A EDUCAÇÃO NO BRASIL É PROBLEMA SEU TAMBÉM

(Publicado em 02/12/2013)



Se você é um arquiteto ou um engenheiro você precisa ler o livro OS TORTUOSOS CAMINHOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA - PONTOS DE VISTA IMPOPULARES do brilhante pensador brasileiro da educação Cláudio de Moura Castro. E se você acha que por não ser professor ou dirigente de uma escola esse tema não é do seu interesse você precisa prestar mais atenção na vida em sua volta para ver que praticamente todos os problemas que você enfrenta na sua profissão tem origem na educação que você, seus clientes seus empregados ou seus governantes receberam e recebem.

O tema EDUCAÇÃO, ou melhor, a maneira como a educação é tratada no Brasil por estudantes, pais, professores, dirigentes, políticos, empresários, artistas e autores afeta os seus interesses de forma brutal. Você é atingido diariamente pelos resultados. Seu desempenho profissional, sua relação com os clientes, a produtividade de sua equipe de trabalho e outros aspectos da sua vida profissional são afetados constantemente pela educação do pais.

A educação é um problema de todos. Não é um tema de interesse restrito de educadores e burocratas dos governos.

[IMG2;tortuosos_caminhos_educacao_200px.jpg;D]Em 232 páginas de um texto envolvente Cláudio de Moura Castro não deixa pedra sobre pedra. Analisando sistematicamente da pré-escola ao pós-doutorado o livro destrói todos os argumentos largamente utilizados por grande parte dos intelectuais da educação no Brasil para sustentar este estado de coisas que existe nas escolas brasileiras.

Para tanto, utiliza-se de números inquestionáveis e exemplos indesmentiveis de como a educação é conduzida nos países reconhecidos como detentores dos melhores resultados na área (e, não por acaso, países líderes na indústria, na tecnologia e em todos os demais indicadores de cidadania).

A burocracia do estado, a infestação da política na direção das escolas, os professores negligentes, pais ausentes, políticos desonestos, sindicalistas obtusos, intelectuais de prateleira, ideólogos de orelha de livro, conselhos profissionais preocupados apenas com reservas de mercado... Nada escapou da análise ácida e certeira do autor.

Se tudo o que eu penso sobre educação estiver errado pelo menos eu sei que não estou sozinho com minhas convicções.

Concordo completamente com TODOS os pontos de vista apresentados. Inclusive com aqueles com os quais eu não concordava antes de ler o livro. Por exemplo, este foi o primeiro autor que me apresentou argumentos convincentes à favor dos cursos superiores à distância (EAD). Mudei meu ponto de vista e minha opinião a respeito.

A leitura pode ser um pouco desalentadora, já que muitas das mazelas apresentadas são históricas e parecem fazer parte do DNA do país.

Um professor poderá ler o livro, concordar com o que o autor escreveu, suspirar, e queixar-se aliviado: \"não adianta. Na escola onde eu trabalho nada disso será possível, porque nosso diretor é um ignorante...\"

Um diretor de escola poderá dizer \"Tudo muito bom, tudo muito bonito... Mas, com as condições de trabalho que temos na nossa escola, nada disso é aplicável\"

Um arquiteto ou um engenheiro poderá dizer \"tá feia a coisa. Mas não é comigo. O governo e o pessoal da área da educação que resolva esse problema\"

Mas a verdade é que a Educação é um problema que só vai ser resolvido no Brasil quando todos os brasileiros perceberem que podem (e precisam) contribuir de forma efetiva para que o problema seja reconhecido (de verdade) e enfrentado como um inimigo importante.

O Livro de Cláudio de Moura Castro dá, então, uma valiosíssima contribuição.

Não deixe de Ler. Já é um bom começo



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br




DIVULGAÇÃO
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REFERÊNCIAS:
CASTRO, C. M. Os tortuosos caminhos da educação brasileira: pontos de vista impopulares. Porto Alegre: Penso, 2014. 232p.

Comentário #1 — 14/01/2015 11:18

Egydio Herve Neto — Engenheiro Civil, Consultor e Palestrante — Porto Alegre

Com certeza Professor. Educação é problema meu também! E na minha especialidade dou tudo de mim para facilitar a vida dos Engenheiros para que se mantenham com o Estado da Arte em dia, nos conhecimentos em Estruturas e Concretagem.
Mas o que me garante que os ensinamentos que repasso em aula, com apostilas e apresentação na mão (e na cabeça?) os meus alunos praticam os conhecimentos que lhes passo? Tenho notado que no meu mercado os profissionais que estudam em meus cursos passam por outras barreiras que infelizmente não posso cruzar por eles.
Alguns exemplos. Um chefe, Engenheiro também, que há 30 anos concluiu seu Curso - e só por isto se acha "experiente" - não aceita nada que o colega que fez meu Curso aplique na Empresa... Um engenheiro que não fez meu Curso, tem 10 ou 20 anos de formado, uma boa posição dentro da Empresa, será que sabe que um colega seu, com 2 anos de formado, que fez meu Curso, está muito mais atualizado que ele? Não se trata de dar poder a um colega menos vivido na Profissão. Mas trata-se de reconhecer que cada novo colega é uma fonte de renovação de conhecimentos para a Empresa, que precisa ser bem aproveitado, especialmente nos conhecimentos acadêmicos, e ser ajudado a vencer a timidez diante da "segurança ignorante" dos peões e dos próprios colegas e chefes mais antigos.
Voltando ao ENEM, começo do começo de tudo, qual é efetivamente o conhecimento que queremos de quem tem 18 anos de idade? Portanto, que formação devem dar os anos de estudos anteriores? O que as escolas precisam efetivamente ensinar para que um aluno possa, nesta idade, estar com sua carreira descortinada, o curso definido e o futuro minimamente vislumbrado?

Comentário #2 — 19/01/2015 12:53

Ligia Fascioni — Engenheira eletricista — Berlim, Alemanha

Concordo plenamente com você. Nunca na história do nosso país, governo algum se preocupou com a educação, pelo simples motivo de que o horizonte de um político brasileiro só consegue alcançar até a próxima eleição. E educação é um investimento de longo prazo. Como esgoto, saúde, segurança.
Infelizmente, não estou vendo perspectivas :(
Abraços, querido!

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