JUDICIALIZAÇÃO É UMA M&$#@

(Publicado em 04/01/2018)





Eu já disse aqui, algumas vezes que nunca conheci uma professora melhor do que a Áurea Loch. Não apenas pelo conhecimento técnico quanto pelo domínio das turmas e pelos valores e princípios que transmitia aos seus alunos.

Pois bem. Tem uma história muito interessante, que aconteceu em 2001 ou 2002, durante a realização do Moleque Bom de Bola (uma grande competição de futebol para meninos que ocorre em Santa Catarina). Ela era responsável pela equipe de futebol da escola. Nem era a treinadora, mas era a professora que representava a instituição.

O time avançou uma fase mas acabou trombando com uma equipe muito superior. Perdeu por 9 x 0. Foi punk.

Logo depois que a partida acabou, surgiu a suspeita de que um dos jogadores do banco de reservas do time adversário havia sido inscrito um dia depois do prazo. Alguns treinadores de outras equipe, com o claro objetivo de eliminar o time vencedor, insistiram para que ela entrasse com um protesto para desclassificar o adversário. Ela reagiu com o seguinte discurso. "O fato de eles terem um jogador irregular no banco de reserva não alterou em absolutamente nada o resultado. Ainda que esse jogador tivesse participado do jogo, isso não explicaria o placar de nove a zero. Eu posso explicar para os meus alunos que perder uma partida por 9 x 0 não é o fim do mundo e que eles precisam treinar mais se quiserem vencer no ano seguinte. Se o nosso time tivesse perdido o jogo por 2x1 ou por um outro placar mais equilibrado, um protesto poderia fazer sentido. Mas impugnar uma partida que você perdeu de forma tão categórica e tentar ganhar os pontos por um detalhe burocrático passaria uma mensagem muito ruim para os alunos. Isso aqui é uma competição escolar. Então, acima de tudo, acima da competição e tudo o mais, está a educação que estamos dando a esses meninos. Segue o campeonato. Não haverá protesto."

A lição é clara: o primeiro juiz é o próprio perdedor da causa. Judicializar uma causa por conta de detalhes que não estão na essência da disputa é um erro. E, quando esse tipo de comportamento contamina uma instituição, isto é mais do que um erro. É uma doença.

CORTA PARA 2018. Estamos no dia 4 de janeiro. O presidente eleito do Confea, engenheiro Joel Kruger deveria ter assumido suas funções no dia 1º. Está impedido de fazê-lo por conta de uma liminar solicitada pelos perdedores. O julgamento do mérito será feito somente depois do dia 8. E assim, 2017 e a era José Tadeu parece se arrastar por mais um tempo sobre a Engenharia e a Agronomia do Brasil.

Uma coisa que eu tenho combatido há anos é o excessivo poder conferido aos advogados no sistema Confea Crea. O setor jurídico foi, aos poucos, sendo transformando no centro do universo. Os advogados da instituição tornaram-se poderosos demais. Eles decidem políticas, negociações e contratos. Decidem, veja bem. Não apenas assessoram os decisores. Parece que a instituição tornou-se dependente de bons advogados. Isso, definitivamente, não é bom. A judicialização de tudo tirou dos líderes do sistema a capacidade de negociar. E jogou as instituições num labirinto do qual está dificil sair.

Quase todas as pessoas com as quais eu conversei naquelas semanas que antecederam a eleição (que foi realizada no dia 15 de dezembro) já afirmavam sem nenhuma dúvida que, fosse quem fosse declarado vencedor, a questão seria, no fim das contas, resolvida na justiça. E eles tinham razão.

Precisamos acabar com isso. E contamos com o presidente Joel para nos liderar nessa cruzada. Que o Conselho Profissional dos Engenheiros e Agrônomos seja conduzido pelos profissionais do sistema. Que as coisas sejam resolvidas com negociações. Que as partes envolvidas sejam dignas de fé.

Nessas horas, valho-me de uma frase de Tarley Rossi Vilela, pecuarista, secretário da Agricultura de São Paulo (Governo de Adhemar de Barros), citado pelo Comandante Rolim Adolfo Amaro num dos artigos do livro Cartas do Comandante, de 1998, página 33: "Em todas as suas negociações com clientes, acredite tanto neles quanto você espera que eles acreditem em você. Nenhum negócio é bem-sucedido quando só uma das partes merece fé.





PADILHA, Ênio. 2020

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