COMO FOI QUE FORTALEZA SE TORNOU A CAPITAL DO CONCRETO PROTENDIDO NO BRASIL

(Publicado em 10/05/2021)



A estrutura de concreto protendido, de uma forma simplificada, pode ser definido como um sistema que comprime os elementos estruturais, vigas e lajes, diminuindo os esforços de tração na estrutura, através de cordoalhas de aço. As cordoalhas são posicionadas horizontalmente ao longo dos elementos estruturais e travadas em uma das extremidades. Após a concretagem e a cura do concreto, estas cordoalhas são esticadas, travadas na outra extremidade e soltas, comprimindo os elementos estruturais.







A idéia foi aplicada pela primeira vez pelo engenheiro francês Eugene Freyssinet, em 1928. Chegou ao Brasil em 1949, com a inauguração da Ponte que dá acesso ao Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Mas, até o início dos anos 1990 a técnica foi desenvolvida principalmente nos EUA e na Europa. No Brasil eram muito raras as obras com algum nível de protensão.

Em 1996 a então Belgo Mineira (hoje pertence a ArcelorMittal Brasil) iniciou a fabricação, no Brasil, da cordoalha engraxada (um produto que, até então era produzido, basicamente, apenas nos EUA)

Joaquim Caracas, cearense, um engenheiro civil, com 40 anos, que, além da experiência técnica era (ainda é) um grande empreendedor, teve um insight. Teve a visão de que a protensão poderia ser uma coisa importante no Brasil. Ele procurou literatura e treinamento no Brasil, mas não encontrou. Decidiu então ir aos EUA, com dois outros engenheiros que trabalhavam com ele (os calculistas Helder Martins e Ricardo Brígido), dispostos a aprender com os engenheiros de lá como projetar e aplicar essa técnica no Brasil.

Em 1997, já de volta ao Brasil, Joaquim Caracas fundou, em Fortaleza, a Impacto Protensão (hoje um dos mais importantes escritórios de consultoria e projetos estruturais do país) e começou a propor essa técnica nas obras projetadas (o que ele conseguia graças à sua imensa capacidade de vender suas ideias).

Joaquim Caracas foi um pioneiro, numa indústria (a Construção Civil) que é muito conservadora. Os custos envolvidos são altos e as responsabilidades imensas. Então é normal que se observe muita resistência a novas tecnologias (vejam, por exemplo, a alvenaria estrutural, quanto tempo demorou para ser aceita como uma técnica valiosa para as construções)

Logo a Belgo tornou-se parceira da Impacto Protensão, por perceber que ele (o escritório) estava contribuindo para popularizar as cordoalhas na indústria da Construção. Engenheiros da Impacto, em parceria com a Belgo (mais tarde ArcelorMittal) cruzavam o Brasil dando treinamentos para centenas de engenheiros brasileiros interessados em dominar as técnicas da protensão.

Mais tarde (em 2010) essa parceria ArcelorMittal/Impacto criou o CENTRO DE CONSULTORIA EM PROTENSÃO - CCP (um Centro de Treinamento em Fortaleza que recebe engenheiros de todo o Brasil). Isso fez de Fortaleza a Meca da Protensão no Brasil.

Nesse tempo o Brasil vivia o boom da Construção e Fortaleza era a capital com o maior número de obras utilizando as técnicas de protensão.

O engenheiro Caracas e a Impacto Protensão têm hoje parcerias em todo o Brasil, com empresas e profissionais que desenvolvem trabalhos em protensão. Joaquim Caracas já tem, inclusive, algumas patentes e já está levando para os EUA conhecimentos e técnicas desenvolvidos no Brasil.

O Brasil possui grandes escritórios que atuam com protensão, entre eles os escritórios do engenheiro Mário Franco (já falecido), do engenheiro Ricardo França, em São Paulo e, em Fortaleza, a Hepta Engenharia Estrutural, do engenheiro Helder Martins (um dos que foram para os EUA com Joaquim Caracas, em 1996) e a MD Engenheiros Associados, do engenheiro Marcelo Silveira.

A Hepta projetou o Centro de Eventos do Ceará e o WSTC (duas obras monumentais) e a MD fez a Reforma do Castelão (Prêmio Talento Engenharia Estrutural 2012) e o BS Design (outra obra monumental de Fortaleza)

Esses engenheiros e essas obras espetaculares fazem de Fortaleza a capital brasileira das grandes obras em Concreto Protendido.





PADILHA, Ênio. 2021



Para a construção deste texto foram inestimáveis as contribuições do querido amigo
engenheiro e professor José Sérgio dos Santos, de Fortaleza.



Comentário #1 — 09/05/2021 06:51

José Henrique Duarte Gonçalves — Gerente Divisão aposentado — São Domingos do Prata

Parabéns ao Dr Joaquim, Impacto e Fortaleza.

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