EXAME DE ORDEM NA ENGENHARIA, JÁ

(Publicado em 09/03/2015)



Nessa eu sou voto vencido. Há muito anos defendo que a Engenharia deveria ter um exame de acesso ao registro no Crea, como é feito pela OAB.
A proposta tem sido apresentada sistematicamente em todas as edições do Congresso Nacional de Profissionais do Sistema Confea/Crea. E tem sido, sistematicamente massacrada.
Nem mesmo a proliferação de escolas de engenharia de qualidade duvidosa, geridas por instituições flagrantemente “caça-níqueis” é capaz de alterar a disposição dos nossos “legisladores” para mudar essa regra. Ainda será necessário muito prédio cair até que a luz vermelha acenda e pisque no Sistema Profissional.

Um dos argumentos muito usados para combater a ideia do Exame de Ordem é que “isto só serviria para criar uma indústria de cursos preparatórios para o tal exame, como já existe em relação ao exame da OAB.” A minha pergunta é: E DAÍ? Qual é o problema?

Vamos analisar o seguinte exemplo: Rodolfo é um jovem estudante em um curso de Direito desses de beira de estrada. Nesse curso noturno as aulas que deveriam começar as 19h00 começam lá por 19h30 e, o fim da aula, previsto para 22h40 se dá nunca depois de 22h00 (só aí o curso de cinco anos já é encurtado em mais de um ano. Façam as contas). Nosso amigo Rodolfo também não é dos mais interessados. Leva o curso “na flauta”, faz trabalhos na base do CtrlC+CtrlV, paga pra alguém fazer o TCC e… voilá: forma-se Bacharel em Direito.

Mas Rodolfo quer ser advogado. E, para ser advogado ele precisa passar no exame da Ordem. Assim que termina o curso ele se inscreve no exame e… o resultado é o esperado. Ele não só é reprovado como também recebe uma nota muito baixa.

Passado o choque de realidade, Rodolfo começa a explorar as alternativa para alcançar os seus objetivos. Matricula-se num cursinho preparatório. Estuda pra valer durante o ano inteiro. No final do período, inscreve-se novamente no exame da OAB e… nova reprovação! Dá um certo desânimo. Mas, pelo menos, dessa vez a nota foi melhor do que no ano passado. Rodolfo volta ao cursinho.

Mais um ano de estudo, cabeça enfiada nos livros. Festas e baladas reduzidas… inscrição no exame… Reprovado de novo. Que coisa! Mas… dessa vez foi por pouco. A nota de Rodolfo no exame foi animadora. Ele está quase chegando lá. O sonho de ser advogado está bem próximo. Dessa vez ele não vai deixar escapar.

Nesse ano, Rodolfo mergulha de vez nos estudos. Dá um tempo nas festas e viagens de fins de semana, compra livros, lê muito, faz pesquisas… prepara-se com muita determinação. No fim do ano se inscreve novamente no exame da OAB. Faz as provas… Passou!!! Finalmente, Advogado!

O que aconteceu com Rodolfo? Simples: ele, finalmente (nesses últimos três anos) estudou Direito. Nos cinco anos anteriores ele apenas frequentou uma faculdade que não lhe deu nem formação nem conhecimento jurídico. Ele só se tornou Advogado depois de estudar muito e dominar o mínimo que a OAB exige para que alguém exerça a advocacia no país.

Então… qual é o problema de um eventual exame de ordem fazer proliferar cursinhos preparatórios? Ninguém que tenha feito uma boa faculdade irá precisar deles. É só olhar os números. As boas faculdades de Direito do Brasil aprovam 80, 90% dos seus alunos.

O cursinho preparatório é um merecido castigo para quem optou por fazer uma faculdade fraca ou fez mal feito uma faculdade boa. Mas também pode ser reconhecido como uma oportunidade de redenção, de retorno aos trilhos. O importante é que, no momento em que Rodolfo recebeu sua carteira da OAB ele era, de fato, um advogado. Três anos antes ele não era. Estava longe de sê-lo.

Precisamos fazer isso na Engenharia. Pode ser um processo difícil de ser implementado. Mas alguém precisa ter a coragem de tomar essa iniciativa.

A outra opção é ficar contando prédios que caem, edifícios incendiando por instalações elétricas mal projetadas e outros desastres que mancham a reputação e o valor da marca Engenharia.





PADILHA, Ênio. 2015





Comentário #1 — 24/11/2019 16:35

Rafael — Estudante — Curitiba

Realmente, não só engenharia deveria ter, todos os cursos técnicos e superiores em que a má formação possa a prejudicar a vida de outra pessoa deveriam. Isso não é uma punição para os maus alunos, mas sim uma proteção contra maus profissionais.

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