EDUCAÇÃO PARA A EDUCAÇÃO

(Publicado em 10/03/2011)



Imagine a seguinte situação: você leva seu filho (ou filha) a um salão de beleza para cortar o cabelo. Enquanto o cabeleireiro tenta fazer o serviço, seu filho mexe permanentemente a cabeça e não atende os insistentes pedidos para que fique parado e permita que o corte seja feito com precisão. Aliás, por causa dessa insistência, o cabeleireiro (ou cabeleireira) é xingado e tem seus instrumentos de trabalho danificados pelo seu filho...

Apesar disso tudo, o corte de cabelo é concluído. A qualidade do serviço, porém, não é das melhores, deixando seu filho com péssima aparência, frustrando você, com certeza, e mais ainda o pobre cabeleireiro...

Por mais estapafúrdia que seja a comparação, é exatamente isso o que acontece em quase 100% das escolas brasileiras (públicas e privadas).

A educação é um caso estranho de prestação de serviços: por mais importante que seja o produto (educação), na quase totalidade dos casos o consumidor final recusa-se a recebê-lo. Não tem a mínima boa vontade com o prestador do serviço. Não quer receber o bem a que tem direito e faz de tudo para atrapalhar o trabalho de quem está prestando o serviço, por considerá-lo seu inimigo natural.

Este mês milhões de brasileiros retornam às escolas, depois das (merecidas) férias de verão. Vai recomeçar uma guerra que se repete todos os anos. Uma guerra absurda que envolve professores e estudantes numa disputa, no mínimo, fora de propósito.

Veja só: a educação é um bem cujo valor ninguém com um mínimo de juízo ousa discutir. É um bem tão precioso e fundamental que é um consenso universal de que deve ser garantido para toda as pessoas. Uma pessoa que não tem educação (que não tem habilidades desenvolvidas, conhecimentos, cultura) é, potencialmente, uma pessoa pobre, sob todos os sentidos. Geralmente é uma pessoa mal resolvida e sem acesso às oportunidades de sucesso.

O lugar onde se obtém esse bem tão precioso e fundamental é a escola. Escola é uma organização, particular ou pública, onde profissionais das mais diversas habilitações desenvolvem atividades com o objetivo de assegurar que os clientes (os estudantes) recebam esse bem, da melhor maneira possível.

Até aí, tudo normal. O absurdo começa exatamente quando os clientes (os estudantes) chegam para receber o bem. A má vontade é evidente. A indisposição para com os prestadores do serviço (os professores) é sempre muito grande. Os professores são mal-tratados, precisam suportar piadinhas sem graça, comentários irônicos, desmerecimentos de toda ordem... Nada que se faça é capaz de aplacar a disposição que os estudantes têm de atrapalhar os objetivos dos professores.

E se você pensa que eu estou falando apenas de estudantes de oito, dez ou quatorze anos... Não. Infelizmente essa \"regra\" vale para todas as escolas, o que inclui boa parte das escolas de nível superior. A diferença é que, entre adultos, esse massacre é mais sutil.

E se você já está engatilhando o argumento de que faltam recursos para a educação e que a culpa é do governo, etc, etc, etc... pode dispensar o bla-bla-blá, pois tudo o que foi dito até aqui vale também para escolas particulares super bem equipadas onde os problemas de falta de recursos nem chegam perto dos portões.

Seria muito engraçado, se não fosse trágico. Seria apenas uma \"curiosidade\" a mais para ilustrar o comportamento nacional.

O problema é que Educação é um bem estratégico para o país. Um povo sem educação é um povo sem futuro. E o futuro, nesses tempos de alta tecnologia, não é mais daqui a 20 ou 30 anos. O futuro é no ano que vem. No máximo em dois ou três anos...

O Brasil precisa voltar sua atenção para essa anomalia de comportamento. Mais do que educação de qualidade, precisamos de educação para a educação. Precisamos de uma campanha inteligente que mostre para as pessoas interessadas que uma escola não é um lugar chato onde estudantes são torturados por professores mal intencionados que gostam de aborrecer estudantes e transformar a vida dos outros em um mar de aborrecimentos.

Os estudantes, principalmente, precisam entender que uma escola é uma organização prestadora de serviços. Que esse serviço é essencial para os projetos de futuro do estudante. E que, sem a boa vontade do cliente, o produto terá sua qualidade prejudicada. E os maiores prejudicados continuarão sendo os mesmos que têm sido até aqui: o próprio estudante, sua família, sua comunidade e, em última análise, seu próprio país: o Brasil.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




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Comentário #1 — 20/04/2015 10:40

Lázaro — Engenheiro — Oeiras

Prof° Ênio, assista ao vídeo \"A Educação Proibida | Legendado HD Brasil | Completo\" no YouTube.
(seu site não permite envio de links)

Esse vídeo mostra as falhas do sistema educacional vigente e abra caminhos para uma nova proposta educacional.

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