EU, MARICAS

(Publicado em 12/11/2020)



Alguns cientistas pelo mundo estão falando de um fenômeno que está em curso, depois de 10 meses de pandemia da Covid-19. É a pandemic fatigue, que expressa o cansaço decorrente de lidar com o vírus e com a doença dia após dia, semana após semana, mês após mês.

Mas eles (os cientistas) alertam para uma coisa muito importante: O VÍRUS NÃO ESTÁ NEM AÍ PARA O SEU CANSAÇO, PARA A SUA FADIGA OU PARA O SEU SACO CHEIO.

O vírus continua fazendo o que ele faz desde janeiro: infectar a maior quantidade possível de pessoas com a mesma (mesmíssima!) gravidade.





Imagem de cottonbro no Pexels



Nos Estados Unidos estamos observando uma explosão de novos casos da doença e da infecção pelo Corona Vírus. E certamente teremos o mesmo destino, no Brasil, pelos mesmos motivos.

Nossas lideranças máximas, tanto lá quanto cá, desprezam qualquer tipo de controle da doença recomendado pela ciência; fizeram do vírus um ente político que precisa ser enfrentado e combatido politicamente; conseguiram, com o seu poder e com a força de sua liderança, espalhar um sentimento anticiência e antivacina em grande parte da população (uma parte realmente muito grande da população) que desrespeita todas as normas e que, na verdade, se orgulha em desrespeitar essas normas.

Eles se sentem incluídos num grupo de poder ao desrespeitar essas normas e constrangem, em grande medida, a outra metade da população. A metade que, ainda que esteja extremamente cansada de lidar com o vírus, não tem a disposição de se entregar, por saber que o vírus não mudou. O remédio que cura a doença não foi descoberto. A vacina que previne a doença não foi desenvolvida. Tudo continua, hoje, como estava em março ou abril, a não ser o fato de que hoje temos muito menos pessoas com disposição para enfrentar (e, em alguns casos, permitir que se enfrente) o vírus com o respeito que ele sempre fez por merecer.

O constrangimento imposto por essas lideranças e pelos seus seguidores aos que ainda entendem a natureza e a gravidade do vírus e da doença se dá com expressões do tipo "é só uma gripezinha", "isso daí não é nada", "quem é jovem e forte e corajoso não se preocupa com isso", "o Brasil não pode ser um país de maricas" e, portanto, se você tem medo do vírus ou se preocupa e toma cuidados está se comportando como um maricas (e isso, na visão desses líderes e de seus seguidores, é uma coisa negativa, desprezível), logo, se você se cuida e se você cuida dos seus familiares, se você cuida dos outros você é uma vergonha para o país.

As pessoas que têm entendimento de ciência e uma boa fortaleza espiritual não irão se abater com esse tipo de assédio, mas nós sabemos que, infelizmente, muita gente acaba sendo induzida por amigos, por familiares, pelo chefe ou pelo patrão que tem esse discurso (que atende às suas motivações econômicas).

A cada dia que passa mais gente passa aceitar como normal os ajuntamentos, as aglomerações, as festas, as praias lotadas, os parques atulhados... e outras atividades não essenciais.

Com certeza, nem o presidente nem seus familiares vão ler isto aqui. Mas é certo que alguns seus seguidores, mais próximos de mim lerão. E é pra eles que eu digo: eu não me importo de ser considerado um maricas (na acepção que o presidente e seus seguidores dão à palavra). Isso não me ofende. O que me incomoda é o fato de ele utilizar uma palavra que (na visão dele) é extremamente ofensiva, para se referir a uma grande parte da população brasileira que ainda está tomando os cuidados devidos e recomendados pela ciência para conter ou se proteger ou proteger os outros de um vírus ainda não dominado. Um vírus que causa uma doença para a qual ainda não existe uma cura nem vacina.

O presidente nunca deu uma palavra sincera de reconhecimento da dor das mais de 150 mil famílias que perderam alguém. Nunca se preocupou em dar uma palavra de apoio e de estímulo aos milhões de pobres que precisam sair de casa todos os dias, enfrentando transporte coletivo lotado para trabalhar para empresários que defendem o discurso que ele sustenta e espalha. Ele nunca disse um muito obrigado a essa gente que está fazendo a sua parte e se arriscando todos os dias.

Infelizmente temos um presidente sem qualquer nível minimamente aceitável de empatia, incapaz de liderar o país numa situação tão adversa. Ele só consegue ser líder dos seus. Daqueles que muita gente, não sem razão, chama de GADO.





PADILHA, Ênio. 2020





Leia também: A LATA DO LIXO DAS AMIZADES TÓXICAS
Alguns amigos, pessoas às quais dediquei meu tempo, atenção e admiração, têm se mostrado (por suas atitudes nas redes sociais, principalmente) pessoas com as quais não vejo nenhum sentido em conviver.






Comentário #1 — 12/11/2020 15:54

Ligia Fascioni — Engenheira Eletricista — Berlim, Alemanha

Perfeito!
Mas pelo menos os EUA já conseguiram se livrar do mau líder; Biden está organizando a estratégia de combate à pandemia antes mesmo de assumir, enquanto o bebezão laranja ignora a situação e continua esperneando.
Só espero que o Brasil não tenha que esperar até 2022 pela sua vez. Não vai sobrar muita coisa nesse ritmo de destruição...

RÉPLICA DE ÊNIO PADILHA

Tá triste e deprimente a situação, Lígia. Cada dia é um 7x1. O Brasil está sendo governado, há 18 anos, por presidentes que, juntos, não leram uma dúzia de livros. E, nesses últimos dois anos estamos submetidos a uma Caquistocracia. Sem luz no fim do túnel.

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