ODEIO POLÍTICA!

(Este artigo foi publicado em 20/07/2000)



\"odeio política!\" é uma frase que soa como música para os ouvidos dos políticos matreiros, espertos e desonestos.

É verdade!

Se você pensa que o fato de você detestar a política e desprezar os políticos aborrece os poderosos, você está muito enganado. Isto é tudo o que eles querem: eleitores ignorantes e omissos. Cidadãos de terceira categoria, que abrem mão dos seus direitos de interferir nos destinos da sua própria vida, deixando esse trabalho para os outros. Os que gostam de política. Na verdade, os que perceberam que a política é a mãe de todos os problemas e de todas as soluções.

Pense em qualquer problema que você esteja enfrentando: falta de dinheiro, falta de saúde, falta de trabalho, falta de oportunidades, impostos muito caros, comida muito cara, falta de escolas... qualquer coisa. E tente provar que algum desses problemas não começou em uma decisão (ou omissão) de algum político. Tente provar que, no fundo, no fundo, a culpa não é dos que, como você, “odeiam política” e permitem, por omissão, que políticos despreparados ou mal intencionados estejam hoje decidindo o que vai acontecer com você e com a sua família.

Durante uma campanha política a gente pode perceber como esse desprezo à política beneficia os piores candidatos, os mais despreparados, os mais fracos.

O nível das propagandas, o baixo padrão das abordagens, os bate-bocas intermináveis, que têm como objetivo apenas chamar atenção e desviar o interesse de coisas realmente importantes... mostram claramente como o eleitor omisso e desinteressado determina o tom da campanha.

A imensa quantidade de eleitores que “odeiam política” acaba criando as condições necessárias para a proliferação dos candidatos que não estão nem um pouco interessados em discutir problemas e soluções da política.

Eles querem apenas se eleger. De preferência, sem se comprometer com coisa alguma. Para isso, nada melhor do que eleitores desinformados e apáticos.

É isso. A campanha política, como qualquer campanha, é feita pelos políticos, para os eleitores. E, se os eleitores “não querem saber de política...” dá-lhe fofoca, dá-lhe intriga, bate-boca, calúnias, processos judiciais, disputas pessoais, amantes, preferências sexuais e outras bobagens sem importância, mas tão ao gosto dos eleitores
Enfim, a campanha política, que deveria ser um momento de sínteses, teses e antíteses, vira um circo onde a única atração são os palhaços no picadeiro se apresentando para os palhaços da platéia.

Vira um jogo com “torcidas” e “apostadores”. Vira uma gincana onde o eleitor quer “tirar uma vantagem imediata e pessoal” abrindo mão de “obter uma vantagem permanente e coletiva”.

Mas, como em todo jogo, no fim surgem os vencedores e os perdedores. Os vencedores são os políticos eleitos, geralmente os que conseguiram atravessar esse mar de iniquidades no qual os eleitores omissos permitem que uma campanha política se trans-forme.

Quanto aos perdedores...



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




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Comentário #1 — 06/07/2010 11:49

José Luiz Costa — Eng. Civil — Uíge - Angola

Prezado Ênio. Tenho que concordar com o Colega. E ontem na internet, foi divulgado, pelo TSE, que todos os valores somados, aos que se candidatam à Presidência da República, ultrapassam à R$ 640 milhões, em propaganda, etc! Oriundas de diversos setores da sociedade brasileira. E a "fatura", lógico que será devidamente "cobrada". Seria a não obrigatoriedade do voto uma opção também, democrática? Ou somos nós o maior culpado, quando a tecla verde "confirma" é acionada? Fica a provocação. Um forte abraço ao Kamba Ênio !

[Comentário do Ênio Padilha]

Kamba José Luiz
(não sei o que é "kamba", mas, vindo de quem vem, deve ser coisa boa)

Ontem foi divulgado também o patrimônio declarado dos dois principais candidatos à presidência do Brasil. Serra e Dilma declararam possuir patrimônio de um milhão e pouco.

Fiquei pensando: na idade deles? pessoas inteligentes, criativas, trabalhadoras... com um patrimônio de menos de dois milhões (que equivale, mais ou menos a um apartamento na praia, aqui em Balneário Camboriú-SC. Só isso?
É muito pouco, né?
Ou eles estão mentindo ou estão assinando um atestado de incompetência. Se não conseguem progredir nem na vida pessoal, como querem que eu vote neles para fazer o progresso do país?

Tá feia a coisa, amigo!


Comentário #2 — 06/07/2010 12:05

José Luiz Costa — Eng. Civil — Uíge - Angola

Boa Ênio ! Não tinha esta informação.
E Kamba é o AMIGO verdadeiro, para o que der e vier! (dialeto quibundo/angolano).
É... a escolha de nossos "escolhidos", não pode ser na emoção, e sim com muita razão !
E 2 de outubro chegando...
Forte abraço !

Comentário #3 — 05/02/2014 14:45

Clotilde Fascioni — do lar — Florianopolis-SC

Só comentando a resposta que vc deu ao seu Kamba, toda essa turma de politicos ex exilados nao receberam ha pouco tempo uma indenização"zinha" de mais de um milhão? Talvez porque gastam muito se hospedando e jantando por ai, né? Abrçs

Comentário #4 — 05/02/2014 16:21

Ligia Fascioni — Engenheira Eletricista — Florianópolis

Pois é, que como será que se faz para quebrar esse círculo vicioso que sucateia cada vez mais a educação e coloca cada vez mais canalhas no poder? Chegamos a um ponto de podridão, que não se sabe para que lado correr. Será que tem jeito?

Réplica de Ênio Padilha

Então, Lígia, eu só vejo uma solução: EDUCAÇÃO.

Quando a educação se tornar uma convicção social. Quando as pessoas realmente levarem a questão da educação às últimas consequências. Aí sim, teremos alguma esperança.

Comentário #5 — 22/04/2014 16:37

Jose Luiz Mendes Gomes — Aposentado — São Vicente

Prezado Ênio:

Se a solução é a EDUCAÇÃO, então estamos no CAMINHO CERTO. Nunca na história deste país se investiu tanto em Educação. Um exemplo: A primeira escola técnica no Brasil foi criada em 1909, e entre esse ano e o ano de 2002 foram criadas 140 escolas técnicas em todo país, em 100 anos. De 2003 até 2010 ( em apenas 7 anos ) foram criadas 214 e já estão previstas mais 208. E o que falar do Prouni? Do Pronatec? Do programa Ciências sem Fronteiras? A Educação a partir de 2003 é uma convicção social. 100 anos sem criação de escolas técnicas, um absurdo, e em 100 anos ninguém se indignou! Interessante esse detalhe. E olha que tivemos um governo cuja meta era acabar com as escolas técnicas, sem contar a famigerada \"progressão continuada\".

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