AFINAL, O QUE É UMA STARTUP?
(o conceito se aplica a escritórios de Arquitetura e Engenharia?)

(Publicado em 29/01/2014)





Você já percebeu que a palavra Startup entrou na moda? Todo mundo agora quer ter uma Startup. Abrir uma empresa não basta. Chique mesmo (no último) é ter uma Startup.

Outro dia fui fazer uma palestra numa Semana Acadêmica de Engenharia, numa boa universidade. O palestrante que me antecedeu era um jovem engenheiro que iria apresentar a sua Startup.
A palestra foi bacana. O produto da empresa era realmente muito legal. Mas não vi nada de diferente das milhares de outras empresas de tecnologia que a gente vê abrir (e fechar) quase todas as semanas.

Depois da palestra fui conversar com ele, sobre diversos assuntos. Perguntei (tentando, sinceramente, clarear a minha ignorância) o que vem a ser uma startup? Que diferença tem uma startup de outras empresas?

Pra minha surpresa, o jovem empreendedor não soube me responder. Tentou alguns exemplos, mas, depois de alguns minutos acabou admitindo que \"não é simples identificar se uma empresa é ou não uma startup\". Ficou de pesquisar e me mandar a resposta mais tarde. Não mandou. Não o culpo. Com certeza, tem mais o que fazer do que ficar querendo uma definição clara sobre o tipo de empresa que ele comanda.

Mas eu fiquei com aquilo na cachola. E, cada vez que via algum programa de TV, artigo de revista ou matéria em algum site sobre startups a velha dúvida ficava martelando.

No fim, fiz o que faço sempre nessas ocasiões: fui ler a respeito.

O que eu descobri: bom, um autor, chamado Eric Ries escreveu um livro chamado Lean Startup (Startup Enxuta) e escreveu lá a seguinte definição: STARTUP é uma instituição humana desenhada para criar alguma coisa nova sob condições de extrema incerteza.

Para o SEBRAE, \"uma startup é uma empresa nova, até mesmo embrionária ou ainda em fase de constituição, que conta com projetos promissores, ligados à pesquisa, investigação e desenvolvimento de ideias inovadoras\". O Sebrae fala ainda na natureza exploratória do negócio e da presença do risco como uma das características de uma startup.

Muito bem. Vamos adiante: encontrei um artigo, no site da Revista Exame que me pareceu interessante. O título é sugestivo: O que é uma startup? O autor, Yuri Gitahy, especialista em startups.

Ele explica que o termo começou a ser utilizado há algumas décadas nos EUA e significava inicialmente \"um grupo de pessoas trabalhando com uma ideia diferente que, aparentemente, poderia fazer dinheiro\". (guarde as palavras \"diferente\" e \"aparentemente\")

Yuri Gitahy define startup como \"um grupo de pessoas à procura de um modelo de negócios repetível e escalável, trabalhando em condições de extrema incerteza\". A incerteza, aqui, significa que não há como afirmar se aquela ideia e projeto de empresa irão realmente dar certo - ou ao menos provarem ser sustentáveis.

Portanto, quando estamos falando de uma startup (legítima) estamos falando (a) de um modelo de negócios inovador; (b) de um ambiente de incerteza empresarial e (c) de um produto escalável, ou seja, reproduzível em grande escala.

O site do Sebrae, no entanto, comete um vacilo ao não atentar para o fato de que startup é um estado passageiro e não algo que define o que a empresa será. Eles usam o Google como exemplo de startup. Como vimos até aqui, o Google foi uma startup, quando estava começando, mas, depois deixou de ser.

Diego Remus, do site Startupi esclarece que uma empresa “não é uma startup. Está startup”. E continua: “é quase como uma gripe: a startup passa, seja para fazer sucesso ou se consolidar no mercado, ou para desaparecer como ideia, porque descobriu-se que não era possível realizar. O importante é aproveitar enquanto está startup para conseguir atrair recursos e colocar a sua ideia genial no mercado.”

Espero que tenhamos esclarecido isso aí. E você, querido leitor, não corra o risco de chamar de startup a qualquer empresa de internet ou de tecnologia. Primeiro verifique se o modelo de negócios é realmente inovador, se o mercado potencial é incerto e se o produto resultante é reproduzível em escala. Se não tiver três \"sim\", o que temos aí é apenas uma pequena empresa.
O que já não é pouco! Pode ser até um bom negócio. Só não é uma startup.



ÊNIO PADILHA
www.eniopadilha.com.br | professor@eniopadilha.com.br






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---Divulgação

Comentário #1 — 01/05/2015 00:55

daiana rogelin — estudante — curitiba

Olá Ênio, meus parabéns pelo artigo! Sou estudante de arquitetura e estou pensando em fazer uma "starup" com tema de meu TFG. Esclareceu as dúvidas sobre o assunto. Obrigada!

Comentário #2 — 20/08/2015 14:08

Marcelo Trindade — Arquiteto e Urbanista — Sao Paulo

Ênio, afinal, o conceito se aplica ou não a escritórios de arquitetura?
Penso que a startup tem como objetivo consolidar um produto material no cotidiano, seja um software, um objeto ou um modo de produção.
Como que nós arquitetos e engenheiros vamos consolidar nossos produtos, pois, vendemos conceitos e ideias?

Réplica de Ênio Padilha

Marcelo,
Antes de responder a sua pergunta, permita-me fazer uma correção: ao contrário do que você afirma, engenheiros e arquitetos NÃO VENDEM CONCEITOS E IDEIAS. Esse, aliás, é o principal equívoco com o qual eu me deparo nas aulas de Administração de Escritórios quando falamos em Administração da Produção e Administração de Mercado (Marketing): engenheiros e arquitetos raramente têm uma visão clara de QUAL É O SEU PRODUTO. E, por não saber qual é a natureza do seu produto eles geralmente têm muita dificuldade para precificar, negociar e vender.

Respondendo a sua pergunta: escritórios de Arquitetura e de Engenharia, na maioria das vezes são empresas de prestação de serviços que não representam modelos de negócio inovadores e atuam num mercado sem muitas incertezas. Portanto, geralmente, Escritórios de Arquitetura e de Engenharia não são STARTUPS.

Para entender exatamente qual é o produto (o que é vendido) em um escritório de Engenharia ou de arquitetura, leia o artigo PROJETO, CONSULTORIA, ASSESSORIA ALHOS E BUGALHOS

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