vale uma vida humana? Quanto vale o que é recebido de graça?

Acabei de ler um livro que traz boas respostas para todas essas perguntas:
O PREÇO DE TODAS AS COISAS - Porque pagamos o que pagamos, primeiro livro (espero que não seja o último) de Eduardo Porter, autor norte-americano (ou estadunidense, se preferir) que escreve sobre economia e negócios para o New York Times.

O livro me foi recomendado pelo professor José Geraldo Baracuhy, da Universidade Federal da Campina Grande, na Paraíba. Segundo ele, trata-se de um tratado filosófico não apenas sobre o preço das coisas mas também sobre o seu valor. Obrigado, professor. Sua sugestão me propiciou momentos de produtiva reflexão!

Eduardo Porter abre o livro falando sobre o preço do lixo e como lidamos com este "produto". Mostra-nos como o valor do lixo é percebido de maneiras distintas por pessoas de classes socias diferentes ou em diferentes países. O que para uns é apenas entulho, para outros é tudo!

Ainda na primeira parte do livro ele se dispõe a uma tarefa que parece ser impossível: determinar o valor (em dinheiro) da vida humana. E faz isso baseado em números da economia e de decisões de empresas, governos, famílias e indivíduos.

Traça um mapa instigante para chegar à conclusão de que uma vida humana vale cerca de dez mil dólares americanos nos países desenvolvidos e menos de mil dólares em países subdesenvolvidos. Os números fazem sentido, depois de ler o livro.

Porter utiliza a matemática, os postulados da economia, da política e do mercado para desvendar o preço de todas as coisas: da saúde à educação; do lazer à segurança; do tempo à felicidade.

Vale a pena ler o livro. Vale o custo de comprar o exemplar na livraria e vale o tempo despendido na leitura. Especialmente se você precisa determinar o preço do seu trabalho, do seu produto.

É mais fácil tratar disso quando você consegue refletir sobre o valor que seu potencial cliente provavelmente dará ao que está sendo negociado.

Especialmente se você não vende commodities e se o seu produto é algo intangível, variável e com alto componente intelectual agregado, é interessante saber o que tem valor para o cliente. O que ele está disposto a pagar para obter.

Tenho certeza de que o livro de Eduardo Porter será de grande ajuda.




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A CÉSAR O QUE É DE CÉSAR



(Publicado em 26/03/2020)



Meus programas favoritos na TV são, sem dúvida, os programas de entrevistas. Especialmente programas em que o entrevistado precisa interagir com dois ou mais entrevistadores, como o Roda Viva, da TV Cultura ou o Segunda Chamada do canal MyNews.

Esses programas têm sido, nessas últimas semanas, demonstrações de que algumas atividades perdem muita qualidade se não forem realizadas presencialmente.

No momento, por razões óbvias, entrevistados (e, eventualmente, entrevistadores) fazem as suas participações a partir de suas casas (ou estúdios remotos). Aí, a falta do contato visual e dos pequenos gestos da comunicação não-verbal entre os envolvidos resulta em problemas na fluidez da conversa, comprometendo, em grande medida, a qualidade do produto final.




O rádio, o cinema e os livros impressos são exemplos de produtos que já tiveram a morte anunciada nas últimas décadas. Agora a educação presencial parece ter entrado para o clube. Mas não é tão simples (e nem tão rápido).

Eu publiquei aqui, na semana passada, o artigo O EAD SERÁ FORTALECIDO NESTA CRISE, no qual eu destaquei as razões pelas quais o EAD será uma modalidade de ensino cada vez mais considerada, em todos os níveis (do ensino fundamental à pós graduação e a formação continuada de profissionais). Mas é justo que se dê a César o que é de César: a modalidade presencial tem qualidades insubstituíveis e insuperáveis.

Encontros, Fóruns, Congressos, simpósios, aulas, palestras e cursos presenciais não serão extintos pela onda devastadora do EAD (ou TAD, Tudo a Distância).

No nosso Protocolo 89, por exemplo, temos 27 reuniões programadas: 26 realizadas pela internet (Skype, Zoom, Meet Google, FaceTime...) e uma reunião presencial de um dia inteiro, na sede do contratante. É nesta reunião presencial que eu posso entender melhor o escritório, conhecer as instalações da empresa, a vizinhança, o clima de trabalho, a iluminação, a temperatura, os ruídos de fundo, as áreas de apoio, o cafezinho, a água fresca.

Todo o meu trabalho, as minhas análises e recomendações para o contratado nos meses seguintes seriam prejudicados sem essas informações cruciais colhidas nessa reunião presencial.

Nos cursos de graduação, por exemplo, a interação humana que o estudante consegue ter na modalidade presencial não tem paralelo possível na modalidade EAD. Especialmente se o curso presencial for numa Universidade, onde o estudante estabelecerá relacionamentos e vínculos com os colegas de classe, com colegas de outros cursos professores, empregados da instituição e interagir com todo o ambiente artístico, intelectual e lúdico da universidade. Isso é essencial na construção da personalidade de jovens de 17 a 23 anos. Nesse campo, os cursos presenciais são imbatíveis em termos de resultados.

Essa era a principal razão pela qual eu fui, durante muitos anos, absolutamente contrário à disseminação do EAD nos cursos de graduação. E ainda acho que, tanto quanto possível, deve-se evitar o EAD na graduação, especialmente para não privar os jovens dessa interação social e desse universo de possibilidades que a passagem por uma universidade presencial oferece.

Eu participo, todos os anos, de alguns congressos online. Muitos oferecem conteúdo de qualidade, sem dúvida. Excelentes palestrantes, com ótimos temas, muito bem explorados. Porém, do ponto de vista emocional, esses congressos não atingem nenhum objetivo. Não restam lembranças. Não existe o salão do cafezinho, as conversas de corredor, o convite de um amigo para um almoço e a oportunidade de colocar os assuntos em dia. Definitivamente, não participo desses congressos com o mesmo prazer com que desfruto os congressos presenciais.

Enfim, o EAD é, como já foi dito antes, uma modalidade de ensino com muitas utilidades e que consegue substituir plenamente muitas coisas que durante muito tempo só foi realizado de forma presencial. Mas ainda existem territórios nos quais o presencial é imbatível. Convém não perder isso de vista.




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VALORES INALIENÁVEIS



(Publicado em 25/03/2020)



O discurso de ontem (24/03/2020) do Presidente da República é inaceitável, escandaloso e envergonha a humanidade!
Considerar a morte de seres humanos como um resultado aceitável (para salvar a economia do país) é uma falta de empatia e de valores humanos que eu nunca vi igual. Não importa se esses seres humanos são velhos, doentes ou improdutivos. É inaceitável! Simples assim.

Me admira que certos líderes religiosos estejam concordando com isto. Mas não me surpreende que a elite empresarial brasileira pense assim, dado que essa elite é uma das mais antiéticas e sem empatia do mundo (basta ver o percentual quase zero de empresários ricos que contribuem para hospitais, escolas ou bibliotecas).




Uma das tarefas do Protocolo 89 é o reconhecimento dos valores individuais do profissional empreendedor. Trata-se de um exercício solitário. Eu forneço uma tabela com uma lista de 25 valores (confira AQUI). São 25 coisas que o empresário deverá colocar em ordem de importância e prioridade.

Não pode haver ambiguidade. Duas coisas não podem ter o mesmo valor. Cada uma das coisas precisa ser estabelecida como mais importante ou menos importante do que outras na lista. E o resultado não é passado para mim. Eu não preciso saber. A escala de valores de cada um é um assunto muito particular. Ninguém mais precisa saber. Mas a pessoa precisa ter essa informação de forma muito cristalina.

Os Valores são as medidas variáveis de importância que se atribui a alguma coisa. Nossos valores representam as qualidade (de natureza física, intelectual ou moral) que nos despertam admiração ou respeito. São as coisas que usamos como critérios para avaliar nossas ações (e as ações dos outros) como boas ou ruins

As pessoas organizam (arranjam) seus valores em camadas, de forma hierárquicas. Muitas vezes fazem isto de forma inconsciente.

É a sua escala de valores que responde perguntas importantes como "o que é mais importante para mim em relação à vida?" "Quais são as conquistas que valem a pena?" "Se couber a mim a decisão, devo salvar uma vida ou salvar o meu negócio?"

Você, leitor, caso esteja se sentindo tentado a concordar com o discurso do presidente, baixe o arquivo do link e faça o teste. Se itens como Família Direta, Família Estendida e Saúde Física estiverem abaixo de Segurança no Emprego, Ascensão na Carreira ou Ganho Financeiro... boa sorte.

Eu dirijo uma empresa de eventos. Meu principal negócio são os eventos presenciais. Estamos num dos grupos mais prejudicados pela quarentena. Mas, se a minha empresa quebrar por falta de clientes, e isto ajudar a salvar a vida da avó de alguém, já fico feliz. Minha empresa certamente se reerguerá depois da crise. Nenhum dos mortos poderá fazer o mesmo.




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TRADE OFF



(Publicado em 23/03/2020)



TRADE OFF é um termo, em inglês, geralmente utilizado em Administração ou Economia, que define uma situação em que há um conflito de escolha.
É quando o dirigente tem de fazer uma escolha abrindo mão de outra coisa. Quando a solução de um problema causa outro problema. O dirigente precisa decidir qual é, dos males, o menor.




Pois bem, o Brasil nunca teve uma oportunidade de testar a qualidade dos seus líderes, em todos os níveis, como o momento que estamos vivendo.

Um líder, geralmente, é uma pessoa que apresenta certas características. Um trabalho que eu fiz (com mais dois colegas) em 2005, para a disciplina de Estratégia, no Mestrado em Administração, foi uma revisão de literatura sobre características de líderes. O resultado foi uma enorme lista (que eu utilizo até hoje nas minhas aulas) das quais faço o destaque de seis características importantes: autoconfiança, autonomia, criatividade, disposição para assumir riscos, iniciativa, motivação, senso de planejamento e tolerância à ambiguidade.

É dessa última característica que trataremos aqui: TOLERÂNCIA À AMBIGUIDADE é a capacidade que o individuo tem de manter-se confortável (e produtivo) diante de escolhas críticas no seu universo de negócios. É a capacidade de lidar com mudanças e com circunstâncias inusitadas em um espaço de tempo muito curto. Os líderes com essa capacidade se desgastam menos no processo de decidir e produzem melhores resultados, sempre.

Esta crise causada pelo novo CoronaVírus possui pelo menos três características importantes que, combinadas tornam esse episódio absolutamente único: (1) a gravidade e a perspectiva de mortes envolvida em cada decisão; (2) a instantaneidade, representada pelo fato de que o quadro geral sofre variações absurdamente grandes, literalmente, de um dia para o outro; (3) o trade off natural que as consequências de ações propostas representam.

Os líderes estão tendo de "tirar o leite com a vaca andando" pois as premissas que foram utilizadas para tomar uma decisão ontem podem não ser mais as mesmas hoje.

Das informações que temos podemos afirmar, categoricamente, duas coisas: (1) Estabelecer (e sustentar) uma quarentena total por vários meses pode reduzir o número de vítimas fatais, mas levará a economia a um colapso de proporções babilônicas; (2) Não considerar nenhum nível de isolamento social (e deixar que a natureza faça o seu trabalho em paz) resultará em um número de mortes inimaginável (e um caos social sem precedentes).

Felizmente nenhum governante está propondo nem uma coisa nem outra. O problema que os líderes estão enfrentando é descobrir qual é a dose correta do remédio. Não se pode matar o doente por ministrar a dose exagerada do remédio correto.

E se você pensa que isso é um problema apenas dos prefeitos, dos governadores, dos ministros e do presidente da república, fique ligado. Você também, pequeno empreendedor da Arquitetura e da Engenharia, com o seu escritório ou pequena construtora, também está sendo (ou será nos próximos dias) apresentado a esses trade offs importantíssimos. E, no empreendedorismo, são esses desafios que separam as crianças dos adultos.

Para ampliar a sua tolerância à ambiguidade existe um remédio: INFORMAÇÃO DE QUALIDADE. Quanto mais você estiver bebendo em fonte de água limpa, longe dos boatos e especulações, melhor preparado para decidir você estará.

Pare de se alimentar nas redes sociais. Facebook, Instagram e Whatsapp não são bons conselheiros nessas horas. Escolha fontes confiáveis (se possível, as oficiais), desconsidere qualquer notícia que não tenha sido checada com cuidado. E, acima de tudo, não se deixe seduzir por explicações simples.

Preste atenção em Henry Louis Mencken, jornalista e crítico social norte-americano, que disse, em 1917, que "para todo problema complexo existe sempre uma solução simples, elegante e completamente errada."




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O EAD SERÁ FORTALECIDO NESTA CRISE



(Publicado em 22/03/2020)



Nem todas as indústrias* terão prejuízos com esta crise.
Todos terão algum nível de perdas, mas indústria da saúde, por exemplo, não deverá sofrer impactos econômicos significativos, embora casos isolados de prejuízos possam ser identificados. Não imagino o dono de uma clínica médica preocupado com o futuro do seu negócio como o dono de um hotel ou de uma empresa de eventos. A indústria farmacêutica (especialmente a produção de remédios) também não sofrerá danos (exceto, claro, os problemas de produção, derivados da falta eventual de mão de obra).

Outra área que terá um resultado muito positivo com esta crise (especialmente no ponto de vista de valor das marcas ou prestígio do conceito) é a de Educação a Distância — EAD.




Eu já fui contra muitas formas de ensino a distância, especialmente quando se tratava de graduação e pós graduação. Aí, em 2013, tive a oportunidade de ler o livro OS TORTUOSOS CAMINHOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA - PONTOS DE VISTA IMPOPULARES do brilhante pensador brasileiro da educação Cláudio de Moura Castro (nunca entendi porque ele nunca foi Ministro da Educação, mas isso é assunto para outro artigo). Escrevi AQUI uma resenha para o livro.

Depois de ler o livro mudei radicalmente de ideia. E fui evoluindo o entendimento do assunto até me tornar um defensor desta forma de ensino em todos os níveis da educação (da pré-escola ao Doutorado, passando pelos cursos de formação profissional continuada).

A transição, afinal, não foi tão complicada, uma vez que, desde 1999, eu já estava envolvido, de alguma forma, com o EAD.

O primeiro curso via internet destinado a engenheiros e arquitetos, no Brasil, foi o meu curso de MARKETING PARA ENGENHARIA E ARQUITETURA que teve duas turmas (mais de 200 alunos) no Crea-MG em 1999 e uma turma (50 alunos) no ano 2000, no Crea-RS.

Tudo isso aconteceu há mais de 20 anos, num tempo em que a discussão do sistema EAD estava longe de ser um assunto "da hora".




Enfim, passei para o outro lado da trincheira e passei a ter de enfrentar os argumentos dos que (como eu era) são contra a aplicação do Ensino a Distância.

O objetivo deste artigo não é argumentar a favor do EAD, nem desfiar o rosário de virtudes que as múltiplos ferramentas de EAD têm. A questão aqui é outra: mostrar que o EAD sairá desta tempestade muito mais forte do que entrou.

O principal argumento contra o EAD é a crença de que a modalidade (**), simplesmente, não funciona. Essa crença será fortemente bombardeada pela intensa necessidade e livre utilização dos recursos de EAD durante o isolamento social (voluntário ou obrigatório). Muitas coisas importantes irão acontecer e contribuir para o fortalecimento do conceito e das marcas ligadas ao EAD.

(1) O conceito de EAD irá se fortalecer, à medida que as pessoas perceberem que tudo pode ser ensinado e apreendido a distância, com algumas (poucas) exceções. 80% de um curso de Engenharia, por exemplo, poderia ser feito a distância;

(2) A maioria das pessoas nem faz ideia de quantas ferramentas existem para o Ensino a Distância, como, por exemplo, os óculos de realidade virtual 3D, que podem simular com muita qualidade, uma sala de aula normal. Essas coisas serão descobertas por milhões de pessoas durante esse período de recolhimento;

(3) Existem muitos professores, na graduação e na pós graduação, que não utilizam as ferramentas de EAD que as instituições disponibilizam. Agora eles terão de utilizar esses recursos (de maneira forçada) e muitos perceberão a utilidade desse modelo de ensino utilidade;

(4) Muitas ferramentas com deficiências operacionais terão de ser corrigidas com muita rapidez, para garantir os resultados esperados. Haverá uma aceleração no desenvolvimento e aprimoramento desses produtos, não só no Brasil, mas no mundo inteiro;

(5) Como em todos os momentos de crise, como as guerras e pandemias, muitas soluções inovadoras serão desenvolvidas para incrementar ainda mais essa indústria;

(6) Quem tiver visão estratégica perceberá que, quando a tempestade passar surgirá a tarefa de reconstrução da economia do país. Certamente faltará mão de obra qualificada e faltarão salas de aulas físicas para formar tanta gente. O EAD de qualidade terá um imenso espaço nesse cenário. Será um desafio e tanto para empreendedores. Quem estiver melhor posicionado colherá os melhores resultados.


Assim como muito do trabalho que está agora em home office voltará a ser realizados nas empresas, depois que a crise passar, também muita coisa que será feita por EAD durante a crise voltará ao modo presencial depois da tempestade. Mas... parafraseando Einstein, quando disse que "uma mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original" o avanço e alcance das ações de EAD que ocorrerem durante esta crise estabelecerão um novo patamar de reconhecimento e utilidade para a modalidade.

A coisa não voltará jamais aos níveis anteriores à chegada do novo CoronaVírus no Brasil.




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(*) Indústria, na economia Industrial de Mason e Bain, é definida como o conjunto de empresas que produzem e disponibilizam ao mercado produtos que são substitutos e bastante próximos entre si. Não tem, portanto o sentido normalmente utilizado no Brasil que entende indústria como uma fábrica de bens de consumo ou de produção.



(**) EAD não é um método e sim uma modalidade de entrega dos produtos da indústria da educação (outras duas modalidades reconhecidas são a presencial e a autodidatismo). EAD, portanto, é um conjunto de ferramentas que permitem a educação de forma remota e assíncrona.




Para a composição deste artigo tive o privilégio de receber algumas valiosas contribuições de amigos muito queridos:
ALBERTO COSTA, Consultor de Empresas, de Florianópolis;
FARLLEY DERZE, Doutor em Arquitetura, músico, escritor... multitalentoso, de Brasília-DF
JEAN TOSETTO, Arquiteto e Urbanista, autor de livros (entre eles o ARQUITETO 1.0). De Paulínia-SP
JOANA SEGATTO, arquiteta e Urbanista, professora universitária, de Vitória-ES
LÍGIA FASCIONI, Engenheira Eletricista, Dra. Autora de livros, palestrante, de Florianópolis (atualmente em Berlim, na Alemanha)
MARCOS VALLIM, Engenheiro Eletricista, Dr. Professor universitário e pesquisador. De Londrina-PR;
MAURO FACCIONI, Engenheiro Eletricista, Dr. Professor universitário e coordenador de cursos EAD, pesquisador e autor de livros. De Florianópolis, atualmente em Bristol, Inglaterra;
SEBASTIÃO LAURO NAU, Engenheiro Eletricista, Dr. professor universitário, de Jaraguá do Sul-SC)
SÉRGIO DOS SANTOS, Engenheiro Civil, Dr. professor universitário, autor de livros, de Fortaleza (atualmente em Leeuwarden, na Holanda)





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ENTRE ASPAS

"O mais forte não é suficientemente forte se não conseguir transformar a sua força em direito e a obediência em dever."

JEAN JACQUES ROUSSEAU

(1712-1778)
Escritor e filósofo suiço, em O Contrato Social, página 10

ENTRE ASPAS

"A dificuldade real não reside nas novas idéias,
mas em conseguir escapar das antigas."

JOHN MAYNARD KEYNES

(1883-1946)
Economista inglês, no prefácio do livro A Teoria Geral do Emprego,
do Juro e da Moeda

ENTRE ASPAS

"Quase sempre minorias criativas e dedicadas
tornam o mundo melhor."

MARTIN LUTHER KING JR

(1929-1968)
Ativista político norte-americano e Prêmio Nobel da Paz em 1964,
citado no livro Um Testamento da Esperança: Os Escritos
essenciais e discursos de Martin Luther King Jr.
de
James M. Washington, página 499

ENTRE ASPAS

"Todas as reformas que fizemos até hoje foram realizadas a partir de referências ao passado; e espero, ou melhor, estou convencido de que todas as reformas que possamos realizar no futuro estão cuidadosamente construídas sobre precedentes análogos,
sobre a autoridade, sobre a experiência."

EDMUND BURKE

(1729-1797)
Escritor e filósofo no livro Reflexões sobre a Revolução na França 2ª edição

ENTRE ASPAS

"Em todas as suas negociações com clientes, acredite tanto neles quanto você espera que eles acreditem em você. Nenhum negócio é bem-sucedido quando só uma das partes merece fé."

TARLEY ROSSI VILELA

Pecuarista, secretário da Agricultura de São Paulo (Governo de Adhemar de Barros), citado pelo Comandante Rolim Adolfo Amaro em um dos artigos do livro Cartas do Comandante, de 1998, página 33

VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL

PRESTÍGIO E REPUTAÇÃO EXISTEM PARA SEREM UTILIZADOS



(Publicado em 20/03/2020)



Alguém poderá dizer que essa é uma atitude demagógica ou eleitoreira (já que ele é candidato à reeleição para a presidência do Crea-CE). Mas eu conheço o engenheiro Emanuel. Conheço o seu pai (o engenheiro Eneas) e acompanhei bem de perto o trabalho que ele fez ao longo desses últimos três anos. Posso afirmar, sem medo de estar enganado: o Emanuel nunca tem atitudes oportunistas e eleitoreiras, muito menos demagógicas. O que ele faz (sempre) é tentar encontrar um jeito de colocar o sistema à serviço dos profissionais. E isso é o mínimo que se pode esperar de uma pessoa como ele num momento como este.




Pois bem: o engenheiro Emanuel Maia Mota, presidente (licenciado) do Crea-CE enviou ontem (19/03/2020) para o Confea três pedidos que, se atendidos, poderão facilitar a vida dos profissionais que serão, certamente, muito afetados pela crise econômica decorrente da Covid19:



(1) Prorrogação do prazo para pagamento das anuidades dos profissionais e das pessoas jurídicas por mais 60 (sessenta) dias;
(2) Prorrogação do prazo para os autos de infração, processos administrativos (inclusive os de defesa), renegociação de dívidas, cobrança de dívida ativa, entre outros de interesse dos profissionais;
(3) Implantação, de forma imediata, do voto eletrônico e via internet para as eleições do sistema Confea/Crea programadas para este ano de 2020.



Emanuel tem se mostrado um líder ativo, com muita criatividade, ousadia e produtividade. Ele tem uma noção muito viva dos problemas que afligem o dia-a-dia dos profissionais no campo e, mais importante: consegue perceber (geralmente muito antes dos outros) o que o Sistema Confea/Crea consegue fazer para ajudar.

A sua gestão à frente do Crea-CE têm sido marcada por atitudes inovadoras como esta e, por isso, o Crea-CE tem hoje uma posição de muita visibilidade no mapa do Sistema Confea/Crea.

Agora ele está gastando um pouco dessa reputação construída para tentar convencer seus pares de que isso (atender a esses três pedidos) é a coisa certa a ser feita.

Tomara que obtenha sucesso




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NOTAS AUTOBIOGRÁFICAS

ARQUITETURA

EMPREENDER ARQUITETURA

CAU/SC — N05 - LEGISLAÇÃO



A partir do momento em que expede o seu registro para exercer a profissão, o/a arquiteto/a precisa observar uma série de leis federais, estaduais e municipais, resoluções, portarias, e outras regras estabelecidas por órgãos ou instituições legalmente autorizadas a fazê-lo. E é sobre estas legislações que trata o quinto vídeo da série Empreender Arquitetura.

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