E enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo, cansativo; mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio da vida.

MACHADO DE ASSIS

(1839-1908)
Escritor brasileiro e fundador da Academia Brasileira de Letras
no livro Quincas Borba 1891, capítulo XLV

Se quer compor o livro, aqui tem a pena, aqui tem papel,
aqui tem um admirador; mas, se quer ler somente,
deixe-se estar quieta, vá de linha em linha;
dou-lhe que boceje entre doutros capítulos,
mas espere o resto, tenha confiança
no relator destas aventuras.

MACHADO DE ASSIS

(1839-1908)
Escritor brasileiro e fundador da Academia Brasileira de Letras
no livro Esaú e Jacob 1904, capítulo XXVII

Francamente, eu não gosto de gente que venha adivinhando e compondo um livro que está sendo escrito com método...

MACHADO DE ASSIS

(1839-1908)
Escritor brasileiro e fundador da Academia Brasileira de Letras
no livro Esaú e Jacob 1904, capítulo capítulo XXVII

Crê em ti; mas nem sempre duvides dos outros.

MACHADO DE ASSIS

(1839-1908)
Escritor brasileiro e fundador da Academia Brasileira de Letras
no livro Memórias póstumas de Brás Cubas, capítulo CXIX

Não há morte. O encontro de duas expansões, ou a expansão
de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas;
mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a
supressão de uma é a condição de sobrevivência da outra,
e a destruição não atinge o princípio universal e comum.
Daí o caráter conservador e benéfico da guerra.

MACHADO DE ASSIS

(1839-1908)
Escritor brasileiro e fundador da Academia Brasileira de Letras no livro
Quincas Borba 1891, capítulo VI

O POLITICAMENTE CORRETO E A FORMAÇÃO DOS ENGENHEIROS – SEXTOU – A01N05

(Publicado em 26/02/2021)



TODA SEXTA-FEIRA tem um pitada do Conexão 893 aqui no site:





Trecho da entrevista com VANDERLI FAVA DE OLIVEIRA no programa Conexão 893 realizado em 23/FEV/2021.

Veja AQUI a entrevista completa





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PORQUE HOJE É SÁBADO - A01N07

(Publicado em 27/02/2021)



TODO SÁBADO aqui no site:





Trecho da entrevista concedida ao programa CASA DECOR a apresentadora Sissa Scarppa realizado em junho de 2017.

Veja AQUI a entrevista completa





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BOA SEGUNDA – A01N04
Por que o Marketing para Arquitetura e Engenharia é tão complicado

(Publicado em 22/02/2021)



TODA SEGUNDA-FEIRA tem uma coisa boa pra você começar bem a semana





Trecho da entrevista concedida por ÊNIO PADILHA para a UNIGRAD TV realizado em 23/MAR/2019.


Veja AQUI a entrevista completa (UNIGRAD TV)





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TIROU AS PALAVRAS DA MINHA BOCA

(Publicado em 16/02/2017)





Imagem: abcommsc



Sabe quando você lê um artigo e tem aquela sensação de "era exatamente isso o que eu queria ter dito!"? Pois foi isso o que eu senti quando li o artigo FÓRMULAS, TRUQUES, GURUS E GAVIÕES escrito de forma brilhante por Cristiano Chaussard um jovem autor catarinense o qual eu ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente.

Eu mesmo já havia abordado este tema algumas vezes, como no artigo POR QUE NÃO INCLUO GATILHOS MENTAIS NO CONTEÚDO DOS MEUS CURSOS E PALESTRAS? mas estava faltando uma análise mais precisa, mais didática e mais completa.

Tá aí. Leia! É só clicar sobre a imagem que ilustra este post.





PADILHA, Ênio. 2017





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CRENÇAS, VALORES, PRINCÍPIOS
E AS SOCIEDADES ENTRE PROFISSIONAIS

(Publicado em xx/10/2020)



Você já deve ter ouvido (ou mesmo dito) coisas assim: "Eu voto em Fulano de Tal porque ele é uma pessoa de princípios!"; "Eu seria incapaz de cometer essa ou aquela desonestidade. Eu tenho princípios!"
Da maneira como falamos, muitas vezes, alimentamos a falsa crença de que ter princípios é uma coisa própria de pessoas boas, honestas e bem intencionadas.

Não é bem assim.
Ter princípios não é privilégio (ou virtude) apenas de pessoas boas, honestas ou bem intencionadas

Nada impede um bandido, um traficante ou um político corrupto de ter princípios? E eles geralmente os têm. Muitas vezes, de forma até mais clara do que a maioria das outras pessoas.

Porque Princípios são definições prescritivas. São ditames morais. São regras pessoais. Leis de caráter individual. Preceitos.

Em palavras simples, Princípios são REGRAS que uma pessoa estabelece para si mesma e para os que lhe são subordinados ou liderados. São decisões que servem de base para o comportamento do indivíduo. Definem como a pessoa vai agir ou reagir diante de determinadas circunstâncias. É uma predisposição a fazer as coisas de uma determinada maneira, encarar de determinada forma ou assumir uma determinada atitude diante de determinadas situações.

Princípios sempre se manifestam em circunstâncias específicas, ou seja: um princípio se manifesta quando o indivíduo é posto à prova.

Os princípios de uma pessoa, geralmente, são conseqüência do conjunto das suas crenças e dos seus valores.
Todos temos nossas crenças e valores. Mas nem sempre nos damos conta disso (nem sempre nossas crenças e valores estão no nível consciente).

Crença é uma convicção profunda e sem justificativas racionais. É uma disposição meramente subjetiva para considerar algo certo ou verdadeiro por razões meramente subjetivas. Uma crença não é (não precisa ser) racionalmente comprovada. Logo pode não ser fidedigna à realidade e representa o elemento subjetivo do conhecimento.
Crença pode ser entendido como sinônimo de fé!

Já os Valores são as medidas variáveis de importância que se atribui a alguma coisa. Nossos valores representam as qualidade (de natureza física, intelectual ou moral) que nos despertam admiração ou respeito.

São as coisas que usamos como critérios para avaliarmos nossas ações (e as ações dos outros) como boas ou ruins

As pessoas organizam (arranjam) seus valores em camadas, de forma hierárquicas. Muitas vezes fazem isto de forma inconsciente.

A sua escala de valores responde a importante pergunta: "o que é mais importante para mim em relação à vida? Quais são as conquistas que valem a pena?"

Abaixo há uma lista de valores, dispostos em ordem alfabética. Para ter uma idéia sobre qual é a sua escala de valores, atribua um valor DIFERENTE (entre 0 e 100) para cada um dos itens.

(__) Aparência física
(__) Ascenção na carreira profissional
(__) Atividades de distração e recreação (jogos, festas)
(__) Autoridade Hierárquica
(__) Autoridade Moral
(__) Aventura
(__) Competição esportiva
(__) Competição intelectual
(__) Convivência com a família
(__) Ética (não fazer aos outros o que não quero que façam a mim)
(__) Ganho financeiro
(__) Lealdade (aos amigos, aos colegas)
(__) Obtenção de Conhecimentos
(__) Patrimônio físico/financeiro (imóveis, bens, posses)
(__) Popularidade ou Fama
(__) Privacidade
(__) Reconhecimento (dos pares)
(__) Saúde da família
(__) Saúde física
(__) Saúde mental
(__) Segurança financeira da família
(__) Segurança no trabalho
(__) Sexo
(__) Tranquilidade (paz)

A sua escala de valores cria a vida que você vive. Geralmente este roteiro foi montado por seus pais, professores, pela TV e pela sociedade em geral (quando você era uma criança)

Fazer mudanças na sua escala de valores requer um esforço persistente e, freqüentemente, muita coragem.

A APLICAÇÃO PRÁTICA DESSES DITAMES FILOSÓFICOS
Uma carreira profissional e mesmo a constituição de uma organização profissional se sustenta em Princípios, que são decorrentes das Crenças e Valores. Mesmo os profissionais que nunca se preocuparam em pensar sobre o assunto, possuem suas crenças e valores. E delas decorrem seus princípios que estão sempre norteando seus comportamentos pessoais, profissionais e empresariais.

Por isto considero importantíssimo que os profissionais tragam esta questão para o nível consciente. Que tentem racionalizar sobre esta questão e tenham melhor domínio sobre essas coisas. Isto é particularmente importante quando organizações profissionais são constituídas sob a forma de sociedade, o que é muito comum na Arquitetura e na Engenharia.

É preciso que os sócios se perguntem: "no que acreditamos?" "O que valorizamos? o que consideramos importante?" e, finalmente possam ter claro "quais são os nossos princípios? como fazemos as coisas? como agimos e reagimos em determinadas circunstâncias?"

A principal aplicação prática do conhecimento das crenças, valores e princípios numa sociedade entre profissionais é justamente evitar que ela seja feita entre pessoas com crenças e escalas de valores distintas, pois isso seria um importante obstáculo para o estabelecimento de PRINCÍPIOS harmoniosos para a empresa.





PADILHA, Ênio. 2012





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MARKETING BASEADO EM MENTIRAS E ENGANAÇÕES

(Publicado em 22/08/2014)



Fiquei muito feliz! (só que não.)

Acabei de receber um e-mail (e não é spam. Tem nome endereço e contatos do remetente) de uma empresa que representa o TROFÉU DESTAQUE ARQUITETURA.

O e-mail diz o seguinte:



Bom dia, sou do Troféu Destaque Empresarial e temos o prazer de convidar sua empresa para receber o Troféu Destaque Empresarial 2014 no segmento de ARQUITETURA.

Objetivo: O Troféu Destaque Empresarial é realizado há 15 anos e tem como objetivo reconhecer e identificar empresas que se destacam no mercado pela qualidade e excelência dos seus produtos e serviços oferecidos, diferenciando e valorizando as empresas e profissionais que contribuem efetivamente para melhoria continua na qualidade dos seus produtos e serviços em seu respectivo segmento de atuação.

Benefícios: Além do reconhecimento público sua empresa recebe o certificado com moldura em acrílico personalizado com o nome da empresa, selo de qualidade, pasta com acesso aos dados relativos a pesquisa e critérios de avaliação utilizados e o selo de qualidade do Troféu Destaque Empresarial que pode ser utilizado em todas as mídias e canais de comunicação utilizados pela empresa.

Para receber o material basta confirmar por e-mail a entrega, é pago apenas o custo de envio após a entrega do material apenas R$199,00 (APÓS A ENTREGA). Não há nenhum custo adicional. Aguardamos confirmação.

Atenciosamente
Fulana de Tal
Troféu Destaque Empresarial




Aí me lembrei que, em 1995, quando eu ainda tinha um Escritório de Engenharia Eletrica eu também fui abordado por uma empresa dessas. E escrevi um artigo para uma coluna que eu tinha num jornal local, nos seguintes termos:



Alguns empresários investem na qualidade dos seus produtos, no gerenciamento dos custos, no desenvolvimento dos recursos humanos... Outros simplesmente investem na ingenuidade dos seus clientes:

Quando a esmola é demais o santo desconfia.

Fui procurado por um "executivo" de uma empresa de "Pesquisa de Opinião Pública" que veio me cumprimentar e dar a notícia de que a minha empresa havia sido escolhida como a melhor do setor, na nossa cidade. O "prêmio" seria entregue em uma concorrida "solenidade" (jantar, discursos, homenagens) a ser realizada algumas semanas depois em um clube local. É claro que, para isto eu (assim como todos os demais "eleitos") teria de contribuir com uma simbólica quantia (algo equivalente a uns duzentos dólares) a título de patrocínio para a solenidade de premiação.

Para surpresa dele, não dei pulos de alegria nem me senti lisonjeado pela conquista. Pelo contrário, desconfiei de que havia, no mínimo, um engano.

Perguntei então como fora feita a pesquisa que levou a esse resultado. Ele me explicou, em tom professoral, que foram distribuídos 120 questionários entre proprietários e gerentes do comércio local. Esses questionários foram depois recolhidos e as respostas tabuladas. Daí o resultado final.

Para nova surpresa dele, minha desconfiança aumentou ainda mais. Expliquei a ele que as chances de o nome da minha empresa ser lembrado em uma pesquisa feita no comércio eram remotíssimas, por dois motivos simples:

1. Praticamente toda a nossa atividade operacional e as nossas políticas de marketing estavam voltadas para clientes industriais e grandes construtoras. Não havia, definitivamente, uma boa chance de que fôssemos conhecidos e reconhecidos por pessoas que atuam no comércio.

2. Ainda que a "pesquisa" tivesse sido feita na área industrial, eu lamentava dizer, mas nós sabíamos muito bem que não éramos líderes do mercado. Ainda estávamos longe disso. Por maiores que fossem os nossos esforços, reconhecíamos que alguns concorrentes ainda estavam à frente na preferência do mercado. É claro que estávamos trabalhando para mudar este quadro, mas sabíamos que um diploma na parede não iria resolver o problema.

Além disso tudo, uma empresa de pesquisa de opinião deveria saber que a distribuição de 120 questionários no comércio local não vai levar ninguém, jamais, a um resultado com um mínimo de confiabilidade. Em qualquer curso básico sobre pesquisa eles teriam aprendido que a amostra tem de refletir o universo, ou seja, os questionários teriam de ser respondidos, de forma proporcional, por comerciantes, industriais, profissionais liberais, donas-de-casa, estudantes, operários...

Resumindo, aquilo era um Prêmio de Araque. Um golpe em que alguns empresários caem, muitas vezes sem se dar conta. Trata-se de uma operação de estelionato cujo combustível é formado pela má-fé e ganância de uns e pela vaidade e ignorância de outros, com a conivência e o aplauso da platéia.

Esses prêmios e diplomas continuam a serem "conquistados" todos os anos por muitas empresas.

Meus parabéns aos "premiados". Façam a festa, paguem o dinheiro que o "Instituto de Pesquisa" está cobrando pelo prêmio. Pendurem o diploma na parede... Mas, por favor, não esqueçam que é tudo de mentirinha.



Só me resta dizer o seguinte à moça que me mandou o e-mail: quase vinte anos depois... eu ainda não mudei de ideia sobre este assunto. Passar bem.





PADILHA, Ênio. 2014





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AS CRISES EM PROGRESSÃO GEOMÉTRICA

(Publicado em 08/04/2020)



Imagine um cenário fictício em que um reino esteja sendo invadido por forças alienígenas.

A situação é a seguinte:

(a) O planeta invasor deixou apenas um guerreiro às portas do reino. E esse guerreiro, todas as manhãs, consegue se multiplicar gerando outro guerreiro, ou seja: no 1ª dia é um guerreiro, no 2ª dia são 2, no 3ª dia são 4, e assim por diante.

(b) O ataque inimigo começará assim que houver pelo menos 200 guerreiros

(c) O reino poderá resistir ao combate de até 800 guerreiros invasores. Um ataque inimigo com mais de 800 guerreiros conseguirá invadir o reino imediatamente.

(d) O reino possui arqueiros de elite que podem eliminar 30 guerreiros invasores por dia (não mais do que isso). Este é o número máximo de baixas que o reino poderá impor, por dia, ao exército inimigo

A pergunta é: quantos dias o comandante do reino pode esperar até iniciar a resposta à ameaça de invasão inimiga?





Imagem: OitoNoveTrês



Se você aprendeu a calcular progressão geométrica (no meu tempo isso era ensinado no segundo ano do ensino médio) já sabe que o comandante tem apenas 6 dias para iniciar o ataque com chance de sucesso.

No sétimo dia o exercito inimigo já contará com 64 guerreiros e, mesmo que todos os arqueiros acertem seus alvos, ainda restarão 34. E no dia seguinte, serão 68.

Se, no dia seguinte, outros 30 guerreiros inimigos forem eliminados, ainda restarão 38, o que resultará em 76 no dia 9 e aí, como você já percebeu, a derrota é apenas uma questão de dias.

O que podemos aprender com o exemplo acima?
(1) Toda crise é (de alguma maneira) anunciada. Existe um tempo de resposta para praticamente qualquer problema anunciado;

(2) O fato de o inimigo ainda não estar atacando ou não estar causando danos visíveis não quer dizer que ele não existe ou que a ameaça não seja real;

(3) Resistir ao problema e manter as coisas como estão pode protelar a derrota, mas, se a resposta veio atrasada, a derrota é inevitável.

(4) O tempo de resposta efetiva pode ser muito curto ou muito confortável, Mas sempre existe. E existe uma diferença entre não saber o que fazer e não fazer o que precisa ser feito no tempo certo.

(5) Saber o que fazer e saber como fazer exige experiência e o conhecimento da teoria sobre o assunto, pois somente esse conhecimento profundo permite responder de maneira correta dentro do prazo correto;

E isto (é bom entender) embora se aplique à atual crise da Covid19, vale para todas as outras situações do seu negócio.





PADILHA, Ênio. 2020





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LICITAÇÃO NÃO É REMÉDIO PRA TUDO

(Publicado em 08/10/2009)



Na semana passada uma quadrilha sabotou o processo de produção das provas do ENEM. A prova foi roubada e depois oferecida a uma jornalista do Estadão em troco de R$ 500 mil. A Jornalista não entrou na jogada, avisou o MEC, que suspendeu o processo e adiou a prova para dezembro.

Por causa disso, o contrato com o consórcio responsável pela aplicação da prova foi rescindido unilateralmente (por quebra de confiança, obviamente) e o MEC conseguiu autorização para contratar a dupla CESPE/CESGRANRIO sem necessidade de licitação. Os detalhes todo mundo conhece, pois foram manchetes em todos os jornais do país.

Este episódio deveria ser capitalizado pelas nossas instituições profissionais (entidades, Creas, Confea) como argumento contra o uso de licitações para a contratação de serviços técnicos.
Serviços não podem ser comprados com a mesma lógica da compra de mercadorias (bens tangíveis, concretos). Quando se compra serviços entram em cena diversos complicadores que exigem do comprador uma inteligência diferente. É preciso avaliar a relação custo x benefício.
No caso do ENEM temos um grande exemplo de que, na prestação de serviços "O BARATO SAI CARO!





PADILHA, Ênio. 2009





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COMO É O PROCESSO DE PRODUÇÃO
DAS MINHAS PALESTRAS

(Publicado em 28/08/2019)



Não. Não vou apresentar aqui o passo a passo para você criar e apresentar uma palestra. Acho que cada um encontra o seu próprio caminho e ajusta seus próprios processos.

Mas vou contar aqui, com detalhes, como é que EU faço para produzir e apresentar as MINHAS palestras, desde a ideia inicial até o "muito obrigado" no final da apresentação:





Imagem: OitoNoveTrês



No meu caso, existem dois tipos de processos: as palestra que já existem como tópicos de cursos ou aulas e as palestras novas

O TIPO 1
Acontece, algumas vezes, de um determinado tópico de uma aula ou curso ser muito interessante e ter um começo, meio e fim num tempo de aproximadamente uma hora, ou seja, pode ser apresentado independentemente do contexto do curso ou da aula em si. Nesse caso é necessário apenas separar aquele material como uma palestra para ser apresentado como conteúdo independente.

É o tipo de palestra fácil de produzir, pois todo o processo de construção do conteúdo e outras preparações já está pronto (já foi feito), inclusive os eventuais problemas de apresentação já foram corrigidos nas inúmeras vezes que aquele tópico já foi apresentado em cursos ou aulas.

O TIPO 2
O segundo tipo de palestra (o mais difícil) é aquele que surge de uma ideia minha ou da sugestão de algum amigo ou de alguém da OitoNoveTrês sobre um tema que pode ser explorado e que resultaria em uma palestra interessante. Esse tipo de palestra tem um processo produtivo bem diferente, que eu vou contar agora:

A DEFINIÇÃO DO CONTEÚDO
Esse processo é dividido em 5 etapas: a primeira etapa é a definição do conteúdo. Eu penso a respeito daquele tema e me pergunto "o que EU, como espectador, gostaria de saber? Que informações eu gostaria de receber numa palestra sobre o assunto? Que perguntas eu gostaria de ver respondidas numa palestra como essa?"

Aí eu elaboro uma lista de perguntas que vão me orientar durante o processo de busca de informações sobre o tema. E (isso é importante), para cada uma dessas perguntas, é preciso ter uma resposta com certo grau de profundidade. Não pode ser uma resposta rasa, que não resista a uma réplica. Essa primeira etapa define o que eu preciso estudar antes de apresentar a palestra. Nessa etapa eu defino quais livros eu preciso ler e verifico se estão disponíveis na minha biblioteca ou se preciso adquirir ou pedir emprestado de algum amigo. É muito raro uma palestra estar sustentada em apenas um único livro.

A PESQUISA NA LITERATURA
Na segunda etapa, pesquisa na literatura, podem surgir alguns insights e outros tópicos podem ser incluídos no conteúdo da palestra. Esses tópicos são então divididos em 4 grupos (atenção para esse detalhe): todo o conhecimento que será apresentado na palestra é dividido em 4 grupos pois isso facilita o entendimento geral, a memorização e o controle do tempo da palestra.

Acontece, às vezes, nesse processo de pesquisa, de eu entender que preciso conversar com pessoas que são especialistas naquele assunto ou que, de alguma forma podem me ajudar de forma importante. Felizmente eu tenho muitos amigos que são bons em muita coisa e quase sempre consigo me valer deles. Envio e-mail, faço contato pelo whatsapp ou mesmo faço uma visita para uma boa conversa. Esse tipo de “socorro” muitas vezes é fundamental para a qualidade da apresentação.

À medida que eu vou desenvolvendo algumas convicções intermediárias do conteúdo, eu começo a escrever pequenos ensaios, textos curtos de 5 ou 6 mil caracteres. Tipicamente, um artigo desses que eu publico no meu site. Esses artigos poderão ser, mais tarde, incorporados ao texto/roteiro da palestra.

O ROTEIRO DA PALESTRA
Essa segunda etapa (pesquisa na literatura) demora algum tempo, dependendo da complexidade do tema. Geralmente, de 3 a 5 semanas. Termina quando eu me sinto em condições de partir para a terceira fase do processo: elaborar o roteiro para a palestra.

O roteiro é dividido em duas partes: o sumário e o texto propriamente dito. No sumário eu simplesmente divido o conteúdo em tópicos e subtópicos. O texto, evidentemente, é o desenvolvimento desse sumário.

É muito importante definir como será a abertura da palestra, que define a abordagem que darei ao tema. Da mesma forma, o tópico de encerramento é importante, pois define as conclusões que eu pretendo que os espectadores da palestra tenham.

Nessa etapa eu estou produzindo não apenas o texto da palestra mas também, simultaneamente, os slides da apresentação, uma vez que já está muito clara a sequência em que as informações serão colocadas na palestra. Geralmente, tanto para o texto quanto para os slides eu copio a estrutura de uma palestra já existente. Assim não tenho de perder tempo fazendo a formatação dos arquivos.

Minha autoapresentação faz parte da palestra, embora eu não tenha o hábito de contar a história da minha vida na abertura de cada palestra. Muitos palestrantes hoje em dia fazem isso. Eu não acho legal (à menos que a palestra seja biográfica, ou seja, sobre a vida do palestrante). Em alguns casos até pode funcionar, mas é muito raro que a história da vida do palestrante seja realmente mais importante do que o conteúdo que ele se propõe a mostrar. Minha autoapresentação geralmente dura 2 ou três minutos, no máximo.

Evidentemente, a produção do texto da palestra leva em conta o meu principal recurso didático, que é a abordagem conceitual com o uso de metáforas, símbolos e infográficos. Geralmente não utilizo o recurso de contar histórias (storytelling), embora reconheça que é um recurso interessante, quando bem aplicado (o que é raro). O que eu faço é apelar para (e contar com) a inteligência e o raciocínio abstrato da plateia.

Às vezes eu escrevo um texto e crio um slide que apresente aquele conteúdo. E, algumas vezes, eu tenho a ideia de um slide que lida com aquele conteúdo e, a partir do slide eu escrevo o texto. Não existe uma fórmula perfeita e rápida para essa construção.

Quanto aos slides, alguns palestrantes utilizam apenas imagens (ou conjuntos de imagens). Outros utilizam apenas palavras chaves ou frases curtas. Eu não acho que isto seja errado. Mas a construção dos slides das minhas palestras geralmente é feita com infográficos, conceitos ou definições. Na minha concepção, os slides não devem servir apenas para ajudar e orientar a mim (como palestrante) mas também ao espectador. Devem servir para levar conteúdo aos espectadores.

Esse processo de escrever o texto da palestra e os slides leva muito pouco tempo. Geralmente uma semana a 10 dias, trabalhando duas ou três horas por dia nessa tarefa. É bom lembrar que uma boa parte do texto já foi produzida naqueles artigos escritos na fase de pesquisa.

LAPIDAÇÃO
Concluído esse processo, se houver tempo, eu passo pelo menos uma semana sem lidar com essa palestra, sem trabalhar no material (cuidando de outros assuntos). É como se estivesse deixando a massa do pão crescer naturalmente, sossegada.

A quarta fase: a primeira coisa que eu faço ao retomar esse trabalho é LER O TEXTO com o arquivo dos slides aberto. E vou corrigindo qualquer coisa, à medida que apareça. Esse processo (de ler o texto inteiro e alterar alguma coisa, se necessário) eu repito três ou quatro vezes.

Nesse momento eu volto às perguntas que eu anotei lá na primeira fase (definição de conteúdo). Verifico se todas as questões foram abordadas e esclarecidas.

A palestra está pronta! Já poderia ser apresentada, se o tempo é curto ou tem um evento naquela semana. Mas, claro, a palestra ainda está crua. Se eu tiver algum tempo, faço algumas coisas: primeiro, a leitura do texto em voz alta, no ritmo e tom de voz da apresentação, para testar o tempo;

Segundo, se eu tiver oportunidade, fazer uma apresentação piloto para uma, duas ou três pessoas dispostas a ouvir a apresentação. Aí já não mais lendo e sim falando normalmente, com o apoio apenas dos slides no monitor.

A APRESENTAÇÃO DA PALESTRA
Finalmente, a apresentação da palestra para o público. Isso é uma das coisas que mais me dá prazer. Talvez por isso eu me empenhe tanto em produzir a palestra com muito cuidado. Gosto tanto e tenho tanto prazer em me apresentar para uma plateia que não gosto de correr o risco de que algum despreparo atrapalhe esse momento. Geralmente me sinto muito seguro quando pego o microfone para começar uma palestra.

Um detalhe (quem me conhece já sabe disso): eu nunca fico nervoso nem apreensivo diante de uma plateia, seja de 5 ou de 500 pessoas. Me sinto em casa. No entanto, eu fico muito, muito pilhado. Muito concentrado. Algumas vezes no dia seguinte, me dou conta de que não consigo lembrar do que aconteceu nos minutos imediatamente anteriores à palestra começar (isso já acontecia quando eu era atleta. Eu me esquecia completamente dos minutos que antecediam a largada. Essas memórias voltavam somente algumas semanas depois).

Durante a apresentação de uma palestra eu estou atento a várias coisas ao mesmo tempo: presto atenção nas minhas palavras, nos meus gestos, na sequência do conteúdo que está sendo apresentado, no relógio que marca o tempo (na tela do monitor de retorno), nos olhos dos espectadores, nos seus movimentos e nas reações a cada novo conceito apresentado. Esse processo iterativo automático vai ajustando o tom e o ritmo da palestra. É um exercício muito estimulante. Depois de mais de 30 anos apresentando palestras (e eu tive de ler alguns livros sobre o assunto) acho que eu aprendi a ler a plateia, pelo menos o suficiente para evitar incidentes e percalços.

Ainda assim, se eu apresento uma palestra entre 20 e 22 horas, por exemplo, dificilmente vou conseguir dormir antes de 1 hora da manhã. Leva algum tempo pra desligar. E não importa se eu já apresentei aquela mesma palestra 5 ou 50 vezes e nem se o evento é menos ou mais importante. É sempre a mesma coisa.

Essa sensação de euforia e alegria é o que me motiva. Gosto muito disso. E espero produzir e apresentar palestras ainda por muitos anos.





PADILHA, Ênio. 2019





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MICO DO ANO 2014 (2)

(Publicado em 11/02/2014)



O Troféu Mico do Ano é concedido à pessoa que, no decorrer do ano, comete alguma gafe ou se envolve em alguma situação bizarra em que acaba passando uma vergonha digna de registro.

Eu já ganhei algumas vezes, como na história relatada AQUI

Neste ano de 2014 já tivemos algumas inscrições, mas creio que a Professora Rosa Marina Meyer é uma fortíssima candidata, depois de ter sabotado a própria reputação no Facebook.
Veja AQUI.

O pior é que esse tipo de coisa pode acontecer com muita gente boa. Basta um minuto de distração diante de um teclado e tá feita a m&$*@!

Todo cuidado é pouco. Dizer tudo o que se pensa, com a maior sinceridade, pode ser moralmente correto, mas é socialmente inaceitável





PADILHA, Ênio. 2014





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E O MICO DO ANO VAI PARA...

(Publicado em 16/09/2010)



Lá em casa, de brincadeira, há muitos anos, foi instituído o Troféu MICO DO ANO, que é dado à pessoa que, no decorrer do ano comete alguma gafe ou se envolve em alguma situação bizarra em que acaba passando uma vergonha digna de registro.
Eu já ganhei esse troféu em 1995, quando perguntei a uma amiga, que havia sido miss na cidade, pra quando seria o bebê... (e ela nem estava grávida). Ganhei novamente em 2001, quando caí no aquário de um escritório de arquitetura, em Uberlândia (foi de chorar! eu havia acabado de chegar na cidade: terno, gravata, pasta... imaginem a cena). Fui TRI em 2005, em parceria com a minha secretária, quando um e-mail interno do escritório foi enviado por engano para o cliente. Detalhe: no e-mail eu me referia ao cliente como "essa praga" (imagina o rolo que deu!)

Nesta semana registrei minha candidatura para o MICO DO ANO 2010. Acho que vou ganhar fácil, fácil.
Foi o seguinte: minha empresa realizou um curso em São Paulo em regime de promoção própria. Alugamos espaço, reservamos equipamentos, fizemos a divulgação, produzimos todo o material de secretaria... e o curso foi um sucesso. Casa cheia, inscrições esgotadas.

Para atender os participantes do curso, procurei por uma moça com experiência em serviço de secretaria e recepção em eventos. Tive umas quatro recomendações. Não escolhi a mais barata. Preferi uma que foi recomendada por uma empresa do ramo e com as melhores credenciais.

Nos dias que antecederam o evento trocamos e-mails nos quais eu informei sobre a natureza do trabalho e expliquei que, na verdade, apesar de o contrato ser para o dia todo, trabalho mesmo ela só teria na primeira hora do evento, que é quando as pessoas estão chegando para fazer o credenciamento, receber o material, fazer os pagamentos, essas coisas. Combinamos então que ela deveria chegar às 8h00 (já que o curso começaria às 8h30.

No dia do curso, como sempre faço, eu estava lá por volta de 7h00, preparando os materiais, ligando os equipamentos, ordenando as coisas. Montei a mesa onde funcionaria a secretaria, dispondo os papéis, as pastas e todos os materiais a serem entregues aos participantes.

Quando se aproximou de 8h00 comecei a ficar apreensivo, pois nada da minha secretária, Renata, chegar. Começaram a chegar os participantes e eu fui distribuindo os materiais e fazendo as cobranças. 8h05 e nada. Cadê a tal da Renata? Comecei a ficar nervoso, pois eu deveria estar lá dentro da sala, finalizando os ajustes para começar o curso.
8h10 e mais gente chegando (em São Paulo os profissionais costumam chegar cedo para os eventos) e eu ali, naquela correria, atendendo todo mundo.
8h15 e nada de chegar a tal secretária. À essas altura eu já havia passado da condição de injuriado para furioso. A qualidade do meu trabalho estava sendo comprometida pela falta de profissionalismo dessa pessoa contratada.

8h20 chega a moça e se apresenta: "Eu sou a Renata". Eu, que já estava pra lá de passado, disparei, sem nem um "bom dia": "Renata, você está atrasada!"

Ela não falou nada. Ficou olhando pra mim e sorrindo. Eu continuei: "está atrasada, e não é pouco! Já são 8h20!!!". Ela continuava sorrindo e olhando pra mim, como se não houvesse nada de mais naquilo. Eu ataquei: "isso não é engraçado, Renata! Eu estou aqui fazendo o seu trabalho. Vou dispensar você. Você pode voltar pra casa!". E ela, ainda com um sorriso, me disse: "eu sou a filha da Maria Clara..." Putz!!! foi como se tivesse me jogado um copo de água gelada... Devo ter ficado branco de vergonha. Procurei no chão um buraco onde eu pudesse me enfiar...

É o seguinte: Maria Clara é a Maria Clara de Maio, uma jornalista fantástica, editora da Revista Lume, autora da apresentação (quarta capa) do meu quinto livro e, acima de tudo, uma grande amiga. A Renata, filha dela, é uma estudante de arquitetura, inscrita para participar do meu curso. Portanto, não tinha nada a ver com a outra Renata, minha contratada, que não havia chegado ainda para o trabalho. Eu sabia que ela viria para o curso, mas, na angústia da espera, nem me dei conta de que havia uma Renata na lista de inscritos.

Completamente sem graça, pedi mil desculpas e expliquei a ela o que estava acontecendo. Muito simpática, ela compreendeu logo a situação e achou muita graça daquilo tudo. Melhor pra mim, que tive o meu destempero perdoado e pude continuar o atendimento dos colegas que continuavam chegando.

Depois que o curso começou, contei pro pessoal o que havia acontecido e todos deram boas risadas.

Quanto à outra Renata, a contratada, ela chegou às 8h40 (o curso já estava em andamento). Pedi licença ao pessoal e fui atendê-la lá fora. Dispensei os serviços dela, naturalmente. Mas não sem antes me certificar de que se tratava da pessoa certa a ser dispensada.





PADILHA, Ênio. 2010





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PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO PARA ESCRITÓRIOS DE ENGENHARIA E ARQUITETURA

(Publicado em 25/01/2021)



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