O TREM
(Carlos Alberto Padilha)

(Publicado em 21/04/2023)



Mais uma pras minhas Notas Autobiográficas

Tenho escrito aqui no site algumas memórias, à título de Notas Autobiográficas

Há 20 anos meu irmão mais velho, Carlos Alberto, teve um sensacional surto de escritor e, durante vários meses, escreveu crônicas com as suas memórias e me enviava, por e-mail. Eu, claro, me divertia muito com os seus escritos.

Em 2022 recuperei aquele material (são 16 textos) Infelizmente este é o último texto daquela série de artigos. Na verdade, este é um texto tardio: o único da série que foi escrito algum tempo depois, em 2005





Imagem: Desenho de Rosely Siebert



"Lá vem ele!"
Isso mesmo! Era esta a expressão da maioria dos guris à beira da ferrovia quando ouviam o rompante da máquina rasgando o ar e, imponente, fazendo estremecer o chão que sustentava os trilhos.

A locomotiva e seus vários vagões não eram nenhuma novidade. Porém, quantas vezes passasse, tantas vezes se corria pra vê-lo e sentir de perto a sua passagem.

A Maria Fumaça parecia hipnotizar quem a olhasse. Havia uma magia que tomava conta do momento, e enquanto não se perdia de vista na curva da estrada, não haviam olhos nem ouvidos para outra coisa. Quanta saudade da aurora da minha vida!

Eu cresci ouvindo seu apito todas as manhãs e todas as tardes. Era o amanhecer da minha vida onde tudo era novo. Novos eram meus pais, meus irmãos, os tios, os primos, até meus avós eram novos. As emoções eram novas, as experiências de criança também.

Assim, uma vez vividas, experimentadas, eram assimiladas e não eram mais novidades. Mas, tudo e todos ficaram mais velhos. A minha cidade, a minha primeira escola, e junto com ela minha primeira professora que, aliás, era bem novinha.

De tudo lembro como eram quando novos, mas vejo que o tempo implacável impôs seu desgaste. Porém, o trem que durantes anos cortou o Vale, jamais envelheceu. Na minha lembrança ele é tal como era e sempre foi: Mágico, imponente, eterno trem, eterna Maria Fumaça.





CARLOS ALBERTO PADILHA
20/JAN/2005





Leia também: COPAS DO MUNDO
Primeiro artigo da série, com as memórias das copas do mundo, até 2002



O VELHO REX
(...) todo cachorro quando está comendo ainda que seja velho e louco, não admite interferência. O cão me advertiu rosnando seriamente...



NOSSA PRIMEIRA COMUNHÃO
(...) compromisso é compromisso e o ensaio geral era muito importante. De modo que não havia jeito,  teria que ir assim mesmo. Até a Igreja foi tudo bem, afinal "moleques"  na rua andam de qualquer maneira. Mas na Igreja não!



O CASO DO BALANCINHO
(...) De súbito minha mãe me pediu silêncio e, num gesto como de espreita  dona Mathilde ergueu a cabeça concentrando-se para ouvir melhor algo que por certo lhe parecia estranho. E era!



O CAFEZINHO DO PAI
(...) Não havendo como conservar o café quente, o jeito era esquentar (requentar) cada vez que o quisesse. Assim, levava-se o bule com café ao fogo, esquentando-o com cuidado para que não fervesse



O CAFEZINHO DO PAI (2)
(...) Todos sabemos que não se deve usar os próprios dedos como termômetro (muito menos para saber se um café está quente ou não). Mas será que o nosso irmão Edson sabia?



O DIDI PESCADOR - DOMINGO É DIA DE PIQUENIQUE
(...) Sem muita demora, vi quando o Didi alçou o anzol da água, e preso nele um peixe desdobrava-se fisgado ao engodo. E logo em seguida, mais uns três ou quatro. Quanto a mim, continuava sapateiro



A VELHA CASA DA VOLTA DO UBA
(...) Era mal assombrada e pronto. A casa estava abandonada havia vários anos. Contavam os mais antigos, que sua última moradora,  uma senhora de idade, falecera ali desprezada pelos filhos e parentes. E iam mais longe: falavam que a velha  antes de morrer...



O CAMINHÃO DAS BALAS BELA VISTA
(O tal caminhão das Balas Bela Vista era, sim, um desafio pra quase todos os meninos corajosos. Eu não tava nesse time. Eu sempre fui muito cuidadoso com essas coisas de arriscar danos físicos. Não era do tipo que mergulhava de cabeça nos riachos nem andava de bicicleta a toda velocidade. Preferia a calma e a segurança.
Mas o meu irmão... esse era doido de pedra. Não podia ver um perigo que já queria correr...Deu sorte de não apanhar nesse dia.)



O POÇO
(Um dia, nossa mãe já cansada de subir as barrancas do Itajaí Açu carregando latas d'água, resolveu fazer um poço.
Associando-se aos nossos vizinhos alemães, saíram em busca de contratar um poceiro.  
O poceiro mais famoso do lugar, era um senhor conhecido como Pedro Mudo. Pedro Mudo, obviamente porque não falava, era mudo mesmo.)



OS TRENS DA VÓ
(Nossa avó tinha uns trens. E a gente estava doidinhos pra conhecê-los)



A FLORIANÓPOLIS DE 1969
(Nesta crônica Carlos conta como foi conhecer Florianópolis, aos 11 anos (ele) e 10 anos (eu) - A cidade tinha, certamente outra alma.)



O NOME DO DIDI
(Nesta crônica Carlos conta a surpresa que foi ficar sabendo que o nome do irmão mais novo era Ênio Padilha Filho e não Didi, como ele estava acostumado a chamar.)



ENTENDA LÁ COMO QUISER
(Nosso pai, o Ênio Padilha original, era cheio das frases de efeito...)



CEGONHA OU AVIÃO?
(A chegada da Preta (minha quarta irmã) foi um momento de questionar algumas crenças de criança... eu tinha 6 anos... meu irmão Carlos, tinha 7)



O TREM
(Ah, que saudades que eu tenho, da aurora da minha vida...)


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