AGRURAS DE UM TURISTA ACIDENTAL

(Publicado em 23/11/2011)



Gosto muito de fazer as coisas que eu faço pra ganhar a vida: ler, escrever, produzir e apresentar cursos e palestras.
A única coisa que me desagrada no meu trabalho é viajar. Não viajar no sentido amplo do termo: conhecer outras cidades, outras pessoas, outras culturas. É viajar no sentido restrito: o deslocamento físico, de carro ou de avião, de um ponto a outro. Da origem (minha Bela e Santa Catarina) para qualquer lugar do Brasil.
O que me faz desgostar dessa parte do meu trabalho são as condições desagradáveis a que são submetidos os viajantes, principalmente nos aeroportos do Brasil.

O meu trabalho me concede o privilégio de conhecer muitos lugares. Desde 1998 faço cerca de 40 viagens todos os anos. Já estive em TODOS as unidades da federação (todas as capitais e muitas cidades do interior de muitos estados). Conheço, portanto, quase todos os aeroportos comerciais do Brasil. Poucos se salvam! E a lista de maus tratos não pára nunca!

Vou citar aqui algumas coisa que me dão nos nervos:

1) Estacionamentos. Em praticamente nenhum aeroporto existe estacionamento público. Mesmo num dia sem movimento você não poderá deixar seu carro na rua ou num estacionamento que não seja pago. E os valores cobrados geralmente são escorchantes (e sem direito à tolerância nem de 15 minutos). Ou seja, antes mesmo de entrar no aeroporto você já começa a ser explorado.


[IMG;bagagem_de_mao.jpg;150;D]2) O despacho de bagagens: Ok, não vou falar nada do limite de 23 kg para a bagagem a ser despachada. Mas o limite de 5 kg para a bagagem de mão é fora de propósito. O peso da pasta mais notebook e um livro geralmente já ultrapassa esse valor. Dificil encontrar alguém que não exceda o peso da bagagem de mão. Não vejo porque não aumentar esse valor para 10 kg, por exemplo, que é muito mais razoável. A desculpa (que a gente ouve sempre) de que isso poderia causar algum desiquilíbrio na distribuição de cargas dentro do avião é muito tosca. Afinal, se fosse assim, teriamos de controlar também (e distribuir convenientemente) o peso de cada passageiro embarcado (que varia de 30 a 130 kg);


3) Refeições e Lanches: não. Não vou reclamar dos preços (que são absurdamente caros, especialmente em aeroportos de grande movimento, como Congonhas, Guarulhos, Santos Dumont, Confins, Salgado Filho... que têm movimento semelhante aos dos Shopping Centers e preços bem mais altos).
Vou reclamar é da qualidade do atendimento. Na maioria dos casos o cidadão (passageiro ou acompanhante) paga preços de shopping center e recebe serviço de quermesse: enfrenta filas, é atendido no balcão (geralmente com alguma demora) e come de pé ou, no máximo em banquetas. Quando há mesas, quase sempre são de má qualidade e nunca estão limpas.
Uma honrosa excessão merece ser feita aqui: o BuleBar, no aeroporto de Florianópolis. Comida boa, preços razoáveis e, principalmente, atendimento na mesa, educado e prestativo.





4) Salas de Embarque: as salas de embarque dos aeroportos são verdadeiras arapucas. Um lugar onde tudo fica ainda mais caro e com menos serviços agregados. É lá também que encontramos as pessoas que ocupam os assentos para colocar suas bagagens de mão.


5) Embarque: o embarque é um capítulo à parte. Pra começar, o portão marcado no cartão de embarque é apenas uma referência remota de onde se dará o seu embarque. Ele certamente será trocado \"devido ao novo posicionamento da aeronave\" e seu embarque, quando autorizado será feito por um portão que, dependendo do aeroporto, fica lá no outro lado do prédio.
Segundo a colega engenheira Lígia Fascioni (www.ligiafascioni.com.br) existe, em certos aeroportos, um software (ideal para jogar bingo!) que gera números aleatórios de portão de embarque.


[IMG;aeroporto-painel-voos.jpg;250;E]6) Atrasos: não vou discutir o mérito dos atrasos. Tenho certeza de que nenhuma companhia atrasa seus voos de propósito ou apenas por incompetência da sua equipe. Muitos voos atrasam por razões de segurança ou de logística. Vou considerar aqui que todos os atrasos de voos sejam plenamente justificados e perdoáveis.
O que é indesculpavel é a maneira como as companhias aéreas utilizam-se do tempo dos passageiros para ajustar seus interesses em relação aos atrasos.

Acontece mais ou menos o seguinte: O passageiro chega ao portão marcado no cartão e pergunta pelo voo. Faltam uns dez ou quinze minutos para o embarque e ele é informado de que o voo está no horário. Ele fica ali, esperando. Não há mais tempo útil para nenhuma outra atividade. Aí o voo acaba atrasando uns trinta ou quarenta minutos. O passageiro perde uma hora preciosa que poderia ter sido aplicada em outra atividade: se ele tivesse sido informado de que o voo estava com atraso previsto em meia hora ou quarenta minutos, restaria uma hora! Uma hora é tempo suficiente para sair da sala de embarque, fazer uma refeição, fazer alguma compra... muita coisa.
Por ter sido informado de que o voo estava \"no horário\" o passageiro perdeu uma hora do seu tempo.
As companhias deveriam dar informações precisas para que os passageiros pudessem fazer o melhor uso possivel do seu tempo no aeroporto.
Já aconteceu (muitas vezes) de eu viajar sem almoçar porque não haveria tempo. O embarque seria em dez ou quinze minutos. Acabei ficando na espera por mais de uma hora. Tempo mais do que suficiente para almoçar com muita tranquilidade.


[IMG;espaco_poltronas.jpg;250;E]7) Aeronaves: as companhias aéreas, no Brasil, decidiram que você deve ter menos de um metro e oitenta de altura e oitenta quilos, no máximo. Só isso explica a distância entre um assento e outro.
E, algumas vezes ainda têm a desfaçatez de oferecer um jornal na porta de entrada.
Como é que eu vou ler um jornal, se o espaço muitas vezes, não permite sequer abrir um livro? E o sujeito no banco da frente ainda deita o banco em cima da gente. Aí mesmo é que não dá pra nada. O jeito e ficar ali, encaixotado, esperando o voo acabar.


8) Desembarque: desculpa aí. eu sei que disso ninguém tem culpa, mas se tem uma coisa que eu detesto é desembarcar do avião e entrar naqueles ônibus que levam os passageiros até o salão de desembarque. Ninguém merece!
Essa é uma das vantagens dos aeroportos pequenos. Você sempre sai direto do avião para a sala de desembarque, sem ônibus.


9) As malas: quem aí, quando faz as malas, imagina as coisas de cabeça pra baixo? Qual é a dificuldade desse pessoal que descarrega as malas na esteira de colocar a mala na posição correta? Ou não existe um lado certo de se colocar uma mala na esteira? Será que o pessoal da infraero nunca se deu conta disso? custa dar treinamento a esse pessoal?
Aproveita esse mesmo treinamento e ensina essa gente que mala não deve ser atirada contra a esteira com raiva e que, quando a bagagem vem com uma etiqueta escrito \"Frágil\" isto é \"pra valer\". Não se trata de \"pegadinha do Malandro\"





10) E ainda tem coisas inexplicáveis, como essa escada em Guarulhos:[IMG;ta_20111121_aeroporto_guarulhos_escada.jpg;640;C]A primeira vez que eu vi isso (já faz muito tempo) achei que fosse uma coisa isolada, que estava acontecendo, por coincidência, só naquela hora, naquele dia. Depois disso já passei por lá inúmeras vezes e é sempre a mesma coisa. Nunca vi funcionando diferente.
Fica no acesso para conexões. 99% do fluxo de pessoas é para cima. A escada rolante é para baixo. Sempre!

Será que existe vida inteligente na Infraero?



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br

Comentário #1 — 23/11/2011 23:04

Lígia Fascioni — Engenheira Eletricista, Consultora e Palestrante — Florianópolis

Ahahah... Não tenho certeza se o software realmente existe. Talvez seja um globo daqueles cheios de bolinhas com os números de portão de embarque (igual a dos bingos)...rsrsrs...

RÉPLICA DE ÊNIO PADILHA

Lígia
Tá mais pra "globo com bolinhas" mesmo.
Mas algumas coisas são certas: (1) O portão de embarque sempre mudará; (2) A última chamada ocorrerá três ou quatro vezes; (3) o voo sairá com atraso.

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